Doce Magia, Doce Você

1 Doce Floresta, Doce Aberração


Notas iniciais
☆Primeiro de tudo eu gostaria de tentar explicar que a personalidade dos personagens terá a base original, no entanto eles podem acabar por evoluir e com isso acabar mudando (claro, sempre com sua essência ali quietinha), por isso não fiquem pensando "esse Castiel parece o do HSL, esse Nathaniel parece o do UL", pois eles são de Fayhaven ehehe

☆Por enquanto a fic estará classificada para 16+, mas isso pode mudar futuramente, pois pretendo abordar temas mais maduros e perturbadores.

— Uff … – Respirei fundo, e puxei o ar como se a muito eu não tivesse esse privilégio. Eu só estava nervosa, todo o meu corpo estava gelado e eu queria correr para longe, era mais uma vez o primeiro dia de aula e eu não consigo explicar o quanto eu odeio esse dia.

Olhei aquele edifício grande, os alunos já estavam começando a chegar, vestidos em seus uniformes impecáveis, bem brancos e bem passados e eu não era exceção, meu uniforme era igualmente limpo e emanava um cheiro de rosas quase enjoativo. A alguns anos atrás eu nem me imaginaria em uma escola como essa, mas desde que fui adotada tudo o que parecia impossível de conseguir, agora era possível, bom… Quase tudo.

Dei o primeiro passo para frente quando alguém me empurrou (espero que acidentalmente) e então entrei no primeiro corredor, eu estava com um capuz amarelo, cobrindo aquelas pontinhas salientes que eram minhas orelhas, nenhum aluno da escola possuía aquele tipo de orelha, nem meus pais, afinal como teriam? Eu era adotada, afinal, de qualquer forma, isso era motivo ou de piadas ou de me tratarem como um animal exotico de um zoológico.

— Lynn! – Ouvi a voz familiar da Penny, quando virei dei de cara com uma garota muito alta e ruiva, ela ia bastante no orfanato mesmo não sendo órfã, já que seus pais sempre ajudavam com doações. Abri um largo sorriso. Eu não sabia que ela iria estar na escola esse ano, é bom ver alguém familiar, nós não eramos amigas, mas sempre conversávamos quando ela visitava o orfanato. – Está cobrindo as orelhas novamente? Lynn, todos sabem que você tem orelhas estranhas, não adianta esconder ahaha – Depois que ela disse isso, simplesmente puxou meu capuz e expôs para todos o que eu estava tentando esconder. Minhas esperanças de ter alguém que pudesse estar ao meu lado se foi e eu sei, todos sabiam, todos fofocavam sobre minhas orelhas, riam de mim nas costas ou na minha cara mesmo, mas quando eu escondia, podia fingir que eu era comum e os olhares eram menos frequentes.

— Penny! – Gritei assustada tentando puxar meu capuz de suas mãos. Assim ela era na escola? Ela sempre pareceu tão gentil … – Me devolve, por favor!

— Pessoal, vejam, ela acha que se cobrir, fará todos esquecerem o quão estranha são suas orelhas ahaha – Ela não falou muito alto, mas estávamos em um corredor cheio de alunos passando e passeando antes das aulas começarem.

— E-eu pensei que eramos amigas, Penny… – Resmunguei baixinho.

— Oh, eu? Sua amiga? Lynn, eu só ia ao orfanato por que meus pais me obrigavam, conversava com você pelo mesmo motivo, nunca te considerei amiga, deixa de ser idiota. – Ela fez um gesto exagerado com as mãos – Na verdade, é inacreditável que você foi adotada mesmo com essas orelhas ahaha.

Encolhi meus ombros, eu não podia olhar o rosto de ninguém, eu não tinha coragem e mesmo se tivesse não conseguiria, pois meus olhos estavam embaçados com as lágrimas que se formavam.

Meu peito antes de ar, parecia agora pesado e doía.

Sem esperar se algum professor iria ou não me ajudar eu corri, corri para fora da escola, corri pela cidade sem enxergar nada a frente e por fim acabei entrando em uma floresta, que pouco a pouco foi ficando mais escura e mais densa, mas eu sentia que quanto mais longe eu estivesse, menos iria doer. Quando minhas pernas me forçaram a parar de correr eu parei e sentei no chão com um baque, a grama úmida abaixo de mim foi amassada pelo meu corpo e ali mesmo eu chorei, chorei o mais alto que eu pude, eu provavelmente estava perdida, mas quer saber? Não era um problema! Eu só queria desaparecer nesse momento, eu só queria achar um lugar a qual eu pertencesse, um lugar onde ninguém me trataria como uma aberração.

Depois de tanto chorar, eu acabei adormecendo no chão da floresta, e quando acordei já estava escuro. Olhei ao redor. A floresta era enorme, e parecia assustadora, agora que estava tão escuro, eu ouvia os animais fazerem barulhinhos e apenas a lua cheia e as estrelas iluminavam meu caminho. Suspirei.

— Isso aí, Lynn, parabéns, agora você está perdida… – Resmunguei baixo para mim mesma me colocando de pé.

Olhei para cima, vi um pouco do céu e muitas folhas.

— Agora só tenho que esperar, ou um urso irá me devorar ou um serial killer irá arrancar todas as minhas tripas… – Me arrepiei após falar as palavras.

Blom Blom!

Ouvi um barulho estranho e dei um pulo para trás com o susto. Era como se fosse um sino bem grande, como aqueles de igrejas, olhei para todo lado e não consegui achar a fonte do barulho, então como se eu não pudesse ficar mais perdida, andei ainda mais para frente, para mais dentro da floresta.

BLOM BLOM!

— É realmente um sino!

Meus olhos se abriram em sinal de surpresa, quando ao longe eu pude ver por cima das árvores um sino ao alto, badalando alegremente, seria normal e eu não estaria tão surpresa se aquele sino existisse! Eu nunca havia visto ele, ou ouvido, ou lido a respeito, aquele sino não era de conhecimento de mais ninguém da cidade.

Eu precisei me aproximar, pessoas prudentes provavelmente recuariam, mas eu já estava perdida mesmo, não tinha mesmo como piorar, por isso eu caminhei e depois de alguns minutos eu pude ver uma cidade, uma cidade inteira, que eu nunca ouvi falar e que nem mesmo deve estar no mapa. Conforme eu entrava na cidade eu notava como era diferente da minha cidade, estava um pouco escuro, mas as luzes tremulantes me ajudaram a perceber que as construções eram feitas com pedras, alguns detalhes de madeira aqui e ali, tudo era bem ornamentado e flores podiam ser vistas nas janelas e paredes de algumas casas, o chão era de pedra também, mas havia partes apenas com terra, a torre do sino provavelmente ficava no centro, eu não consegui ver a base da torre de cara. Era um belo lugar, parecia o país de uma princesa.

Andando por aí eu notei que ninguém me olhava estranho, e eu até achei que se devia ao fato de ser noite e estar um pouco escuro, mas bastou poucos segundos de atenção para eu entender. Orelhas pontudas não eram nada comparadas a asas, rabos e… cascos? Era um lugar mágico, como nos livros!

Eu estava distraída olhando para tudo, por isso não consegui ver a escada em um dos pontos do caminho e acabei pisando errado. Meu coração gelou na hora, eu iria cair da escada, é normal cair, mas na hora é impossível não entrar em desespero. Fechei meus olhos e me preparei para o impacto, mas ao invés de sentir o chão duro e cruel, eu senti braços e um corpo quente.

Abri os olhos lentamente e vi que alguém havia impedido que eu caísse, ficando de pé nos degraus e me segurando com força. Sua camisa escura e sua jaqueta vermelha cheiravam a uma fumaça doce, não era muito agradável, mas eu gostei.

— Pretende ficar abraçada em mim por mais quanto tempo? – A voz grave dele me fez pular para trás e em consequência quase cair novamente, mas ele voltou a me segurar, me levando para longe das escadas e me colocando em uma superfície completamente plana. – Caramba, como você pode ser tão desastrada? – Ele resmungou irritado.

Aproveitei para olhar um pouco seu rosto. Ele tinha traços marcantes, seus olhos eram estreitos e cinzas, acima de seu nariz longo e fino havia uma cicatriz, que poderia até incomodar uma pessoa, mas em seu rosto só o fazia ficar ainda mais interessante, de sua boca um de seus dentes estava levemente à mostra, como as presas de um vampiro, mas seus chifres sinalizavam que ele não era um vampiro, seria ele um… Demônio?

— E-er… Onde eu estou? – Depois que eu perguntei, ele fez uma careta esquisita, eu não consegui entender o que significava.

— Ei, para onde ele foi? – Ouvi uma comoção um pouco à distância.

— Merda! – e antes que eu tivesse minha pergunta respondida, o rapaz com chifres e cabelos vermelhos correu para longe e antes que eu pudesse notar, eu já estava correndo em sua direção, logo atrás dele. – O que diabos você está fazendo?

— Eu quero respostas! – Gritei já quase sem fôlego – Que lugar… arf arf… é esse?

— Merda! – Ele segurou meu pulso e me puxando, correu para dentro de um beco, descendo algumas escadas, paramos finalmente quando ele passou pela porta de um edifício bem escondido. Ele bateu a porta atrás da gente com força. – Quem diabos é você? Quer que me peguem? Você está atrapalhando e eu acabei de conhecer!

Nossa, ele é mesmo grosso…

— Eu sou a Lynn, eu me perdi na floresta e… – Ele tampou minha boca quando ouviu passos do lado de fora, talvez os mesmos homens de antes, eles resmungavam e pareciam irritados por terem o perdido de vista.

— Ele estava com uma garota? – Um deles falou e eu não consegui evitar de ter um sobressalto.

— Castiel é um lobo solitário e trabalha apenas sozinho, provavelmente deve ser alguma vítima.

Olhei para cima, ele estava silencioso, sua expressão bastante séria e ele parecia ouvir a conversa dos homens atentamente.

Então seu nome é Castiel.

Depois de alguns minutos os homens foram embora e só após isso ele afastou sua mão de mim.

— Ah que droga! – Ele chutou um banco qualquer.

— O que eles queriam dizer com… Vítima? – Perguntei hesitante, olhando assim, ele parecia realmente intimidador, sempre com os olhos cheios de algo que parece ódio, sem contar suas presas, que pareciam completamente afiadas.

Ele olhou para mim e sua expressão mudou completamente, antes ele estava sério, mas agora ele me olhava com um largo sorriso assustador, suas presas à mostra, ele deu dois passos para frente e eu me afastei.

— Sabe… – Ele me encurralou e me colocou contra a parede – Você é muito corajosa. Elfos bebês como você deveriam fugir de um demônio como eu… Não sente medo? – Ele levantou meu queixo com um de seus indicadores, me forçando a olhar dentro de seus olhos gélidos.

— V-você é um demônio? – Perguntei tentando parecer um pouco menos assustada, mas tem grandes chances de ter sido em vão.

Ele alargou ainda mais o sorriso e aproximou seu rosto do meu, me farejando como um lobo faminto. Fechei bem os olhos antes de sentir algo quente e molhado no meu rosto, ele estava lambendo minha bochecha, ele estava… Estava me experimentando?!

Senti todo o meu corpo tremer e minhas bochechas ficarem quentes.

— Oh… – O tom de sua voz mudou, agora ele parecia surpreso com algo – Isso é… – Castiel se afastou bruscamente, cobrindo sua boca com a costa de uma de suas mãos. – O que é você? – Ele perguntou com uma leve irritação na voz, mas ele também parecia assustado.

A reação conseguiu me deixar ainda mais triste. Até naquele lugar, onde todos eram diferentes de tudo que eu já havia visto, até mesmo ali eu era uma estranha? Uma aberração? A ponto de assustar um demônio?

— O que eu fiz? – Perguntei confusa, dando um passo para frente.

— Não! Afaste-se! – Sua voz foi arbitrária e rígida, me fazendo colar no chão. – Eu não sei o que você é, mas não vou ficar aqui, não desse jeito… Seu cheiro e sabor… Eu… – Ele parecia nervoso o que me fazia ficar ainda mais nervosa e apavorada. Eu vi suas presas ficarem ainda maiores e vazarem ainda mais de sua boca.

— Por Favor… Me diga o que está acontecendo! – Implorei quase em desespero, meu peito se apertava cada vez que ele se afastava tentando manter suas presas na boca.

Ele estava respirando com dificuldade e então alcançou a maçaneta da porta e fugiu, para longe de mim, seus olhos cinzas estavam brilhando como nunca e foi a última coisa que eu vi.

— Eu… Eu assustei a porra de um demônio? Eu sou uma aberração… – Sentei no chão daquela casinha pequena e mal iluminada, meus olhos começaram a ficar quentes e molhados – Eu achava que aqui eu seria… comum…

Notas finais
☆E aqui finalizamos o primeiro capítulo. Para quem conhece o Castiel, sabe que ele não é de se assustar tanto, qual é o mistério que paira sob a pobre Lynn, que foi capaz de intimidar até mesmo um demônio?

☆Eu pretendo escrever três rotas, a rota do Nathaniel, a do Castiel e a do Zanrry (Personagem original). As rotas serão feitas como um jogo de texto (que publicarei logo logo). A fic será inteira em uma das rotas do Castiel, quando o jogo estiver pronto vocês poderão desbloquear uma outra rota do Castiel, para não ficar repetitivo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.