Doce Inverno
24 Capítulo 23
Notas iniciais
Foram duas semanas correndo atrás de grimórios, feitiços e tudo mais. Eu dormi apenas duas noites em meu quarto, o resto ficava parado de onde Bella estava. Um dia, Stefan me levou para ver o sol e conhecer as mudanças da cidade.
Foi uma alegria imensa ao conseguirmos achar o feitiço, após uma tortura básica em Katherine – ela merecia algo, apareceu em nossas vidas um ano após a morte de Bella apenas para me avacalhar, mas acabou gostando de se juntar a família. — um grupo de bruxas entregou um feitiço especial para ressuscitar Bella. Segundo Bonnie, havia algo sobrenatural em Bella que possibilitava sua volta, era o tal “segredo” que ela não queria me falar agora.
Estava a tanto tempo organizando todas as coisas do feitiço e até comemorando a nossa breve vitória, que havia adormecido na cadeira ao lado da cama de Bella. Quando acordei, Bonnie deixou seu diário de lado e me olhou sorrindo.
– Damon, que bom que acordou. Bella está de olho em você. – me remexi no banco.
– Conseguiu alguma coisa?
– Bom, sim. Estou só terminando de anotar, mas... já pedi que fossem buscar as coisas. Elena e Stefan foram para a China buscar a pedra necessária, Rosálie foi com Katherine, para Jerusalém, Alice está se preparando para ir buscar umas ervas na América do Sul, na divisa do Brasil com... Bolívia. E eu me encarreguei de cuidar de tudo aqui. Dormiu por dois dias.
Eu me alonguei e parei perto dela.
– Quanto tempo, mais ou menos?
– Diria que... um mês e pouco.
Eu resmunguei agoniado.
– Um mês para quem esperou dez anos... – ela se virou para mim.
Pela primeira vez, pude notar o quanto ela envelheceu. Ou amadureceu, melhor dizendo. Seus cabelos estavam longos e cacheados, ela havia engordado um pouco também, e tinha um rosto mais sábio.
– Eu dormi por dez anos, não é justo.
– Já que estou acabando, vou lhe deixar a par de todas as coisas daqui, o que acha?
– Quero ajudar.
– Você vai me ajudar, temos que preparar o local da magia. – ela sorriu, fez um certo carinho em meu rosto e ficou de pé, indo até a cozinha buscar algo para comer.
Eu olhei ao redor. Podia sentir a presença de Bella aqui. Caminhei até seu corpo e coloquei a mão em cima do vidro, a vendo serena ali. Pálida, sem vida.
Senti algo pressionando contra minha mão e sorri. Era ela me tocando do Outro Lado. Em breve, estaríamos nos tocando de verdade.
…
Odeio esperas.
Eu realmente odeio esperar. Embora Bonnie tentasse me distrair, foram três semanas até todos voltarem com os ingredientes, e então teríamos que esperar um maldito mês inteiro para realizar a droga do feitiço que ocorria na Lua Nova, de início com a crescente. E para Bella retornar realmente á vida, seria apenas no estágio final da Lua Cheia, ou seja, muito tempo. Muito tempo para pouca paciência.
Eu passava a maior parte do tempo dormindo, mesmo que eu soubesse que Bella voltaria em breve pra mim, que eu passei dez anos hibernando à toa quando podia salvá-la, mas, mesmo assim, Não suportava a ausência dela. Eu era um patético apaixonado, mas o que eu poderia fazer?
Eu dormia agoniado, dormia e acordava direto, mas voltava a dormir. Quando acordava, buscava ajudar em alguma coisa, ou ficava sentado ao lado do “caixão de vidro” onde Isabella repousava.
Havia dormido de mal jeito por dois dias. A cada duas horas, acordava com pesadelos e sem forças, voltava á dormir. Até que me senti agoniado na cama e decidi levantar, meio sonâmbulo, fui até o porão ver Bonnie e Bella. Fiquei bem confuso quando vi um loiro alto de jaleco.
– Ei. – anunciei minha presença, os dois olharam para mim. Stefan entrou no porão com uma sacola.
– Trouxe o que pediu. Damon! Resolver acordar?
– Cansei de ficar deitado. – bocejei e fui até o corpo de Bella, encarando o novo integrante desconhecido.
– Esse é Carlisle, é o novo médico daqui do hospital. E... é um vampiro.
Ergui as sobrancelhas diante as palavras de Stefan. Bonnie suspirou e se aproximou, parecia cansada.
– Quase um século de prática. Sou um ótimo médico e bom no que faço. E sei mexer com magia. – ele olhou para Bella. – uma semana, Damon. E começamos com o feitiço.
Eu respirei fundo, estava tão ansioso...
– Bonnie. – a olhei, me aproximei dela. – toda vez que eu acordo, vejo você aqui.
– Estou tentando te ajudar.
– Stefan vai lhe dar alguma recompensa?
Ela largou o copo de água na mesa e se virou pra mim.
– você faz parte da minha vida, droga! Você é o irmão do meu melhor amigo, você... se meteu em encrenca e nos levou junto. Mas estava lá para nos ajudar. Você tem seu jeito complicado de ser e de amar, e era tão... cruel, e ficou tao... incrível ao se apaixonar e ver você... morto! e...
Arregalei os olhos quando ela começou a chorar sem parar.
–-hum... – fiz uma careta, e a primeira coisa que pensei em fazer foi abraçá-la. Isso a fez chorar mais e se agarrar em mim.
– A agora.... com abraços amigáveis... Ah meu Deus eu sou tão chorona.
– Vai passar. – passei a mão em sua cabeça. Olhei pra Stefan pedindo ajuda, ele apontou pra escada. – vou...te por pra dormir.
– Meu Deus! Como você é fofo!
Fui a levando pro quarto, recebendo vários elogios. A deixei na cama de Stefan e menos de um minuto depois, ela adormeceu. Suspirei aliviado enquanto Elena entrava no quarto e olhava pra Bonnie.
– Sabe o que é uma droga? É que ela tem uns 50 anos, em média. E um dia ela vai morrer. – cruzou os braços. – e eu vou ter que deixá-la ir. Porque ela escolheu.
– Bella não queria morrer.
– Eu sei, é exatamente por isso que tentamos há tanto tempo. Não queríamos que você morresse, Damon, por isso estamos até hoje tentando. Porque quando amamos alguém, lutamos por ela até o final. E lutamos para te ver bom, lutamos para trazer Bella porque, além de ela ser uma ótima amiga, teremos o verdadeiro Damon de volta. Como Bonnie disse; Engraçado, amigável, fofo, irônico e completamente... amável.
Ela saiu do quarto. No momento em que eu estava indo para cozinha, me encontrei com Carlisle.
– Olá, Damon.
– Hum... oi. – falei confuso.
– Bom, vou me apresentar direito, sou Carlisle Cullen, vim trabalhar no hospital daqui há pouco tempo.
– Como? Como se controla?
– Um milênio de prática. Eu e minha esposa fomos transformados quando nossa tribo foi atacada, éramos, na época, médicos. Passamos anos matando por falta de controle, até que conseguimos aprender a controlar a sede.
– E caça esquilos? – ergui as sobrancelhas. Ele riu.
– Tentei, mas não é tão fácil. Ficar perto de sangue humano enquanto se alimenta de animais? É pedir para perder o controle. Então.. ás vezes pegamos algumas bolsas...
Ele sorriu amigável.
– Ela vai voltar. – deu dois tapas em meu ombro e foi para algum lugar da casa.
Observei como tudo tinha mudado. A mobília estava trocada, apenas algumas peças mais antigas e valiosas estavam ali, até o piso havia sido trocado e a TV da sala que parecia tela de cinema.
Fui pra cozinha, estranhando como tudo estava estranho. Ergui as sobrancelhas quando vi Rosálie e Katherine aos beijos.
– Hum... com licença. – pedi, mexendo no armário.
– Damon! Quer participar? – Rose perguntou rindo, descendo do balcão. Eu revirei os olhos.
– Não, obrigada. Estou... satisfeito aqui.
– Ah, qual é Damon, não se faça de santo. – Katherine se aproximou, a empurrei. – ok, ok, vamos explicar a Damon como tudo aconteceu.
– Um beijo numa boate... quando íamos fazer a três... – Rose começou.
– Gostamos uma da outra, começamos a brincar.
–Comecei a me sentir apaixonada.
– Comecei a me sentir humana..
– Decidimos namorar.
– Nos casamos meses depois.
–-Fim! Não é uma linda história? – Rosálie pulava de animação, eu dei um sorriso leve.
– Surpreendente! – fingi e passei por elas, Katherine passou na minha frente.
– Não é só porque sou lésbica e apaixonada que eu não sei ser mal, ok? Continuo a mesma, só que... melhor. – sorriu triunfante. Revirei os olhos.
– Ok, Katherine.
– Quando Bella acordar, podemos fazer os quatro. – Rosálie piscou do balcão e puxou Katherine pra si, apertando a bunda dela.
– Eu acho que não.
– Não daria conta de três, Damon? Pelo que me lembro, cuidou bem de duas. Acho que consegue com três...
– Rosálie.
– O Damon está muito chato, querida. Se apaixonou e perdeu a graça. – Katherine piscou, claramente me avacalhando. Revirei os olhos.
– Olha... – mastiguei uma bolacha, depois que engoli eu continuei: – depois que Bella acordar, se estabilizar e concordar... aí nos divertimos.
– E porque não agora? – Katherine se aproximou. Logo eu estava cercado pelas duas.
– Não, eu ainda sou o namorado fiel.
– Ela está dormindo. – Rose disse. Ela se recusava á falar morta, porque Bella ainda estava morta.–- Vamos, foram dez anos de seca, Damon. Não acho que ela vá reclamar.
– Elena me deu a casa dela, aquela bem afastada. Sabe? Só essa noite, vamos nos divertir, se relaxar para quando ela acordar... te faremos mais feliz e otimista. – Katherine beijou meu pescoço, colocando a mão por dentro da camiseta.
– Droga... não.
– Você quer. – Rosálie tocou no lugar proibido. Eu resmunguei, mas não queria que elas me soltassem.
– Só porque... estou na seca.
Com animação, elas me puxaram para fora de casa, me jogando no carro e correndo até a casa nova delas.
Eu iria me arrepender, talvez. Mas minha carne é fraca, não conseguiria resistir, mesmo que estivesse traindo uma morta...
(…)
– Quando Bella estiver aqui vai ser melhor ainda. – Katherine respirou fundo, então riu. – vamos nos divertir a beça!
– Sabe, podemos deixar a casa com vocês por um mês inteirinho, se me prometer que vai tentar convencê-la. Ela é bem gostosa. – Rose se sentou em cima de mim.
– Eu tenho ciúme da minha namorada, ok?
– Ok, Damon. Tanto faz. Segunda Rodada? – perguntou animada. Revirei os olhos e nos virei na cama, ficando em cima dela. Ela riu animada.
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