Doce Implicância
9 Plano Jacob.
Notas iniciais
(...)
Acordei ainda com aquela dor de cabeça chata, e fui logo tomar aquele banho. Escutei vozes quando passei pelo corredor, olhei o relógio na parede e me impressionei com as horas. Era tarde, onze horas. Eu dormi demais. Tomei um banho demorado, e fui direto para o quarto me vestir. Depois desci as escadas e em direção a cozinha.
- Tem tantas coisas para fazer. Deus queira que não chova no sábado. – Esme sorria olhando para uma revista.
- Mãe, eu já preparei todo o trem das comidas lá. Contratei aquele bufe maravilhoso, e os meninos vão ajudar na decoração. – Rosie, estava sentada no balcão olhando outra revista, encostei no batente da entrada da cozinha.
- Serão quantos convidados? – Alice saiu de trás de mim, com um bolo de papel em suas mãos.
- Você decide. É a melhor amiga dela. – Esme levantou e sorriu para mim.
- É. Eu vou ter eu ir lá em La Push mesmo? – “AAH NÃO”!
- Como se não bastasse aturar a estranha, vou ter que aturar o amigo babaca dela? – Todas me olharam.
- Eddie, por favor. Você é adulto, esqueça essas idiotices. – Esme disse ficando seria.
- Esquecer que ele enganou a Rosalie? – Rosie abaixou a cabeça, frustrada. Eu já tinha uma rixa com ele, e ainda tive que suportar essa história.
- Ele não enganou ninguém. Eu que me envolvi. – Rosie ainda estava de cabeça baixa.
- Você quer inocentar o pilantra? – Ela se levantou na mesma hora.
- Não foi você que abriu as pernas. – Gritou de frente para mim.
- Meu Deus! – Fiz uma careta. – Como pode se envolver com ele Rosie?
- Não importa. Foi só uma coisinha de verão. Ele estava mudado e me interessei. Acabou! Eu não o culpo por ter fugido depois do que falei. – O clima estava irritante o suficiente. O bastante para o ar ficar pesado.
- Ele mereceu ouvir. – Disse nervoso.
- Tecnicamente, ninguém na terra merece ouvir que é medíocre. A Rosie ficou com medo de se envolver, e apenas humilhou ele na frente de todo mundo da cidade. – Alice não gostou da atitude de Rosie. Eu apoiei. Se levantou enfezada.
- Já falei que errei. Eu me arrependo. Dá para mudar de assunto? – Rosalie se sentou novamente na bancada.
- Claro que dá. Não gosto de lembrar que minha filha humilhou um rapaz bom. – Esme olhava para revista com olhos semicerrados.
- Bella iria te odiar até o fim do mundo por ter feito isso com o índio dela. – Disse Alice. “índio dela”? “Não gostei disso”. Não pude deixar de me irritar com aquilo.
- Você me prometeu que não contaria. – Rosie olhou suplicante para Alice.
- E não vou. Mas eu não garanto que o Black irá guardar segredo. – Alice fez careta e olhou para a revista novamente.
- A Bella e Ele se merecem. – Falei enfezado. A intenção era só falar para mim, mas notei todas me olhando estranho.
- O que? – Rosalie olhou assustada.
- Nada Rosie. Edward esta com ciuminho bobo da Bella. – Sorriu baixinho.
- Ciumes? Alice, me poupe dessas suas conclusões errôneas e ridículas. Só digo o que penso, ele e ela merecem ser amigos, já que são idiotas e realmente medíocres. – Todas na sala estavam com olhos arregalados olhando por cima de meus ombros.
- Medíocre? – Ouvi a voz da Bella atrás de mim. “Droga”. Quis correr.
- Olá Edward. Ótima recepção. – Olhei para trás e vi Bella e Renée Olhando com caras assustadoras.
- Renée? E-Eu... – Ela levantou a mão e sorriu.
- Me poupe de suas explicações garoto. É para ela que tem que se explicar. – Indicou Bella que bufava.
- Desde quando eu te dei o direito? – Tocou o indicador em meu peito, o que fez meu coração desperar. Começou a me empurrar com o indicador. – Quero que você enfie essa sua opnião idiota no lugar que achar apropriado. Seu egocêntrico ridículo. Saiba que somos amigos porque somos verdadeiros um com o outro, pelo menos eu tenho um amigo fiel, verdadeiro. E você? Quem você tem? A não ser as revistas da playboy no seu quarto, você não tem nada. Não é nada. Eu te odeio. – Fiquei paralisado. Até então, nossas brigas sempre tiravam risos de todos. Até mesmo eu ria depois. Agora sentia-me horrível, ela foi dura e falava com tanta firmeza que eu tive certeza que ela me odiava. “Mas e aquele beijo”? Pensei varias coisas, mas nada tirava aquela sensação horrível de mim. Não consegui responder.
- Já chega né? – Alice estava em nosso meio.
- Bella? O que foi isso? – Renée estava espantada e Esme da mesma maneira.
- Ele merecia ouvir muito mais. Não tem ideia do quanto é um... idiota. – Seus olhos não desgrudavam dos meus, e isso tornava o momento ainda pior. Sai sem dizer nada, em direção a escada.
Subi devagar tentando absorver o que havia acontecido. Eu sei que chama-la de medíocre foi bem chato. Mas estava realmente irritado. Deus sabe o quanto queria me desculpar, mas no que adiantaria. A pressão na cabeça estava maior do que antes. Ela estava certa, não tinha amigos, nem ninguém para passar o tempo. Emmet era um irmão distante, e de meus antigos amigos preferi me afastar. Tinha ficado tempo demais dedicado a faculdade, aos estudos, que acabei me esquecendo de arrumar amigos, ou uma namorada. Eu estava mais envergonhado ainda por Renée ter ouvido aquilo. Logo ela que sempre foi tão gentil. Joguei-me em uma cadeira e olhei para fora da vidraça. O bosque esta com uma neblina estranha, que deixava as árvores meio escondidas. Lembrei-me do episódio em que Bella, socou o espelho. Lembre-me do beijo, de ter tocado na pele dela, sentido seu corpo tremer. Balancei a cabeça, tentando tirar aquilo de minha mente. “Eu só posso estar tendo um surto de loucura”. “A garota diz que me odeia, e eu fico aqui querendo beija-la”. Pensei nervoso. Me levantei e passei a mão pelos cabelos os bagunçando, como sempre fazia quando estava nervoso. Lembrei de ter jogado a chave do carro dela no bosque. Fiquei pensando por instantes e decidi ir buscar. Desci as escadas e abri a porta de madeira sem fazer muito barulho desci as escadas e fui dar a volta para ir para os fundos. Chegando lá notei que ouve uma pequena queda na temperatura. Olhei para a mata, e fiquei meio apreensivo. Nunca tive medo de andar por ali, já tinha feito varias caminhadas. Rosalie tinha um pequeno chalé no final da propriedade, e sempre andavamos por ali. Depois que ela abandonou o lugar e veio morar conosco novamente, nunca mas fomos lá. Mas naquele dia o bosque estava meio nublado, escuro, o dia frio não foi um bom ajudante para minha busca. Andei um pouco mais entrando no bosque e deixando o medo de lado. Olhei para o chão úmido com esperança de ver o chaveiro com o trevo verde. Fiquei olhando para o chão por uns dez minutos entrando cada vez mais na mata. Vi algo brilhar no chão quando abaixei para pegar ouvi um barulho estranho e olhei em volta. Ouvi passos atrás de mim e nem me movi, ainda olhava para o bosque. Senti a mão tocar meu ombro e estremeci.
- Levanta devagar. – a voz estava perto de meu ouvido. Reconheci no mesmo instante. – Tem uma jaguatirica a sua esquerda. E não esta fazendo uma cara muito bonita. – Bella sussurrou o mas baixo que podia.
Me levantei devagar olhando para o lugar indicado, vi os olhos do animal brilharem. Encostei minhas costas nela e envolvi Bella com um de meus braços. Se o animal atacasse atacaria a mim. Fiquei paralisado e senti ela tocar minhas costas com a respiração descompassada. O barulho de um carro na frente da casa deve ter o assustado, pois o animal sumiu fazendo os ganhos quebrarem. Soltei o ar.
- Deveria ter ficado dentro de casa. – Me virei para encara-la. Ela ainda olhava para a mata. Com os olhos brilhantes e a boca entreaberta.
- Digo o mesmo. – Falou agora fixando os olhos nos meus. – Vim me desculpar.
- Você? Se desculpar? – Ela cruzou os braços.
- Acha que não tenho capacidade de admitir um erro como você? – fiquei em silêncio.
- Não precisa se desculpar. – Andei deixando ela para trás. O medo de que a jaguatirica voltasse e a atacasse bateu então paralisei esperando ela me ultrapassar. Olhei para trás depois de um tempo e ela nem tinha se movido.
Olhava para a mata.
- Você quer morrer? – Disse um pouco baixo, andando em sua direção.
- Não. Eu quero simplesmente me desculpar. Minha mãe não aprovou muito a minha atitude. – não olhou para mim.
- Foi eu que disse que era medíocre. – Sussurrei.
- Mesmo assim, estava dentro da sua casa. – Ela se virou. – Eu não queria ter que pedir desculpas.
- Então por que esta pedindo? – Olhou para o nada e mordeu o lábio inferior.
- Não sei. – Sussurrou tão baixo que quase não pude ouvir. Seus olhos chegaram as meus, fazendo as coisas ficarem estranhas.
- E-Eu... Que deveria me desculpar. – Abaixei a cabeça. – Vim aqui procurar suas chaves.
- Alice mandou Emmet pegar quando estava dormindo. – Bufei.
- Quase fui atacado por um animal selvagem por nada? – Ela sorriu.
- Valeu a intenção. – Disse ela. Sorri de volta.
Aquela sensação louca percorreu meu corpo novamente, e eu quis beija-la como a primeira vez. Seu olhar confuso, sua boca entreaberta tudo me convidava a arriscar mais um beijo. Ouvir a buzina me tirou do transe, e a fez sair da mata sem olhar para trás. Parecia incomodada. O silêncio e nossos olhares devem ter feito aquilo. Segui calado, o caminho de pedra, perdido no meio de tanta confusão. Uma hora estava me odiando, outra hora pedindo desculpas. Bella sempre me deixou muito confuso, mas ultimamente tem feito eu quase me afundar em meio a toda essa confusão.
POV. BELLA.
Andei calada, sem nem olhar para trás. Na esperança de deixar aqueles pensamentos na mata, e preferiria até que a Jaguatirica os engolisse. Depois de ver ele pela vidraça do quarto de Alice, resolvi me desculpar. Minhas emoções referentes ao Edward são meio tortas e muito estranhas. Eu o odiei quando ele disse que eu era medíocre, e depois de ter feito ele se calar e engolir suas palavras me senti culpadíssima. O pior era que eu mesma sabia que ir lá era levantar bandeira branca e assumir a derrota. Mas por que mesmo estávamos brigando? Eu não sabia de onde vinha tanta confusão, e estava mesmo curiosa. Parada na mata, o vi me olhar como no dia anterior. O impulso de realizar um sonho de infância secreto veio com toda força. O sonho, era de correr e pular em seus braços envolvendo minhas pernas em sua cintura, deixando em sua boca o beijo mas gostoso do mundo. Nunca na vida imaginei Edward nesse meu sonho idiota. Seu olhar era convidativo, como se me chamasse, meu corpo aqueceu subitamente e senti o frio na barriga. O silêncio me deixou ainda mas inquieta. Quando envolveu seu braço em minha cintura ainda olhando para o animal, senti que me protegia, senti que deveria ser protegida por ele. Andava para a frente da casa, querendo bater em mim mesma. Por que aquilo agora? Do nada, sentir necessidade de estar com ele? Era loucura!
Entrei na casa e fui para a cozinha onde minha mãe e Esme estavam.
- Mãe eu vou... Na reserva. – Queria mesmo sair dali, e o único lugar que imaginei foi a casa do Jacob.
- Tudo bem. Eu vou ficar mais um pouco. – Sorriu.
- Eu posso ir? – Alice pidona.
- Vamos! – Andei em direção a porta e bati de frente com Edward. Que me olhou nos olhos novamente.
Parei de respirar, e imaginei a cena novamente. “Droga! Se controla”. Desviei o olhar e esperei ele passar para sair. Desci as escadas da varanda querendo correr para qualquer lado. “Ai desgraça”!
- O que foi? – Alice, me olhou espantada.
- Eu esqueci as chaves no seu quarto, pode pegar para mim? – A doidinha saiu correndo, e Entrou na casa.
Olhei para os lados, e só consegui me imaginar correndo, não queria nem ver Jake. Queria me esconder. Ou apenas bater minha cabeça com força em uma rocha. Não demorou muito para ela chegar e entregar a chave em minhas mãos.
Entrei no Maverick preto feliz por estar nele novamente. Dei a partida e segui para a estrada. Notei Alice muito quieta então puxei assunto.
- Que foi coisa chata? Por que esta tão quieta? – Ela sorriu.
- Bella a quanto tempo somos amigas? – perguntou. Contei mentalmente sem saber o porque da pergunta.
- A uns nove anos? – Ela assentiu sorridente. Olhava para ela e para a estrada, estava confusa.
- Você sabe que te conheço, mais até que você mesma né? – Sorri, admitindo com a cabeça. – O que esta sentindo no momento?
- Nada! – Ela sorriu falso.
- Não adianta ficar com esse seu orgulho ai, fala de uma vez. – Revirei os olhos, nervosa.
- Alice eu estou dirigindo, dá para a gente ter essa conversa mais tarde? – Olhava fixamente para a estrada.
- Não. Para o carro! – Pediu.
- Estamos no meio do nada. – Continuei dirigindo.
- AGORA! – Freie bruscamente. Nossos corpos bateram no banco. – Droga Bella!
- Foi você que mandou. – Ela gargalhou um pouco e ficou seria me olhando.
- Bella, o que esta sentindo? – Olhei para ela e decidi ser sincera. Realmente era inútil mentir logo para a Alice.
- Estou sentindo um embrulho terrível no estômago, confusão, vontade de gritar, raiva, vontade de beijar o seu irmão... – Ela não fez cara de surpresa. – Vontade de estar com ele, vontade de bater nele, de xinga-lo, e de depois beija-lo novamente. Meu Deus o que a comigo? – Não percebi que estava mexendo as mãos freneticamente, e choraminguei.
- Ok. O que tenho para dizer vai ser duro. – Fiquei com um frio na barriga horrível. – Está apaixonada pelo Edward.
- O que? – Alice balançou a cabeça. Afirmando o que já tinha dito.– Alice, deixa de ser louca. Faz pouco tempo que voltei. Como posso estar apaixonada por ele? Isso ridículo.
- Na verdade sempre ouve algo. Porque acha que brigavam tanto? Já havia algo. – Odiei ter que admitir aquilo. Fiquei em silêncio por uns dois minutos.
- O que eu faço? – Perguntei com desespero.
- Como assim? Eu daria o conselho que você não quer ouvir. Quero o melhor para você, mas o melhor é você que decide o que é. Se esconder, ou correr para o Jake não vai ajudar. – “É isso”.
- É isso Alice. Jake. Eu vou me envolver com o Jake. Ai eu te amo. – Ela arregalou os olhos.
- Bella, não foi isso eu disse! Vai ficar com o Jake? Está louca! – Olhei para ela sorridente.
- Porque não? – Ela abriu a boca, estava tentando formular algo.
- Por que... Ele... É seu amigo. Amigos não namoram. – Eu gargalhei.
- Amigos deixam de ser “amigos” e viram namorados a todo o tempo. – Dei a partida no carro. – E é assim que eu vou esquecer-me dessa loucura, passar meu tempo com Jake, vai ser ótimo.
Parti com o carro, com um sorriso no rosto. Iria ser muito bom, passar um tempo com Jacob, para esquecer aquela idiotice toda. Eu tinha mesmo me interessado por ele e iria investir naquilo. “Tenho certeza, que o beijo dele vai me deixar louca”! Gargalhei do nada. Era a minha decisão, era isso que iria fazer. Iria por o plano Jacob em ação.
(...)
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