Doce Imortalidade
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Voltei e entrei em casa novamente. Joguei em cima da mesa marrom a aliança dourada que eu havia retirado do dedo do homem antes de atira-lo em uma correnteza. Isso me daria muito dinheiro, dinheiro necessário para que eu pudesse fugir desse lugar e ir para a Califórnia.
Subi ás escadas correndo e deslizando minha mão esquerda pelo corrimão cinzento. Cheguei em meu minúsculo quarto e me direcionei até o espelho de vidro rachado.
Vi que meus olhos continuavam vermelhos, minhas presas ainda estavam amostras e afiadas, então fiz força e fechei os olhos, quando eu os reabri, vi novamente a cor azul cinzenta ofuscar meu sorriso brilhante, que agora, no lugar de presas, haviam belos dentes.
Levantei ás mangas pêssego do meu casaco aveludado, avistei as feridas humanas que eu acabei de adquirir. É estranho, eu sou imortal, indestrutível, más mesmo assim, quando eu provo do sangue humano, eu acabo adquirindo as feridas e cicatrizes que minha vitima possuía.
E em fim, passei a madrugada em claro tentando ao menos disfarçar essas feridas em meus braços.
Amanheceu, me olhei novamente no espelho, e dessa vez, peguei o pó compacto e passei debaixo de meus olhos, em minhas olheiras roxas. Penteei meus cabelos marrons avermelhados quase ruivos, coloquei uma camisa preta tamanho G e um shorts jeans preto combinando com meus sapatos cinzentos. Camisa tamanho G era o contrário do meu tamanho. Sou muito magra e baixa, uso camisetas tamanho M, mais fazer o que, isso me cabia como um vestido longo que ia á poucos dedos acima dos meus joelhos.
Peguei a aliança e a lavei bem, com produtos que limpam móveis. Em seguida, coloquei á aliança em meu dedo, retirando as digitais do homem qual eu matei na noite passada. Eu iria vender essa aliança e conseguir muito dinheiro para que eu possa comprar um carro veloz para me auxiliar na fuga.
Caminhei pelas ruas sem um pingo de animo. Avistei uma oficina de carros com uma placa de: "Vendo um carro, 17.000 mil reais!" Me debrucei no balcão do local, um homem com roupa suja de graxa me atendeu.
-Olá madame? O que desejas?-Ele me interrogou atentamente.
Odeio que me chamem de madame, eu não sou isso, ao contrário, sou um monstro assumido e cruel, uma ameaça para toda a cidade.
--Madame não. Por favor-Eu disse e prossegui apontando para a placa-Quero falar com o proprietário da venda.
-Tudo bem... Desculpe-me. Vou chamar o proprietário-Ele me respondeu com um tom de piedade e entrou por uma porta atrás do balcão esverdeado.
Fiquei ali, esperando pelo vendedor enquanto observava ás prateleiras de tinta para carros.
-Ele já vem-O atendente retornou e disse, segurando uma xícara e uma cafeteira.
Continuei a observar as prateleiras, pude perceber que ele olhava na mesma direção que eu enquanto bebia o café quente.
-Está interessada em algo? Temos volantes, tintas, um motor? Fazemos a pintura perfeita para você!-O atendente disse um tanto animado.
-Não-Eu disse friamente, sem dó nem piedade, sem nem se importar com o que ele pensaria de mim depois dessa dura resposta.
Ele ficou quieto, e voltou a beber o café. Continuei atentamente a observar as prateleiras.
-Ele pode demorar, quer um café? Está quentinho!-A voz melancólica do atendente voltou a entrar por meus ouvidos e ferir meus tímpanos.
-Não-Voltei a responde-lo friamente, com uma pitada de grosseria.
Pude ouvir o barulho de sua saliva descendo por dentro de sua garganta. Vi uma gota de suor escorrendo desde a sua testa até dentro de sua camiseta branca e suja. Ele havia ficado assustado com minha resposta.
Um homem de cabelos negros entrou no local, me fitando com seus olhos castanhos claros e brilhantes.
-Sim?-O vendedor disse me olhando de cima a baixo.
-Eu gostaria de negociar-Respondi a ele apontando pra a placa de venda.
-Não, eu não negocio. Me de o dinheiro que a placa está pedido, ou não tem venda nem compra nenhuma-Ele me disse claramente.
Senti a raiva fluir por meu corpo, e ao mesmo tempo, o cheiro suculento do sangue do vendedor atingiu minha narinas sensíveis.
-Escute o que eu tenho a dizer, por obsequio!-Pedi á ele.
-Diga-Ele me falou duro, observando a cor avermelhada de meus lábios maciços.
Cocei a garganta, provocando um grave barulho, foi como um "Caham". E logo em seguida, lancei um olhar ameaçador paro o atendente, que de imediato, se retirou do local, me deixando a sós com o vendedor.
-Veja-Falei ao vendedor retirando do bolso uma aliança dourada e colocando-a no balcão, então, prossegui-Puro ouro.
-Sim... Claro-O vendedor falou suspirando, e ergueu a mão para pegar a aliança.
-Não, não-Puxei-a da mesa novamente-Eu quero o carro.
-Tudo bem-Ele jogou a chave do carro em cima do balcão-Agora passe essa aliança para cá!
Sorri maligna e sedutora, coloquei a aliança novamente no balcão, e coloquei a chave do carro em meu bolso.
-Me acompanhe-O vendedor disse após colocar a aliança em seu dedo, e saiu andando pelas ruas comigo até a sua casa.
O segui, observei o Volvo preto estacionado na esquina de sua casa. Destranquei a porta e entrei, abaixei o vidro do passageiro enquanto dava ré. Acenei para o homem e dirigi pela estrada.
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