Doce Ilusória

7 Loucamente assediada


Notas iniciais
Notas no início do cap por que o Nyah é um ..........

Amei os reviews ♥ Capítulo dedicado a minha migs Rayssa. Eu escolheria você para ser atropeçada comigo ♥ Boa leitura!

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O cara da cenoura me olhava como se eu fosse uma retardada.

— Roxinha, será que vou ter que te explicar o que é um assalto?

— Aproveita e faz um desenho. — Devolvo, querendo o couro desse Zé Mané.

O acéfalo ri, enquanto sinto Pedro me cutucar. Olho de esguelha para ele, que parece um pouco mais desesperado do que deveria.

— Deixa que eu resolvo isso. — Simplesmente digo, deixando o garoto exasperado.

Aproximo-me do carro, e me apoio na janela do mesmo, ficando a poucos centímetros do rosto do comedor de cenouras. Sua expressão endurece, e sinto o cano da arma contra a minha cabeça.

— Você é muito idiota, sabia?

Abro um sorriso enorme.

— Acho que alguém está invertendo os papéis aqui. Vamos lá, atire.

Encaramo-nos, e vejo raiva em seus olhos.

— Samara, sai daí! — Ouço Pedro gritar atrás de mim. Oh, coitadinho.

— Ambos sabemos que você não vai atirar. — Olho para as minhas unhas. — E mesmo se o fizesse, iria acontecer merda nenhuma.

Agora olho ameaçadora para ele, que engole em seco.

— Sabe, — continuo — eu tinha uma igualzinha. Mas ao contrário dessa tua arma de brinquedo, ele — aponto para Pedro — é faixa preta, e eu vou ao psiquiatra todos os dias. — Abro um sorriso de louco, tipo curinga. Vejo seus olhos se arregalarem, enquanto liga o motor querendo ficar o mais longe o possível de mim.

Mas antes, ele realmente "atira", por assim dizer, e mira bem nos meus olhos. Um jato de água atinge meu olho direito, e devo dizer, dói pra caramba.

— Seu filho da puta! — Grito para a traseira do carro, enquanto meu olho arde como o inferno.

Continuo blasfemando, enquanto sinto Pedro chegar perto de mim.

— Ei, me deixe ver. — Reluto por um momento, mas dói tanto que acabo cedendo, afinal, talvez ele saiba de algo para calar a dor.

Abro o olho com dificuldade, tentando não fechá-lo novamente.

— Você é uma doida, sabia? — Era para ser uma reprimenda mas soa como um elogio. Não posso deixar de sorrir.

— Você está atrasado, já me disseram isso antes.

Ele balança a cabeça, e tenta lutar contra um sorriso. Inutilmente, devo acrescentar.

— Está levemente vermelho, mas como provavelmente era só água, logo irá melhorar.

Assinto, como se o que ele disse fizesse todo o sentido do mundo. Mas na verdade, eu só prestei atenção na parte em que logo iria melhorar. Beleza, para o seu próprio bem, é melhor que ele esteja certo.

— Ok, valeu doutor Pedro.

Ele coça a cabeça, parecendo decidir o que fará em seguida.

— E se não fosse de mentira?

Demoro um pouco para saber do que ele está falando. Dou de ombros.

— Eu tinha cem por cento de certeza que era um brinquedo. Caso não fosse, eu teria pensando em outra coisa.

E dou uma piscadela.

Pedro balança a cabeça em repreensão.

— Sua mãe vai ficar maluca.

Novamente dou de ombros.

— Vai divertido ver ela se decidir sobre o que ficará "maluca" primeiro.

— Sua filha horrível.

Apenas rolo os olhos.

— Estamos muito longe daquele lugar lá?

Ele olha para o céu como se estivesse conversando com aquele azul supremo, e em seguida, se volta para mim.

— Uns dez minutos, eu diria.

— Então vamos lá, garanhão.

E começo a andar no asfalto quente, pensado em coisas boas e nada mais.

Ouço-o ofegar horrorizado.

— A pé?

— Claro. — Respondo como se ele fosse um retardado, sem parar de andar ou sequer olhar para trás.

— E se aquele cara voltar para se vingar? — Pedro aparece de repente, tentando acompanhar meu ritmo.

— Oras, você ainda está pensando naquele sujeitinho? — Acho que o irritei agora. Sinto sua grande mão agarrar o meu braço, me virando de modo que fiquei de frente para ele. Nos encaramos com fogo no olhar. Fogo de ira, e não luxúria, suas mentes poluídas.

— A gente não pode simplesmente deixar o carro aqui, na beira da estrada. Precisamos ligar para o guincho, e depois para o meu pai.

— Me larga! — Tentar me soltar dele é completamente inútil. Será que o Pedro realmente fazia alguma arte marcial ou participava de uma gangue ou usava anabolizantes?

— Olha aqui, garota, eu já estou de saco cheio de você. Vê se fica quietinha e coopera, ou...

— Ou...? — Ergo uma sobrancelha, fulminando aquele ser.

— Ou eu vou tomar alguma medida muito drástica.

Se ele não estivesse segurando meus dois braços, os teria cruzado agora para acompanhar a minha expressão de escárnio.

— Tô pagando pra ver. — Sua boca se transforma em uma linha reta, e com aquela carranca, ele parecia decisivamente aborrecido.

— Eu devo ter jogado pedra na cruz... — Resmungou baixinho, e quase dancei de alegria. Como esse coitado desistia rápido!

Mas então...

...ele simplesmente me jogou sobre o seu ombro, e eu quis arrancar a pele inteira dele e jogar sal depois.

— Idiota! Me coloca no chão!

Apenas fingiu que não me ouvia.

Enquanto eu esmurrava as suas costas, Pedro voltou para o carro, de onde pegou seu celular. Acho que nunca xinguei tanto uma pessoa em toda a minha vida. Blasfemei até sentir minha boca seca e a garganta dolorida.

Só então Pedro ligou para seu pai. Miserável! Samara sua idiota, por que não poupou fôlego para esse momento?!

De repente, começo a rir. Pareço uma retardada, e em determinado momento me engasgo.

O otário me coloca no chão.

— Você está bem? — Parece genuinamente preocupado. Minha resposta é outra gargalhada.

— O que foi? — Me olha como se eu fosse parente de um unicórnio.

— Poupou... — Limpo as lágrimas dos meus olhos, e tento ignorar a dor de barriga. — Dois cocozinhos alienígenas... —Volto a rir, e parece que eu vou explodir.

Pedro me olha com pena.

— Você tem algum problema mental.

Mostro o dedo do meio para ele, enquanto a outra mão segura a minha barriga. Céus, quanto tempo que eu não ria desse jeito. A última vez foi com o...

Melhor não me lembrar disso.

— Retardada e mal educada. Pacote completo.

Encosto-me contra o carro, enquanto ele liga para seu pai. Respiro profundamente, tentando me recuperar.

— Pronto, agora é só esperar.

Sento no chão, ainda encostada no carro. Solto um grito de me levanto rapidamente. Coloco as mãos sobre a minha bunda que arde.

Não. Acredito. Nisso.

— O que aconteceu dessa vez? — Lá está novamente aquele olhar preocupado, que faz com que eu o odeie ainda mais.

— Queimei a bunda no asfalto quente. — Falo na lata, e acho graça de seu rosto que está vermelho, e essa coloração nada tem a ver com o calor.

— Hã, her.. você quer que eu dê uma olhadinha?

Olho abismada para ele.

— Seu tarado! Você quer se aproveitar de mim que eu sei!

Pedro parece querer se enterrar em um buraco. Vejam bem, por mais que realmente esteja doendo, meu lado perverso nunca tira um descanso. Nunquinha.

— Não, não é isso...

— Ah, então você acha que é bom demais pra mim, e não me quer. É isso então? — Tento parecer insultada, e preciso morder a bochecha para não rir de sua expressão desesperada.

— Você — ele aponta para mim de forma acusatória — tem sérios problemas.

Jogo as minhas mãos para cima.

— Ótimo, agora está me chamando de louca!

Pedro passa a mão pelos cabelos, de forma nervosa. Parece realmente não saber o que fazer. Morde o lábio, e seu rosto volta a ficar avermelhado.

Graças a Deus meu bumbum parou de doer, o que deixa a minha mente mais clara para arquitetar planos maléficos para o meu maninho postiço.

Ele dá passos inseguros em minha direção, e então para. Só para depois vir quase correndo até onde estou.

— Mas você é louca!

Sério isso?

— E você é um idiota.

Pedro estreita os olhos para mim, e ao mesmo tempo agarra os meus braços, me empurrando contra o carro e beijando a minha boca ao mesmo tempo.

Sou tomada pela surpresa e pela dor, quando meu bumbum se encosta no carro quente. Solto um gemido de dor contra a sua boca, o que o faz me soltar no mesmo instante.

— Ah, droga, sinto muito. Eu te machuquei?

— Hã... — Me sinto um pouco perdida para dar qualquer tipo de resposta. Poxa vida, essa já era a segunda vez que Pedro me roubava um beijo. E depois eu é que era chamada de louca. Sério, isso já estava se transformando em assédio.

Faço o que qualquer dama com a sua integridade em jogo faria. Estampo cinco dedos no lado direito de seu rosto, o deixando boquiaberto.

Um carro buzina ao nosso lado. Se for aquele comedor de cenoura... É melhor eu nem dizer o que farei com ele. Deixarei a critério de suas imaginações.

— Ei, o que está acontecendo aqui?

Na verdade, eu até preferia que fosse o assaltante de meia tigela, dado o modo que o pai do Pedro nos olhava.

Notas finais
Aceito reviews e recomendações :D