Doce Ilusória

15 Apenas um sonho


Leiam as notas finais!

— Samara Aguiar? Por favor, apresente-se diante do tribunal.

Olho para um homem com cara de fuinha.

— Oi? — É tudo que consigo dizer no momento.

— Jura dizer a verdade e somente a verdade?

Olho ao meu redor, mas aparentemente estamos sozinhos. É como se estivéssemos em um recinto infinito, porém esse infinito se estende através das sombras que rodeiam o lugar. O moço com a cara bugada está sentado em uma cadeira bastante alta. Segura um martelinho brega sobre a mesa igualmente gigante.

Quase me sinto uma formiga.

Cruzo os braços.

— Quem é você?

— Sou aquele que te julgará.

Faço uma careta.

— Olha aqui, coisa estranha, vê se vai se...

O martelinho ridículo bateu contra a madeira da mesa, causando arrepios em mim.

— Você foi acusada de diversos crimes. Alguma defesa?

Rolo os olhos.

— Meu único crime foi ofender as fuinhas.

Seu semblante se enruga, em expressão genuína de confusão.

Fuinhas, juro nunca mais compará-las a uma ameba.

Mas ele continua sendo chato pra caramba.

— Você se arrepende de todos os seus pecados?

— E que tal se você fosse mais explícito?

Ele sorri enquanto pega uma espécie de pergaminho sabe se lá de onde. Quando desenrola o papel quase perco as contas do tamanho daquele troço. De súbito sinto uma vontade inexplicável de ir me confessar.

Antes que ele comece a ler o interrompo.

— Tudo bem, ok, admito que andei fazendo algumas coisinhas questionáveis, mas nada muito grave...

— E você se arrepende?

Olho para as pontas dos meus pés, só então percebo que estou descalça. Mas não sinto frio nem desconforto algum. Então era isso, estava sonhando! E um sonho muito esquisito...

— Hum, talvez?

Ok, aquilo estava mais para um não.

Sua cara amebada afunda nas próprias mãos.

Por que isso estranhamente parecia coisa de uma consciência um pouco obesa?

Quando ele levanta os olhos e me encara simplesmente fico fixa no lugar.

— Então você vai sofrer até lá.

Um arrepio se instala na minha espinha.

De repente, o sonho muda.

Olho para um garoto moreno de olhos azuis. Seu sorriso é resplandecente. Me seguro para não tocar a cicatriz em sua sobrancelha.

— Qual o seu nome?

— Uriel.

Tento não rir.

— Como o arcanjo?

Os cantos de sua boca sobem em um sorriso nada angelical enquanto ele faz o sinal da cruz.

— Exatamente. E se você aceitar — Uriel se inclina na minha direção, abaixando a voz — eu posso fazer com que se sinta no céu.

Engulo seco.

Quando tudo muda novamente, exalo de surpresa.

Pedro está parado diante de mim, os olhos negros brilhando.

— Eu acho que te amo...

De forma delicada toca o meu rosto, mas então fita algo atrás de mim, sua expressão endurecendo na mesma hora.

Afasta-se abruptamente, com o olhar ferido. Abro a boca para dizer algo, mas nada sai.

Notas finais
Bom, acho que é melhor escrever tudo aqui do que no início do capítulo, por as notas finais geralmente não são decapitadas. Entãão, capítulo curtinho, e que eu deveria ter postado ontem, mas como fiquei sem internet não deu :/ Por isso não vou mais ficar fazendo promessas, porém pretendo fazer o possível para atualizar a fic amanhã ^^ (capítulo grandinho) Antes de atualizar respondo aos reviews! (amei eles, e vou amar se mandarem mais :P) Capítulo estranho e bugado, maaaaas, alguma hora vai acabar fazendo sentido shuashuaashuas' BjxxxX