Doce Ignorância

4 Capítulo 3


Chegamos em poucos minutos em minha casa, Me joguei no sofá, não percebi que estava tão exausta. O dia não tinha sido dos piores mas ainda assim foi desgastante. Ana ficou comigo ate o dia seguinte e foi embora por volta das 14h quando Eduardo, um dos advogados de Rodrigo, chegou. Despedi-me dela sem pressa, não estava com animo pra falar sobre assuntos jurídicos.

Recebi Eduardo na sala de estar, cumprimentei-o e convidei-o a se sentar ao meu lado no sofá. Pedi que fosse direto ao assunto, já imaginava que aquela visita fosse sobre o testamento de Rodrigo.

– Como você já sabe Louise, você é a única beneficiada no testamento de Rodrigo, e ele não tem parentes vivos, sendo assim as coisas andam muito mais rápido, e logo tudo estará em sua posse. Entretanto não é só esse o motivo de minha visita. Em conjunto com o testamento, Rodrigo deixou uma carta. Ele explicitou que a carta só deveria ser entregue a você após sua morte. Vim aqui hoje especialmente para fazer esta entrega.

Ora, mais essa pro meu lado... O que pode ter nesta carta que você não tenha me dito após todos estes anos? Pensei enquanto olhava com um misto de curiosidade e suspeita a carta que Eduardo acabara de me entregar. Analisei o envelope branco cuidadosamente. Se ainda me restava alguma duvida de que aquela carta era dele, ela sumiu assim que vi meu nome escrito à mão com a tinta preta de uma das canetas especiais de Rodrigo. Ele só se dignava a usar alguma das três canetas em registros de muitíssima importância, então eu deveria me sentir muito honrada ou muito desgraçada com o gesto dele, pois ou o conteúdo daquela carta me revelaria algo incrivelmente bom, ou extremamente ruim.

Uma voz, saída do canto mais profundo da minha mente me avisou de que era algo extremamente ruim, e com esse agouro em minha cabeça eu tratei de despachar o advogado o mais depressa que podia sem levantar algum tipo de suspeita de sua parte, tudo que eu menos queria era que ele começasse a fazer perguntas cuja as respostas eu não poderia dar.

Novamente sozinha naquela enorme casa, tornei a sentar-me no sofá, sem me preocupar em manter qualquer aparência peguei a carta, fazendo uma careta ao observar a bela forma das letras que formavam meu nome no envelope. Aquelas formas tão lindas que pareciam dignas de um quadro para emoldura-las, estavam fazendo meu estomago quase vazio se contorcer e meu coração dar pulos em meu peito.

Abri a carta dizendo pra mim mesma que não poderia haver nada ali capaz de me abalar, e que assim que acabasse de ler eu estaria rindo da minha reação exagerada... É só uma carta de despedida... Só alguma baboseira sentimental... Pensei ao tirar a carta do envelope e começar a ler.

Ah, mas eu errei... Como errei... Ao terminar a carta a única coisa que consegui fazer foi me encolher como uma bola no sofá e chorar em silencio... Aquela carta virou-me ao avesso... Tudo, tudo que eu sabia sobre mim estava errado... Tudo sempre foi uma mentira... Meu Deus... Rodrigo foi uma mentira... Minha cabeça deu um loop.. Depois de todas aquelas verdades reveladas na carta... eu não sabia oque fazer... fiquei perdida.

Ah, como eu daria tudo pra que aquela carta nunca tivesse chegado a mim. Todas aquelas coisas sobre meus pais... Era muito pior do que eu poderia conseguir imaginar. Reuni todas as minhas forças pra levantar e caminhar te meu quarto, ir ate o banheiro e entrar embaixo d'água, sem tirar uma peça de roupa. O jato quente e forte do chuveiro lavou aos poucos toda aquela confusão que era minha mente, mas não foi capaz de lavar aquelas palavras gravadas a fogo no meu coração que eu tanto queria esquecer... "Sua mãe salvou sua vida Louise."

" Por três vezes ele chegou perto de te matar."

"Era o trabalho dele... E embora me doa admitir, da sua mãe também, Eles viviam de mortes."

"Você era um risco pra sua mãe, por isso ele fez oque fez, ele queria proteger Diana."

Com aquelas palavras dando voltas na minha cabeça as perguntas começaram a chegar também... Quem é ele?... Oque eles faziam? Porque eu não acredito que eles sejam agentes funerários nem nada parecido... Porque "ele" queria me matar?...

Diana... Minha mãe se chama Diana...

Aquilo era loucura demais, nada fazia o menor sentido... Era impossível.. Não poderia estar acontecendo... A essa altura do campeonato, tudo isso vem a tona? sem mais nem menos?... Impossível... Impossível... Com essa palavra se repetindo na minha cabeça eu sai do chuveiro deixando as roupas molhadas no box. Tomei um Lioran, e me deitei, molhada, sem roupa e com a coberta colando no corpo. Logo cai num sono sem sonhos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.