— O que você está fazendo aí? — disse Natalie. — Ian eu vi você se jogar no chão.

Ian se levantou e encarou a irmã que estava de braços cruzados esperando uma explicação.

— Eu só... — porém ele não conseguia pensar numa resposta rápida. — eu... estava procurando uma caneta.

— Ah fala sério! Eu vi você se jogando no chão. E aliás, — Natalie pegou um porta-trecos onde havia bem umas dez canetas coloridas — as canetas estão bem aqui, e não no chão.

Agora Ian ficou encurralado e ficou sem resposta.

— E o que você está fazendo aqui? — perguntou Ian tentando desviar a conversa.

Agora era Natalie quem não sabia o que dizer.

— Ah... eu vim pegar uma folha de sulfite para fazer um desenho para...

— E desde quando você gosta de desenhar? — perguntou Ian cético ao que sua irmã disse.

— Ah não importa!

Ian viu que Natalie segurava uma chave.

— E essa chave?

— Ah... eu achei ali fora na sala. — mentiu Natalie.

Os dois ficaram se olhando, um desacreditando do outro. Então Natalie disse:

— Quero abrir essa gaveta para saber o que tem dentro.

— Eu também. — disse Ian — Porque mamãe trancou essa e deixou as outras abertas?

— Então você também está desconfiado? — perguntou Natalie se aproximando do irmão.

— Mamãe parece que está escondendo alguma coisa.

— Sim e tem a ver com a Grace e o Dan e a Amy.

Natalie então contou a Ian o que ouvira sua mãe dizer sobre “pegá-los escondidos” e “não deixar que ninguém veja e descubra”. Isabel tinha planos para Dan e Amy, e tanto Natalie quanto Ian estavam preocupados sobre esse “plano”, pois eles se lembravam do quanto sua mãe os odiava e também odiava Grace, por motivos desconhecidos que ela não lhes revelara muito bem.

* * *

Dan passou a manhã inteira tentando pensar em alguma coisa enquanto procurava pela fórmula mas, na hora do almoço ainda não tinha conseguido bolar nenhum plano. Amy tentara ligar para Nellie mas o celular estava desligado, o que cada vez mais os convenciam de que ela também fora sequestrada.

— Temos um pouco mais de três horas — disse Amy — para encontrar a fórmula.

— Amy — disse Dan — o que será que vai acontecer quando nós formos ao parque. Quero dizer, e se eles também pegarem a gente?

Amy engoliu a garfada de macarrão instantâneo de galinha caipira. É claro que ela já tinha pensado nisso. Mas ela também havia pensado o que aconteceria se eles não fossem ao parque. O homem no telefone foi bem claro quando disse para os dois não aprontarem, ou então Grace e Fiske, e talvez Nellie, sofreriam.

— Eu não sei o que fazer Dan. — disse Amy. — Mas acho que a melhor opção é fazer o que o cara mandou. Para o bem deles.

— Certo. — suspirou Dan. — Vamos terminar de almoçar e continuar a procurar.

Um tempo depois Dan e Amy voltaram a procurar pela casa inteira mas nada encontraram. Os dois decidiram vasculhar a biblioteca. Talvez teria outra abertura em outra estante. Enquanto olhavam as estantes, eles ouviram um barulho muito forte de uma porta batendo. Amy engoliu em seco. Quem entrou na casa se as portas estavam trancadas? Seria Grace?

— Pode ser tia Beatrice — disse Dan.

— Esqueceu que ela está fora do país visitando a amiga? Ela só volta mês que vem. — disse Amy.

— Ah eu me esqueci!

Dan se aproximou da porta da biblioteca e a abriu bem devagar, depois mais um pouquinho até poder pôr sua cabeça para fora. Depois abriu mais até que ele estava do lado de fora na sala de estar. Estava tudo certo na sala, e a porta estava fechada como antes, sem sinal de que foi mexida.

— Grace? — gritou Dan, mas ninguém respondeu. — Grace? — Dan gritou mais alto, e dessa vez ele ouviu passos descendo a escada rapidamente. Ele fechou a porta da biblioteca por um segundo, com medo de quem quer que estivesse ali, pudesse ser perigoso. Mas noutro segundo ele a abriu e gritou de susto, fazendo a pessoa gritar também.

— Dan! — gritou Nellie — Que susto menino!

Nellie era de confiança, tanto que Grace lhe dera uma cópia da chave de sua casa.

— Nellie! — disse Amy correndo para abraça-la. — Você não foi sequestrada!

— Sequestrada? — disse Nellie ainda se recuperando do susto.

— Achamos que você tinha sido sequestrada, porque seu celular está desligado desde ontem!

— Pois é por isso que eu vim aqui. Eu esqueci meu celular sem bateria no quarto de hóspedes lá em cima!

Dan e Amy se olharam aliviados.

— Vocês andam vendo muito jornal... — disse Nellie — Cadê a Grace?

— Ela ainda não voltou para casa. Ela... — disse Dan olhando para Amy querendo saber se poderia contar para Nellie. Amy concordou com a cabeça. — foi sequestrada, junto com Fiske. Nós recebemos uma mensagem falando para levarmos uma coisa ao parque hoje às cinco da tarde. Do contrário eles sofreriam...

— O quê? Mas Dan, temos que chamar a polícia!..

— Não! — gritou Amy. — Você não entende Nellie. Aposto que algum Cahill da família está envolvido. E além do mais, nós temos que ir sozinhos, senão fizermos do jeito que eles...

— Mas quem foi que sequestraram eles?

— Não sabemos.

Os três ficaram em silêncio tentando pensar em alguma coisa. Nellie estava nervosa mas sugeriu, por fim, que ela iria ao parque disfarçada como se estivesse praticando exercícios, como dezenas de outras pessoas faziam. Assim ela poderia ficar por perto e vigia-los para ver o que aconteceria.

— Posso usar minha peruca de cabelo preto comprido e o óculos que usei uma vez na festa da minha amiga.

— Certo. — disse Dan — Agora temos que encontrar a fórmula.

— Mas afinal que fórmula e que remédio é esse?

Dan olhou para Amy. Eles podiam muito bem ter pequenas conversas sem dizer uma palavra, somente com olhares. E o que ambos estavam “dizendo” era que não deveriam contar tudo à Nellie. Pelo menos por enquanto.

Notas finais
O que acontecerá no parque? Descubra no próximo capítulo!