Doce Criminal
12 Noite Esquisita
" Os olhos azuis tão perto de mim confundiram a noite"
Aos poucos íamos nos preparando para encarar o problema de frente, Natasha e Tuco já se sentiam prontos, no fim o medroso mesmo era sempre eu. Jânio sempre me intimidou e a possibilidade de ser o cara a destruir o seu império me deixava um pouco aflito.
Lucia parecia otimista, me mostrou um prédio com aquele aspecto clássico do centro velho, era próximo à praça da Sé.
– Garoto, é ali dentro que rola a coisa toda. Negociações de armamento e até drogas.
Olhávamos pelo vidro do carro e não parecia ser um local movimentado, porta e janelas fechadas e um cara suspeito na calçada.
– É um dos caras dele, não é?
Lucia confirmou, ela instruiu a entrarmos rapidamente e atirando sem hesitar porque eles tinham armamento pesado lá dentro.
– Se conseguir acabar com todos eles, aquilo ali vira seu.
Senti um calafrio, eu não queria e muito menos saberia assumir toda aquela confusão. Queria apenas vingança e mostrar do que era capaz.
– Lucia, você já está nesse esquema há anos então se eu conseguir acabar com ele eu quero que você tome conta de tudo. Você é a pessoa ideal. Os compradores confiam e conhecem você.
Ela sorriu. Como era lindo aquele sorriso, naquela tarde ela estava sem o batom vermelho e a maquiagem pesada, parecia muito mais bela assim. Só eu sei o que sentia cada vez que olhava para aquela mulher tão atraente e tão linda. Quase disse que a amava, mas não cometeria esse erro novamente.
– O plano é simples, essa madrugada vamos entrar e acabar com tudo.
– Boa sorte, garoto. – Ela disse segurando minha nuca e me prendendo em seus doces beijos, sempre calorosos e apaixonantes.
Fizemos amor durante horas dentro do carro e isso me revigorou para enfrentar o que viria naquela madrugada.
E quando a temida madrugada chegou estávamos os três reunidos em frente a catedral da Sé, dei os últimos comandos:
– Existem duas entradas, o Tuco ficara na parte de trás do prédio esperando o momento de entrar e Natasha e eu entramos na entrada principal quando tudo estiver seguro. Tomem cuidado.
Todos de preto e preparados nos dividimos, Tuco sumiu na escuridão enquanto caminhávamos até a rua do prédio, estava tudo deserto, uma luz no terceiro andar parecia ligada. O celular tocou, era Tuco.
– Tudo limpo aqui Bruno, a rua está vazia.
– Aqui também Tuco, vou me aproximar mais.
Caminhávamos cada vez mais próximo do prédio, sentia frio e meus lábios tremiam respondendo à adrenalina, tudo parecia seguro até Natasha me empurrar com força para uma viela escura.
– Que porra é essa Natasha? – Gritei assustado, enquanto Natasha me prensava na parede tapando minha boca com uma das mãos.
– Acho que o tal de Jânio está passando. Cala a boca e me dá um beijo senão ele vai ver você.
– Está louca? – Meu cérebro travou, eu não podia beija-la. Olhei para a calçada e uma sombra começava a surgir em nossa direção.
– Vai merda! Agora!
Natasha prensou os lábios nos meus com muita força e agarrou minha cintura apoiando uma das pernas em meu quadril, dando leves gemidos enquanto a sombra passava ao nosso lado. Minha cabeça girou confusa, por extinto agarrei a garota em meu corpo e parecíamos amantes aproveitando a madrugada vazia da cidade. Dei uma leve espiada e o homem passou desviando o olhar do suposto casal apaixonado, aquela estatura e a cabeça raspada não negavam que era Jânio.
Meu coração ficou acelerado, por pouco não fomos pegos.
– Pode me soltar cachorrão. Ele já foi.
Natasha me acordou do transe. Soltei a garota e me senti completamente envergonhado, o que tínhamos feito ali morreria ali. Natasha não parecia incomodada e com olhos atentos ela vigiava o local. Uma voz vinda do telefone me assustou, Tuco ainda estava na linha:
– Ei cara você está ai? O que está acontecendo?
– Calma eu estou aqui Tuco, o Jânio quase pegou a gente. – Natasha me deu um sinal de positivo, estava tudo limpo e preparado para o ataque – hora do show, entra lá e acaba com eles.
Respirei fundo e quando Natasha me olhou sorrindo desviei daqueles olhos. Por que estava tão envergonhado?
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