Doce Criminal

4 A prostituta Lucia


"E até seu beijo era um misto de ternura e sensualidade"

– E você, como veio parar aqui?

Ela abaixou os olhos por alguns segundo e respirou fundo. Suas mãos encontraram a minha.

– Essa não seria a pergunta correta, a pergunta seria: Como você virou uma prostituta, não é? Bom, eu vou dizer. A vida faz dois tipos de pessoas: umas pra viver e outras pra figurar. As que vivem seguem caminhos tortuosos pra aprenderem lições importantes ao longo do tempo, já as figurantes traçam destinos e vão seguindo anos e anos sem saber o que é abrir mão, sofrer ou até mesmo vencer.

Fiquei mudo perante aquelas palavras, jamais poderia imaginar que alguém como ela poderia fazer reflexões sobre a vida daquele modo. Lucia era especial.

– Bruno, eu acredito que a vida nos escolheu pra viver de verdade! — Ela apertava minha mão com mais força e havia entusiasmo em seu rosto — Eu também perdi meus pais, mas de uma maneira diferente. Eu fugi de casa com 12 anos de idade, o meu padrasto me espancava e obrigava minha mãe a sempre ter que escolher entre eu ou ele. Um verdadeiro escroto! Eu vazei, sabe? Caí fora. Conheci pessoas que realmente gostavam de mim e me ajudaram da maneira que puderam. E aqui estou eu, a seu dispor.

Sorrimos um para outro, era como se nossos corações se comunicassem. Confesso que foi naquele momento que me apaixonei pela primeira vez. Não era como a paixão do colégio, cheia de infantilidades, Lucia ardia fogo em seus olhos. Era única.

E devagar, naquele balcão de bar, ela encostou seus lábios no meu.

– Olha — Ela dizia ainda segurando minhas mãos, e eu tentava me recuperar do efeito daquele beijo — Você foi a única pessoa que quis minha companhia dessa maneira, então fica tudo por minha conta. Até porque eu sei que você não tem grana nenhuma.

– E como sabe? — naquele momento lembrei de todas as cervejas que tomamos.

– Bermuda sem bolso, garoto.

Corei e ela riu.