Doce Atração
7 Capitulo Seis
Julie
Espero que a historia que a Isabela tem a contar valha toda a vergonha de ser revistada. Entramos nós três na sala, Lea conversa com uns guarda, Peter fica em silencio até que digam que podemos nos sentar.
Estamos em uma sala com no máximo dez metros quadrados, há uma janela de vidro bem grande e escura, não vemos quem esta do outro lado mas tenho certeza que eles estão nos observando.
Há quarto luzes no teto, elas são fracas e meio amareladas, por isso precisam da ajuda um da outra para concluírem o trabalho.
Tem uma mesa de metal no centro da sala, e três cadeiras de um lado e uma cadeira de outra. Vejo duas câmeras que nos seguem a cada passo.
Não demora para aparecer um sorriso em meu rosto quando vejo a Isabela caminhar até a gente. Seu cabelo antes loiro tão claro que chegava a parecer branco agora está negro como petróleo seu rosto cercado pelo cansaço, em um dos olhos para complementar com as olheiras está roxo. Sinto pena dela.
– Quem diria que fraude me traria para um lugar desses? – Ela ri da própria desgraça, sua pele branca parece tão pálida nesse macacão laranja que sinto até vontade de ajudá-la. Lembro do que ela fez. A vontade foge do meu corpo. – Nada mais justo.
– Então... – Começo.
– Julie, me desculpe. Mesmo.
Fico sem palavras, é como se eu tivesse apanhado dela, novamente. Desta vez minha queda não é física mais ainda sim fico machucada.
– Não se preocupe. – Tento dizer. Ela parece que vai chorar, então respira fundo, seus olhos azuis parecem sem brilho algum agora.
– Deixe começar, eu conheci o Gustin na época que ele trabalhava na Eagle, era um evento e eu tinha ido com o Peter, então ele meio que flertou comigo. Eu não queria nada, mas acabei sendo meio que amiga dele.
Respiro Fundo, tento acreditar que foi só com ela que ele tentou alguma coisa quando não me levava para os eventos.
– Com o tempo, ficamos realmente próximos, éramos...
– Da mesma raça? – interrompo-a.
– Parecidos. Então foi ai que ele me contou dos exames que estava fazendo.
– Que exames? – Pergunto.
Lea pega sua bolsa e tira um envelope de dentro, põe eles sobre a mesa e eu os encaro. Reconheço uma tomografia. Reconheço que o Henry Gustin não confiava em mim o suficiente para dizer que estava morrendo.
– Porque ele não me disse? – Digo, tentando controlar a minha voz, sem gritar, sem vacilar, sem chorar.
– Ele não queria magoar você.
– ME MAGOAR? E simplesmente sumiu, isso, isso, achar que eu não era boa para fazê-lo ficar, isso me magoou. Ele não tinha idéia do que fez comigo.
Não controlo mais as lagrimas que caem dos meus olhos.
– Ele sempre vinha te ver...
– E por que ele não falou comigo?
– Eu... Não sei. – Não ligo de deixar a Isabela sem respostas. Ainda tenho perguntas.
– Porque ele voltou então?
– Ele queria dinheiro.
– Isso eu sei, quero saber para que ele queria.
– Ele planejava tentar algumas cirurgias...
Pego o papel como a foto do corpo do Henry e mostro para ela.
– Ele não era tonto a ponto de achar que poderia se salvar.
– O Henry tambem precisava deixar dinheiro para o Nolan.
Olho para o Peter, ele engole em seco, Lea parece corada, mas respira normalmente, Isabela olha para os dois.
– Vocês não contaram? – Ela não obtém resposta.
– Quem é Nolan? – Pergunto.
Isabela se recosta na cadeira e me deixa chegar a conclusão sozinha. Tento pensar, não choro mais, sinto apenas raiva. Respiro fundo. Eu vou ficar bem. Repito.
Nolan. Um garoto. Um menino. Um homem. “Deixar dinheiro para o Nolan.” Talvez Henry tivesse um namorado, mas o conhecendo como eu conhecia talvez não fosse isso. Deixar dinheiro. Herança. Filho. Henry August, meu falecido marido tinha um filho.
– Quantos anos? – Pergunto.
Isabela quase sorri, feliz com minha inteligência.
– Cinco. Eu acho.
– Onde ele mora?
Ela para pra pensar.
– Nova Iorque.
– Eu tenho achá-lo.
Levanto-me. Tenho que ir para NY, posso ficar na casa da America, preciso encontrar ele garoto. Não quero saber se ele foi fruto de uma traição. É a única coisa que me resta do Gustin. Eu tenho que encontrá-lo e ajudá-lo.
– Espere. Você vai precisar de uma coisa.
Viro-me. Lea e Peter estão se aprontando para vir até mim.
Isabela caminha e me abraça.
– Vá no meu prédio, a chave do meu apartamento está com o vizinho, depois lá dentro você pega a chave do lugar onde o Henry ficava, está dentro de um pote na mesa da sozinha. Tem o endereço anotado lá tambem.
– O que tem no apartamento dele?
– Pegue um notebook, deve estar numa gaveta da cômoda. A senha é Zombietles, sei que você vai entender ele me contou a historia de vocês. Agora você tem que saber o lado dele. O Endereço do Nolan está salvo em um bloco de notas. Boa viagem.
Isabela se afasta.
– Obrigado. – Sussurro. Não sei se ela ouve, mas eu realmente estou grata.
Do lado de fora, antes de entrar no carro não falo nada, não quero brigar com o Peter, tento entender o lado dele. Planejo-me.
Ir para casa, arrumar as malas, falar com minha mãe, pedir um avião, ligar para America avisar que ficarei na sua casa, ligar para Renata falando que só começarei o trabalho na segunda.
Hoje é quinta-feira. Peter irá comigo para Nova Iorque, acharemos esse menino e faremos o possível por ele. Irei buscar o notebook, e depois me prepararei para todo o resto.
O carro para e nos deixa na EAGLE CORPORATION, INC. Lea vem com a gente. Eu não quero manter contá-lo não gosto dela. Ela diz que precisa ir para algum lugar, não me importo onde.
Dentro de casa, Peter fala comigo:
– O que exatamente você planeja fazer?
Explico a ele.
– Eu não posso ir.
– Porque? – Pergunto.
Ele levanta os braços abertos, e mostra tudo em volta.
– Eu tenho responsabilidades aqui. Minha empresa sofreu muito nos últimos dias.
– Então seu negocio é mais importante que uma criança.
– Meu negocio é mais importante que qualquer equivocação que pode ser resolvida em outra hora.
– Tudo bem.
– Então você não vai?
– Eu vou sim, mas sem você.
Peter parece realmente bravo.
– Depois de amanhã nós fazemos um mês juntos, isso é importante para mim, gostaria de estar perto de você.
– E você pode estar perto de mim.
– Eu quero está perto de você aqui. Na minha casa, na nossa casa.
– Sinto Muito. Você pode ficar e se divertir com a Lea.
Entro no elevador e desta vez o Peter não chama meu nome.
Peter
Nunca pensei que choraria por uma garota, ainda mais por vê-la partir. Tento não acreditar que sou alguém inseguro, mas a idéia que a Julie prefere ir atrás de algo relacionado com seu ex do que ficar comigo e comemorar nosso tempo junto me faz duvidar se tenho algum valor para ela.
Não quero perdê-la. Não para ele. Não vou deixar um fantasma tirar a mulher que em tão pouco tempo sei que amo de mim.
Tiro meu celular do bolso e procuro o numero na internet. Uma voz feminina me atende.
– Alô, Aeroporto de Seattle. Como posso ajudá-lo?
– Eu gostaria de comprar uma passagem para Nova Iorque. Quais os horários disponíveis, por favor?
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