Dobro Pozhalovat' v Katsu
8 O Ladrão se importa com o gatinho e sua família.
Notas iniciais
Goemon:
As mercadorias especiais estão sendo transportadas.
Chegaremos amanhã no mesmo horário de sempre, de tarde.
Arsene:
Entendido.
Nos vemos amanhã.
Pagamento em Moedas ou Dinheiro?
Goemon:
Preciso de dinheiro.
Arsene:
Muito bem.
Até amanhã.
Goemon:
Tome cuidado. Só porque a Yakuza acha que você está morto, não significa que você está inteiramente a salvo.
Arsene:
Eu sei.
...
Yuri Plisetsky não retorna para Katsu há dias. Isso deixa Yuuri bastante preocupado. Ele trabalha bem no restaurante, mas os clientes percebem que há algo de errado quando o cozinheiro deixa de sorrir e fala muito pouco. Nem Viktor consegue tirar dele mais que um ‘O que deseja comer?’ e ‘Tenha um bom apetite.’
No dia seguinte, quando Yuuri e Vicchan retornam com ingredientes especiais para Katsu, se assusta quando encontra o menino de cabelos loiros sentado na frente de seu restaurante. Yuuri sai do carro e imediatamente vai até ele, o tocando no rosto e soltando um suspiro quando percebe que ele está apenas dormindo.
“Vicchan, parece que mais alguém precisa da ajuda de Chaika.” Ele diz, erguendo o menino em um braço e com a outra mão, pega as chaves, entra no restaurante e deita o menino no sofá, o cobrindo com um cobertor. “Tome conta dele, ok?”
O mini-poodle marrom sobe em cima do sofá e se deita perto do menino, olhando para ele atentamente.
“Dedushka…”
Sorrindo tristemente, Yuuri faz carinho na orelha de seu poodle antes de se afastar.
Do lado de fora, ele pega da parte traseira de seu carro a primeira caixa de madeira, a colocando dentro do restaurante. Ele continua a colocar as caixas para dentro, algumas com mais dificuldade que as outras. Logo, ele deixa sua caminhonete preta no estacionamento aberto, em um canto mais afastado do restaurante e retorna para Katsu. Olhando para as caixas, ele solta um longo suspiro.
“Talvez eu devesse contratar um ajudante?” Ele pergunta para si mesmo, mas balança a cabeça. “Não. Eu não posso envolver mais pessoas. Já é arriscado demais ter Viktor aqui, quebrando os muros que coloquei ao redor de mim para afastar as pessoas de ver o que escondo e agora tem Yuri.”
Ele então olha para a porta que dá para o cômodo onde o menino adormece.
“Yuri Plisetsky. De algum modo, ele me lembra muito de mim no passado. Um garoto perdido, abandonado e solitário.” Ele diz, dando uma risada e começando a abrir as caixas e retirando garrafas de sake, cervejas japonesas, ingredientes congelados, temperos, molhos e grandes potes e caixas de bentô.
~x~
“Yuri Plisetsky. De algum modo, ele me lembra muito de mim no passado. Um garoto perdido, abandonado e solitário.”
Viktor congela quando escuta essas palavras de Yuuri, mesmo elas abafadas pela porta do restaurante. Ele as repete em sua mente, ficando cada vez mais chocado.
Por isso que ele se esforça para dar comida para pessoas que precisam mas não tem condições de pagar.
Ele não gosta de saber que aquele gentil rapaz passou por dificuldades quando criança. Por que ele mesmo teve uma infância difícil. Talvez seja por isso que ele se sinta diferente quando está olhando para Yuuri Katsuki…
Que acaba de abrir a porta do restaurante e o olha com surpresa.
“Viktor?”
O novo Pakhan da máfia russa engole em seco, começando a sentir seu coração bater estranhamente forte e suas bochechas ficarem quentes.
Espera, o que está havendo com ele?
“Viktor, você está bem?” Yuuri pergunta, o assustando e o fazendo voltar para a realidade.
“Eu estou sim.” Ele diz, levando a mão no rosto e ficando embaraçado. “Me desculpa, eu não sei o que deu em mim.”
Yuuri inclina o rosto para ele, o olhando com um estranho sorriso no rosto.
“O que posso fazer por você, Viktor?” Yuuri pergunta, e o russo nota atrás deles, diversas coisas estão em cima da bancada.
“Bem, como hoje é Natal, eu imaginei que você iria dar um jantar igual ao Ano Novo, então pensei que iria precisar de ajuda.” Viktor diz, estranhamente nervoso.
“Não necessariamente.” Yuuri diz, surpreso com o que escuta. “Hoje, boa parte da comida que eu faço é preparada para que os clientes levem tudo para casa. Mas eu posso precisar sim de ajuda.”
Viktor percebe ele morder o lábio e por pouco não solta um gemido.
“Eu encontrei Yuratchka na minha porta, inconsciente. Ele está dormindo no meu sofá e Vicchan está com ele, mas eu estou muito preocupado com ele. Acredito que o avô dele o deixou sozinho para ir apostar de novo.” Yuuri diz, o assustando.
“Yuuri, você quer ir até o local onde Nikolai Plisetsky costuma ir para jogar poker?” Viktor pergunta, e Yuuri o olha com surpresa.
“Como…?” Ele começa a perguntar, franzindo a testa.
“Eu… eu pedi um amigo para investigar depois que escutei você falando o nome dele.” Viktor responde, escondendo o fato de que usou seu novo status para investigar o homem em questão.
“Entendo.” Yuuri diz, voltando a olhar para a porta. “Eu quero ir sim. E algo me diz que você irá querer ir comigo. Amanhã nesse mesmo horário?”
“Mas é claro que eu vou com você! E amanhã é perfeito.” Viktor exclama, o fazendo dar risadas.
“Hm. Então está decidido.” Yuuri diz, sorrindo para Viktor. “Agora, se não for incomodo, poderia me ajudar com aquilo?”
“Com prazer.”
~x~
Esses tipos de ambientes são ilegais em quase todo o território russo. Mas isso não signifique que exista casas ilegais pelo país. No dia seguinte, Yuuri e Viktor entram em uma dessas casas e se deparam com um ambiente sujo, com muita fumaça de cigarro e charutos, e diversos homens sentados em mesas redondas.
“Você é bom em poker, Viktor?” Yuuri pergunta, olhando para o russo de cabelos prateados ao seu lado.
“Talvez.” Viktor responde, dando uma piscadela para ele.
Yuuri olha em volta e se depara com Nikolai, e se surpreende com o que observa. O homem está com a aparência bem mais velha e doente do que no mês passado, quando ele e o neto surgiram no restaurante pedir por comida.
“Para participar, são 5.000 Rublos por pessoa.” Um homem loiro e forte diz, fazendo Yuuri o olhar com surpresa.
“Claro.” Viktor diz, dando dinheiro equivalente à dois para ele.
“Viktor…” Yuuri começa, mas o russo balança a cabeça para ele.
“Eu aceito comida em troca.” Ele diz, recebendo fichas do homem e as dividindo com Yuuri.
Viktor se senta em uma mesa mais afastada, observando que Yuuri se senta de costas para uma janela. Ele coloca uma ficha na mesa e observa as cartas sendo distribuídas para os jogadores da mesa dele. Viktor checa discretamente suas cartas e solta um longo suspiro. As apostas são feitas por 4 dos 7 sentados na mesa, incluindo ele mesmo. Quando as cartas são viradas, ele respira fundo, aliviado, por conseguir dois pares (8 de Espadas e 8 de Copas — 3 de Ouros e 3 de Copas).
Não muito longe dali, ele escuta algumas pessoas ficarem surpresas, mas decide continuar concentrado em sua partida. Em uma nova partida, ele não tem tanta sorte e perde por muito pouco. Ele observa que o falatório começa a ficar mais alto com o tempo e solta um longo suspiro. Quem diabos está provocando isso?
A resposta?
Yuuri Katsuki.
...
“Straight Flush.” Yuuri declara, revelando suas cartas para os jogadores em sua mesa.
Como nenhum jogador possui algo que supere isso (Algo conhecido como Royal Straight Flush, que ele mesmo conseguiu obter duas partidas antes), a partida é encerrada com ele vencendo todas as partidas da mesa e com isso recebendo todas as fichas dos jogadores dela.
“Vencedor da mesa de número 4: Senhor Yuri Katsuki.”
...
Não só Viktor, como todos os outros jogadores ficam surpresos ao escutar isso, afinal não fez nem duas horas do início das partidas. Meia hora depois do anuncio, mais uma mesa consegue o vitorioso do dia. 10 Minutos depois, mais uma. Na mesa de Viktor, ele respira fundo quando finalmente acaba vencendo a rodada e é declarado vencedor da mesa. Ele se pergunta por que ninguém ainda não o reconheceu, mesmo aquela casa pertencendo a um dos integrantes da Bratva que ele agora controla.
Logo, todos as outras mesas terminam suas rodadas com um vencedor. Para a surpresa de Yuuri, Nikolai é um deles.
“Vencedores, está na hora da partida que irá decidir o vencedor de hoje.”
Os 8 participantes se sentam na mesa que fica ao centro do salão, depositando ao lado suas fichas. Nikolai se senta ao lado direito de Yuuri e Viktor, ao lado esquerdo.
“Eu nunca iria imaginar você jogando poker, Chef Yuuri.” Nikolai diz, olhando para a mesa seriamente.
“Eu estou aqui por Yuratchka.” Yuuri responde, sendo observado pelo velho homem com surpresa. “ E por você também, Senhor Nikolai.”
“Eu posso imaginar…” Nikolai diz, tossindo três vezes. “Eu preciso de dinheiro, Chef. Para garantir o futuro de meu neto.”
“Quanto tempo o senhor tem, Senhor Nikolai?” Yuuri pergunta, dessa vez pegando Viktor de surpresa.
“Segundo o médico, no mês passado, tenho 6 meses de vida.” O velho responde, dando risadas tristes. “Eu não sei mais o que fazer, Chef. Eu não sei.”
“Poderia ter pedido ajuda.” Yuuri responde, apostando uma de suas fichas para dar início a rodada. “Eu poderia dar um jeito de poder lhe ajudar.”
“Eu não queria incomodar…” Nikolai começa, mas se cala quando recebe um olhar frio de Yuuri.
“E acha certo deixar seu neto sozinho?” Ele sussurra, fazendo sua aposta. “Eu encontrei ele dormindo na entrada do meu restaurante ontem de tarde, no frio. E onde o senhor estava?”
Nikolai o olha chocado.
“Que hoje seja a última vez que eu escuto sobre o senhor apostando nessas casas ilegais. Venda sua casa e venha junto com o seu neto morar comigo em meu restaurante. Desse jeito, eu posso cuidar de vocês dois adequadamente e o senhor pode ficar mais tempo com seu neto.” Yuuri diz, revelando suas cartas.
Full House. (J de Espadas, J de Copas, J de Ouros — 8 de Ouros, 8 de Paus)
Yuuri vence a primeira rodada.
A segunda.
E todas as outras rodadas. No fim, ele recebeu bilhões em rublos, para o choque de todos ali presentes.
“Eu apenas tenho bastante sorte.” Ele diz, após ser examinado pelos seguranças da casa em busca de provas de que ele estava trapaceando e não encontrando nada.
“Senhor Katsuki, parabéns por sua vitória. Agora, aqui está o dinheiro que o senhor ganhou na partida de hoje.” Um homem de terno e gravata se aproxima, entregando quatro maços com cédulas de Mil Rublos.
Yuuri franze a testa, pega um maço e desliza o dedo sobre as cédulas, as analisando. Ele então se aproxima de um dos jogadores.
“Poderia me emprestar seu isqueiro, por gentileza?” Ele pede, e o homem lhe dá.
Todos observam Yuuri acender o isqueiro e queimar as cédulas, chocados.
“O que você pensa que está…” O homem de terno se cala ao observar ele pegar o resto dos maços e queimar eles também.
“Você acha mesmo que eu ia sair daqui carregando metade do dinheiro que ganhei, que é falso também. no meu bolso.” Yuuri diz, jogando tudo na mesa de poker.
“Falso? Como assim falso?!” O homem pergunta, ficando cada vez mais pálido.
“Eu tenho um estabelecimento, então eu já recebi antes cédulas falsas em troca de meus serviços.” Yuuri cruza os braços e olha para ele friamente. “Ou seja, além de vocês estarem funcionando ilegalmente, vocês roubam descaradamente das pessoas, se aproveitando do vício delas para ter uma fortuna no bolso. Vocês me enojam. Viktor, eu estou indo embora. Eu não quero mais perder meu tempo em um lugar que me trata como lixo.”
“Tudo bem. Eu me encontro com você lá fora logo.” Viktor responde, sorrindo para o homem de terno que o olha chocado, finalmente percebendo a presença dele ali.
“Pakhan?” Ele pergunta, assustando todo mundo. “Por que…?”
“Eu nunca imaginaria que logo você tivesse uma casa de apostas, Fyodorov. Afinal, como foi dito, elas são ilegais e até mesmo a Bratva fechou as portas de todas as casas para impedir que o governo e a polícia nos atrapalhe.” Viktor coloca as mãos nos bolsos das calças e se aproxima dele, o circulando lentamente enquanto continua a falar. “Curiosamente, seu trabalho conosco envolve nossas finanças. Agora, imagina se eu pegar esse maço de notas, que peguei quando vi senhor Katsuki queimando o primeiro maço dele e comparar com as notas que estão nos cofres que você possui acesso, o que será que eu iria encontrar?”
“Me desculpe, Pakhan.” Fyodorov começa a ficar desesperado.
“Tsk.” Viktor diz, jogando o maço para o ar e pegando de dentro do seu paletó sua pistola. “Eu, se fosse todos vocês, cairia fora daqui imediatamente.”
~x~
Yuuri, encostado na porta do carro de Viktor, observa que quase todo mundo sai da casa correndo. Nikolai, olhando para ele, se aproxima, mas antes que pudesse dizer uma coisa para o cozinheiro, eles escutam o barulho de um tiro.
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