Do you love me?
8 Chapter VII – I’ll dance with you
Notas iniciais

O frio, apesar de já não ser mais tão intenso, fazia o ruivo arrepiar-se. Mantinha seus olhos esverdeados semicerrados e apertava as rédeas do cavalo entre as mãos, mesmo sabendo que tal ato não seria capaz de afastar o frio que sentia.
Hans já estava se acostumando com aquilo. Fazia isso quase todos os dias, desde que Rapunzel invadira a floresta com a intenção de viver com a Fera no lugar de seu pai. Sempre que podia, ao fim da tarde, pegava seu cavalo e ia até a cidade, à procura de feiticeiros, cartomantes ou qualquer um que dissesse poder ajudar, estando disposto a pagar qualquer quantia por isso.
O motivo de ele ter tomado essa decisão não era só o fato de que era muito apegado à irmã e queria fazer de tudo para protegê-la, mas também, seu pai, que adoecera de desgosto com a ida da filha.
Mas o rapaz não era o único da família que ainda tinha esperança de trazer Rapunzel de volta; Merida e Hiccup também davam o melhor de si. Enquanto isso, em casa, Anna e Kristoff cuidavam de Thomas. Desde que Rapunzel partira, o homem não acordou mais, apesar de o coração ainda bater e seu peito. Anna, cada vez mais preocupada, chorava toda noite por medo do pior. Kristoff, por sua vez, a consolava. Não que ele não estivesse com medo também. Mas acreditava precisar parecer forte e ser o ponto de apoio da irmã, só dessa vez.
Hans avistou uma taberna e decidiu entrar para pedir informação e se abrigar do frio ao menos por alguns minutos. Amarrou as rédeas do cavalo em um lugar próximo e abriu a porta, sentindo o calor atingir seu corpo. Sentou-se em uma das mesas de madeira e pediu uma bebida. Pouco tempo depois, uma bela dama de cabelos cheios e cacheados surgiu à sua frente.
“O senhor parece preocupado” Ela comentou. Sua voz era macia e sedutora, combinava perfeitamente com o forte batom vermelho que usava. “Se permitir, posso acabar com isso”
Hans encarou seus olhos grandes e acinzentados. “A moça por acaso é alguma feiticeira?”
“Cartomante” Respondeu, parecendo um tanto ofendida “Posso me sentar?”
O ruivo assentiu com a cabeça.
“Já ouvi falar de você. Está à procura de sua irmã, certo?”
“Exato. A última vez que a vimos ela entrava na flo...”
“Sim, sim, eu sei. Eu sabia que isso aconteceria, estava escrito nas cartas. Veja bem, meu caro. Por... uma certa quantia, posso te ajudar a conseguir sua irmã, e muito mais”
“Como eu posso ter certeza de que não está mentindo?”
“Tudo o que tenho é minha palavra e informações. Cabe a você acreditar ou não”
...
Naquela noite, Rapunzel teve um novo sonho. Corria aos tropeços com um vestido azul e cheio. Seus pés estavam descalços e seus cabelos, soltos e desgrenhados. Parou em frente a um grande lago, mas ao invés de enxergar seu reflexo, viu pessoas a dançar.
Um homem, o mesmo dos sonhos que tinha frequentemente, adentrou o salão. Vestia um terno e tinha seus fios castanhos penteados para trás. Seus olhos azuis percorriam o local de pólo a pólo, e brilharam ao encontrarem quem procuravam: ali estava Elisabeth. Ela parecia ainda mais radiante em seu vestido vermelho, que contrastava com sua pele e cabelos claros. Seus grandes olhos eram realçados por uma maquiagem leve. Estava de fato encantadora.
“Jack!” Ela exclamou sorridente ao encontrar o amado
“Olá, minha amada Elsa” Jackson saldou a albina enquanto se aproximava. Depositou um beijo em sua testa e estendeu-lhe o braço “Me concede esta honra?”
Elisabeth assentiu com a cabeça e segurou a mão do rapaz.
De repente, Rapunzel sentiu como se algo a puxasse na direção do lago. Ela não hesitou, apenas fechou os olhos e saltou para dentro da água.Por mais estranho que pareça, não sentiu-se molhada; aterrissou no chão e seu corpo foi conduzido, como em uma dança. Voltou a abrir as pálpebras e deu-se com os olhos azuis gélidos de Jackson. Ele tinha um sorriso contagiante, composto por seus dentes incrivelmente brancos estampado no rosto.
“Minha donzela está tão linda hoje” ele sussurrou e foi o bastante para fazer a moça sorrir também.
...
Rapunzel acordou atordoada. Mais uma vez, os benditos vaga-lumes apareceram e, com eles, os sonhos estranhos. O que tudo aquilo significava? Ela não sabia responder. Apenas levantou-se da cama e apanhou o vestido deixado em seu quarto. Era branco e tinha uma fenda no lado direito da saia. Suas mangas eram rendadas, assim como os detalhes da parte de cima. Seus sapatos eram scarpins dourados. As joias eram pequenas e delicadas, feitas de ouro.
Ela vestiu-se, prendeu seus cabelos em uma trança lateral simples, fez uma maquiagem leve e saiu do quarto, acompanhada de Pascal – o nome que dera ao camaleão – e seus pequeninos amigos. Desceu as escadas em direção ao hall e sentou-se a mesa, onde a Fera já a esperava de forma paciente.
A loira tomou seu café da manhã, um tanto incomodada com a presença silenciosa de seu companheiro de mesa. Apesar de já estar no castelo há algum tempo, não conseguia se acostumar com o fato de ser observada por ele. Engoliu o último gole de sua bebida e preparou-se para se levantar quando foi interrompida pela criatura:
“Dance comigo. Por favor” sua voz alta e rouca disparou repentinamente, desnorteando a garota. Dançar? Os dois?
Porém, o que mais lhe assustou foi a rapidez com que respondeu a pergunta, quase sem pestanejar.
“Eu dançarei com você”
Talvez fosse sua impressão, mas acreditava ter visto algo brilhar na imensidão azul do ser do outro lado da mesa.
...
A Fera acompanhou Rapunzel até o jardim. Fizeram uma reverência, encarando-se nos olhos. A criatura estendeu a mão – ou pata – para a moça, que segurou com delicadeza, sentindo sua cintura sendo abraçada. Respirou fundo e foi conduzida pela Fera. Os dois dançavam lentamente, no ritmo de seus corações e das folhas secas que estavam espalhadas pelo chão. Aquele momento lhe era tão familiar, e ela sabia de onde: seu sonho. Talvez o sonho fosse o motivo de ter aceitado dançar com a criatura repugnante que a abrigara durante o último mês. Talvez quisesse reviver aquilo – se é que era possível reviver algo que nunca se viveu, realmente.
A Fera a girou sobre seus calcanhares. Rapunzel estava admirada. Como tal ser horrível, arrogante e amargo poderia saber conduzir uma dama com tanta graça? Quase inconscientemente, a loira recostou a cabeça no peito da Fera e fechou os olhos, sentindo seu coração batendo cada vez mais rápido e a respiração se tornando ofegante. E então, Rapunzel foi pega de surpresa pela pergunta que guardaria pelo resto de sua vida na mente:
“Você me ama?”
[...]
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