Do you love me?

4 Chapter III – Just a rose


Notas iniciais
Espero que gostem. Boa leitura!

Já havia se passado cerca de dois meses desde que a família McCaughrean mudou-se para o casebre no campo. Hans e Anna já não reclamavam tanto, acostumavam-se aos poucos. Merida gostara bastante de lá, tinha bastante espaço para cavalgar com Angus, seu cavalo e melhor amigo. Rapunzel também apreciara o lugar, achava bastante divertido cultivar plantas e hortaliças com Kristoff e desenhar com Rick. Thomas descobriu que a brisa da tarde era tão leve e gostosa, sem falar que o chacoalhar das folhas dava uma ótima sinfonia para suas leituras. As moscas já não podiam mais incomodar Anna, afinal, era inverno e toda a França ficava coberta por uma fria e grossa camada de neve. Era até bonito de se ver. Anna nunca gostou muito do inverno, mas depois do sumiço dos insetos impertinentes, esta se tornou sua estação favorita.

Rapunzel e Hiccup estavam do lado de fora, retratando o espantalho coberto de neve. A garota pintava uma tela e o outro fazia rabiscos e mais rabiscos em seu caderno. Ambos estavam agasalhados com toucas, cachecóis e casacos quentinhos, mas ainda assim, Rapunzel tinha as bochechas e o nariz rosados por conta do frio, o que Rick achava fofo.

“Aposto que terminarei primeiro” A loira desafiou o mais velho.

“Veremos. O último lava a louça por um mês!” Ele incentivou a aposta e a menina riu.

“Ok, ok. Espero que não se importe de ficar um pouco molhado nesse frio”

O moreno riu com o comentário na garota e fez mais alguns traços em seu desenho, dando os últimos retoques. Então, pegou lápis das cores azul, pastel, marrom, vermelho, verde e branco – ele nunca entendera porquê criaram o lápis de cor branca, mas sabia que era útil para fazer combinações de cores, inclusive neve. Começou colorindo o chapéu de palha do espantalho. Vez ou outra esticava o pescoço na tentativa de ver o andamento da pintura da irmã, sendo repreendido pela loira. Logo ele acabou de colorir a neve, finalizando o desenho.

“Terminei.” Afirmou gabando-se.

Rapunzel lançou-lhe um olhar surpreso e de queixo caído “Você roubou!”

“Não roubei não!” Fez-se de ofendido, rindo da injúria da irmã.

“Roubou sim! Portanto, a aposta não vale.”

“Nem vem, você não vai escapar da louça, Punz.”

A loira, por fim, revirou os olhos e cedeu, e o irmão deu um sorriso vitorioso. Após observá-la por um tempo, Hiccup avisou-a que voltaria para dentro de casa e a menina decidiu que ficaria para finalizar a pintura.

Do lado de dentro, Hans ajudava Kristoff a carregar a penteadeira de Anna. A menina cismara que queria mudá-la de lugar, mas nenhum para ela estava bom.

“Não, não, não, ali no canto da esquerda.” Apontou e os rapazes puseram-se a carregá-la até o lado esquerdo do quarto.

“Está bom assim, milady?” Hans debochou limpando uma gota de suor que escorria de sua testa.

“Hum... Nah! Quero-a ali, ao lado do guarda-roupa!” Afirmou observando os dois resmungarem “Andem logo, seus molengas!” Riu-se da cena que chegava a ser cômica.

Kristoff, por outro lado, não via graça nenhuma naquilo. Seus braços doíam e seu corpo estava exausto! Soltou um suspirou e pegou novamente a penteadeira de madeira, levando-a para onde a irmã ordenou, mesmo sabendo que aquela era a terceira vez que o objeto era posto naquele lugar.

“E agora?” Perguntou Kristoff.

“Ainda não está bom... Já sei! Coloquem-na no centro, encostada naquela parede ali” Apontou.

Kristoff lançou-lhe um olhar indignado. Tanto trabalho pra penteadeira continuar no mesmo lugar de sempre?! Mas não podia fazer nada a não ser carregar o bendito móvel até o local desejado. Assim que a penteadeira tocou o chão, os dois alongaram-se e Kristoff espanou as mãos.

“Quer que eu lhe traga um copo de suco também?” Kristoff perguntou revirando os olhos.

“Uh... Não, está muito frio para tomar suco. Creio que congelaria antes mesmo de chegar até mim! Mas aceito chocolate quente.”

“Eu vou matar-te.” Hans murmurou raivoso e Anna riu.

“Tudo bem, tudo bem. Eu mesma preparo meu chocolate. Mas vocês deviam agradecer-me. Vejam só, fizeram exercícios e aqueceram-se!”

O loiro revirou os olhos e saiu do quarto, seguido dos dois ruivos.

Merida encontrava-se na cozinha, tomando conta dos biscoitos que Rapunzel deixara no forno. Ouviu passos leves atrás de si e virou-se, dando de cara com uma Anna frustrada.

“Ah! Eu queria assustar-te.” Choramingou.

“Tente com a Punzie, pois comigo não funciona.”

Anna bufou e apoiou-se no balcão, inalando o cheiro gostoso dos biscoitos. “Huuum... Está até dando uma fominha...” Comentou colocando as mãos sobre a barriga e fazendo a outra rir.

As duas ficaram um instante em silêncio, até que Anna pronunciou-se novamente.

“Sabe o que é melhor que biscoitos quentinhos no inverno?” Merida negou com a cabeça e esperou curiosa pela resposta da irmã. “Biscoitos quentinhos com chocolate no inverno!” Exclamou.

A de cabelos cacheados concordou. Não há nada melhor que biscoitos com chocolate quente.

“Bem, eu tenho biscoitos para tirar do forno. Você prepara o chocolate.” Afirmou, vendo a outra ficar emburrada.

“Ok, já que ninguém quer fazer por mim...” Disse pegando os itens necessários.

A pintura de Rapunzel estava quase pronta. Ela deu um último retoque passando o pincel delicadamente pelo retrato, dando uma boca ao espantalho. Afastou-se um pouco do quadro e sorriu ao ver o resultado. Então, sem querer, seus olhos fixaram-se no horizonte e ela avistou uma carruagem vinda na direção ao casebre. A loira correu para dentro da casa à procura do pai.

“Papai!” Chamou ao encontrá-lo em seu quarto, lendo um jornal “Uma carruagem se aproxima.” Anunciou e o Thomas rapidamente levantou-se da cama, descendo as escadas e chegando à porta.

Observaram os cavalos se aproximarem da casa e ouviram o som dos cascos. Kristoff e Hicc apareceram também, ficando atrás de Rapunzel. Assim que a carruagem parou um homem desceu dela. Fergus, amigo de Thomas.

“Trago boas notícias.” Ele disse com seu sotaque escocês ressaltado. “A caravela Arendelle foi encontrado.” O ruivo sorriu, acompanhado dos outros quatro. Arendelle era a caravela favorita de Primrose, além de ser a maior dela.

“E as mercadorias, joias e nossos outros pertences?” Perguntou Thomas, apreensivo.

“Intactos.” Afirmou com certa alegria.

“Isso... Isso é maravilhoso! Hans! Merida! Anna!” Chamou pelos outros filhos, que logo vieram.

“O que aconteceu, papi?” Perguntou Anna.

“Encontraram a Arendelle! Podemos voltar à cidade, somos ricos novamente!” Eles comemoraram.

Rapunzel, porém, não estava muito contente com a notícia. Estava contente por ter de volta os bens da família, mas não queria deixar o campo. Adentrou a casa e sentou-se no sofá, um tanto desconfortável por não estar nem um pouco a fim de participar da animada conversa que se passava ali fora.

Assim que Fergus foi embora, todos entraram animados no casebre.

“Irei arrumar as malas!” Anunciou Anna “Espere. Não posso voltar à minha amada cidade vestindo estes trapos.” Ela disse apontando para as roupas.

“As roupas estão ótimas, Anna.” Rapunzel comentou.

“Não sei você, mas eu não me contento com pouco. Se quiser, pode ficar com elas.” Ela disse despreocupada.

Rapunzel certamente aceitaria, não podiam desperdiçar tanta roupa em bom estado enquanto havia gente sem nem mesmo um lugar onde morar.

“Tudo bem, Anna. Você terá o que quiser.” Thomas disse e a ruiva sorriu.

“Oba! Farei uma lista!” Ela disse animada, subindo as escadarias para o quarto. Só assim o homem se deu conta do que acabara de fazer, e torcia para que Anna não pedisse nada exagerado ou muito extravagante. Acabariam com tudo em um só dia!

Então, todos subiram para arrumar suas malas. Ou quase todos, pois Rapunzel permaneceu sentada no sofá.

“O que foi, pequena Punz? Não está contente em voltar?” O pai perguntou preocupado.

“Ah, papai... Eu gosto daqui, sabe? Só queria poder ficar por mais algum tempo...” Ela disse, chateada.

“Podemos voltar para visitar sempre que quiser, pequenina.”

A loira sorriu e abraçou o pai.

Na tarde do dia seguinte, Thomas preparava-se para ir à cidade. Anna vinha alarmada na direção das baias, onde o pai selava o cavalo de cor castanha.

“Papi! Eu e meus irmãos fizemos uma lista com o que queremos!” Exclamou entregando o papel que mais parecia um pergaminho nas mãos do homem.

O pai massageou as têmporas. “No que fui me meter” Pensava ele. Apanhou o pergaminho e leu cautelosamente, murmurando os pedidos. “Vestidos, xales, blush, perfumes...”

“Estes são meus!” Exclamou Anna animada.

O pai assentiu e continuou. “Tinta, caneta... Rick, eu imagino.” Ele afirmou rindo fraco e a ruiva concordou. Assim que acabou de ler, soltou um suspiro. “Rapunzel não pediu nada?”

Anna deu de ombros enquanto soltava cuidadosamente as trancinhas e guardava as presilhas nos bolsos do vestido.

Thomas guardou a lista e foi até a loira, que estava a admirar as árvores cobertas de neve branquinha e macia.

“Seus irmãos já fizeram a lista de desejos.” O homem disse e ela apenas assentiu “Não vai pedir nada?”

A menina pensou por um instante. Não desejava vestidos, maquiagem, nem mesmo um daqueles perfumes caros e fedorentos que as pessoas só compram para mostrar que esbanjam riqueza. Ponderou sobre pedir tinta nova, mas concluiu que não seria necessário, pois ainda havia muito em seus potes.

Por fim, ela soltou um suspiro e respondeu “Quero apenas uma rosa. Eram as favoritas da mamãe, mas elas não florescem aqui.”

“Tens certeza de que queres apenas isto? Posso comprar-lhe um enorme buquê com flores de todos os tipos, se for o teu desejo.”

“Não. Quero apenas a rosa.”

O pai cedeu e assentiu. Antes que pudesse virar-se, Merida apareceu ofegante. Havia corrido para ter certeza de que encontraria o pai, mesmo sabendo que ele não iria sem despedir-se dos filhos.

“Irei com o senhor, pai.” Ela disse assim que recuperou o fôlego.

“Merida...” Thomas acariciou os cabelos rebeldes da menina “Não é necessário.”

“Eu quero ir. E, aliás, poderei escolher meu novo arco!” A ruiva respondeu-lhe transbordando de animação. Mesmo que a cidade não fosse tão perigosa nem muito distante do campo onde viviam, seria como uma aventura ao lado do pai. “Ah, vamos, papai! Angus também precisa dar uma volta. Tenho certeza de que ele está cansado daqui.”

O mais velho deu-se por vencido e concordou.

Então, toda a família dirigiu-se para as baias e despediu-se de Thomas e Merida. A ruiva montou no cavalo negro e alto, esperando o pai dar a partida para segui-lo. Depois que pai e filha sumiram no horizonte, Anna e Rapunzel adentraram a casa. Hiccup deu mais uma olhada em volta, talvez procurando o que fazer, e decidiu segui-las. Hans e Kristoff concluíram que deveriam voltar para casa também, mesmo que só para jogar tempo fora.

...

Notas finais
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