Notas iniciais
Bem, eu simplesmente AMO a Tonks, minha personagem favorita de todos os personagens que eu já conheci. E o Remus... ah, quem não ama esse lobisomem maroto neah?
Tonks/Remus é o melhor shipp ever, sempre leio fic deles, mas nunca fiz uma.
Essa ideia eu tirei de um texto que li na aula de literatura, então, é isso, boa leitura.

Sentada junto à sacada para que com a luz lhe chegasse a vida da rua, a jovem bebia seu café e observava seu longo traje de seda cor de jade que sua mãe lhe disse, um dia iria vestir.

Essa seda agora muda — pensava a metamorfomaga enquanto a varinha rodava entre os dedos — haveria de farfalhar sobre mármores, ondeando a cada passo seu, exibindo e ocultando nos poços das pregas seu suave verde. O traje luziria nobre como uma joia. E dos pontos, dos pontos todos, pequenos e incontáveis que sua mãe, aplicada, tecera dia após dia antes de seu próprio casamento, ninguém saberia.

Assim ia pensando a moça, quando uma gota de sangue caiu sobre o tecido.

De onde vinha o sangue? Perguntou-se de assombro, afastando a seda e olhando as próprias mãos limpas. Era normal essa sua afinidade com cortes, mas não se lembrava em ter tropeçado nem derrubado nada. Levantou o olhar. De um vaso na sacada, uma roseira subia pela parede oferecendo, ao alto, uma única rosa flamejante.

– Foi ela — sussurrou a fada mordente que parecia dormir sobre uma folha — Foi do seu coração partido.

Esfregou a cabeça com as mãozinhas. — Sensível demais, essa rosa — acrescentou , não sem um toque de censura. — Um doce lobisomem acabou de passar lá embaixo, nem olhou para ela. E bastou essa nada, essa quase presença, para ela sofrer de amor.

Por um instante esquecida do seu café e do traje, a moça debruçou-se na sacada. Lá ia o lobisomem, afastando-se num esvoejar de capa em meio a bruxos e bruxas de todas as idades.

– Professor! Professor! — gritou ela com um toque de ironia, mas nem tão alto, que não lhe cairia bem. E agitava o braço.

O lobisomem não chegou a ouvir. Afinal, não era seu nome que chamavam. Mas voltou assim mesmo, voltou porque sentiu que deveria voltar ou porque alguém do seu lado virou a cabeça de súbito como se não pudesse perder algo que estava acontecendo. E quando viu, debruçada no alto de uma sacada, uma jovem que agitava o braço, uma jovem envolta em sol, cujo cabelo, hoje, roxo berrante em uma trança que pendia tentadora como uma escada. E aquela jovem, sim, aquela jovem o chamava.

Retornar sobre os próprios passos, atravessar um portão, subir degraus, que tão rápido isso pode acontecer quando se tem pressa. E então, o doce lobisomem estava de pé junto a sacada, junto a moça. Ela não teve nem tempo de dizer por que o havia chamado, que já o lobisomem extraía sua varinha e, de uma leve sacudida, decepava a rosa para lhe oferecer.

Uma última gota de sangue caiu sobre a seda verde esquecida no chão. Mas a moça metamorfomaga, que desde que tinham virado mais íntimos em razão da Ordem só tinha olhos para o lobisomem, nem viu.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!