Do que a Vida e Capaz de Fazer?
3 Um feliz aniversário bem, desagradável
Notas iniciais
[NARRADO POR RUKIA]
A luz do sol iluminava meu rosto, a cortina branca de seda mexia-se ao ritmo do vento e alguém me abraçava carinhosamente por trás. Havia aquela antiga felicidade retornado? Será que o psicólogo havia finalmente curado Ichigo? Ou ele resolveu mudar sozinho? Não era momento de pensar naquilo, mas não pude evitar.
O que nos acorda? Alguém batendo na porta.
- Mamãe! Mamãe! Abra aqui. — bate a pequena mãozinha na porta.
- Yura-chan, seus pais estão dormindo! Ainda é muito cedo e é domingo!
- Mas Tae-san, hoje é uma data muito especial.
Sento-me na cama e esfrego os olhos, mas alguém me puxa de volta.
- Se vista Ichigo, Yura está na porta.
- Diga pra ela voltar mais tarde. — diz em um tom sonolento abraçando-me de volta.
- Espera Ichigo, — digo rindo. — hoje é o aniversário dela!
- Mas isso não quer dizer que tenhamos que acordar cedo né?
- Vamos logo seu bobo. — digo conseguindo finalmente me livrando dos braços dele.
- Está bem.
- Já estamos indo filha! — grito
Sinceramente, apesar das intensas dores de cabeça que sentia, eu também não queria levantar-me dali de modo algum, mas o que não fazemos pelos filhos não é? Levantamo-nos, vestimos um roupão e fomos atender a porta.
- Nossa, até que enfim. — diz a garotinha com um tom de autoritária.
- E o que lhe traz à nossa porta? — diz Ichigo.
- Como assim? Vocês sabem.
- Não, não sabemos. — digo fingindo.
- Vou dar uma pista: é uma data especial. — diz cruzando os braços.
- Vejamos... — Ichigo coça o queixo. — Natal?
- Não!
- Halloween? — pergunto.
- Não!!
- Páscoa?
- Vocês não lembram? — começa a ficar triste.
Sensível e doce, Yura não fazia o tipo de garota durona e agressiva que sabe aguentar qualquer coisa, ou seja, muito diferente de mim. Não gostei de ver aquele pequeno rostinho expressando tristeza em pensar que seus pais de suas entranhas haviam esquecido seu aniversário.
- Então eu acho que é O ANIVERSÁRIO DA MINHA PEQUENINA! Acertei?
- Eba! A mamãe acertou! — diz dando pulinhos de alegria.
Ichigo e eu nos abaixamos e agarramos a sorridente criança em um forte e carinhoso abraço.
- Eu amo muito vocês. — diz ela carinhosamente.
- Nós também te amamos, filha. — diz Ichigo.
--X—
Depois de insistir tanto, Yura conseguiu nos convencer de fazer uma pequena festa de aniversário em casa, convidando apenas a família e os amigos mais íntimos.
- Mamãe, será que o Kaito-kun vem?
- É claro que sim, por que não?
- Ahm, filha, por que você é tão apegada a esse garoto? Você tem tantas amigas. – pergunta Ichigo com um tom de mal-humorado.
- Somos muito amigos papai, por quê?
- Ora essa Ichigo! São apenas crianças!
- Mas vão crescer!
- E daí? Ainda não é momento para sentir ciúmes!
Vocês devem estar se perguntando quem é Kaito. Ele é o filho mais velho de Ishida e Inoue(que apesar de ser Ishida agora, Ichigo e eu ainda a chamamos assim). Ishida e Inoue casaram-se dois anos antes que Ichigo e eu e eles possuem dois filhos: Kaito, de 10 anos, criança super ativa e muito gentil e Itsuki, de 3 anos, que apesar de ser autista, é uma criança muito doce e sensível, ailás, posso incluir na lista o próximo que Inoue está esperando de 7 meses.
Ichigo possui um ciúme doentio por Yura e se dependesse dele, ele a manteria em cativeiro à prova de garotos até ela completar 30 anos, isso se até lá ele quisesse libertá-la.
- Ichigo, como vamos convidar o Nii-sama e o Renji?
- O Byakuya vem? Ah não!
- Ichigo! – falo com um tom ameaçador.
- Ligue pra ele ora! Com aquele seu celular esquisito que possui conexão com a Soul Society.
- Ah é mesmo! – digo subindo as escadas.
- Eu vou chamar o velho, a Karin e a Yuzu. – diz Ichigo levantando-se da poltrona da sala.
- Papai, o que é Soul Society? – pergunta a pequena em um tom inocente.
- Nada que você precise saber. – responde Ichigo rapidamente.
--X—
“DIN DON”
- Deixa que eu abro a porta! – diz Yura dirigindo-se alegremente até a porta.
- YURA-CHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAN!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Vovôzinho!
Era Isshin-san acompanhado de suas duas filhas. O avô era tão obcecado pela neta, que o mesmo colocou ao lado do pôster da Masaki-san, outro com uma foto da Yura dormindo!
- Eu trouxe um presente lindo que você irá adorar! – diz ele histericamente.
- O quê vovô?
Isshin-san vai até o carro e volta com um... Um... ENORME CHAPPY DE DOIS METROS! Oh! Oh Meu Deus! Meus olhos brilharam! Assim como os de Yura!
- Um chappy! – diz Yura.
Não conseguindo entrar, Isshin destruiu a porta de entrada com o coelho. Não dei importância, pois, o que mais me encantava naquele momento era o coelho, tão felpudo, não orelhudo, tão branquinho, tão...
- EI SEU VELHO MALUCO! QUER DESTRUIR A MINHA CASA DE VEZ?! – diz Ichigo estressadamente.
- Olha Kaito-kun, foi o vovô quem me deu. – diz Yura docemente para o garotinho que se encontrava ali.
Karin passa a dirigir a palavra para Ichigo.
- Não se preocupe Ichigo, ele já fez isso com a porta de casa.
- Olá Onii-chan! – diz Yuzu.
Para evitar outros tipos de constrangimentos, Ichigo e Tae levaram o chappy para o quarto de Yura, para evitar com que eu o atacasse.
--X—
Já era hora de cantar os parabéns, pedi para a Tae me trazer o fósforo e desligar as luzes.
- Eba! Hora de apagar as velinhas! – festeja a garota.
- Deixe-me apagá-las com você? – diz Kaito de um jeito meigo.
- Claro que sim!
Assim que Ichigo franziu as sobrancelhas, eu coloquei a mão no ombro dele.
- Comporte-se Ichigo! – cochicho.
- Mas o aniversário é da Yura!
- E daí? Qual é o problema?
- É, qual é o problema Kurosaki? – Ishida dirige a palavra.
- Yura-chan gosta muito do Kaito-kun. Deixe ela. – diz Inoue com seu jeito simpático.
- Aff, que seja. – diz Ichigo.
Neste momento alguém entra pela... Porta que havia ali.
- Desculpem o atraso.
- Nii-sama! Renji!
- Nossa que escuridão. – acende as luzes.
- Ótimo, estava tão esperançoso. – diz Ichigo de um modo rabugento.
- Tio Byakuya! Renji-san! – diz Yura.
- Olá Yura. – cumprimenta Renji.
- Feliz aniversário, Yura. – diz Nii-sama.
O Nii-sama parece tirar algo do bolso.
- Trouxe especialmente para você.
Era um chaveiro com um mini embaixador de alga! Oh!
- Seu mão de vaca! Com todo o dinheiro que você tem você me vem com um chaveiro de presente e pra sua própria sobrinha! – resmunga Ichigo.
- Não importa papai.
- Não escute seu pai querida, ele não passa de um ignorante. – responde Nii-sama.
- Por que não começamos logo? – digo impacientemente.
Aproximo-me da Yura e cochicho no ouvido dela:
- Não se esqueça de fazer um pedido.
- Pode deixar!
Acendo as velas e sento-me ao lado do Ichigo, o qual se aproxima mais de mim e coloca o braço esquerdo em volta da minha cintura. Assim que terminamos de cantar os parabéns, antes de apagar a vela, Yura não parava de encarar a mim e a Ichigo. Já estávamos estranhando tal atitude.
- Vamos Yura! – diz Isshin-san.
Nenhum efeito. Ela continuava a nos encarar de uma forma muito doce e ao mesmo tempo, estranha.
- Vamos filha. – digo.
- Sim! – responde balançando a cabeça.
Assim que ela se preparou para apagar a vela...
“TRIM TRIM”
Não! Justo hoje?! E agora?!
- Droga! – diz Ichigo pegando o celular no bolso. – Podem me dar licença?
Ichigo levanta-se e vai até o jardim. Yura passa a ter uma feição triste no rosto.
- Vamos assoprar a velinha, Yura-chan! – diz Kaito tentando animar a garota.
- Si... Sim! – alegra-se novamente.
Assim que ela assopra a velinha, todos aplaudem, tentando fingir que não viram nada. Levanto-me dali e vou atrás de Ichigo. Ele estava no bendito celular.
- Ichigo. – cutuco ele.
- Calma Rukia!
- Aff!! – meu sangue estava começando a ferver.
- Sim, já estou a caminho. – disse de desligar o celular.
- Já?
- Olha Rukia, me desculpe.
- Vá se desculpar com a Yura! Com todos aqueles convidados! Porque comigo, não adianta mais!
- Aconteceu um acidente de ônibus e os médicos estão precisando de mim.
- E o que eu posso fazer? Vai!
- Olha, Rukia... – tenta aproximar-se de mim.
- Vai logo! – permaneço de braços cruzados.
- Vou me despedir da Yura. – diz ele saindo dali.
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