Do que a Vida e Capaz de Fazer?

6 Abro mão de tudo, menos de você


Notas iniciais
Dedico este último capítulo ao meus nakamas Carol_Elric, Michele e Jorge, e aos meus fiéis leitores que acompanharam esta fic até o fim. Nesta temporada, vocês conseguiram fazer uma escritora feliz! Muito Obrigada! Agora finalmente, THE FINALY! BOA LEITURA!

[NARRADOR ONICIENTE]

Com o passar dos meses, o tempo climático na cidade de Karakura começa a esfriar mais. Nos céus daquela pequena cidade, a cor alva era a predominante. Dois indivíduos de cabelos laranja passeavam em meio àquelas ruas. A menor carregava algumas sacolas e o maior carregava caixas no braço esquerdo. Os dois estavam de mãos dadas.

- Papai, você irá passar a noite de Natal conosco? – pergunta a pequena.

- Não. Sua mãe não irá gostar de me ver por lá.

- Bobagem.

- Bobagem? Prefiro passar a noite de Natal com um velho atazanando a minha vida do que ficar encarando o olhar demoníaco de Rukia. E você sabe como ela é.

A menina cai na risada juntamente com o pai.

- Sei muito bem! – responde.

Assim que os dois passam em frente a uma doceria, Yura avista Inoue, a qual estava com uma criança em um carrinho de bebê.

- Inoue-san! – diz a pequena correndo até a ruiva.

- Yura-chan!

- Feliz Natal!

- Obrigada! Para você também!

- Olá Inoue. – diz Ichigo.

- Feliz Natal, Kurosaki-kun!

- Igualmente. – responde simpaticamente.

- Onde está o Kaito-kun? – pergunta a pequena.

- Está lá dentro.

Neste momento, Ishida, Kaito e Itsuki, o irmão menor, saem da doceria.

- Kaito-kun!

- Yura-chan!

Os dois se abraçam e começam a conversar. Por incrível que pareça, Ichigo não deu importância, pois, estava a encarar o bebê que estava no carrinho, e a criança encarava Ichigo do mesmo jeito. O pequeno possuía cabelos ruivos e um belo par de obres acinzentados. Ichigo começa a sorrir docemente. Não esperava a hora de ver seu filho nascer.

- Eu posso carregar ele um instante?

- Claro! – responde Inoue.

A criança era tão frágil, tão pequena, porém, tão cheia de vida. Tinha apenas sete meses de vida e já ria intensamente ao olhar nos olhos do rapaz, o qual abre um imenso sorriso.

- Eu também terei um irmãozinho, Kaito-kun. – diz Yura observando a alegria do pai.

- Não vejo a hora de conhecê-lo! Será menino ou menina? – responde o pequeno.

- Não sei, tomara que seja menina.

Ichigo devolve a criança e toma em mãos novamente as caixas que possuía.

- Você vai ceiar conosco, Kurosaki? – pergunta Ishida.

- Não. Rukia se sentirá desconfortável ao me ver por lá.

- Entendo. – responde o moreno

- Vamos Yura!

- Feliz Natal, Kurosaki.

- Feliz Natal, Ishida, Inoue. – despede-se simpaticamente.

O rapaz e a garota dão as mãos e seguem caminho. Yura anda acenando para Kaito, o qual responde com o mesmo gesto.

--X—

Ao entrar naquela casa, Ichigo sente a nostalgia dominar-lhe. Tudo estava em seu devido lugar, nada havia mudado. Os retratos, os móveis, os enfeites, tudo ainda estava ali. Olhou em direção a um retrato em que Rukia estava em uma cama de hospital com Yura recém-nascida no colo. Toma o retrato em mãos e começa a encará-lo.

- O que está olhando, papai? – pergunta a pequena Yura puxando o pai pelo braço.

- Ahm? Nada. – responde colocando o objeto de volta no lugar.

De repente, a porta de entrada é aberta. Aquele par de obres castanhos rapidamente olha em direção à porta e depara-se com uma pessoa baixinha entrando em casa com uma montanha de caixas. O ruivo rapidamente corre até a porta para ajudar.

Ao pegar a maioria daquela bagagem, Ichigo consegue avistar dois enormes e belos botões violetas lhe encarando.

- Ichigo?! – exclama a grossa voz feminina.

Ichigo, nada responde. Só encara, em meio de devaneios, os olhos da morena e sua silhueta, a qual havia aumentado bastante ao longo dos meses. Não pôde evitar um doce sorriso.

- Me dê essas caixas. – afirma ele docemente.

Sem falar nada, a morena cede a tal pedido.

Ao encarar os olhos do ruivo, Rukia sente que algo havia mudado, como se a vida dele tivesse dado uma reviravolta. Havia ele mudado? Ou ainda era o mesmo?

- Aconteceu alguma coisa? – pergunta ela.

Ichigo deposita as caixas no balcão e encara a morena.

- Não, por quê?

- Você parece estar feliz.

- Impressão sua.

Yura se aproxima de Rukia.

- Mamãe, o papai pode vir para a ceia de Natal?

A pequena acerta os dois em cheio. Ambos queriam evitar a presença do outro para impedir um clima de desconforto, mas ao mesmo tempo queriam passar o Natal juntos e ao lado da filha. O olhar da pequena deixou Rukia sem reação.

- Não precisa. Prometi que passaria o Natal com o velho, a Karin e a Yuzu.

- Mas se for possível, pode vir. – responde Rukia.

- Eba! – exclama a pequena abraçando o ruivo.

Rukia sorri meigamente ao ver a alegria da filha e é claro, saber que Ichigo poderá passar por lá mais tarde. Assim que a pequena ruiva solta o pai, o mesmo acaricia a cabeça da filha.

- Ok, então... até mais tarde.

O maior dá as costas e segue em direção à porta.

- Feliz Natal. – diz a morena.

Ichigo responde com um aceno e ainda de costas.

--X—

Ichigo entra em seu pequeno e quieto quarto, tira a camisa, deixando a amostra parte de seu perfeito corpo esculpido por deuses, joga-se de bruço na cama e enfia a cara no travesseiro.

Sentia-se mais uma vez aquele antigo garoto imaturo e imponente. Mesmo sento fraco e infantil, ele pelo menos tinha Rukia ao seu lado, e neste ponto, o antigo Ichigo era mais forte.

O ruivo vira a cabeça para a esquerda e encara a escrivaninha. Por um momento, ele imagina sua pequena Rukia dentro daquele vestido azul claro, sentada ali e desenhando seus horríveis chappys e cartinhas simbolizadas. Lembrou-se da sensação que a doce feição de sua face lhe transmitia. Sim, queria ter aqueles momentos e sua baixinha de volta. Queria ver novamente aquele meigo e carinhoso sorriso de todas as manhãs, poder acariciar aquela delicada e alva pele e aqueles negros e sedosos fios, acordar abraçado com aquele pequeno corpo e saber que ele está seguro e debaixo de suas asas, enfim, queria ter sua mandona e grosseira Rukia de novo.

O que deveria fazer? Ela não queria voltar de jeito nenhum! Mas lembrou-se:

“Se voltarmos, tudo será como era antes! Será que você não entende?”

Então, deveria mudar. Mas em que aspectos? Lembrou-se do maior causador de tudo isso e decidiu-se. Levanta-se da cama, veste-se e sai rapidamente do quarto.

--X—

Já era 00:00. Todos trocaram seus votos de “Feliz Natal” e começaram a ceia. Ali estava: a família de Ishida, Isshin, Karin, Yuzu e Toushirou. No meio da ceia, Yuzu levanta-se e força Karin e Toushirou a se levantarem também.

- Gente! Karin-chan quer divulgar uma grande notícia!

- Yuzu! Não precisa! Eu... – cochicha no ouvido da irmã.

- Vamos logo Karin-chan! – diz sentando-se de volta.

Timidamente, Karin segura a mão de Toushirou e começa a falar:

- Bem... Toushirou e eu... vamos nos casar. – diz abrindo um doce sorriso.

Todos se alegram e começam a aplaudir. Rukia levanta-se e cumprimenta os dois desejando felicidades.

- É tão triste saber que perderei minha filhinha... – diz Isshin dirigindo-se melosamente para cima de Karin.

- Cai fora! – diz a morena dando um chute certeiro no velho.

Toushirou envergonha-se. Ainda não acreditava que faria parte daquela louca família. “Tudo por Karin!” era o que repetia para si mesmo ao presenciar cenas como essa.

De repente a campainha toca. Rukia sente uma pontada de esperança ao pensar que fosse Ichigo.

- Deixe que eu atendo! – diz Yura.

Rukia não evitou encarar profundamente a porta. E... era Byakuya e Renji, como sempre, chegando atrasados e sempre na hora do banquete.

- Tio Byby! Renji-san!

Os dois cumprimentam Yura e dirigem-se em direção à Rukia.

- Nossa Rukia! Como você está linda! – diz Renji ao reparar o atual estado corporal de Rukia.

Rukia cora ao ouvir tamanho elogio vindo de Renji.

- Minha pobre irmã será de novo mãe, mas desta vez solteira. Tudo culpa daquele incompetente. – afirma Byakuya com seu típico tom inexpressivo.

- Feliz Natal Nii-sama!!! – diz Rukia tentando ignorar o que o irmão disse.

- Tio Byby, o que o senhor trouxe de presente pra mim? – pergunta Yura.

Byakuya entrega uma camisa branca com um enorme embaixador de alga vestido de pirata.

- Oh!! Obrigada!! – diz a pequena com os olhos brilhando.

--X—

Estava trancado no carro e encarando de longe sua antiga residência. No rádio, estava tocando uma musica bem triste e ao mesmo tempo romântica, mas expressava um pouco o que sentia.

“Se desejos podem se tornar realidade, eu desejo que estas flores floresçam mais uma vez.”

Gostava do que ouvia, era uma musica romântica e poética, mas ao mesmo tempo, sentia-se triste e culpado. Resolve desligar o radio.

De repente, o ruivo percebe que todos já estavam saindo de casa. Já eram 02:30 da manhã e a ceia já havia acabado. Ichigo começa a reparar pessoa por pessoa que estava ali.

Ishida e a família: normal; Velho e as meninas: DIABOS! POR ISSO QUE NA HORA QUE CHEGOU EM CASA, NÃO HAVIA NINGUÉM! Karin e... Toushirou? E de mãos dadas? Byakuya e Renji: normal; Kaito e Yura: “O MALDITO DEU UM BEIJO NO ROSTO DA MINHA FILHA! DESGRAÇADO!” resmunga o ruivo.

Assim que todos foram embora, Rukia e Yura entram em casa. De tanto reparar os outros, Ichigo não teve a oportunidade de observar Rukia detalhadamente. Esperou os todos se afastarem e resolve sair do carro.

O ruivo segurava uma pequena caixa de presente e um conjunto de papéis grampeados. Chegou e tocou a campainha.

— Mamãe, quem será? – pergunta a pequena.

— Devem ter esquecido alguma coisa. – diz Rukia dirigindo-se até a porta.

Abre a porta e...

— Ichigo?!

— Yo!

— Papai!!! – diz a pequena se aproximando.

— Feliz Natal, filha. – diz ele abrindo um meigo sorriso para a pequena.

— Pena que você chegou mais atrasado do que o tio Byby. A ceia já acabou. – diz a pequena em um tom triste.

— Tudo bem, eu só vim desejar Feliz Natal para vocês e tirar uma prosa com sua mãe.

— Filha, entre. Eu já estou indo. – diz Rukia.

— Ah nãão!!! Eu quero ficar!

— Anda! – diz Rukia dando um pequeno tapa na bunda de Yura.

— Aaai tá bom!! – diz a menina entrando estressadamente em casa.

Assim que a garota entra, Rukia fecha a porta e fica a sós com Ichigo. A morena cruza os braços e encara o ruivo. Ao encará-la, Ichigo sente uma pontada de esperança. Rukia parecia estar feliz. Era Natal, seu filho estava quase pra nascer, teve uma ceia de Natal maravilhosa, estava com o maridão por perto, ok, corta essa última parte.

Aquele vestido rosa claro dava um tom bem delicado em volta de seu avantajado ventre. Rukia estava belíssima. Para Ichigo, esta era uma visão mais perfeita e bem codificada de sua amada: grávida, bonita e com um belo sorriso no rosto. Ichigo não resistiu, agarrou a morena em um forte e sincero abraço, o qual foi correspondido pela pequena.

— Feliz Natal, Rukia. – sussurrou.

Ficaram ali por um bom tempo. Fazia tempo que um não sentia o calor do outro. Resolveram aproveitar.

– Eu te amo. Volta pra mim?

Ao escutar a pergunta, Rukia logo se afasta.

— Ichigo, nós já conversamos sobre isso e...

— E se eu disser que me demiti do hospital?

Rukia, por um momento, fica imobilizada.

— Como é? Impossível.

— E se eu me demitir do hospital? Você me perdoa?

Ichigo logo apresenta para Rukia uma espécie de contrato que tinha em mãos.

— “Contrato de demissão?” – leu

— Isso mesmo! Eu... abri mão do hospital. Não foi isso o maior causador de nossos problemas?

Rukia não escondeu o sorriso que abriu.

— Mas, não faz sentido. Medicina é sua paixão! E... é o seu trabalho!

— Eu acho que tenho coisas mais importantes na minha vida do que isso não é? Além disso, temos a nossa clínica, mas seremos obrigados a apertar um pouco mais os nossos gastos.

Rukia ainda estava sorrindo e passou a encarar Ichigo, o qual se ajoelha diante da mulher de pele alva e abre uma pequena caixinha, dentro da qual tinha um belíssimo anel de ouro com pequenas pedrinhas de diamante.

— Rukia Kuchiki, quer casar comigo? Quer me tornar o homem mais feliz do mundo mais uma vez?

Rukia estava sem palavras. Ichigo a amava tanto assim a ponto de abrir mão do próprio emprego que tanto amava? Não acreditava. Só podia ser um sonho. A primeira lágrima começa a escorrer por aquela esbranquiçada pele.

— É lógico que eu aceito! – diz chorando emocionadamente.

Ichigo abre um imenso sorriso, coloca o anel no anelar direito da baixinha, levanta-se e a puxa para si delicadamente pela cintura. Os corações dos pombinhos só faltavam explodir de tanta felicidade. Em plena noite de Natal, um pedido de casamento de repente!

- Me desculpe por não poder te acompanhar durante essa gestação. – lamentava Ichigo.

- Tudo bem, foi um stress a menos.

- Quê?

Rukia dá uma risada baixa. Ichigo traz o queixo da mulher em sua direção, selando assim, um intenso beijo em seus lábios. Nunca mais sentiram tamanha sensação agradável. Era como se estivessem soltado dois leões em uma selva para a eterna liberdade. Livres. Livres da saudade, da dor, da tristeza e da discórdia. Livres da...

- Ai!

- O que foi Rukia?

A morena começa a ficar ofegante.

- Minha... Minha...

- Hã? – Ichigo não entendera.

- Seu idiota! Minha bolsa estourou!! – desespera-se

- Nossa! Sério? Hahaha!!

- VOCÊ NÃO VAI FAZER NADA?! SEU FILHO VAI NASCER!

Ichigo tinha experiência no assunto. Não adiantava o desespero naquele momento. O ruivo ria de tamanha felicidade.

- Vamos querida. – diz ele carregando Rukia. – TAE-SAN! RUKIA VAI TER O BEBÊ!

Ao escutar isso, Yura rapidamente sai de casa.

- EU QUERO IR! EU QUERO IR!

- Vamos entre rápido! – diz Ichigo colocando Rukia no carro.

- Não dará tempo de chegarmos ao hospital! — comenta Rukia.

- Acalme-se, há um aqui por perto.

--X--

A sala de parto estava ocupada. Ichigo e Yura estavam na sala de espera aguardando tensamente a chegada do novo membro da família. O ruivo não parava de andar em círculos ao redor de uma pequena mesa.

- Papai, se continuar andando, fará um buraco no chão.

- Desculpe, mas... não consigo mais esperar!

- Não era você que estava tranquilo? — comenta soltando risadas.

- Ah, mas está sendo diferente. Agora ela não está mais comigo e sim nas mãos de outra pessoa.

- Sentiu o mesmo quando eu nasci?

Ichigo não pôde evitar um sorriso com a pergunta da filha. Teve que parar e sentar-se ao lado da pequena.

- É claro, querida. — passa a mão nos fios alaranjados da garota.

Dali passou-se a ouvir gritos de Rukia. A dor do parto era mesmo imensa. Espera... espera... e espera.

Choro de criança. Ichigo rapidamente dá um salto do sofá e corre até a sala de parto.

- Por favor, Kurosaki-san, não pode entrar. — diz a enfermeira que passava por aquele corredor.

- MAS MEU FILHO JÁ NASCEU!!

- Não se preocupe, verá ele mais tarde. — responde simpaticamente.

- Grrr... Inferno! — resmunga.

O estranho era que, mesmo com a criança nascendo, Rukia ainda soltava gritos de dor.

- Será que...

Choro de mais uma criança. Yura estranha a feição de Ichigo e vai até ele.

- O que aconteceu papai?

Simplesmente ele estava pálido, com a mão na boca e sem reação.

- "Cê" tá dodói papai? — mexe na manga comprida do casaco de Ichigo.

Ichigo tira a mão da boca e ruivinha percebe que o maior estava boquiaberto. Um minuto depois, a médica sai da sala.

- Ufa! Até que enfim!

- Como Rukia está doutora? — pergunta Ichigo ainda com a mesma feição, passando a encarar a profissional.

- Parabéns Kurosaki, sua esposa acaba de ter um casal de gêmeos lindos e saudáveis. — responde simpaticamente.

- Gêmeos. — responde passando a abrir um sorriso bobo. — Gêmeos! — capta a mensagem.

- Podemos entrar? — pergunta Yura.

- Ainda não, mas as crianças já estão no berçário. — diz a doutora mostrando o caminho.

- Vamos papai! — diz a pequena correndo até o berçário.

Ichigo ainda permanecia sorridente e calado.

- São esses dois da ponta. — indica a médica.

A orientação da médica não era necessária, Ichigo já reconhecera de longe seus pequeninos. Ambos tinham cabelos alaranjados. Ichigo apreciava de longe o choro de seus recém-nascidos filhotes. A menina parecia chorar mais e o menino era mais quieto. Yura esforçava-se salteando para conseguir obter uma pequena visualização dos irmãos, mas não conseguia.

- Ain, eu não consigo ver! — resmunga.

- Isso que dá ser baixinha. Hihihi.

- Grrr... seu babaca. — a pequena se emburra e cruza os braços.

- Vem cá.

O rapaz toma a menina nos braços e a aproxima da vidraça que os separava do berçário.

- São aqueles dois da ponta.

Yura abre um imenso sorriso.

- Eu vou poder brincar com eles papai? — encara o ruivo.

- É claro, mas você deverá esperar eles crescerem um pouco. Ainda são muito frágeis.

Ficaram ali por um tempão, dando tempo de Yura adormecer ali nos braços de Ichigo. O rapaz sentia-se com o coração aliviado. Sentia uma ótima sensação ao ter uma filha maior nos braços, estar encarando os menores e pensar no fato de que voltará para casa e tudo estará bem, pois, havia recuperado tudo o que mais amava: Rukia. O maior sente uma mão pousar sob seu ombro.

- Kurosaki-san.

- Ahm? — vira-se. Sim?

- Rukia-san está chamando vocês dois. – diz a doutora.

- Sim mas... por favor, poderiam levar os dois até lá? Eu gostaria de vê-los mais de perto. – diz o ruivo.

- Como quiser.

Ichigo caminha até o quarto em que Rukia estava repousada. Entra ali e depara-se com sua amada deitada encarando a janela.

- Yo.

Rukia responde com um doce e cansado sorriso.

- Sabia que ela não agüentaria o tranco. – diz ela reparando no sono de Yura.

- Não pude evitar em trazê-la. Queria muito conhecer os irmãos.

- Não estava nos planos termos gêmeos.

- E daí? Você se incomoda?

- É claro que não, minha felicidade veio em dobro.

O ruivo aconchega a filha em uma das poltronas, agacha-se ao lado de Rukia e entrelaça seus dedos nos gélidos e alvos dedos da morena.

- Obrigado, Rukia. Foi o melhor presente de Natal que eu já ganhei. – beija a mão de Rukia. — Me sinto o homem mais feliz do mundo.

Os álgidos dedos da pequena passeiam em volta daqueles revoltos fios alaranjados, dando ao ruivo uma sensação de conforto. Os dois ficam encarando-se por um bom tempo.

- Com licença! Tem uma galerinha aqui querendo conhecer o resto da família! – entra duas alegres enfermeiras, cada uma com um bebê.

Yura dá um salto assustada com a cantoria das enfermeiras.

- Quem morreu?! Hã?! – exclama a garota.

Rukia solta pequenas risadas com o susto da filha.

- Yura! Venha ver seus irmãos! – diz Ichigo.

Ichigo levanta-se e toma um dos gêmeos nos braços. Era a menina. Tinha um par de belos obres azulados, os quais encantaram o ruivo, e a pequena não parava de mexer os pequeninos e frágeis bracinhos em direção ao rosto do pai, parecia ser bem agitada. Rukia começa a amamentar o menino. Ele possuía olhos castanhos e era bem quietinho.

- Posso dar o nome da minha mãe para ela? – pergunta Ichigo encarando encantadamente os olhos da segunda filha.

Rukia encara Ichigo meigamente.

- Eu estava pensando em dar o nome de minha irmã para ela. Mas eu acho que Masaki cairia bem melhor.

- Obrigado. Pelo visto a pequena Masaki nos dará muito trabalho.

- Qual nome vocês darão ao meu irmãozinho? – pergunta Yura, que estava ao lado da mãe e do irmão menor.

Rukia pensou. Será que cairia bem em pôr o nome de seu primeiro amor em um filho de Ichigo? Kaien foi seu sensei e o primeiro a lhe tratar como uma pessoa normal sendo ela de família nobre. A maioria das coisas que aprendeu, Kaien havia lhe ensinado. Sim, era algo inevitável.

- Kaien. – olha docemente para o menino.

- Nome de seu antigo sensei? – pergunta Ichigo.

- Você se importa?

- É claro que não.

Ficam silenciados por um tempo.

- Ichigo.

- Sim? – diz finalmente encarando Rukia.

- Eu... eu te amo.

Ichigo sai de onde está e senta-se na cama ao lado de Rukia.

- A partir de agora, tudo será diferente. Eu prometo que serei o melhor pai e o melhor marido. Vocês são tudo o que eu tenho e tudo que eu preciso para que minha vida possa ser completa. Não preciso ter dinheiro ou ser médico para ser afortunado. Eu também te amo, Rukia.

Rukia deixa algumas lágrimas escorrerem pelo seu rosto.

- Obrigada, Ichigo.

Ichigo aproxima-se mais e sela nos lábios da morena, um intenso beijo.

Amor, companheirismo e confiança. Eis a chave. Quando duas pessoas realmente se amam, não existe dinheiro, trabalho ou discórdia que possa destruir tais laços. Cada caminhada que damos na vida não valerá a pena se não tivermos amor a nós mesmos e ao próximo. Ichigo e Rukia sabiam. Não houve separação, pois, não houve rompimento de seus laços. Aqueles laços ficarão amarrados para sempre.

*FIM*

Notas finais
MUITO OBRIGADA POR LER GENTE! DEIXEM REVIEWS E ATÉ A PRÓXIMA FIC!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!