— B a r b a r a

— Não brinque com isso, Alice! — digo — Eu não estou apaixonada pelo Careta.

— Não é o que parece, Barbara! — retruca ela.

— Alice tem razão, Barbara. — diz Leticia — De todos os Caretas, este foi o que você mais se apegou.

— Eu não...

Toc Toc Toc!

Me viro para trás e abro a porta do quarto. Johanna está em pé e parada me encarando. Olho em seus olhos — sendo um deles cégo por uma cicatriz — e vejo que eles estão sérios.

— Meninas, será que posso dar uma palavrinha com a Barbara um minuto? — pergunta Johanna.

— Claro, Jô. — responde Let — Vamos, Alice!

Alice e Let saem do meu quarto, me deixando sozinha com Johanna. Não tenho ideia do que ela irá falar. Eu espero não ter feito nada de errado.

— Eu fiz alguma coisa de errado, não foi? — pergunto.

— Não, querida. — diz Johanna — Eu gostaria de conversar com você... sobre o teste de aptidão.

Começo a me sentir nervosa. Uma parte do meu corpo começa a ficar tenso e minhas mãos soar.

— Independente do resultado, quero que você faça a escolha que vá te fazer feliz. — diz Johanna. O meu coração agora está batento forte e rápido com as palavras de Johanna — Nunca foi minha intenção te prender aqui, querida. Você cresceu na Amizade mas você pode ser muito mais, sei que pode e sei que será. Você é especial. Não pense em mim no dia da escolha, okay? Pense somente em você. O seu futuro estará decidido naquele dia.

— Okay. — respondo, com a voz fraca.

Johanna sorri para mim e se vira, prestes a sair do meu quarto quando eu a impeço.

— Johanna!

Ela se vira e me encara.

— Sei que eu nunca disse isso, mas... — me aproximo de Johanna com passos pequenos e timidos. Estalo os meus dedos para aliviar o nervosismo —... obrigada por sempre estar ao meu lado, por perder suas noites de sono para me fazer dormir quando criança, obrigada por sempre me tratar como alguém especial. Você foi uma verdadeira mãe para mim, de verdade.

Os olhos de Johanna se enchem de água e ela me abraça forte. Tão forte que chega a estalar a minha espinha e costela.

— Johanna, por favor, não me mate! — digo, com a voz rouca e fraca.

— Me desculpe, querida. — diz Johanna, abrindo um grande sorriso — Eu te amo.

Johanna se vira.

— Também te amo, coroa. — digo.

— O quê disse? — pergunta ela, franzindo as sobrancelhas.

— Nada! — digo, nervosa.