Do outro lado da linha
232 Atendimento #232: Juuura?
Notas iniciais
Atendimento #232: Juuura?
— Você não vai fazer nada em relação a esse vazamento de dados? — Ancelmo sentava-se ao lado de nosso herói desde o dia que ele anunciou as medidas disciplinares que adotaria a partir dali. — Você vai mesmo bancar o supervisor durão e ríspido?
— Cara essa pessoa está afim de ferrar com todo mundo, eu vou fazer ela se mostrar diante de todos os atendentes. — parou de digitar na tela com fundo branco. — Espero que vocês entendam que estou fazendo isso por vocês. Eu não posso simplesmente acusar usando as câmeras.
— Ué mas por que não? Você têm a patente necessária para chamar a galera do alto escalão e mostrar a cagada não têm?
— Eu tenho, mas os dados que foram vazados não eram simplesmnete dados da empresa.
Ezequiel sinalizou silenciosamente para o colega se aproximar, ele sabia que ele não era o culpado de tal vazamento e por isso confiava nele para lhe contar o segredo de sua preocupação.
— Mas isso é…
— É…
— Você fez isso? — Ele estava assombrado com o que vira na tela do computador do colega. Após alguns momentos encarando aquelas páginas que seu colega lhe mostrava ele entendeu porque aquilo representava um perigo tão grande a todos os atendentes. — Nossa cara...isso foi vazado.
— Para você ver.
— Quanto tempo faz que você faz isso?
— Uns seis meses mais ou menos, comecei quando eu estava atendendo e parei para estudar para supervisão, quando passei esqueci disso até que fiquei entediado e…
Naquele instante uma chamada surgiu no telefone de Ezequiel, surpreso ele percebeu que havia colocado suas informações como atendente e não como supervisor, e isso foi o suficiente para que um cliente lhe enchesse a paciência.
— Alo?
— Tá de sacanagem...— Emputecido com a burrice de ter de atender, nosso herói resolveu punir-se atendendo o cliente. Respirou fundo. — Ezequiel bom dia com quem eu falo?
— Com um cliente.
Nosso herói parou e alterou o que estava presente em sua tela.
— Eu tava lendo ô semente do mal — reclamou Ancelmo percebendo que o passatempo fornecido momentaneamente pelo supervisor havia acabado.
— Perdão senhor acho que o senhor não entendeu o que eu estava dizendo, eu perguntei com quem eu falo.
— Não, não quem não entendeu foi você, eu respondi que você fala com um cliente.
— Juura que você é um cliente? Nem notei. — Ezequiel fingia uma voz fina e feminina como o de uma garota a sacanear as colegas feias. — E esse cliente têm nome gracinha?
— Claro que têm ué.
Ezequiel ficou esperando que o cliente lhe informasse qual sua graça, entretanto o mesmo, fazendo do silêncio uma piada, apenas emitiu uma risada sarcástica. O protagonista desta história não tardou a notar que o cliente queria apenas sacanear.
— Que bom que têm né senhor, fico feliz que seu nível de obviedade é alto. — sua voz engrossou denotando a seriedade que ele tinha. — Fala de uma vez.
— Eu quero cancelar a minha linha.
— Não vai falar o nome mesmo? — Ezequiel estalou o pescoço e começou a abrir o registro do cliente. Como já foi mencionado anteriormente, basta apenas que o atendente veja o telefone no dispositivo araya para que ele localize os dados do cliente. — A...sim. Seu nome é Marioalberto e têm, além da nossa linha e televisão por assinatura, dois celulares, uma torradeira e, olha só, uma cama box.
— Como você sabe disso tudo?
— Juura que você não faz ideia? — novamente a voz de nosso herói tinha um tom feminino, mas desta vez ele estava mais afetado do que Kauã quando estava na sala aquário.— Eu acho que eu trabalho aqui né senhor…— pigarreou. — Se vacilar eu sei até com quem o senhor traiu sua mulher na noite de ontem.
Assustado com as informações que o atendente possuía o cliente encerrou a chamada.
— Será que ele traiu a mulher dele mesmo?— questionou-se o supervisor mentalmente.
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