Do outro lado da linha
214 Atendimento #214: Minha vez
Notas iniciais
Atendimento #214: Minha vez
Quando a empresa manda uma coisa é necessário que os funcionários acatem, bem no estilo escravidão mesmo. Claro que a empresa preza pelos seus interesses, não é errado ela querer que seus colaboradores ajudem a alcançar o objetivo, entretanto, se uma justificativa plausível não acontece, ou se as informações não ficam claras as coisas podem sair dos limites…
— O negócio é o seguinte macacada!— Ezequiel estava muito enfurecido, mas muito mesmo. Se tivesse dado um gritão certamente raios começariam a escapar em uma aura amarelada.— A empresa tá nos sacaneando.
— Ava, quando é que eles não fazem isso? — Amanda interrompeu a chamada para responder o marido. — Mas o que foi que eles fizeram dessa vez?
— Sabem o recall? — As palavras dele foram o suficiente para chamar a atenção do subordinados. — Então até eu passei a atender por causa dessa porcaria...E agora eu tô descobrindo que se nós apagarmos as fotos isso se resolve.
Todos, um a um foram largando os headphones na mesa em sinal de ódio. Ezequiel não foi só fuzilado com o olhar como massacrado, desintegrado, abduzido, linchado. Percebendo que estava sendo culpado pelo trabalho extra de todos se levantou e apontou para a tela.
— Podem parar de olha assim pra mim! A culpa foi de algum desgraçado da fábrica que não falou, além do mais. — Pigarreou. — “Continuem mandando os produtos para a autorizada”— Ao dizer isso todos os seus subordinados largaram as tochas, facas, armas que planejavam usar em seu corpo. Amanda colocou a cadeira novamente no lugar desistindo de jogar na cabeça do marido. — A culpa não foi minha não.
— E agora o que eles querem então?
— Sei lá, só sei que eu não vou ficar sendo trouxa de ficar mandando os negócios para eles sem necessidade. Vamos fazer assim, ninguém vai ligar para os clientes e pedir para que eles manda mais nada, se alguém ligar reclamando de serpentes na câmera digital ai mandamos.
— Então quer dizer que você vai bancar o cãozinho da empresa mesmo? — Luly observava o encarregado incrédula.
— Eu disse que vamos mandar para assistência? — Abaixou o tom da voz.— Transfere para mim se cair uma câmera. É minha vez de fazer alguém ter trabalho desnecessário...
Não precisou mais nada, todos os operadores sacaram o que ele iria fazer e logo começaram.
— Luly bom dia com quem eu falo?
— Sâmile.
— Ô nominho.— Falou a colecionadora de seios femininos no mute.— Então senhora eu estou aqui para ajudar, ser sua amiga e quem sabe algo mais;— A garota nem saíra do período de experiência no novo setor e ja estava lançando cantadas para as cliente.— mas no momento em que posso ser útil?
— A...— A cliente ficou desconcertada.— O problema é minha câmera que-
— Caiu aqui pra mim!— A garota alertou o supervisor que ficou pronto para atender a cliente.— Certo senhor eu vou fazer o seguinte, vou transferir a senhora para o meu supervisor para que ele resolva o problema da senhora.
Botões pressionados, cliente transferida.
— Senhora aqui é Ezequiel, fiquei sabendo que sua câmera está com problemas de fotos obscenas é isso?
— OI? Quê? Não! — A cliente ficou surpresa por ter sido rapidamente jogada de um a pessoa para outra. — Na verdade o problema da minha câmera é no carregador dela.
Ezequiel percebeu o equívoco da subordinada e logo pegou todos os itens que usariam para matá-lo e começou a ameaçá-la. O supervisor, mesmo não tendo o caso especificamente que queria em mãos resolveu dar sequencia ao plano.
— Então senhora é que precisamos que a senhora envie esse produto para autorizada, lá ele vai ser verificado quanto a energia.
— Tá e que negócio é esse de fotos obscenas?
Ele poderia ter mentido, poderia ter enrolado, poderia ter inventado mil e uma desculpas para cliente, mas como sua ira com o funcionário da fábrica estava grande... .
— Um babaca da fábrica resolveu que era legal colocar fotos ocultas nos aparelhos da empresa, sendo assim teria de mandar para a autorizada para que eles verifiquem se têm alguma coisa oculta nele.
— A entendi...— A cliente curiosamente não se surpreendeu com o fato bizarro. — Se ele for constatado o problema vocês vão fazer a troca?
Nosso herói começou a revirar seus e-mails como um cão farejador.
— Na verdade senhora teria de mandar para ele primeiro, mas — ele achou o que procurava. — Eu vou passar o endereço do lugar e a pessoa para a qual deve ser mandado o produto está bem? Ah! — Abriu um sorriso. — Vou fazer melhor, vou passar até o telefone dele para a senhora verificar diretamente anote aí.
— Está bem...— Falou a cliente estranhando a prestatividade do supervisor.
Ezequiel passou naquele momento endereço da fábrica da empresa e os dados do responsável pela notícia do recall.
— Pode mandar senhora, a partir de agora é com esse chapa ai!
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