Do outro lado da linha
205 Atendimento #205: O segredo da tranquilidade
Notas iniciais
Atendimento #205: O segredo da tranquilidade
As empresas têm diversos métodos para se promover seus funcionários; meritocracia, tempo de casa, ou seja os vei, indicações, puxasaquismos, provas… Não importa o método, sempre existem aqueles mais capacitados para atingir um novo patamar e que nunca chegam lá…
— Então, galera peçam um momento. — Ezequiel passeava pelo corredor brandindo seu jaleco branco limpíssimo. — Eu avisei vocês que teríamos um concurso para elevação de cargo não é? Pois algumas pessoas de outros setores já vieram e fizeram o teste do sofá comigo.
— Alguns eram homens ein! — Anunciou amanda gritando a dois corredores de distância.
Os rostos de todos que estavam no mesmo corredor de Ezequiel automaticamente mudaram de uma expressão atenta para um “Ah seu safadinho!”
— Enfim. — Nosso herói ignorou a armadilha zoeira que ele próprio criara e caíra.— Eu apresento para vocês os novos tripulantes que vão fazer escuta com vocês na próxima semana.
O grupo de cinco pessoas era constituído de funcionários de outros setores da empresa, alguns eram conhecidos de alguns dos operadores e outros eram rostos completamente novos. A regra para se subir um funcionário de cargo é simples, ele têm de sair de um setor que ele ganhe um valor X e ir para um setor que ganhe mais. Pode parecer óbvio mas existêm alguns chefes bem loucos que acham que dar uma promoção é simplesmente mudar o nome do cargo do infeliz, não! Promover quer dizer dinheiro a mais, funções novas e novos nudes para pegar. Bom esse último era parte do pensamento de Luly que estava entre os promovidos.
— Fiquem à vontade para escolher com quem vocês vão fazer escuta. — Ezequiel liberou os novos recrutas.
— Ancelmo! — A garota que colecionava tetas foi direto como uma flecha até o fã de tokusatus. — Agora eu vou poder ficar enchendo o seu saco todos os dias.
— É né… — Murmurou o atendente tentando não encarar o olhar maluco da garota.
Ezequiel logo notou que os dois não poderiam ficar juntos, se não a garota faria dele gato e sapato, e mudou Luly de parceira.
— Não! — Ela se recusava a largar a cadeira de Ancelmo. — Eu não quero fazer escuta com outra pessoa!
Alana foi a escolhida para ajudar no treinamento da garota.
— Vai um tarja preta? — Anunciou ela oferecendo o remédio que ela acreditava ser efetivo.
Um a um eles foram se acomodando com seus treinadores
— Opa. — A voz grave de um homem alto chamou a atenção de Ancelmo. O adestrador de clientes sentiu-se como uma criancinha ao lado do homem que deveria ter uns dois metros de altura e uns cento e vinte quilos. — Bernardo. — Esticou a mão.
— Ancelmo...— O atendente cumprimentou o recém chegado. — Caraca para eu chegar na sua altura eu preciso de um megazord… — Uma chamada caiu para o atendente sem que ele percebesse.
Na mesa da supervisão existe sempre um monitor com a relação dos atendentes que estão disponíveis e atendendo. Ao ver o subordinado conversando com o novo colega e a chamada sem ter sido atendida, Ezequiel lançou uma caneta na testa de Ancelmo.
— Tá dando um péssimo exemplo não atendendo! — Falou ele apontando para a caneta lançada, Ancelmo logo notou que tinha um papel dentro da caneta com um recado. “Olha o cliente na tua Araya!”
— Foi mal. — Falou ele passando a mão na testa marcada. — Vamos lá cara eu vou mostrar como domar um cliente. — Tirou do mute. — Ancelmo bom di-
— Eu só quero que você faça uma coisa, verifique meu protocolo.
A cliente não estava de brincadeiras, curta e grossa passou os números de seu atendimento anterior exigindo que fosse tratada melhor que antes.
— Senhora eu li o que está marcado aqui e nós não podemos ajudar, seu produto pertence a uma marca diferente.
Bernardo viu Ancelmo trocar o headset de orelha e encarar a tela com uma serenidade inigualável. Qualquer um ao longe podia perceber que a cliente estava gritando que nem uma louca desvairada, entretanto o recruta não entendia como ele mantinha-se calmo. O s gritos pararam, Ancelmo reverteu o headset.
— Entendo as reclamações senhora, mas como eu disse não têm o que fazer, entre em contato com a empresa fabricante que ele vão ajudar.
— Eu não quero! — Gritou a cliente.
— Está bem senhora faça como bem entender, mas não será aqui que vai resolver seu problema, até mais.— A chamada foi encerrada pelo atendente que sorria.
Ancelmo pediu licença para o colega recém chegado e foi até Ezequiel para devolver-lhe a caneta e desculpar-se pela demora no atendimento. Assim que passou, Bernardo notou algo estranho no ouvido direito.
— O que você têm no ouvido? — Ele perguntou baixinho para o atendente que já se sentava no lugar.
— O segredo da tranquilidade, meu filtro contra clientes chatos. — O domador de cliente mostrou para o colega recém chegado o pedaço de algodão na orelha.
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