Do outro lado da linha
192 Atendimento #192: Pausa feedback
Notas iniciais
Atendimento #192: Pausa feedback
— É isso mesmo, senhor, não enche meu saco… Ah! o supervisor? Claro, só um segundo. — Um momento de espera.— Então senhor sou eu mesmo.
Fim da gravação.
Sabe qual é a melhor coisa de ser supervisor? O poder que se ganha sobre os clientes chatos. É como se você se você estivesse em meio a uma guerra na idade média onde todos têm apenas armaduras, espadas e outros itens rústicos e ai você vai e saca uma metralhadora e sai passando todo mundo com uma cara de psicopata louco.
— Como assim você usou meu login? — Alana voltara do almoço indignada com o encarregado. — E se pegarem as minhas ligações? Quem vai ser ferrar sou eu e não você. Sabe que isso é falsidade ideológica não é?
— Eu te pedi um favor simples, colaborar. Você não colaborou, fui lá e fiz a parada eu mesmo ué. Não esquenta a cabeça com os riscos, aqui sabe o que faz— Fez um movimento de bico de pato com a mão. — Eu já apaguei as chamadas que eu atendi.
Alana sinalizou positivo e retornou para a mesa retornando do almoço. Seu rosto bhaixo demostrava certo arrependimento, ela conseguira ver um pouco melhor a próp´ria importância dentro da operação.
E o telefone o supervisor tocou.
Vale ressaltar que o telefone araya do encarregado têm um toque diferente, ligeiramente mais alto. Mentira, bondade a minha… O som da porcaria do telefone do supervisor era tão alto que era bem capaz que o coração necrosado de um zumbi voltasse a bater devido o susto que esse revceberia.
— Ah que desgraça! Como eu faço pra essa porcaria não tocar assim?— Reclamou Ezequiel atendendo o telefone sem tirá-lo do gancho. Sim os supervisores não usam headset.
— Oi para você também garoto. — Falou Dona Catherine se levantando vagarosamente da cadeira. Seu foco e o do supervisor se cruzaram. Ezequiel sentiu um frio na espinha mais forte do que quando as unhas de suas esposa o arranhavam. — Eu tenho um cliente aqui que está começando a me irritar..
— A te irritar? Que é isso! Manda ele pra minha mesa agora dona Catherine. — Falou nosso herói com um sorriso amarelo.
Após um segundo de silêncio o cliente foi transferido.
— Ezequiel supervisor da operação, com quem eu falo?
— Olivia, eu quero saber por que meu reembolso foi zerado.
Caraca essa foi longe ein! Nosso herói se recordou no mesmos instante dos atendimentos #015: Reembolso e #074: Analista onde primeiro a cliente entrou em contato toda fogosa para ser reembolsada e nada foi feito e em seguida foi passado para o setor de reembolso, sim a mulher da nota zerada.
— Ô senhora Olivia tranquilão?
— Essa não é a palavra que eu usaria para me definir no momento. — A cliente apresentava certa tremulação na voz, algo sutíl, mas bem perceptível a pessoas atentas.
— A senhora está com frio ou medo de alguma coisa? — Ezequiel já presenciara tantas coisas estranhas em linha que a habilidade de detectar anomalias comportamentais nos clientes já estava se tornando algo simples para ele. — Bom sobre o seu ressarcimento eu-
— Sim eu estou com medo…
A voz da cliente era idêntica a de todos os personagens dos filmes de terror trash que sabem que não vão durar até os créditos.
— Conta pro pai o que aconteceu…
— Foi o que a sua subordinada disse...— A cliente estava em posição fetal escondida em baixo de uma escada.— Ela me ameaçou de coisas.... coisas horríveis...
— O que ela disse?
A cliente começou a falar tudo. A medida que suas palavras saiam de sua boca e eram transmitidas para o supervisor mais o medo a consumia. Bom...o que ela falou para nosso herói foi chocante demais para descrever aqui, mas eu posso garantir que o cara das colônias teve um fim equivalente.
— E foi isso que ela disse que faria com meu intestino se eu não parasse de encher o saco.
Com os olhos arregalados nosso herói encarou a mafiosa que trocava naquele momento a flor que carregava acima da orelha. Novamente seus olhos se cruzaram.
— Tá Olivia eu ligo pra você daqui a pouco, eu vou falar com ela está bem?
— Certo...
A cliente encerrou o contato e Ezequiel ligou na araya da mafiosa.
— Coloca uma pausa feedback e vem aqui por favor?
Todos os subordinados na operação respiraram fundo. Chamar Dona Catherine para um feedback era um feito extremamente corajoso que ninguém até então se atreveu a tentar. Catherine se aproximou da mesa de Ezequiel se apoiando na divisória.
A atmosfera parecer ter mudado totalmente, era dificil respirar, peidar então, impossivel.
— Eu fiz alguma coisa errada? — Ela tinha uma expressão de surpresa tão grande que não conseguiu ficar irritada.
— Não, não esquenta. Só tenta me avisar quando você ameaçar alguém pra que eu não deixe a chamar ir para a monitoria, se não o Jailson pode...é...passar mal com o que ele vai ouvir.
— Então tá né...— Respondeu a mafiosa com a maior naturalidade do mundo.
Alguns corredores de distância dali um burburinho se instalou, algumas pessoas encontraram Jailson todo sujo e molhado com o headphone na cabeça, sim ele fazia uma monitoria ao vivo da chamada de Catherine.
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