Do outro lado da linha
157 Atendimento #157: Gênios
Notas iniciais
Atendimento #157: Gênios
Você sabia que é teoricamente proibido o atendente não resolver seus problemas em linha? Sim, mas têm um negocio… Não adianta você perguntar se ele está com a mão limpa que ele não vai poder resolver sua ineficiência culinária, muito menos a sexual.
O atendente têm de fazer todo o possível para resolver seu problema com os conhecimentos que ele detêm, em outras palavras, o cara não pode simplesmente dizer “Não vou fazer nada pro você porque você é feio e bobo” ele ao menos têm de dizer “Não vou fazer nada por você por que você é feio, bobo, têm cara de melão e explodiu seu aparelho de som com uma bomba de festa junina.”
— Entendi...entendi.— Igor repetia devagar já entendiado com a cliente. — Entendi…
— Ai minha filha fez curso de design e por isso precisa desse tablet funcionando. Ai meu filho que estava na Bélgica...
A cliente era do tipo que gostava de contar vantagem para as amigas pela conquista dos filhos. Até ai nada de mais você falar que seu filho e filha são bem sucedidos e moram e outros países, o problema começa quando você faz isso enquanto está no TELEFONE com um ATENDENTE.
— Seu menino tava na Bélgica? — uma das amigas da mulher falou surpresa.
— As madames podem parar de tico tico? — A voz de Igor reverberou pelo telefone da cliente. — Assim, eu to pouco me lixando pra onde teus filhos estavam na boa, já tamo aqui a mó tempasso maluco, dá pra deixar essa fofoca pra depois que eu estiver morto e enterrado?
— A… — A cliente travara igual o sistema do atendente. — Tá…
— Então falaê, o-que-deu-de-ruim? — Alastor fez questão de falar compassadamente.
A mulher teve de sentar, mimada desde criança ela jamais tinha sido confrontada, foi necessário que ela parasse para processar as palavras de Igor. Quase que a pobre infeliz foi parar no hospital devido a sobrecarga de realidade sofrida em sua mente infantilóide.
— Filha, tablet, na assistência, fora de garantia, não tá, ajuda. — A cliente Rumiha parecia um robô tentando reestruturar seus processos mentais.
— Beleza… o tablet da tua filha foi para a autorizada, mas ai eles falaram que não entraria como garantia, por isso tu quer ajuda né?
— Sim-sim. — Ela ainda estava travada.
— Então dona a parada e a seguinte se os caras lá falam que tá fora é por que tá. Não têm como irmos contra eles, a madeira deles é muito maior que a nossa.
Você já deve ter reparado isso na sua vida. Sempre que o cliente é contrariado em qualquer instância seus medos, incertezas desaparecem e dá lugar a um monstro furioso. Se isso fosse usado no tratamento contra a timidez certamente daria certo.
— Você tá querendo me dizer que vai ficar por isso mesmo? Vai procurar quem tem a “madeira” maior que eles então! — A cliente não sabia, mas seus argumentos eram completamente sem sentido para Igor. — Vocês devem ter um conselho de gênios especializados em resolver seus problemas! Anda logo sai dessa cadeira e vai falar com eles!
— Dona a senhora está certa.— Igor sacou da mochila um caderno de capa negra e começou a anotar alguns dos contatos da cliente, incluindo seu nome e telefones.— eles fica em uma sala separada de todos da operação, inclusive é preciso fazer uma série de rituais para se tornar parte dessa fraternidade. Eles usam umas roupas que parece uns monge e tal, muito dahora.
— Sério?
Rangendo os dentes de nervoso o ex encarregado não podia acreditar que estava funcionando.
— É… se me dá licença eu vou lá ver, beleza? — Falou retirando o headset da cabeça.
Ninguém na operação entendeu porque Igor se levantou com um caderno no braço e foi em direção as demais mesas dos supervisores. Um a um ele foi recolhendo cadernos, alguns eram pequenos outros grandes, porém cada um tinha todas as páginas preenchidas.
— O que você tá fazendo? — Amanda se levantou da cadeira e gritou para o ex encarregado de longe.
— Resolvendo uma coisa inacabada dos supervisores. Brigadão brother. — Falou agradecendo um colega do setor de recuperação. — Apenas aguarde.
Enquanto isso a cliente realmente achava que o atendente estava de joelhos em uma sala cheia de fumaça orando por uma solução de seu caso.
— Dona uma coisa impressionante aconteceu lá na hora dos gênios sacarem do teu problema.
A mulher juntamente com suas amigas brilharam os olhos.
— É mesmo? O que aconteceu? Eles deram alguma resposta?
— Sim.— Igor esperou por alguns segundos para a cliente adquirir mais esperanças.— Eles mandaram você se lascar.— Falou ele encerrando o contato.
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