Do outro lado da linha
119 Atendimento #119: Fogosas
Notas iniciais
Atendimento #119: Fogosas
Conversar baixo é uma habilidade que pouquissimas pessoas nesse mundo possuem, sério mesmo. Quantas vezes já não me falaram que eu parecia uma gralha com cólica falando? Quem souber o segredo de falar baixo pode me mandar uma carta que eu ficarei grato em sussurrar meus agradecimentos.
— Senhor eu não sou surdo pode falar baixo. — Ezequiel controlava-se para não mandar o cliente procurar pérola em estrume. — Só esto aqui fazendo o meu trabalho se está satisfeito peço que envie um e-mail para o setor responsável.
— Eu faço o que eu quiser tá ligado mermão? — O homem continuava a gritar por que seus canais pornôs haviam sido bloqueados. É engraçado como os clientes que mais consomem esse tipo de mídia são os menos interessados em pagar. — Se você continuar pedindo para eu abaixar o tom ai que eu vou continuar falando alto.
Pobre infeliz…
Fica a dica para todo aquele que liga para o suporte; nunca, jamais pense em tratar o atendente como inferior.
— Então fale, — Ezquiel começou a falar baixinho, quase sussurrando. — Você acha que falar grosso e bancar o macho alfa vai fazer seu canal “machos saborosos ” voltar? Não, não vai… então pague essa porcaria e depois vem reclamar tá legal?
— OLHA…
O cliente ficara mais invocado que um mostro em porão de casa velha. Mas nosso heroi era mais habilidoso e logo cortou a frase cancelando a reunião de forças do “monstro” inadiplente.
— Olha o senhor. — Esequiel ameaçou encerra a chamada. — Vamos deixar uma coisa clara, sem contas pagas, sem canal de homens se pegando. Conta paga, você tem seu canal de homens se pegando. Capiche?
O cliente bufou por alguns instantes e logo desligou, viu que não teria como vencer aquele duelo. Com o dia agitado outro cliente surgiu.
— Ezequiel bom dia com quem eu falo? — O atendente nem se quer colocara o telefone no mudo e já embarcava em outra chamada.
— Olha que sorte! Tudo bem meu querido? Aqui é a Deby.
Ezequiel se recordou do atendimento #40: Prostíbulo e sua cliente ilustre Débora.
— Deby? tipo do Deby’s Bar?
Com o tom de voz mais elevado Ezequiel acabou chamando a atenção de alguns de seus colegas para sí, entre eles estava amanda que passou a ver seu atendimento.
— Isso querido! Escuta como está sua garota? Soube que ela está com uma criança no forno é isso mesmo?
— Como é que você soube isso? — Realmente era intrigante imaginar que ela soubesse de tal informação. Virou-se para sua companheira e deu lhe um peteleco na testa. — Porque queríamos manter isso em segredo.
— Sua mãe e seu pai vieram aqui e...
A mente de Ezequiel fez com que todos os ruídos chegassem mais baixos em seu cérebro. A informação que seu pais haviam visitado um “prostíbulo” fora chocante de mais para tolerar.
— ....enfim, fizeram a festa. — Por motivos de censura de idade não comentarei o que eles fizeram, mas vamos dizer que teve muito azeite envolvido…
— Senhora, como eu posso ajudar nessa ligação — O atende, mais chocado que pintinhos recém nascidos, entrou em modo automático, não mais via Débora coo uma conhecida.
— Então eu só queria avisar você que eu mandei alguns panfletos da Deby’s house com desconto para seus colegas, é só eles apresentarem o papel com a palavra Fogosas escrito que a bebida fica metade do preço.
r— Entendido senhora, mais alguma coisa?
— Nossa, você travou legal ein? — A empresária não se chateara com a situação, pelo contrário, era engraçado ver a reação dele. Mas ainda havia uma surpresinha a espera de nosso colega. — Bom espero que você receba o panfleto e distribua para seu colegas.
— Agradecemos o contato e tenha um excelente dia.
A chamada foi encerrada com nosso heroi ainda chocado, os olhos buscavam algum ponto para fixar-se, mas nada encontravam. Amanda, curiosa com o que a empreendedora falara perguntou.
— Era a Deby né? Ela te contou sobre os seu pais?
— Contou… e eu ainda não acredito no que aqueles dois fizeram.
Naquele instante Igor chegara ao andar com uma série de correspondências, entre elas estava uma que era endereçada a nosso herói. Como Igor não se preocupa com privacidade, afinal ele deixa imagens pessoais no computador do trabalho, abriu o envelope.
— Tá de sacanagem...— O Supervisor correu saltitando na ponta dos pés. — AÍ Ezequiel! — Gritou para que toda operação escutasse. —Valeu pelos descontos, mas eu não sabia que teus pais eram garotos propaganda de prostíbulo!
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