Notas iniciais
Bom dia, leitores! Um capitulo fresquinho da fic saindo agora... Divirtam-se!

Era um lugar a céu aberto, acordamos dentro da uma espécie de tenda militar, suficientemente grande para acomodar cinco pessoas com facilidade. Eu fui a primeira a acordar nessa fase, estava deitada em no chão frio da tenda e no momento que consegui me sentar senti a dor forte e incomoda vinda do meu ombro – o mesmo que havia amasiado minha queda – e minha perna esquerda, principalmente meu tornozelo, parecia que havia sido amassado por alguma coisa enorme, da magnitude de um circo, talvez.

– Que merda é essa? – Uma voz que nunca ouvi antes resmungou em um canto da tenda. Era um rapaz grande como um urso, de pele morena e cabelos escuros. Ele parecia bem forte e assim como eu havia acabado de acordar. Confuso, ele me encarava e encarava todos os outros três que ainda dormiam. Por instinto, peguei a mochila nas minhas costas e a agarrei, juntamente com meu machado.

– Ah... Que lugar é esse? – Pan, a garota suja com graxa, acordou também. Ela acordou como um tiro, desesperada e com a respiração pesada. Demorou muito para que ela parasse de segurar a faca como se fosse matar alguém.

Ainda faltava Tommy e outra garota de cabelos escuros acordarem, ambos pareciam bem acabados e com vários ferimentos.

– Vocês são um grupo? – O garoto moreno perguntou, se levantando. Eu me levantei também, e logo depois Pan.

– Acho que sim – Respondi, enquanto caminhava para a saída da tenda. Do lado de fora, a tenda parecia bem mais precária do que seu interior, mas pelo menos nos protegia do sol que estava lá fora. O céu meio cinzento e com nuvens claras tinha um sol dourado que aparecia e desaparecia em intervalos regulares entre as nuvens. Fora a tenda, tínhamos acordado em um campo de terra – ou areia? – bem aberto, cercado em três lados com um cerca de arame de três metros de altura.

– Alaric é quem nos reuniu – Ouvi Pan conversando com o garoto, ambos saindo da tenda.

– Alaric... Sim, rapaz esperto – O outro disse, olhando assustado para o lugar – Já estive aqui antes...

– Quer dizer, nessa fase? Você pode simplesmente repetir de fase? – Perguntei, surpresa.

– Eu estou aqui há muito tempo, garota. Já passei por incontáveis fases, e nunca repeti nenhuma até agora. É um campo militar, está minado. O lugar seguro para atravessar esse campo é usando as barricadas espalhadas no meio das minas. – Ele disse simplesmente, e depois saiu para explorar o lugar.

– Pan? – disse uma voz vacilante atrás de nós. Quando me virei vi a garota de cabelos escuros olhando confusa para Pan, com Tommy logo atrás. Tommy e eu tínhamos as mochilas, e ele usava uma espada presa na cintura. Além disso, ele mancava e tinha sangue seco sujando o lado esquerdo do rosto, os óculos trincados.

– Juh! – Pan respondeu com uma alegria que me pegou se surpresa. Ela correu e abraçou a garota como se fossem velhas conhecidas.

– Eu achei que você tivesse ficado pra trás... Naquela fase do prédio! – Juh respondeu, agora mostrando seu arco e aljava presos nas costas.

– Não... Eu fui uma das primeiras a passar! Como você chegou até aqui... Faz tanto tempo, achei que tivesse morrido... – Pan soava vacilante e meio triste.

– Desculpe interromper, grupo do Alaric, mas... – O garoto moreno tinha voltado – Temos uma fase minada para completar. Ele fez um gesto com a cabeça e eu o segui.

Subi um pequeno morro de areia e depois me deparei com um campo praticamente limpo, e plano. Ele seguia perfeitamente reto até o outro lado – que não parecia ser muito longe – onde havia três recipientes de vidro com algo dentro.

– Deveríamos, sei lá, comer alguma coisa – Tommy disse atrás de mim.

Peguei minha mochila na hora, o que era estranho. Até agora eu não havia percebido a quão faminta eu estava. Na mochila havia várias coisas, desde uma lanterna até uma corda e uma pomada estranha. No fundo, achei uma garrafa de água e o que parecia algum alimento em barra que deveria ser saudável. Joguei uma barra para Pan e outra para mim. Não demorou muito para comermos e eu e Pan dividimos um pouco de água. Eu sei que não é o certo não oferecer nada para os outros dois, mas eles não eram do nosso grupo, então...

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– Hora de atravessar essa coisa, quem é mais leve vai na frente – O rapaz moreno orientou, e em seguida olhou para a garota de cabelos castanhos.

– Ta, e como eu vou saber se tiver uma bomba no chão? – Pan perguntou.

– Apenas que sigam e pisem a onde eu pisar, entenderam? – A garota morena respondeu.

Pelo que eu contei, tinha cinco barricadas espalhadas pelo campo. Isso queria dizer que havia cinco pontos seguros para atravessarmos. O chão de areia plano não facilitava as coisas, se uma daquelas coisas explodisse, o campo todo ia ser afetado. Quando a garota começou a avançar pelo campo, Pan a seguiu de perto e eu fui logo atrás. Eu não sei como ela sabia onde havia alguma bomba, na verdade tudo o que eu via no chão por onde eu não pisava era a terra ligeiramente diferente, como se tivesse sido remexida por alguma coisa. Mas não era uma pista confiável.

O ambiente estava cercado por uma tensão terrível. Ninguém disse uma palavra enquanto andávamos tudo parecia tão calmo. Estávamos quase chegando à primeira barricada quando uma sirene baixa tocou, a garota morena arregalou os olhos e olhou para trás. No instante seguinte ela correu, apressou os passos e seguiu em uma corrida em direção à primeira barricada. Por sorte, nenhuma bomba a explodiu. Pan a seguiu de perto e logo depois fui eu. Mas a barricada de metal mesmo que resistente era um pouco pequena demais para três pessoas. Eu fiquei exposta no primeiro momento.

Tommy e outro rapaz também correram, mas para a outra barricada que ficava mais longe. Depois que eles chegaram lá, os tiros começaram. Era como uma chuva de balas que passou pela minha cabeça, sem me acertar. As balas vinham de frente das barricadas e por isso não nos acertaram. Mas detonaram algumas bombas. Três na verdade, e uma explodiu atrás de nós, do caminho em que viemos. A explosão foi tão alta que por um momento eu cambaleei para o lado, minha audição havia sido atordoada, eu não ouvia mais nada e nem sentia mais nada. Fora tão grande que o calor da explosão e os estilhaços da bomba me acertaram, eu tentei me proteger virando uma parte do meu corpo para o lado, mas senti um ardente incomum do meu braço e na lateral do meu corpo depois disso. Os tiros não tinham se cessado tão rapidamente e logo, quando eu cambaleei para o lado por conta da explosão um tiro acertou meu braço queimado.

Eu gritei, sem ter coragem para realmente olhar o que havia acontecido comigo. Sem coragem para encarar a magnitude do ferimento. Pan agarrou meu braço bom e me levantou.

– Depois cuidamos disso, vamos – Ela sussurrou e eu comecei a andar novamente no meio das bombas, com Pan me ajudando. Eu não havia percebido, mas ela estava tremendo. A explosão parecia ter atingido ela também.

Caminhamos com dificuldade por um tempo, até que a próxima sirene tocou. Pan e eu fomos com dificuldade para a barricada. Desta vez quem ficou na ponta foi a garota morena. Os dois rapazes chegaram a alcançar o ponto seguro também.

Dessa vez não parecia que estavam atirando a mesma munição de antes. Os feixes de algo afiado passaram por cima de nós. Diferente das balas esses não pareceram acionar nenhuma bomba, eram como dardos com agulhas. A garota de cabelos escuros, Juh, estava na ponta da barricada de metal em um instante, e no outro ela havia simplesmente se levantado.

Eu ouvi Pan gritar alguma coisa. Algum daqueles dardos a havia acertado. Ela levantou de forma mecânica e começou a andar. Agora de pé, Juh gritava enquanto a chuva de dardos a acertava, mas ela não parou de andar, era como se estivesse hipnotizada ou algo assim. Ela murmurava alguma coisa, e gritava tão alto, como se estivesse chamando alguém. Tenho certeza que era um nome. Eu podia ouvir Pan preocupada com ela, chamando por ela, a chuva de dardos já estava passando e ela sangrava nos pontos onde as agulhas a haviam furado. Eu vi a expressão de medo e surpresa em seu rosto. Eu a vi começar a correr. Eu a vi caminhando para o perigo iminente. E não fiz nada.

Era um campo minado, e ela não parecia estar em condição de seguir por lá agora. Ela cambaleava para os lados, gritando com a voz rouca. Ela sangrava. E cambaleava. Até que ela caiu.

Tudo aconteceu tão rápido que agora não passa de um flash na minha memória. Instantes antes dela cair, Pan seguiu levantando e correndo até ela. Pan foi sendo acertada por vários daqueles dardos, e continuando correndo para a ajudá-la. Eu me vi levantando, correndo até Pan. Eu sabia o que ia acontecer. Todos sabiam no momento em que a garota caiu.

Os dardos me atingiram, alguns poucos, mas atingiram. Minha visão ficou embaçada, mas continuei correndo até Pan, eu a segurei pelo ombro e a puxei para trás. Nós duas caímos no chão de areia. Eu senti meu braço latejar e queimar novamente, como se ele soubesse o que ia acontecer a seguir. Tentei empurrar Pan para trás de mim, tentei protegê-la. Tentei evitar que ela visse aquilo. Lágrimas escorriam dos olhos da garota suja de graxa, e ela gritava.

Eu mantinha meu olhar fixo em Pan, mas não pude deixar de ver na hora o que aconteceu. O que aconteceu quando a garota caiu, drogada e zonza no chão. No momento em que ela acionou uma bomba. O bip da mina foi alto, Juh percebeu o que ia acontecer a seguir. Ela murmurou alguma coisa, e depois se explodiu em milhares de pedaços.

Seu corpo foi mutilado quase instantaneamente, a explosão de fogo, areia e sangue se espalhou por todo o campo. Pan soluçava enquanto a explosão nos atingia, nos cobrindo de areia, sangue e algo como vidro que eram os estilhaços da bomba. Meu braço e todo meu corpo foi ligeiramente queimado e ficou sujo. Pan soluçou novamente. Agora ela levantava, zonza e um pouco atordoada pelas doses dos dardos. Tommy e outro rapaz moreno nos alcançaram.

– Vocês estão bem? – Tommy perguntou,ele parecia preocupado.

– SE EU ESTOU BEM, THOMAS? – Pan gritou – JUDITH ACABOU DE MORRER! ELA ERA UMA AMIGA!

Não demorou muito até Pan desmoronar no chão novamente. Desta vez eu a levantei, meu braço latejante agora sangrando onde a bala o acertou.

– Eu não entendo o que aconteceu... – Tommy começou a falar.

– Eles devem ter devolvido para ela alguma memória quando a drogaram com aqueles dardos – o rapaz moreno disse – É isso que eles fazem, eles devolvem as lembranças aos poucos, da forma mais dolorosa que encontram e analisam como você vai reagir.

Todos ficaram em silêncio, não havia nada que pudéssemos falar.

– Já podemos sair dessa fase... – Tommy disse — Alias, esse ferimento está bem feio.

Tommy apontou para o meu braço. Eu fiz um careta de dor, e acenei com a cabeça. O sangue seco do ferimento da bala ardia e logo iria infeccionar. O rapaz moreno tomou a frente e nos guiou até o final do campo. Foi doloroso quando passamos ao lado de onde a menina havia caído, e Pan não conseguiu olhar. Eu não sei o que as duas tinham passado, mas a morte dela fora visivelmente dolorosa para Pan.

Quando chegamos ao final do campo, encontramos a porta para uma base militar trancada, e logo a frente três recipientes de vidro. Os dois primeiro tinham um vidro azul e um bilhete e o último tinha uma chave para a porta trancada da base.

– Os frascos vão curar o efeito de droga dos dardos em vocês – Tommy disse, lendo um bilhete.

Ele entregou um frasco para mim e outro para Pan. Nós duas não percebemos, mas estávamos suando frio, com a visão embaçada e andando de forma cambaleante. Fora é claro, as dores especificas que a droga causava no organismo.

O garoto moreno pegou a chave e abriu a porta da base. Com um aceno de cabeça ele se despediu da gente, e sumiu ao atravessar a porta. Depois foi a vez de Pan, depois Tommy e por último eu. Antes de entrar eu olhei para o campo, para os restos da garota morta e para o meu braço. Que estranho esse lugar, pensei ao atravessar a porta.

Notas finais
Espero que tenham gostado, não deixem de comentar se você leu e gostou! Deixem suas dúvidas e sugestões para que possamos sempre melhorar! Até a próxima!