Do or Die

11 Capitulo 11 - Fase 1 parte 4


Notas iniciais
Depois de algum tempo sem postar... Bom, se pensaram que tinhamos abandonado a fic, se enganaram!

Quando meu corpo bate contra o chão, sinto a dor profunda do impacto, principalmente do meu ombro e da minha cabeça, ambos que latejavam e doíam muito.

Não consegui abrir meus olhos, não ainda. Minha mente girava e girava em algum lugar distante e meus olhos captavam apenas vultos. Eu ouvia apenas ruídos indecifráveis, alguns tão baixos quanto um sussurro e outro tão alto quanto súplicas.

– O que aconteceu? – murmurei para o nada, as palavras subitamente perdendo o sentido.

– Grande coragem – Respondeu uma voz grave e distante.

– O que? – Abri os olhos, confusa. Me surpreendi ao perceber que não estava mais do circo, e sim em um campo. Um vasto campo com a grama seca e aparada, que se estendia até onde minha visão alcançava. – Que diabos..? Eu passei de fase?

– Ah, ainda não. Está apenas presa. – A voz grave respondeu, agora mais próxima.

Virei-me para a direção de onde a voz vinha, inclinando meu corpo com certa dificuldade. Não havia nada além do horizonte do campo de grama seca e o límpido céu azul, que se encontrava com o chão em um certo momento a frente. Toquei com meus dedos o chão enquanto encarava o céu azul: tudo parecia – era – tão real, tanto a grama áspera e seca em meus dedos quanto o contraste daquele azul celeste. Não conseguia me lembrar da última vez que vi um azul tão belo – para variar, claro, eu não me lembrava de nada. Arfei com uma dor momentânea em meu ombro quando tentei me sentar, percebendo agora que eu estava deitada, encarando o céu sem objetivo aparente. Minha cabeça latejava muito, e quando uma sombra se aproximou ao meu lado – uma sombra humanoide – eu podia jurar que era o primeiro sinal da loucura. Até que passei e encarar a sombra com mais atenção – esta que agora parecia tão próxima que resisti a tentação de tocá-la. E depois de um tempo as características físicas de um rapaz alto começaram a se encaixar na minha mente. Me virei em direção a ele, e consegui distinguir uma figura estranha ligeiramente inclinada próxima a mim. Era um homem, ele vestia um terno social, usava uma cartola típica de circo, com luvas brancas e uma capa vermelha rubra. Ele parecia te emergido das sombras.

– Um mágico? – Perguntei sem pensar, levantando meu corpo para finalmente me sentar.

– O próprio. O que seria do circo sem um mágico, afinal? – Ele respondeu, sentando-se ao meu lado. Por mais que eu tentasse, não conseguia ver o rosto dele. Era quase como se houvesse uma sombra eterna ocultando-a.

– Eu deveria estar... correndo agora. Isso aqui é sobre sobreviver – Falei, parecendo mais estúpida do que pretendia.

– Os outros gostam de jogar com vocês. Fazer com que vocês se destruam. Eu sou diferente, eu quero testá-la de outra maneira. – Ele retirou a cartola da cabeça e a segurou. Seu cabelo era longo demais para um rapaz, de cor escura e liso. Seu rosto continuava oculto, embora os contornos sombrios apontassem para um tipo físico magro – Muitos estão procurando o lugar para usar os chips que ganharam, para sair daqui. E se eu disser que não há um lugar para usar os chips? – A voz dele soava novamente distante, como se ele estivesse se desfazendo em escuridão novamente.

– Vamos ficar nos matando para sempre... e para nada? – Respondi, atordoada.

– Hum, esperto. Mas não. Há maneiras mais divertidas de fazer vocês se matarem sem perder uma fase toda somente para isso. Já pensou no inesperado? – ele perguntou, havia uma energia estranha em sua voz, quase como uma convicção estranha de certeza do que falava – algo que talvez estivesse me fazendo acreditar nele.

– O inesperado? Como algo surpreendente?

– Exatamente – Ele sorriu. E não me pergunte como sei que um rapaz sem rosto sorriu, talvez fosse por um ruído estranho que preferi interpretar como um sorriso – Bom, tem a sua resposta para a saída.

Ele se levantou e me ofereceu a mão coberta por uma luva impecavelmente branca, me ajudando a levantar. Quando fiquei de pé, o cenário do campo seco começou a se contorcer como se houvesse uma borracha invisível apagando as cores. Senti algo estranho enquanto assistia o azul celeste desaparecer aos poucos, e por um momento se tornou apenas um monte de borrões sem sentido – e eu senti que não voltaria e ver um céu como aquele tão cedo. Logo, a imagem do pandemônio do circo voltou a aparecer. E eu estava em pé no mesmo lugar em que eu deveria estar quando caí.

– O inesperado é o que eles querem ver... – O mágico começou a dizer, apontando para a coluna de madeira no centro do picadeiro que levantava a lona do circo. No instante seguinte, ele sumiu. Tão silenciosa e misteriosamente como quando havia aparecido.

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–LAYLA! – Um rosto familiar surgiu no meio de uma multidão: o garoto de óculos, Tommy veio correndo até mim com a garota suja de graxa, Pan, em seus calcanhares.

– Foi uma queda feia, você está bem? – Ele parecia preocupado.

Não respondi, apenas continuei olhando para o pilar de madeira no centro do picadeiro. Respirei fundo. Agarrei o machado das mãos da Pan – ela havia o segurado para mim enquanto eu me sacrificava para salvar o outro garoto – e comecei a correr em direção do meio do picadeiro.

O pandemônio que eu me lembrava havia se amenizado, mas mesmo assim o lugar continuava cheio de pessoas espalhadas, cada grupo realizando lutas e tarefas para conseguir chips. Quando cheguei perto no centro do picadeiro, agarrei no machado com uma maestria estranha. Comecei a cravar a lâmina pesada contra a madeira do pilar, abri um corte estranho no terceiro golpe, e ainda faltava muito para terminar quando Pan agarrou meu ombro.

– Você ficou maluca? O que pensa que está fazendo?

– Dando um jeito de tirar a gente daqui, e rápido!

Ela me soltou, ainda em dúvida. Voltei a golpear o pilar de madeira outra vez, e outra, e mais uma. Cada golpe na verdade exigia um grande esforço, e logo as consequências começaram a surgir: meu ombro ainda meio ferido pela queda começou a latejar, minha cabeça doía como nunca enquanto meus braços continuavam de forma quase mecânica. Já foram repetidos golpes, e o corte ainda estava pouco depois da metade do pilar.

– Tommy, me ajude a derrubar essa coisa.

– Mas você vai derrubar o circo assim!

Olhei para ele, com um olhar que confirmava tudo. Ele me encarou de volta, incrédulo. Pan, que parecia ter entendido mais rápido do que ele correu e começou a empurrar o pilar a favor do corte, e eu continuei a golpear com o machado mais algumas vezes. O suor frio começou a escorrer pelo meu rosto e meus braços. A dor protestava para que eu parasse, mas a adrenalina não permitia que eu parasse agora, não até que eu acabasse com isso.

E talvez tenha sido nesse momento que consegui a força para continuar, não importe o custo. Nesse momento que eu descobri que não poderia parar... Não até sair daquele lugar e recuperar minhas lembranças.

Quando o pilar de rompeu, houve um estrondo forte. A lona do circo, de cores mórbidas, começou a tremular. Gritos percorreram todo o lugar. Pan precisou me empurrar para longe da coluna rompida, que quase caiu em cima de mim. Tommy gritava algo parecido com chips e eu vi o desespero no rosto de todos ali perto. O desespero no rosto de completos estranhos não era algo ruim. Pan, Tommy e eu corremos para longe e tentamos ao máximo alcançar a onde os outros — Alaric e os outros — estavam, mas não conseguimos. Não antes de uma lona de cores mórbidas, junto com vários escombros de madeira e metal estranho, com partes do picadeiro destruído que voavam para todos os lados, nos atingissem.

Pan, Tommy e eu fomos separados no último instante, cada um correu para um lado, e eu me lembro de apenas de ter visto Voraz e Alaric, a vários metros mais longe, parecerem surpresos.

Fechei os olhos quando não tive mais para onde correr e o desmoronamento do circo se tornou algo real e letal ao me atingir nas costas: os escombros do teto do circo eram mais pesados do que pareciam. E de repente, tudo perdeu o sentido enquanto eu era prensada contra o chão.

Notas finais
Bom, agora as férias começaram então os capitulos vão sair mais rápido, prometo! Não deixem de acompanhar, e comentar! Beijos e até o próximo!