Do or Die
5 Capítulo 5 - Final de Fase
Notas iniciais
FASE 0 — Final
O grunhido de dor do garoto foi tão alto e intenso que um calafrio percorreu meu corpo. Ouvi o som do bloco de concreto se chocando com a cabeça do garoto e no mesmo instante a força que puxava a menina para baixo havia parado. O elevador despencou e levou junto o grito de desespero e dor do garoto. O rapaz de óculos havia puxado a garota para a segurança do andar. Ela já havia atravessado a porta do elevador e estava encolhida em um canto, com os olhos arregalados de cansaço e medo. A perna dela sangrava.
– O-o que você fez? – ela perguntou para o rapaz.
– Uma escolha – ele respondeu paciente, enquanto evitava olhar para qualquer uma de nós duas.
– O garoto acabou de morrer! – eu gritei surpresa com o desespero na minha voz.
– E ela está viva – ela apontou para a garota. – Podemos sair logo daqui, sem mais atrasos. Vocês vêm comigo ou não?
Ele começou a andar, devagar, como se esperasse que fossemos querer alcança-lo. Eu me levantei surpresa por perceber que eu estava sentada bem longe do elevador, provavelmente na hora que o menino caiu me afastei para não ter que ouvir seu grito sumindo nos andares inferiores. Ajudei a garota a se levantar, ela precisou de mim para andar e juntas seguimos o garoto até o final de um corredor.
Havia uma porta lá, um portal de aço aberto. Além desse portal, existia apenas a escuridão. Pensei que fosse outro buraco negro, mas quando vi na fechadura da porta aberta aquele cartão dourado que havíamos roubado das enfermeiras, naquele instante eu soube que aquela era a saída.
E ao lado do portão de aço estava o rapaz alto que eu havia ajudado a lutar contra as enfermeiras. Ele era um rapaz maior e mais forte do que o rapaz de óculos, contando com um tipo físico atlético e bem preparado, mas estava ofegante e cansado enquanto sentava ao lado do portal para partir. Eu não diria que estava nos esperando, apenas acho que ficou ali para descansar. Tinha cabelos castanhos e pele clara. Seus olhos eram castanhos bem claros e a expressão em seu rosto era dura e severa. Ele acenou quando nos viu, mas a exaustão em seu olhar era bem visível, tanto que logo depois de acenar ele desmaiou e caiu para o lado, onde havia uma pequena poça de sangue. O sangue que vinha fazendo um rastro no caminho até aqui era mesmo dele, mas não havia um ferimento visível em seu corpo.
O rapaz de óculos que caminhava com a gente tinha a mesma altura que ele, mas era mais magricela e com menos preparo físico e músculos. Tinha um ar de ser inteligente, com o rosto de aparência cansada, cabelos um pouco compridos e pretos, iguais a seus olhos. Sua pele era bronzeada e ele estava bem se comparado ao outro que estava desmaiado no chão, com cortes, arranhões e ferimentos em vários pontos do corpo.
– O que fazemos com esse infeliz? – A garota que mancava perguntou, mancando em direção ao portão – Atravessaremos ele ou deixaremos ele ai para morrer?
– Quanta maldade... – O rapaz de óculos disse, soando sarcástico – Vamos ajudá-lo, porque pelo que me lembre ainda não somos monstros sem sentimentos. Ainda.
Ele foi em direção ao rapaz e o ergueu pelos ombros. – Uma ajuda aqui, sim? – ele pediu. Ouvimos uma séries de estrondos e barulhos da maça de demolição se aproximando, tanto que quando olhei para trás pude ver a enorme esfera de aço demolindo as paredes nas quais havíamos acabado de passar. Agradeci por ter andado rápido.
Fui até o garoto desmaiado e o de óculos e juntos arrastamos o rapaz para perto do portão. A garota que mancava já havia sumido para dentro do portal e desaparecido.
– Para onde isso vai nos levar? – quis saber, após colocar o garoto do chão e parar para analisar o espaço vazio logo á frente.
– Torça para não ser em algum lugar absurdo – Ele sorriu em resposta – A propósito, qual é mesmo o seu nome?
Ele me pegou de surpresa, senti como se tivesse sido apunhalada pelas costas. Olhei para ele, surpresa. Pisquei algumas vezes e tentei me lembrar, mas eu não conseguia. Eu não sabia qual era o meu nome.
– Eu não sei qual é o meu nome... Quer dizer, eu não me lembro. — Ouvi o som da demolição chegando cada vez mais perto: estávamos ficando sem tempo.
– Alguns recebem pistas com o nome, outros ficam sem um mesmo, como eu — Ele respondeu, limpando o suor da testa com um lenço — Os que me encontraram quando eu cheguei me chamaram de Tommy.
Tommy, eu pensei, ele realmente tem cara de Tommy. Foi quando me lembrei da minha pista, a que eu havia ganhado junto com o cabo de aço: aquele papel que guardei no bolso da calça.
– Espere... — Sussurrei para mim mesma enquanto tirei o papel do bolso da calça e o abri. A tira de papel fria e áspera era também velha e estava cortada em algumas partes, mas nela lia-se com clareza a palavra escrita com tinta vermelha: LAYLA.
– Layla... — Tommy respondeu, pensativo — É, realmente combina com você. — A menos de cinco metros de nós e do portal, a maça de demolição se aproximava, destruindo todo o cenário em seu caminho e abrindo uma série de buracos negros.
– Vamos rápido, Layla — Ele fez questão de usar meu nome nessa frase.
Fique logo á frente do portal encarando a escuridão logo à frente. Será que eu iria cair? Ou teriam escadas? Ou seria como aquele buraco negro e sem fundo? Não tive tempo para pensar ou refletir, quando me dei conta estava caindo para a escuridão sem fim e tudo de repente ficou escuro. Até minha consciência se rendeu ás trevas.
Ou talvez não totalmente ás trevas. Eu senti como se meu corpo estivesse dormente e não consegui abri os olhos. Não sabia quanto tempo tinha se passado desde que passei pelo portal da fase, mas minha consciência continuava acordada. E ela me levou além para dentro do meu consciente. Senti uma dor forte, e uma luz na minha mente se acendeu. Era um espelho no meu da escuridão sem sentido. O espelho de corpo inteiro tinha o reflexo de uma pessoa. Um estranho. Era uma garota alta, com cabelos castanhos claros, longos e ligeiramente ondulados. A pele era clara, ela vestia uma calça jeans, um tênis All Star preto com uma camiseta branca e uma jaqueta marrom. Os longos cabelos aiam em zig-zag pelos seus ombros e realçavam seu rosto, com detalhe para os olhos. Olhos dourados, uma cor entre o âmbar e o amarelo. Olhos encantadores e hipnotizantes. Exôticos. Eu pisquei, incrédula. E a imagem no espelho piscou também. Eu sorri em minha mente, e a imagem também sorrio. Aquela garota de olhos âmbar era eu. Layla. Foi quando uma voz robótica invadiu minha mente: INÍCIO DA FASE 1.
– — — — — — — — — — FIM — — — — — — — — — — DA — — — — — — — — FASE — — — — — — — — 0 — — — — — — — — -

FASE -1 — FINAL
Em um momento eu estava correndo com dificuldades em meio a um manicômio em chamas com Theo meu ombro, até que minha visão começou a embaçar, comecei a piscar os olhos toda hora. As chamas da parede começaram a formar uma enorme fênix, ela voou e explodiu no teto. Meu chão começou a erguer e abaixar. As paredes aumentavam e diminuíam de tamanho, enquanto varias fênix voavam e se explodiam em pleno ar. As chamas se consumiram e todo o lugar sumiu, de repente eu estava em um lugar escuro com um cachorro parado na minha frente. Ele simplesmente estava em meu caminho com olhos esbugalhados, naquele momento percebi que ele estava com a patinha machucada e eu peguei o cachorro no colo. Ele deu um alto latido, latiu outra vez e mais outra. Olhei equivocado para ele e o que era um cachorro agora tinha uma cara horripilante.
O cachorro virou e abocanhou meu nariz, fazendo me sangrar, eu taquei ele no chão. Então vários cachorros de vários tamanhos apareceram e começaram a me morder. Começaram a rasgar minha pele e comer minha carne, fazendo meu corpo inteiro latejar. Comecei a gritar e estava dentro de um tubo fechado até a tampa lotado de água, não conseguia respirar. A água começou a invadir todo o meu corpo e causava uma dor insuportável, gritei e o vidro se quebrou. Estava dessa vez caindo de um prédio e gaviões me cortavam, a dor aumentava cada vez mais. A dor me invadia totalmente, tomando conta de meu corpo. A voz que falou comigo no primeiro dia, voltou novamente:
– Concentre-se, saia dessa alucinação e volte até a realidade. Agora! — O efeito foi instantaneo, abri meus olhos e estava novamente no manicomio em chamas. Sendo arrastado por Cold, ele me arrastava com a mão direita e Theo com a mão esquerda. Ele estava exausto, suado e suas vestes estavam chamuscadas. O cansaço e o desgaste se tornaram óbivio assim que vi a cara dele, a sombrancelha que existia escondendo sua cicatriz desapareceu e seu corpo implorava por uma parada.
– Finalmente — Cold, pela primeira vez, me lançou um sorriso — Ajude-me a carregar Theo, eu te imploro, ele esta inconsciente — Juntos eu e Cold carregamos Theo, até o final de um longo corredor, arrastando ele e quase nos arrastando junto- A esquerda — Disse Cold arfando e tossindo com a intensa fumaça — O final, eu vi no seu mapa e finalmente chegamos ao ponto marcado — Ele apontou para uma porta, porém na sua frente estava uma enorme criatura de cera de vigiando — Se nós dois nos unirmos, podemos tirar aquilo de la e sair daqui — Eu e Cold estávamos sem nenhuma energia, sem nenhuma força, não conseguíamos nem andar direito que dera derrotar um monstro de cera. Fazer aquilo era a mesma coisa que abraçar a morte, seria lutar pelo suicídio e eu não estava pronto para morrer. Fiz uma das decisões mais duras de minha vida, fiz o que era certo e o que era o mais inteligente para minha sobrevivência.
Encarei o monstro e encarei Cold, ele estava totalmente exausto e não conseguia nem respirar direito. Sussurrei em seu ouvido: Perdoe-me, em seguida peguei a chave de sua mão e empurrei Cold em direção ao monstro, enquanto o monstro agarrava Cold, arrastei Theo até a porta, girei a chave e saltei.Não tive coragem de ver a ultima expressão de Cold, não tive coragem de ver o monstro destruindo ele, eu simplesmente fechei meus olhos e deixei o gigantesco abismo tapar as tristezas cravadas em meu peito.
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