Do or Die

19 Capítulo 19 - O Dia em que Eu Assisto a Morte de minha Mãe!


Notas iniciais
Natal e fim de ano! Muitas festas, muita coisa pra fazer e muito lugar pra ir. Desculpa a demora, estava sem tempo. Enfim chega de falar e vamos começar o novo capítulo. Boa leitura :)

Minha mão suava e a espada parecia pesar toneladas, eu estava completamente aflito. Cold estava parado em minha frente, com uma espada do tamanho da minha empunhada. O garoto me lançou um feroz olhar, eu engoli seco, eu não queria matar o garoto. Eu não tinha escolha, ele não me deixou nenhuma escolha. A forte e pesada porta de ferro estava trancada, somente duas pequenas chaves poderiam abrir e uma estava em meu estomago, outra no estomago de Cold. Ou eu matava ou eu morria. Respirei fundo, o cheiro de carne podre e mofo me dava náuseas. Mantive concentração no garoto da cicatriz na sobrancelha, pouco conseguia ver ele por conta de a única iluminação ser uma pequena vela. Observei ao meu redor, as paredes escuras com varias prateleiras. As prateleiras eram repletas de potes de vidro vazios, flores murchas, antigas velas apagadas e um enorme crânio. O osso ficava bem exposto, dando um tom totalmente sombrio ao lugar.

Cold veio correndo em minha direção, me joguei para o lado e o garoto trombou com a gigantesca porta. Fui em sua direção, tentei acertar um golpe em seu peito. Cold me bloqueou com sua espada, então os seguidos ataques começaram. Como em um filme de samurais, nós dois nos atacávamos e as espadas se chocavam todo momento fazendo um barulho metálico. Cold era uma maquina de guerra, eu mal conseguia bloquear um ataque e ele já realizava outro em seguida. Um curto tempo se passou e eu só conseguia me defender, não tinha tempo para atacar. Meu braço começou a doer, seus golpes eram cada vez mais difíceis de bloquear e cada vez mais fortes. A espada não estava mais firme em minha mão, quando ele deferiu um golpe em meu braço.

O golpe passou de raspão e já fez um corte fundo, meu corpo começou a arder momentaneamente. Um momento de distração e Cold acertou um golpe em minha perna, fazendo outro corte. Momentaneamente eu urrei de dor, enquanto o sangue escorria. O garoto riu de minha dor e com um golpe me desarmou, minha espada voou para longe. Ele me empurrou e fui arremessado em direção a parede, minha costas doeram. Eu estava em pé, pelas minhas costas sentia a áspera e húmida parede. Na minha frente Cold sorria, com sua espada na mão. Eu estava sangrando, todo debilitado e sem arma alguma. Ao meu lado só restava uma prateleira, com um crânio em cima. Talvez nem tudo estivesse perdido.

O garoto correu em minha direção, com muita dificuldade desviei e ele se chocou contra a parede. Rapidamente peguei o crânio da prateleira, com as duas mãos o agarrei firme e fui em direção de Cold. Ele me olhou incrédulo e bati com aquele velho osso em sua nuca, o garoto perdeu a respiração por um minuto. Continuei fazendo aquilo, batendo aquele osso de crânio em sua nuca. Cold tentava sacar sua espada, mas eu não parava um minuto e ele amolecia cada vez mais. O garoto desabou em direção ao chão, atordoado. Subi em cima dele e desta vez não precisei de nenhum crânio para destrui-lo. Coloquei minha duas mãos em sua cabeça e comecei a bater em direção ao chão.

A cabeça de Cold fazia um estralo a cada vez que se chocava com o chão, eu estava possesso de raiva e abandonei toda minha humanidade. O garoto começou a gritar e implorava cada vez mais que eu para-se, eu continuava fazendo sua cabeça se chocar com o chão. Seus gritos eram estridentes e lagrimas escorriam de seu rosto, vários pedidos de perdão eram feitos. "Tarde demais Cold, tarde demais" Sua cabeça começou a sangrar, seus gritos pararam bruscamente e um silencio invadiu o lugar. O garoto parou de se mexer, olhei no profundo de seus olhos que agora eram apenas órbitas vazias. Cold estava morto!

A adrenalina ainda estava em meu corpo, eu ainda não tinha noção do que tinha feito. Matar ele talvez tenha sido difícil, porém pior foi ter de abrir seu corpo para pegar a chave. Eu não sabia, exatamente, onde ela tinha ido parar. Abri Cold com a espada no meio, comecei a mexer em suas entranhas atrás da chave. Conforme o teor do momento foi passando, comecei a chorar, chorar muito! Naquele momento consegui perceber que aquele jogo me transformou em um monstro, em um assassino a sangue frio.

Depois de muito procurar achei a chave, banhada de sangue. Também peguei o chip do seu pulso, olhei pela ultima vez o corpo de Cold e fui a procura de meu grupo. Logo que sai a luz do sol fez meus olhos arderem, o céu tinha o cronometro indicando que faltavam 33 horas para o termino da fase. Três horas tinham se passado desde a hora que eu estava naquele enorme prédio de vidro, com Maysa contando sobre seu passado.

– Finalmente te achamos Voraz! — Theo corria em minha direção de mão dadas com Pan — Eu estava desesperado! Depois da explosão você voou para um lado, Layla para o outro e Maysa.... Porque sua perna esta sangrando?

– Não foi nada Theo, só preciso de algo para estancar o sangramento e depois já podemos continuar — Eu estava mancando um pouco e confesso que continuava meio abatido.

– Seu rosto esta inchado, você estava chorando? — Ele tinha aquele clássico olhar de criança inocente. Fiz que sim com a cabeça.

– Tome algumas ataduras, Alaric mandou você passar isso no ferimento o mais rápido possível — Nicolle veio correndo em nossa direção — Ele quer entrar na competição pela grande recompensa! — Seus olhos pareciam brilhar.

– Grande recompensa? — Para Nicolle estar feliz, é sinal que a recompensa era realmente grande.

– Esta acontecendo um campeonato entre equipes, o campeão vai ganhar um troféu. Este troféu vai dar ao direito da equipe ganhar um automóvel qualquer! Imagine nós em um carro? Ou em um helicóptero? — Ela me entregou um panfleto, anunciando o "grande premio". Uma foto de um gigante troféu de ouro, com o numero quatro gravado perto de sua base. "Na quarta hora a solução destruiremos"

– Vamos logo! — Alaric vinha de encontro juntamente com o restante do grupo — Temos de tentar ganhar o premio e ainda precisamos de chips!

– Sim, Alaric — Eu disse olhando ao longe — Precisamos ganhar o premio para destruir ele — Alaric me encarou incrédulo.

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Depois de explicar a Alaric e a Layla sobre o quarto satélite, eles concordaram em entrar na competição. O restante do grupo não ficou sabendo que queríamos o premio para destruí-lo, achamos melhor não contar, apesar de eles saberem sobre a existência dos satélites. Depois de seguir a trajetória do panfleto, chegamos a uma gigantesca pirâmide. Com uma placa na sua frente escrito:

" Grandes perigos a pirâmide esconde, grandes perigos a pirâmide faz. Mas não se esqueça que um dos maiores perigos são vocês mesmo! O desejado premio esta no meio da pirâmide, o primeiro que conseguir tem de olhar para o alto e pedir o veiculo desejado. Pedido feito, desejo realizado! "

– Vamos entrar e que os jogos comecem! — Alaric foi na frente correndo para dentro da gigantesca pirâmide amarela, feita de areia. Dentro da pirâmide a estrutura estava caindo aos pedaços, literalmente, precisaríamos ser rápidos se não morreríamos. O lugar era abafado e estava me faltando o ar. Enquanto corríamos pelos extensos corredores de areia, algo cruzou o ar acima de mim. Uma flecha!

– Matem eles! — Uma garota com um macacão verde e um laço na cabeça nos encarava. Com um grupo, repleto de arqueiros. Somente deu tempo de encara-los, até dezenas de flechas passarem ao meu lado. As flechas corriam furiosas pelo ar e por pouco não me acertavam. Alaric virou rapidamente um corredor, enquanto a multidão de flechas avançava — Corram logo! — O líder do grupo cruzava vários corredores, sem saber para onde estava indo ou onde estava chegando. Finalmente despistamos o grupo de arqueiros e estávamos em um corredor longo, estreito e vazio. Alaric foi caminhando silenciosamente, fomos atrás em fila indiana. Até que Pan pisou em um lugar frouxo, uma caixa de vidro a cobriu e um gás começou inundar suas narinas.

Theo desesperado correu em sua direção, começou a bater nas paredes de vidro daquela minúscula caixa. Pan começou a se debater tentando escapar enquanto um gás a invadia, a garota tentava tapar seu nariz. Aos poucos ela sumiu atrás de um expeço gás verde, Theo se chocava contra a caixa com toda sua força. Nicolle arremessou sua lança e a caixa se quebrou, o gás começou a se dispersar. Pan nos encarou com os olhos esbugalhados, ela estava pálida e parecia não estar naquele lugar.

– Pai onde o senhor vai? — Ela encarava a frente do corredor e parecia estar conversando com o nada — Pai? Não esta me reconhecendo? Odair! Fale comigo! — Ela parecia estar brava, com o seja lá que fosse o que ela estivesse vendo. Então a garota saiu correndo, Theo saiu correndo atrás dela e todo o grupo também. A cada momento que eu corria, minhas narinas inalavam mais e mais daquele horrível gás. Pan continuava correndo com toda suas forças, até que Theo agarrou suas pernas. A garota caiu no chão e começou a gritar, lagrimas escorriam de seu rosto — Não! Pai não! Não atira! Não atira! — Seus gritos eram sofridos, sua face era de desespero e dava para perceber que aos poucos ela caia aos pedaços.

Sua cena aos poucos começou a sumir de minha visão, como se alguém varresse meus olhos. Aos poucos eu fui para em uma casa cheia de vasos de flor, parede vede descascada e uma mulher na cozinha me encarava. Ela tinha cabelos loiros cacheados, um batom vermelho na boca, usava um vestido vermelho. Aos poucos ela colocou uma corda no alto, envolveu seu pescoço e começou a se enforcar.

– Mãe? O que a senhora esta fazendo? — Ela estava pendurada e seu rosto não tinha expressão nenhuma, mas ela ainda estava respirando — Não se mate mãe! Não faça isso! — Com todo desespero do mundo corri em sua direção, atravessava a sala e outros cômodos. Minha mãe começou a roxear, seus últimos fôlegos de vida eram dados. A cozinha parecia estar a quilômetros, eu corria cada vez mais rápido. Eu não poderia deixar ela morrer, eu não poderia deixar ela morrer de novo. Estava a metros dela, eu finalmente conseguiria relar nela. Até que algo segurou minhas pernas, comecei a espernear. Minha mãe permanecia parada com aquela corda no pescoço, ela estava quase morta e eu não conseguia me mexer.

Lentamente observei ela abandonando a vida, sua respiração parar, seu coração para de bater. Eu assisti minha mãe morrer em minha frente, meu peito pesou e uma angustia de invadiu. Minha visão sobre ela começou a desaparecer, como se fosse uma brisa e eu estava parado na beira de um buraco com Layla agarrada em meus pés. Levantei lentamente e observei o gigantesco buraco parado em minha frente.

– O gás mexe com seu psicológico — Layla me soltava aos poucos — Ele faz você ver quem mais ama morrendo em sua frente, você estava correndo para salvar sua mãe e ao mesmo tempo se direcionando a um profundo buraco. Esse jogo as vezes me surpreende! — Ela deu um singelo riso, eu continuei pensativo.

Comecei a notar que algumas lembranças voltavam em minha mente. Lembrei novamente daquela mulher me encarando e chorando muito, aquela mulher que era minha mãe. Ela me encarou com lagrimas nos olhos, eu tinha uma faca na mão. Minha visão se embaçou um pouco e consegui ver ela deitada no chão, com uma faca cravada no peito. Aquela faca que eu estava segurando.... Minha mente pesou com a culpa, eu tinha matado minha mãe e desta vez não era só uma alucinação.

Notas finais
" Eu tinha matado minha mãe e desta vez não era só uma alucinação. " Aos poucos o passado de Voraz é esclarecido e grandes surpresas o aguardam. As vezes o futuro simplesmente gosta de pregar algumas peças. Ah! Antes que eu me esqueça criticas e comentários são sempre bem vindos.