Do or Die

14 Capítulo 14 - O Dia que Eu Descobri como Sair do Jogo!


Notas iniciais
Olá queridos leitores! Este capítulo pode ser pequeno, porém é muito importante. Ele veio pequeno por este motivo, vai ser muita informação em um lugar só. Peço para que leiam vagarosamente e com cuidado, prestem atenção em cada detalhe, a partir deste capitulo começaremos uma nova parte da fic. Tenham uma boa leitura :)

Lembranças! Uma das piores coisas desse jogo não é o sofrimento contínuo e nem as mortes. Claro que ambos ajudam cada vez mais a te fazer perder a vontade de viver neste pandemônio, mas tem uma coisa que deixam todos intrigados. Quem eu sou? De onde vim? O que eu estou fazendo aqui? Toda vez que eu torço e vasculho todo meu conturbado cérebro só encontro uma coisa, uma mulher chorando. As lagrimas escorriam de seu rosto e partiam em direção ao chão, a mulher tinha uma feição de tristeza estrema. Só de lembrar disso, meu peito se aperta, minha respiração fica pesada e uma angustia me invade. Não sei quem é aquela mulher, porém tenho a impressão que ela era muito importante para mim.


Até agora eu não dormi uma única vez, acho que os contínuos desmaios da passagem de uma fase a outra já suprem a necessidade de meu corpo. Fazia tempo que eu não bebia nada e nem comia nada, por isso meu corpo fraquejava cada vez mais. A garota nova que eu conheci no avião, Maysa, me arrumou algumas maçãs e um pouco de agua. Não é o suficiente para acabar com a fome, mas sim para sobreviver. Acho que este lugar se resume em um único ato... Sobreviver! Sinceramente, acho que isso não é viver e nem o pior dos humanos deveria passar por isso. Não sei quem criou isso ou o motivo por ter criado , mas espero que ele esteja me vendo agora e tenha o mínimo de piedade possível. Antes que eu comece a te contar a história de mais uma fase quero saber algumas coisas. Qual é o sabor de um sorriso? Como é dar uma risada? Como é ser feliz?


– Voraz? — Eu abri os olhos vagarosamente e percebi que estava novamente em um lugar escuro feito a noite, aquela antiga voz falava em minha cabeça. Eu continuava quieto, pois não sabia o que era aquilo. Acho que era só minha mente começando a pirar — Voraz? — Eu permanecia quieto — Eu sei que você esta ai!


– Então porque me chama? — Nem se eu quisesse soar bravo por respostas não conseguiria, eu estava muito triste naquele momento.


– Não fique assim Voraz, por favor. Você ainda esta vivo e Theo também! Olha que coisa ótima! — A voz tentava soar animadora, mas não surtia nenhum efeito sobre mim.


– Viver para que? Para sofrer mais? Eu sobrevivo uma fase e logo em seguida já vem outro, por acaso tem um final de jogo? Maysa esta aqui faz meses e ainda não chegou, se for para viver minha vida toda fugindo de um mundo que tenta me matar toda hora. Pode me matar agora, que eu não ligo — Não tentei soar dramático, eu só estava sendo sincero.


– Pare com isso! — A voz soava brava — Você esta vivo, isto já é uma ótima coisa! Poucos dentro do jogo tem a mesma sorte que você, poucos tem sorte de achar uma equipe e conseguir sobreviver tantas fases!


– Ter a minha sorte? Que sorte? Eu não sei quem você é ou o que é, mas falar é fácil. Queria te ver no meu lugar. Aposto que não estaria tão animado assim.


– Você quer respostas? É isso? — Agora a voz estava mais mansa e parece que finalmente eu conseguiria tirar um pouco desta duvida que me mata diariamente.


–Quero! Esta tudo muito confuso e eu preciso de respostas. Não estou entendendo nada! — Esta era a verdade, estava tudo sem sentido. Afinal o que era aquilo que eu estava dentro?


– Porque você não é igual os outros? Que você fala "sobreviva" e eles entendem? — Minha vontade era soltar um sujo e pesado palavrão, mas agora que conseguiria finalmente o que queria tentei soar manso.


– Vamos começar com as perguntas — neste momento mil coisas flutuavam em minha mente, estava na hora de esclarecer o segredo por trás desse jogo de uma vez por toda — Quem é você? Você fala com outros também?


– Nosso tempo é curto, eu posso ser descoberto a qualquer hora. Tentarei ser o mais breve possível. Eu trabalho para os criadores do projeto "D.O.D", o famoso "Do or Die". Nós temos acessos a mentes dos participantes e é extremamente proibido alguém do mundo exterior falar com os jogadores. É a regra numero um! Por isso, eu falo somente com você e ninguém pode saber sobre nossas conversas. Esta entendendo? Ninguém! Nem mesmo Theo! — Pelo visto a voz em minha mente era bem mais que um simples começo de surto.


– Se você trabalha para eles, não era para estar tentando me matar ao invés de me ajudar? — A ultima coisa que eu queria era um dos responsáveis por esse inferno se infiltrando em minha cabeça.


– Praticamente todos do "D.O.D" são assim, mas eu não. A maioria que esta aqui passa dias pensando em fases malucas e como levar vocês ao extremo — O simples fato de pensar em pessoas gastando horas e horas só para bolar um jeito de nos torturar me deixa espantado — Eu estou aqui para te ajudar a sobreviver e escapar — Uma pequena faísca de esperança brotou em meu peito neste momento.


– Porque você esta me ajudando e não ajudando os outros? Existem centenas de jogadores aqui — Um curto se instalou, a voz estava pensando sobre o que falar.


– Eu sei de poucas coisas, investigo cada vez mais a cada dia. Pelo que consegui ver aqui você não é só mais um jogador, você é uma peça importante e sua vida esta ligada a Theo. Não deixe Theo morrer, se ele morre você morre também! — Então o extinto de salvar Theo não era uma simples questão de amizade e sim de vida ou morte. Confesso que não gostei muito disso- Você é um grande fator para esse jogo. Até onde vi uma garota branca, de cabelos castanhos e com olhos de uma cor hipnotizante, é a chave para a saída do jogo — Layla! Esse nome ressoou em minha mente, parece que a garota dos olhos cor de âmbar também esta envolvida nisso — Vocês não se cruzaram por acaso, vocês são os únicos que podem destruir o jogo de uma vez por todas — Destruir o jogo... Eu era o fator que poderia destruir o jogo. Isto era incrível! O que eu mais queria neste momento era destruir o jogo e voltar para, seja lá qual fosse, minha antiga vida.


– Como eu posso destruir o jogo? — O que deveria ter sido minha primeira pergunta, só surgiu agora.


– Quase ninguém sabe disso. A única coisa que sei é que os criadores monitoram tudo por satélites, se destruí-los ninguém do mundo exterior saberá o que ocorre ai dentro. Eu não sei ao certo onde estão estes satélites ou como eles... — bruscamente a voz parou e um silencio reinou. Ouvi um rangido de porta e passos pesados.


– Rafael? O que faz aqui? — Uma voz diferente falava em minha mente, uma voz que parecia pertencer a um homem de idade — Você esta falando com um participante? — A voz gritou com um tom desesperador. Em seguida comecei a ouvir passos.


– Calma senhor David! Não é o que você esta pensando — Aquela antiga voz continuava falando, com um desespero nítido — Eu não estou falando com ninguém! — Em seguida minha mente entrou em colapso, uma dor de cabeça consumidora e que eu nunca tinha sentido em minha vida começou a me dominar. Meus pensamentos ficaram sufocados, parecia que alguém espremia meu cérebro. Comecei a gritar e a dor já era tão intensa que eu não conseguia mais sentir meu próprio corpo, mas mesmo assim conseguia ouvir poucas coisas.


– Eu disse para Donald não te contratar! — Era a voz do senhor furioso e minha mente parecia que iria explodir.


– Voraz, eu não sei se vou sair vivo dessa. Talvez nunca mais vamos nos falar, muito cuidado com o traidor — A antiga voz falava com muito esforço — Destrua esse desumano jogo! Sobreviva! — A voz foi abafada e a dor aumentou tanto que eu não aguentava mais. Minha mente parecia que iria se quebrar, comecei a me contorcer no chão. A dor aumentava muito em uma velocidade devastadora, até que soltei um ultimo gemido e acordei em um chão de areia.


Minha memória começou a desaparecer instantaneamente, parecia que alguém com uma borracha apagava toda minha conversa com aquela estranha voz. Rapidamente comecei a escrever as palavras que eu lembrava soltas em minha mente na areia. Passando os dedos naquela seca areia e traçando cada letra, enquanto minhas lembranças caiam no eterno vácuo. "Traidor". "Satélites". Minha memoria desaparecia da minha mente como agua escorrendo de um pote, tudo se tornava gigantescas lacunas. "Rafael". "Donald". "David"."Chave"."Sobreviver". Neste instante minha mente se esvaziou e a única coisa que me restavam eram estas sete palavras.


Layla estava deitada ao meu lado e ao ler aquilo, seu olhar ficou distante, ela ficou pálida, sua mão começou a tremer, ela começou a suar inteira e seus pelos todos se arrepiaram. Então ela vagarosamente deixou algumas palavras soltas no ar:


– Eu sei como sair do jogo!

Notas finais
Parece que finalmente os jogadores conseguirão sair do jogo e encontrar os responsáveis por tudo aquilo pessoalmente. Porém o caminho até lá não será nem um pouco fácil. Lembrando que criticas e elogios nos comentários são sempre bem vindos. Obrigado também aos que favoritaram XD