Do never let me go

2 Capitulo 2 - I thought we were meant to be


Notas iniciais
Apenas lembrando: A parte 1 vai do inicio do capitulo até o primeiro P.O.V. A parte dois vai do inicio do primeiro P.O.V até os três traços: - - - [Sendo que a segunda parte não é uma continuação da primeira] A parte três vai dos três traços até o final do capitulo. [As partes 1 e 3 são continuação uma da outra]

2- I thought we were meant to be

Era uma sensação estranha. Eu ficava apenas vagando. Não tinha nada corpóreo, era como se minha alma tivesse saído para dar um passeio e tivesse esquecido meu corpo em um canto. Eu estava em um plano diferente. Podia ver e ouvir tudo, mas ninguém percebia minha presença. Parecia quando estava usando a capa de invisibilidade, mas com a vantagem de que ninguém nunca me descobriria escondido ali. Hu! Vantagem.

Vi os anos passarem. Vi a morte. Vi o sofrimento. A vi chorar.

E não pude fazer nada.

–

You came back to find I was gone/ Você voltou e descobriu que eu tinha ido embora

And that place is empty/ E aquele lugar está vazio

Like the hole that was left in me/ Como o buraco que resta em mim

Like we were nothing at all/ Como se não fossemos nada

It’s not what you meant to me/ Não é o que você pretendia para mim

Thought we were meant to be/ Pensei que estivéssemos destinados

–

Aparatei para aquela casa. A casa que, no momento, eu dividia com Harry. Não tive nem tempo de me limpar, ou de secar as lagrimas, antes de sentir sua presença.

– Sabe, mesmo sem ter visto seu estado, as cinzas em sua roupa e tudo mais, eu sabia que havia sido você.

– Eu? Eu o que? – tentei me fazer de desentendida. Não adiantou. Muito provavelmente Harry me conhecia melhor que eu mesma.

– Não negue. Eu sei que foi você quem botou fogo naquele apartamento... O que aconteceu com você? De dois dias para cá você não tem sido... você.

Voltei a chorar. Ver a preocupação em seus olhos me fez quebrar mais uma vez. Harry me abraçou apertado, consolando-me silenciosamente. Quando enfim consegui me recuperar, olhei para ele, sem ainda sair de seu abraço.

– Desculpe por te preocupar. Eu só... eu ainda não estou pronta para contar o que aconteceu. Você entende, não é?

– Claro que sim. – ele beija minha testa – Apenas me prometa que você vai ficar bem, e que vai me procurar se precisar de qualquer coisa.

– Eu prometo. – Respondo imediatamente. – Eu te amo Harry. Você sabe disso, não sabe? Você é meu irmão.

– Sim. Eu também te amo.

Oh, there isn’t one thing left you could say/ Oh, não resta nada que você possa dizer

I’m sorry it’s too late/ Sinto muito, é tarde demais

–

–

–

P.O.V. Hermione Granger

– Sirius! Que bom que você ainda está aqui. Eu sei que você já esta passando por muito hoje, com todas essas informações, mas eu preciso te pedir mais um pequeno favor. – Dumbledore disse. – Vamos nos sentar, sim? Senhorita Granger, aceita beber algo? Uma cerveja amanteigada?

– Não senhor, obrigada.

– Certo, certo... Ah! Que falta de educação a minha! Sirius, esta é Hermione Granger. Senhorita Granger, como você já deve ter percebido, esse é Sirius Black. – acenei para Sirius tentando esboçar um sorriso, mas não obtive muito sucesso. Para minha completa surpresa, Sirius aproximou-se, puxou minha mão delicadamente e depositou um casto beijo em meu pulso.

– É um prazer conhecer tão bela senhora. – Ele disse e eu não pude deixar de sorrir, agora verdadeiramente, com seu galanteio. Black voltou a sentar e disse – Então, professor Dumbledore. Qual é o favor que o senhor precisa me pedir?

– Sim, sim... Veja Sirius, mais uma vez terei que pedir seu sigilo sobre o assunto. Posso ter certeza que você manterá mais esse segredo?

– Claro professor. Quer dizer, não pode ser pior que o último segredo que o senhor me contou, pode?

Bufei. A personalidade de Sirius permaneceria a mesma, não importa quantos anos se passem.

– A senhorita Granger é do futuro. – Dumbledore despejou a bomba de uma vez, deixando Sirius boquiaberto.

– Do... futuro?

– Sim... Na verdade, pelo ano que estamos eu já nasci. Nesse momento eu devo ser um bebe de alguns meses, que mora com seus pais trouxas, sem saber nada sobre magia.

– Ok... Mas porque você está aqui? No passado, quero dizer... Isso é estranho – completou com uma careta.

– É exatamente aqui que você entra – explicou Albus – A senhorita Granger veio para cá a fim de tentar mudar o futuro no qual ela vive. Infelizmente isso não é possível.

– Calma aí! – interrompeu Sirius – Se ela veio para mudar o futuro, é porque as coisas não estão boas. Ela tem a tatuagem da fênix, isso significa que a Ordem ainda existe, e consequentemente Voldemort. E nós não podemos usa-la para mudar, consertar ou sei lá o que, o futuro?

– Eu realmente queria ajudar – expliquei voltando a me sentir culpada. – Voldemort já morreu na minha época, mas as coisas não estão exatamente melhores por isso. Eu sei como mata-lo. Eu vim aqui para fazer isso. Eu posso mata-lo. Mas eu não consigo.

– Como não!? – ele exclamou exaltado. – Ok. Se você não consegue mata-lo, diga-me o que eu tenho que fazer.

Enterrei minha cabeça em minhas mãos e respirei fundo. Era tão frustrante! — Oh! Você não entende Sirius! Não é que eu não queira, eu não consigo dizer que para mata-lo alguém precisa primeiro destr... – mais uma vez naquele dia me engasguei, deixei de respirar por alguns segundos, assim como havia acontecido quando tentava contar o futuro a Albus.

– Veja Sirius, a senhorita Granger passou mais de uma hora tentando de todos os modos contar-me qualquer fato importante sobre o futuro, de diversas formas, mas nenhuma obteve resultado. O futuro não pode ser mudado. Cada vez que ela tentava dizer algo, ela engasgava e parava de respirar por uns segundos. Quando Hermione tentou escrever ou desenhar o que acontecerá, as linhas simplesmente caiam do papel. Ela até tentou aparatar para algum lugar para buscar um objeto, mas não conseguiu sair do lugar.

– Então... – começou Sirius, mas eu o interrompi.

– Então nada. Não há nada que eu possa fazer. Eu não posso salvar nenhuma das pessoas que eu sei que vão morrer, ou ter um destino pior que esse. Eu não posso matar Voldemort, ou dizer o que vocês precisam fazer para enfraquecê-lo. Eu não posso poupar Harry do seu destino!

– Harry... Potter? Meu afilhado? O filho de James?

– Sim. Harry é meu melhor amigo. Meu irmão. Eu apenas estou aqui por causa dele.

– O que vai acontecer com ele? Por favor! Diga-me que meu afilhado está vivo! – implorou Sirius ainda mais nervoso.

– Desculpe Sirius – disse ainda mais desapontada comigo mesma por estar fazendo-o sofrer. – Eu não consigo dizer. Harry está vivo. Não posso falar mais do que isso.

– Se ele está vivo, – ele sorriu visivelmente mais calmo – tudo bem. Nós daremos um jeito no resto.

Sorri com seu otimismo. Queria eu que as coisas se resolvessem assim.

– Agora que esclarecido esse ponto, – disse Dumbledore fazendo com que apenas agora eu me lembrasse da sua presença – vamos ao favor que preciso te pedir Sirius. Veja: quando a senhorita Granger veio para esse tempo, seu vira-tempo quebrou. Precisarei de uns dias para conseguir um novo para que assim ela possa voltar para casa. Eu gostaria de saber se você pode hospeda-la em seu apartamento até que eu resolva esse pequeno problema.

Sirius me encarou, e um sorriso torto à Maroto brotou em seu rosto.

– Será uma honra.

– Ótimo! Aconselho que vocês partam agora. Já está tarde. Vou ver-lhes em breve. Aproveite sua estadia senhorita Granger... E Sirius, Hermione tem conhecimento sobre a profecia. Apesar de ela não poder falar quase nada, talvez te faça bem desabafar. – e antes que eu percebesse, Dumbledore havia sumido.

– Ele está certo. Venha! – chamou Sirius indo em direção à porta – Vamos ter que andar até o ponto de aparatação. Você deve saber, mas nesses tempos, é sempre bom manter a vigilância constante.

P.O.V. Sirius Black

Aparatei com Hermione até uma rua próxima ao meu apartamento no Beco Diagonal. Levei-a escadas acima, até o terceiro andar, e destranquei a porta.

– Não é muito grande, mas da para viver – disse fazendo um gesto para que ela entrasse. – Venha. Vou leva-la até o quarto de hospedes.

Fomos ao único outro quarto, que era em frente ao meu. Ao entrarmos, fiz um pequeno feitiço para que as luzes se acendessem, e outro para trocar a roupa de cama.

– Fique a vontade. Se quiser tomar banho, têm toalhas na quarta gaveta – apontei para o armário encostado em uma das paredes – eu vou estar na sala.

– Sirius – já estava a ponto de sair do quarto quando ela me chamou – Obrigada! – sorri simplesmente e continuei meu caminho.

Parei em frente a uma janela na sala, e apoiei a testa no vidro gelado. Vendo a lua cheia, pensei mais uma vez que queria poder estar com Remus, mas ele estava em uma missão para a Ordem, e ninguém o via há quase um mês.

Respirei fundo tentando encaixar tudo o que tinha ouvido hoje em minha mente. Não fazia sentido. Se Voldemort estava morto, como as coisas podiam estar ruins o suficiente para que Hermione arriscasse vir para o passado para mudar o futuro? Algo me fazia ficar preocupado com Harry. Para mim, ele é como um filho, e eu tinha a impressão que a profecia se cumpriria, e que meu afilhado iria sofrer.

Fechei os olhos tentando clarear minha mente. A guerra havia nos pego de surpresa. Sim, sabíamos da existência de Voldemort há alguns anos, sabíamos que ele estava recrutando seguidores, mas nunca imaginamos que estaríamos no meio disso. Nós, Marotos e Lily, mal nos formamos em Hogwarts e já havíamos sido jogados para toda aquela bagunça.

– Pensei que vocês ficassem com Remus durante a lua cheia, mesmo depois de Hogwarts. – a voz doce me assustou momentaneamente, fazendo com que eu abrisse os olhos e virasse em sua direção.

Hermione estava vestindo uma calça de moletom e uma camiseta larga. Seu rosto parecia ainda mais marcado por lagrimas e tristeza, se é que isso era possível.

– Você sabe sobre Remus?

– Sim, desde o meu terceiro ano. Ele foi meu professor.

– Qual é o limite? Quero dizer, até que ponto você pode falar sobre o futuro? – perguntei curioso por aquela garota conhecer o segredo do meu amigo.

– Eu não consigo controlar. Se for algo que eu não possa dizer, eu apenas não consigo falar. – ela parecia terrivelmente desapontada.

– Você poderia me contar algumas coisas?

Observei ela me encarar por um longo tempo. Já estava a ponto de desistir quando ela sorriu e acenou. – Claro!

– Sente-se. Gostaria de um chocolate quente? Está uma noite fria. – quando ela concordou fiz com que duas xícaras fumegantes aparecessem na mesa da sala. Acomodamos-nos, cada um em um sofá, e deixei que ela bebesse um gole da bebida antes de perguntar – Nós nos conhecemos no futuro?

– Sim – ela pareceu imersa em lembranças por um tempo – Nos conhecemos no final do meu terceiro ano. Eu, Harry e Ron, um amigo nosso, descobrimos que você estava es... – ela travou, e eu soube que nosso primeiro encontro envolvia algo definitivo para a sequência de acontecimentos do futuro – Desculpa – ela pediu com a cabeça baixa.

– Esqueça. De todo modo, não é sua culpa. – pensei em algo que pudesse anima-la – Então, me diga senhorita Granger, quantos anos você tem?

P.O.V. Hermione Granger

Eu ri. De verdade. Eu estava gargalhando. – Não importa o que aconteça, você nunca vai mudar, não é Sirius? – Ri mais um pouco. – 18. Eu tenho 18 anos.

Continuamos a conversar por muito tempo. Era bom poder falar com Sirius novamente, ele conseguia me fazer sorrir, e, de certa forma, fazia meu coração voltar a bater freneticamente, aos poucos despertando a paixão que senti por ele anos atrás, e que pensei ter superado.

P.O.V. Sirius Black

Era quase três horas da manha quando Hermione disse que ia deitar. Infelizmente não pude acompanha-la. Apesar de estar deitado em minha cama, não havia meios para eu dormir.

No começo minha mente era invadida pela profecia e por pensamentos sobre Harry e James. Eu não podia permitir que nada acontecesse a eles, e se Dumbledore confiou em mim à profecia, eu daria um jeito para protegê-los. Com esse pensamento, minha mente se voltou para um ponto da conversa que tive com Hermione. No pouco que ela conseguiu me falar, pude entender que a profecia havia se realizado, de alguma forma ligando a vida de Harry a Voldemort.

Por sua vez, essa lembrança me levou a pensar em Hermione. Eu podia ver claramente o amor que ela sentia pelo meu afilhado. O mesmo amor que eu sentia por James, e eu me sentia orgulhoso por saber que o pequeno Harry encontrará alguém assim. Mas eu também via algo mais ao olhar para ela. Algo que eu não sabia reconhecer.

Já em um estado de letargia, pouco antes de ser levado por Orfeu, pude ouvir ao longe a voz de meu pai durante uma das muitas aulas que ele deu a mim e a Régulus antes de entrarmos em Hogwarts. Ele tentava nos explicar algo sobre as almas, e como não havia feitiço ou ritual que pudesse separar as verdadeiras... Mas como sempre eu parei de prestar atenção, afinal, que importância poderia ter uma alma para mim?

P.O.V. Hermione Granger

Já havia se passado dois dias desde que cheguei há essa época. Durante esse tempo fiz praticamente duas coisas: conversar com Sirius, e arrumar desculpas para não conhecer James e Lily Potter.

Não que eu não estivesse morrendo de vontade de conhecer os pais de Harry, mas eu tinha medo de minha reação. Afinal, se já era difícil não conseguir falar nada para Sirius, como seria com os Potter? E ainda mais sendo que eu conheceria o bebe Harry.

Agora não importava mais. Eu não tinha mais desculpas para inventar, então estávamos indo jantar com os Potter. Não que eles soubessem que teriam visitas para o jantar, mas segundo Sirius, eles já estavam acostumados a que ele aparecesse sem avisar.

Estava esperando Sirius terminar de se arrumar a mais de 15 minutos quando ele apareceu. E depois dizem que as mulheres que são demoradas!

– Você está muito bonita – disse Sirius oferecendo o braço para eu segurar enquanto aparatávamos.

– Obrigada – sussurrei extremamente corada, alisando meu casaco (http://www.polyvore.com/sette/set?id=105024678).

Aparatamos perto de uma praça em Godric’s Hollow, e seguimos a rua em direção a casa que eu lembrava ser dos Potter. Era uma casa linda, e, ao contrario da minha lembrança, estava inteira. Parei de andar antes que Sirius pudesse passar pelas barreiras de proteção que envolviam a casa.

– Eu não posso fazer isso Sirius. Eu não posso entrar nessa casa. Não posso conhecer James e Lily, e ver Harry. – ele se aproximou de mim e secou uma lágrima que eu nem havia percebido em meu rosto – Eu nunca vou me desculpar se eu conhecê-los, sabendo que em um mês eles vão estar mor... – e mais uma vez fui impedida de continuar a falar.

– Ei! Calma Kitty! – ele me abraçou apertado e depois se afastou o suficiente para olhar em meus olhos. – Eu entendo que é difícil para você estar aqui e não poder mudar nada. Você é muito forte por ainda estar bem, eu provavelmente já teria quebrado se estivesse no seu lugar, mas não pense nas coisas ruins que vão acontecer. Pense que quando você voltar para o seu tempo, nós vamos rir lembrando esse dia, e que você vai ter muita coisa a contar para o meu afilhado. Imagine, você chega e diz “Então Harry, sabia que eu conheci você quando você ainda era um bebe?”.

Ri imaginando exatamente a cara de Harry se eu dissesse isso. – Você está certo.

– E não estou sempre? Venha!

Mais uma vez me deixei ser puxada por Sirius para dentro da casa. Ele entrou sem ao menos bater, e me guiou para a sala de jantar, gritando – Espero que vocês ainda não tenham jantado, e que tenha comida o suficiente para mais dois!

Naquele momento, Harry saiu sorrindo por uma porta um pouco a nossa frente. Mas é claro que aquele não era Harry.

– Cachorro! Estava demorando a você aparecer! – Ele deu um meio abraço em Sirius, e seus olhos castanhos pararam em mim – Não acredito! E ainda veio acompanhado! Prazer senhorita, sou James Potter.

– Hermione Granger – respondi aceitando sua mão e recebendo um pequeno beijo no rosto.

Finalmente chegamos à sala onde uma mulher de cabelos ruivos segurava um bebe. – Hermione, estes são Lily e Harry. – disse James. Antes que eu pudesse dizer algo, Sirius já havia pegado Harry dos braços de Lily, e o trazia em minha direção.

– Veja Kitty, não é o bebe mais lindo que você já viu na vida? Só podia ser meu afilhado, não? – disse Sirius sorrindo marotamente – Ele é como você imaginava?

– Desde pequeno... a copia perfeita do pai, mas os olhos da mãe – sussurrei quando o pequeno Harry abriu os olhinhos e sorriu para mim.

P.O.V. Sirius Black

Devolvi Harry para Lily, e sentei ao lado de James na mesa enquanto conversávamos, mas sem deixar de manter um pouco de atenção em Hermione que conversava com Lily.

Comemos tranquilamente, e depois James subiu colocar Harry para dormir. Quando ele voltou, nos acomodamos na sala, em frente à lareira. Apesar de ainda ser outubro, já estava um tanto frio, o que Dumbledore dizia ser consequência do poder de Voldemort.

James e Lily estavam em um sofá e eu e Hermione em outro, mais ou menos de frente para eles.

– Quanto tempo Sirius? – Perguntou Jay, e instantaneamente eu sabia do que ele estava falando.

– Não. Hermione é apenas uma amiga.

– Amiga? Sei! Vou fingir que acredito. – disse ele lançando um olhar para meu braço que, automática e imperceptivelmente estava descansando nos ombros de Hermione e a mantendo perto de mim.

– Podemos saber do que os dois estão falando? Eu ouvi meu nome.

– Nada não Kitty. Não se preocupe.

–Bem... – começou Lily quebrando o silêncio um pouco incomodo que havia se formado – como vocês se conhecem? Você parece ter mais ou menos a nossa idade, Hermione, mas eu não me lembro de vê-la em Hogwarts.

– Hermione faz parte da Ordem. Conhecemos-nos da última vez que eu fui até a sede.

– Sirius! – ela exclamou indignada, olhando para mim.

– Não é verdade? – disse puxando-a de volta a meu peito – Dumbledore não disse que devíamos manter essa parte em segredo.

De algum modo Hermione conseguiu mudar de assunto, e passamos um longo tempo conversando sem que ela voltasse alguma vez a ser o foco. Em nenhum momento ela pareceu desconfortável, como quando é impedida de dizer algo sobre o futuro.

Apenas quando um feitiço foi acionado, mostrando que era hora de alimentar o Potter mais novo, foi que nos despedimos – depois de Hermione prometer voltar para visitar – e voltamos para casa.

– Não foi tão ruim, foi? – perguntei assim que entramos.

– Não. Ao contrário, foi divertido. Harry vai ser uma mistura perfeita dos dois em relação à personalidade.

Embora eu não me importasse nenhum pouco de continuar conversando com Hermione por um bom tempo, estávamos ambos cansados, então fomos dormir.

Acordei com gritos, que em segundos reconheci como sendo de Hermione. Peguei a varinha e corri para o quarto dela, apenas para encontra-la se contorcendo na cama. Ela suava e gritava, como se sua vida dependesse disso.

– AAAAHHH! Não! Por... Favor, pare! Achamos... achamos... Por favor! Não... nós não... nunca estivemos no Gringotes! Por favor! É uma... uma cópia...

– Shiu... Calma Kitty – demorei um pouco até conseguir acorda-la. Ela estava ofegante e assustada. Abracei-a tentando conforta-la – Calma. Calma. Já passou. Foi apenas um sonho ruim... shi...

– Sirius? É você? – ela perguntou ainda soluçando. Hermione ficou ainda mais pálida e eu podia ver confusão em seus olhos – Não. Não pode ser. Você está morto! Eu vi. Eu vi você caindo no véu! Todos nós vimos Bellatrix te matar.

– Eu estou aqui. Estou vivo, você não pode sentir? – perguntei prendendo-a mais forte contra meu corpo e beijando sua cabeça. De algum modo, talvez por causa do pesadelo ter confundido sua mente, ela não sabia que tinha voltado no tempo, e ela pode me dizer algo sobre o futuro. E esse algo era minha morte.

Sem saber o que pensar, apenas embalei-a, até que ela estivesse mais calma.

– Foi apenas um pesadelo – ela sussurrou para si mesma, esfregando um dos braços, onde percebi haver uma cicatriz. Puxando o braço de forma que pudesse ver exatamente o que tinha ali, percebi que a cicatriz formava palavras: sangue ruim. Fui imediatamente inundado pela raiva e por um enorme desejo de vingança por quem quer que tenha feito isso com ela. – Merlin! Eu voltei no tempo!

– Sim – respondi apesar de não ser exatamente uma pergunta.

Ela se afastou de mim, sentando-se em cima de suas pernas. – Mas eu não conseguia falar nada sobre o futuro... como eu pude dizer que você morre... Oh! Sirius! Desculpe-me! Eu não devia... como eu pude fazer isso? Desculpa, desculpa, desculpa...

– Calma Kitty, não é sua culpa... você não sabia o que estava dizendo.

– Mas isso não me impede de ter dito... como eu pude fa...

De alguma forma, saber que eu vou ser morto não estava me afetando tanto quanto o fato de que Hermione estava se sentindo culpada por ter deixado isso escapar. Sem saber o que ela estava falando, e sem me importar com as consequências, beijei-a.

E o beijo que era para ser calmo e consolador transformaram-se em algo cheio de desejo. Desejo e muitos outros sentimentos. E tudo o que importava para mim era que suas mãos não se afastassem de meu corpo, e que seus lábios e sua língua não perdessem o contato com os meus.

P.O.V. Hermione Granger

Não havia como ou porque negar. Eu nunca havia provado um beijo como aquele, e com certeza não queria que acabasse.

O pesadelo com Bellatrix me torturando ou ter dito a Sirius que ele morrerá não eram pensamentos presentes em meu cérebro. Tudo o que eu podia assimilar era sua boca, que no momento torturava meu pescoço com beijos e mordidas.

Ficamos nesse clima de caricias e gemidos por um tempo que é desconhecido por mim. Não trocamos nenhuma palavra depois, apenas um olhar profundo, que dizia exatamente o que precisávamos saber. E então pudemos finalmente dormir. Nossos corpos em um emaranhado de braços e pernas, e nossos corações batendo no mesmo ritmo.

–

–

–


Na manha seguinte, a capa do Profeta Diário e do O Pasquim, que chegaram por coruja como todo o dia, estampavam uma foto do apartamento em chamas. Mais uma foto. Mais uma lembrança.

– Bom dia! – Harry disse beijando minha cabeça e sentando-se ao meu lado para tomar o café da manha preparado por Monstro – Alguma coisa interessante no jornal?

Entreguei as folhas a ele. No segundo seguinte seus olhos me perseguiam cheios de perguntas.

– Harry, às vezes você não gostaria de voltar no tempo, mudar as coisas erradas feitas no passado?

– Sim. Eu gostaria muito de poder fazer isso, mas nós dois sabemos que não tem como mudar o passado.

– Nós salvamos Sirius no terceiro ano.

– Aquilo foi diferente, e você sabe muito bem disso. Nós temos que deixar o passado para trás. Sim, ele pode doer, mas é o passado, e nós vivemos no agora... Você vai ver. No final, tudo vai dar certo.

I’m breaking free from these memories/ Estou me libertando dessas memórias

Gotta let it go, just let it go/ Preciso deixar ir, apenas deixar ir

I’ve said goodbye, set it all on fire/ Eu disse adeus, incendiei tudo

Gotta let it go, just let it go/ Preciso deixar ir, apenas deixar ir