Do fundo da minha mente perturbada.. Eu nunca...
1 Capítulo único
Notas iniciais
Do fundo da minha mente perturbada... Eu nunca(...)
Minha visão estava turva. As luzes fortes do lugar machucavam minhas retinas. Tudo parecia girar e o ambiente parecia ter ficado insuportavelmente quente, algo claramente proposital para me garantir maior dose de agonia.
Haviam ruídos animalescos a minha volta... Gritos altos, risadinhas ensurdecedoras, vozes graves e agudas, todas ao mesmo tempo. Fechava os olhos na tentativa de ignorá-los e minhas mãos faziam pressão contra meus ouvidos, contudo, o barulho infernal de mil cães latindo invadia minha cabeça com tamanha brutalidade que causava panes e meu cérebro.
O estrépito ruído martelaria minha cabeça para sempre, sem dúvidas, mas ainda não era o suficiente para me desacordar, infelizmente para mim, a brincadeira nem havia começado.
Presa na cadeira dura e desconfortável meus ossos latejavam pela postura forçada. Meu pescoço e dedos estalavam freneticamente, meu corpo estava rígido. Minha pele transpirava um suor frio que me causava calafrios e eu sentia um forte ímpeto de gritar e espernear, mas nem minha voz se manifestava e nem meu corpo respondia.
Seguia todo o tempo castigando meu lábio inferior com pequenas mordidas, e este, estando tão ressecado já se encontrava em carne viva.
Em meio a tudo isso, um odor insuportavelmente doce penetrou minhas narinas e fez meus olhos se revirarem ao mesmo tempo em que fui acometida por uma terrível ânsia de vômito. “Mas que... merda!” Pensei, fazendo de tudo para respirar o menos possível. Aquilo tudo resumia-se em apenas mais uma das piadas de mal gosto do capeta, e eu era o fantoche da vez.
Vi a criatura dona do cheiro asqueroso adentrar o cômodo com seus instrumentos em baixo do braço e um sorriso perverso. Fez-se um tumulto ao meu redor, senti cada fibra do meu corpo se contorcer como se alguém tivesse apertado o botãozinho da dor. Foi ela... Eu sei que foi ela...
Um filete de sangue desceu solitário pelo meu queixo, a simples presença daquela criatura me levou a tal ponto de insanidade, eu estava comendo minha própria boca. A coisa prosseguia grunhindo sílabas sem sentido. Minha língua apressou-se em serpentear o local ensanguentado para limpá-lo antes que fosse percebido.
“Sabe lá deus se essa coisa é atraída por sangue...” Pensei contraindo meus lábios castigados em um quase sorriso e em meio ao gesto não percebi que tudo agora estava em silêncio. A besta me encarava atônita... “Ai senhor... talvez seja.”
Gritou alto, fazendo gestos com a cabeça em minha direção. Senti uma pressão assustadora em minha cabeça e olhares cortantes voltados para mim. A coisa se aproximava a passos lentos, grunhindo sons agudos, abrindo cada vez mais a boca cheia de dentes protuberantes.
Apoiou-se em meu ombro esquerdo e soltou um gemido estridente que me gelou até a alma. Eu morreria ali, agora. Não sobraria nada, nem um fio de cabelo. Eu tentei encarar seus olhos mas apenas conseguia ver o fundo de sua garganta. Ela iria me comer???
O cheiro doce estava mais fortes, meus olhos lacrimejavam, talvez pelo ar denso ou eu realmente estava chorando. A criatura se inclinava em minha direção e minha cabeça já estava completamente dentro de sua boca. Seus dentes afiados rodeavam meu pescoço sem toca-lo, caso fechasse bruscamente sua mandíbula poderia me decapitar facilmente.
Eu arranhava o acento de minha cadeira até que minhas unhas estalaram. Minha boca sangrava copiosamente, minha cabeça latejava, mas nenhuma dor era capaz de me distrair da visão horrenda.
A criatura finalmente fez menção de fechar a mandíbula e quando seus dentes tocaram a pele do meu pescoço...
WWWWIIIIIIIIIIIIIOOOOOOOOOOOOOUUUUUUU...................
Era uma sirene.... Sirene? Ah... Todos estavam saindo apressadamente... Acabou. Peguei minhas coisas e me dirigi a saída com calma.
Podem dizer o que for...
Do fundo da minha mente perturbada... Eu nunca gostei das aulas de matemática...
Notas finais
Obrigada pela leitura.
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