Notas iniciais
Espero que gostem.

-Qual é, mãe! Porque eu não posso ir na festa de 15 da Júlia? Não é nada demais!

Eu não entendia minha mãe. Por que todas as minhas amigas podiam ir a festas normais, serem livres e eu ficar em casa, presa, como se fosse uma princesa presa no alto duma torre? Olha, eu intendo a proteção da minha mãe, mas isso? É mais do que o normal!

-Eu conheço muito bem essas festinhas, Ana! Bebedeiras, sexo, estupros, prisões... Não é o que uma princesa merece! Eu prometi que cuidaria de você e... — minha mãe parou de falar subitamente.

-Ah mãe, nada a ver! Você tá pirando! Mas, espera, me chamou de que? Princesa? Prometeu que cuidaria de mim pra quem?

-Ah, filha, modo de falar, você é minha princesinha, você sabe... Eu prometi para mim mesma. É isso filhota. — ela gaguejou. GA-GUE-JOU. Ah, nesse mato tem cachorro.

-Ok, mãe, ok. Já entendi, você não vai me deixar ir na festa, ok. Mas agora você pode me esclarecer algumas dúvidas que tenho há anos...

-Fale, querida.

-Pois bem. Que dia eu nasci? Que horas? Que hospital? Quando você descobriu que eu estava grávida? Você ficou feliz? Por que você não tem fotos do meu nascimento?

-Você nasceu dia 4 de dezembro, às 14:52, no hospital Cruis. Descobri que estava grávida porque me senti mal e resolvi fazer o teste por bobeira, só pra tirar a dúvida. É óbvio que fiquei feliz. E, sobre suas fotos do nascimento, bem, eu e seu pai, decidimos optar por não tirarmos fotos, pois... — gaguejou. Novamente.

-Por que você está gaguejando? Por que não consegue responder perguntas tão simples sobre mim, sua única filha. Por que, a noite, você lê um caderninho com informações sobre mim, tem algum problema de memória, ein?

-Já chega! — meu pai interviu na conversa. Me encolhi no sofá. — De novo esse interrogatório com a sua mãe, Ana? Você não intende que ele teve um trauma pós parto e sofreu muito, e você relembra a ela isso todos os dias?

-Eu não tive um trauma pós parto. — minha mãe respirou fundo. — Eu nunca fiz um parto. Eu nunca tive um filho.

-Amor, você tem certeza? — meu pai parecia preocupado. Minha mãe assentiu.

-Ana — a voz da minha mãe era calma e suave — você não é nossa filha. Existe um mundo, paralelo a esse, denominado pelos conhecedores dele 'mundo do faz de conta'. Lá, existem monstros, reinos, príncipes e... princesas. Você é a princesa sobrevivente do reino Shartoll, Ana. Sua mãe morreu em parto, seu pai em batalha contra os monstros que causaram a sua vinda. Todo o povo do reino foi morto, mas você foi salva. Você foi trazida a nós por um servo de seu pai, e nós aceitamos criar você.

Eu estava pasma.

-Quanto tempo vocês levaram para inventar tamanha mentira? — soltei uma risada irônica, enquanto subia as escadas em direção ao meu quarto. — Vocês são loucos.

Notas finais
E aí, gostaram? Comentem, recomendem, divulguem, isso ajuda muito, na real! Valeu povo!!