Do cinza ao carmesim
1 Do cinza ao carmesim
Eles me fizeram triste,
Mas eu já cresci,
Roubando palavras aqui e ali.
Tudo que é meu, tudo o que existe.
Desce que nasci, percebi que mentiste.
O egoísmo reinava criança,
Pequenino, mas logo cresceu.
Não pude deixar de notar; mereceu,
Logo se encolheu.
As paredes das ruas o cercavam,
Meus fios de cobre em vão.
Os dentes dos holofotes o mascavam,
E ele gritava; não.
Por anos vagou,
E se encontrou,
Nas águas donde se magoou.
E então não aguentou e gritou e chorou e berrou
E fora acolhido pelo meu mar.
Ondas calmas dançavam,
A areia se encerrava,
E ali era o litoral do pavor.
Nos passos hilários,
Nos micos macabros,
Encontrava-se um ardor.
O egoísmo já era adolescente...
E ele percebeu, dentro de mim,
Que um sentimento não era o suficiente,
Só complementava o então chamado coeficiente,
Que fazia os pés flutuarem, assim.
Eles me fizeram triste,
Mas eu já cresci,
Roubando palavras aqui e ali.
Tudo que é meu, tudo o que existe.
Desce que nasci, percebi que mentiste.
Já se envolvia grande,
Influenciava-me não distante,
E me fez sofrer um bocadinho.
E agora, mais do que nunca, doía!
Estranho; coitada de mim.
Antes, com os brinquedos,
No momento, com as pessoas.
Não permitia que ninguém as tocasse,
E uma reinou especial.
Meu corpo balançava, minha mente girava,
Peguei-me distraída olhando com despudor.
Até que finalmente voltei para a vida,
Numa fisgada; disseram-me que era amor...
Egoísmo, o que tomas assim,
Para cresceres tanto?!
Nessa metamorfose vi sua cor mudar,
Para um tom de vermelho parcial.
E agora, mais do que nunca,
Você consegue apertar meu coração.
Ao olhar para aquele ,
Junto doutas pessoas,
E deixas-me tão
Espacial.
Eles me fizeram triste,
Mas eu já cresci,
Roubando palavras aqui e ali.
Tudo que é meu, tudo o que existe.
Desce que nasci, percebi que mentiste.
Egoísmo está maduro e de seu casulo saíra amor,
Aqui, nunca mais, reinará o pavor.
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