Notas iniciais
Alô alô, tô de volta!
Desde o dia que eu postei o último capítulo foi uma correria atrás da outra,mas agora (acho que) já tá tudo ok,se eu não tiver nenhuma surpresa essa quinta,sexta sai capítulo novo! Boa notícia,certo,leitores fantasmas?
Fiquei um pouco em choque de ter chegado em mais de 300 visualizações tão rápido (mesmo que mais da metade não tenha,de fato,entrado para ler),então é algo pra ser comemorado,eu imagino.
Capítulo de hoje é curtinho,mas acho que vai matar um pouco a curiosidade hahahah
Sem enrolação,vamos lá! Espero que gostem!
Ela correu em direção a uma pequena sala,localizada na proa da embarcação,abrindo-a com certa violência e pressa,buscando o equipamento mínimo guardado: A máscara,que protegia toda a face e era conectada aos cilindros de oxigênio acoplados ás suas costas,nadadeiras,para aumentar sua agilidade e,por último,o colete equilibrador,para conseguir manter a estabilidade durante o mergulho. Quando encontrou todos os itens,voltou a correr até a escada de acesso lateral,localizada no lado oposto de onde o navio pesqueiro se situava, e,ao terminar de se trajar, rapidamente alocou a pulseira rastreadora no pulso,para que pudesse emitir um sinal de alerta caso fosse necessário,conferindo a faca que estava presa ao seu corpo. Seu sexto sentido não falhara, afinal. Por questão de praticidade,levava as nadadeiras em mãos,para colocar quando já estivesse dentro d'água. Quando começou a descer,ouviu a voz de sua amiga chamando-a.
— Marinette! O que você pensa que está fazendo? — Alya se aproximou ás pressas,demonstrando alteração — Você não pense em descer logo agora pro mar! Ficou maluca,garota?
— Não penso em descer… Eu vou! Você viu o tamanho daquelas redes,Alya? Não vou permitir que eles façam esse absurdo na minha frente,enquanto ficamos de braços cruzados esperando a Marinha chegar! — Sua voz se elevou no tom, irritadiça — Eu volto intacta,prometo! Não movam um centímetro do navio,estou indo com o rastreador!
— Voce está completamente louca,não é possível! Viu quantos fuzis tem só naquele lado do navio? Se eles perceberem qualquer atividade anormal,você vira comida de peixe! — A morena estava exaltada,movendo os braços inquieta.
— Por isso que só eu vou me arriscar! Vocês fiquem de olho e me avisem em caso de movimentação suspeita,que eu retorno imediatamente! — Logo que proferiu a frase,desceu o restante das escadas,sob os protestos da bióloga, colocando os acessórios nos pés no último degrau e,num movimento rápido,lançou-se,tentando causar o menor barulho possível quando entrasse na água. Devido a todos os alarmes que Alix lhe dera,sua primeira reação foi de choque: Primeiramente por não lembrar de nenhum e segundo por descobrir que a água não estava gélida como ela informou,mas sim quente,como se estivesse em uma piscina em ambiente fechado. Apesar do estranhamento,agradeceu solitária pela mudança de temperatura e submergiu o restante do corpo,forçando-o para baixo,tentando ganhar impulso para acelerar. Sua habilidade de nado era excepcional,o que fazia com que ela percorresse grandes distâncias numa velocidade surpreendente. Conforme se aproximava do pesqueiro,notou que uma das redes aparentava estar quase inteiramente queimada e vazia,fazendo-a se perguntar quão insano e,talvez,beirando o impossível isso poderia ser,já que nenhum tipo de combustão seria possível a,no mínimo,10 metros da superfície onde estavam. Quando chegou perto o suficiente,notando duas delas abarrotadas de peixes dos mais diversos cardumes, resolveu agir: Com a faca em punho,começou a cortar uma das redes,na tentativa de libertá-los do cruel destino. Tão logo arrancou uma parte que concedeu passagem a grande parte para o mar aberto,viu uma movimentação agitada na rede vizinha,que a balançava de um lado a outro.
" Deve ter algum animal grande ali." — Pensou. Resolveu dar prioridade para esta,urgentemente rasgando as tiras principais de corda que compunham a armadilha,permitindo que os peixes menores que foram capturados juntos se libertassem primeiro. Para seu espanto,quando terminou,deixando um espaço grande o suficiente para até mesmo um tubarão branco passar,sentiu a rede começar a ser puxada e,num fragmento de segundo,uma sombra negra caudada ultrapassar,finalmente liberta. Infelizmente,quando virou-se para verificar a rede ainda pendente,esta fora içada de volta,junto com a que acabara de destruir. Mesmo decepcionada pela falha que cometera,a sensação de dever cumprido se apossou de seu peito,afinal,havia ganho a batalha.
De repente,o mesmo vulto passeou ao seu lado,despertando atenção e fazendo a jovem virar o próprio corpo,no ímpeto do susto. O espanto foi maior quando,bem atrás dela,pôde enxergá-lo com mais clareza: Era uma criatura metade humana,metade peixe,muito semelhante ao do sonho que tivera,senão idêntica. Na parcela superior tinha o aspecto de um homem com cabelos loiros e olhos verdes,tão brilhantes quanto vira em seu sonho, também parcialmente ocultos pela mancha negra,que recobria parte do rosto,peito,braços e mãos. Possuía escamas brilhantes no começo de sua cauda e um par que se assemelhava a nadadeiras de um peixe no local onde deveria ter as orelhas, ornando na mesma tonalidade da cauda,totalmente negra com detalhes em verde quase néon. Marinette paralisou,segurando firme a faca que levava na mão direita e já se preparando mentalmente para defender-se,encarando fixamente a entidade,que parecia abrir um singelo sorriso aos poucos. Sem tirar os olhos da mergulhadora,ele se curvou,fazendo uma referência,com a mão fechada no próprio peito,como se agradecesse. Marinette,ao processar a informação,baixou levemente a cabeça,tentando imitar o gesto em retribuição. Ainda estava aterrorizada com o que estava testemunhando, porém tentava se manter neutra para conseguir descobrir um jeito de voltar o mais rápido possível.
Em poucos segundos, notou uma movimentação forte na água vindo na sua direção,mas quase não tivera tempo para reação: O ser a puxou pelo tronco,trazendo-a mais para perto de si e afastando-se do local o mais rápido possível. Só então ela se deu conta do ocorrido: O navio que havia sabotado tinha começado a acelerar em rota de fuga e,se não fosse pela agilidade do outro,ela provavelmente teria sofrido um acidente. Quando uma pequena dormência se fez presente em sua mão,onde ela notou de imediato a ausência da faca,olhou para baixo e viu o pequeno objeto afundar,provavelmente devido á batida no casco; Conseguiu apenas estender o próprio braço em direção ao fundo,emitindo um pequeno grito,misto de raiva e tristeza,finalmente se dando conta de que a perdera para sempre. Teve de se segurar muito para não chorar ali.
Aos poucos,a criatura se desvencilhou da humana,observando atenciosamente cada expressão corporal da mesma. Deu-lhe uma última olhada mais longa,como se memorizasse os pormenores de seu rosto,e mergulhou em direção ao fundo,desaparecendo em meio á escuridão das fossas marítimas. Marinette permaneceu estática,tentando entender a situação em que tinha se metido,quando sua pulseira começou a emitir uma luz branca intensa: Precisava retornar para o navio.
Voltou seu rosto em direção ao local onde o viu pela última vez e,ao constatar que ele não regressaria,começou a nadar em direção á superfície. Ao chegar na beirada da embarcação,aproximou-se da escada,retirando as nadadeiras para conseguir subir. Quando atingiu o topo,jogou o corpo para frente,com a intenção de pular para dentro do convés,causando um baque e chamando a atenção de Alix e Alya, a poucos metros de distância.
— Ai caramba,Nino!! A Marinette voltou! — Alya gritava para uma das cabines,enquanto se aproximava da amiga — Pega uma toalha! Rápido!
— Marinette,você tá bem? — Alix se aproximou da jovem,visivelmente preocupada com a companheira.
Alya correu em direção ás duas,entregando uma grande toalha cinza e macia. — O que você fez foi suicídio,garota! Você podia ter morrido! Alix me contou que a temperatura no oceano hoje estava insuportável,como você resolve ir pra água sem nem usar a roupa térmica? Podia ter acabado com uma hipotermia ou mesmo ser pega por aqueles malditos,eu não consigo nem imagi…
— Alya,fica tranquila! Deu tudo certo,a água estava quente... — A moça de cabelos rosa mirou com um olhar de total descrédito no que ouvia. — Além disso,eu… — Ponderou se devia contar ou não sobre o que viu. Pareceria absurdo em demasia e,talvez,elas achassem que estava delirando. — Eu salvei uma rede inteira de peixes,e mais uma parte da segunda… Não foi em vão…- Ela soltou o ar pesado dos pulmões,semicerrando os olhos,em total alívio.
—Tudo bem,Marinette... Eu entendo… Mas,por favor,da próxima vez não faça as coisas por impulso. Eu fiquei aflita por conta do que vimos nos últimos dias e pela guarda que eles arranjaram,não porque você foi salvar os animais... — A bióloga estendeu os braços,apertando com leveza os ombros da oceanógrafa. — No seu lugar eu teria feito o mesmo…
Marinette a abraçou,esquecendo das roupas encharcadas — Eu sei Alya,eu sei… Mas obrigada pela preocupação.
— Não por isso… Agora trata de tomar um banho,pelo amor dos céus! Você vai acabar pegando um resfriado com toda essa água pingando aí! — A empurrou em direção aos vestiários,no andar inferior,dispensando Marinette pelo resto do dia.
Logo que colocou os pés no chuveiro,abrindo-o em seguida e sentindo a água quente relaxar seus músculos,voltou a lembrar a imagem do tal ser que havia ajudado. Teria sido o sonho uma premonição? Isso significava alguma coisa, afinal?
Ele tinha o olhar mais curioso que ela já tinha observado,como se nunca tivesse visto um ser humano á frente.
E algo,que também não soube explicar,pareceu prender o olhar dele nela.
Mas ela acabou,igualmente,fascinada. Afinal,nunca pensou que sereias realmente existissem.
Tampouco que teria uma experiência assim, pessoalmente.
Era informação demais para a sua cabeça,sem contar a culpa que carregava agora de ter perdido o objeto com mais significado que já teve,por conta de um erro de atenção.
Pelo mesmo erro,ela poderia estar morta neste exato momento.
E pensar nisso a fez prender a respiração por um tempo,fechar os olhos e tentar se esquecer desse detalhe,deixando a água da ducha escorrer por sua cabeça.
Talvez fosse isto que o sonho quisera lhe alertar,pois ela se lembrava de afundar,completamente inerte.
Por quê, então, isso não ocorreu?
A presença daquela criatura mudou algo no que era para ser seu destino trágico?
Definitivamente não era algo que gostaria de saber.
Saiu o mais rápido que pôde do banho,jogando-se na cama tão logo que se trocou,sentindo seu rosto aquecer e voltar a molhar,começando a arder por toda a extensão de suas bochechas,permitindo que seu corpo desistisse de levantar.
Ela não queria lidar com as emoções agora. Queria apenas tirá-las de si antes que alguém a visse.
Notas finais
Vocês esperavam por isso? Eu, sinceramente,me arrepio inteira sempre que lembro dessa cena hahahahah
Se você gostou,deixa um comentário aí! Eu fico muito feliz de saber a opinião de vocês,então,não se acanhem ;)
Até o próximo!
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