Do You Speak Italian?
16 Claire - Parte 8
Notas iniciais
Seja bem vinda Charlotte Summers!
E as fotos da Claire, pessoal? Ninguém mandou nada :(
Aproveitem o capítulo!
-Claire. — ele sorriu pra mim, com aquele jeitinho dele. O sorriso era exatamente como eu me lembrava. -Sabe que pode me chamar de Tom.
-Er, ok. — eu disse um pouco encabulada. Que hora pra sentir vergonha, merda.
-Então você estuda aqui. — ele sorriu -Que coincidência. — Coincidência era pouco. Eu estava quase começando a acreditar na minha mãe com aquele papo de destino. Eu chamaria de pura sorte, quer coisa melhor que isso? Só descobrir que Carl tinha se mudado para a Mongólia, e ainda assim, era páreo duro. Eu tentei controlar o impulso de ficar desejando beija-lo a cada segundo. Não facilitava em nada a distância que ele estava de mim também. "Eu...posso...beijar...você? " o som dele dizendo isso pra mim, olhando fundo nos meus olhos no ultimo sábado tinha me atormentado o resto do fim de semana, e tudo o que eu conseguia pensar era no quanto eu queria que ele estivesse sendo sincero. E que ainda quisesse isso tanto quanto eu.
-É, que coincidência. — eu disse por fim, terminando de colocar as coisas no armário.
-Qual é a sua turma? — Tom perguntou. Na verdade, eu não fazia ideia. Que coisa horivel, não?
-Erm... — eu disse pegando um dos cadernos de dentro do armário. Sempre tinha o número da turma dentro, sabe, pro caso de eu esquecer. E acredite, isso era bem comum. -233. — eu disse, e ele abriu um sorriso enorme. Lindo.
-Que bom, eu também! — ele disse animado, e sorriu. Sorri de volta. Hoje era o meu dia de sorte. Só podia. Isso quer dizer que eu ia poder passar o dia todo ao lado dele. Ta legal, com calma, se ele quisesse isso. -Acha que pode me mostrar pra onde é a sala? — ele perguntou, fechando o armário.
-Claro, vamos. — eu apontei para que ele me seguisse, e ele me alcançou e andava ao meu lado.
-Então... como era lá na Itália? — perguntei. Ta legal, eu estava curiosa.
-Ah, muito legal. — ele disse -Mas sei lá, estou com um estranho pressentimento de que aqui vai ser melhor ainda. — ele disse, piscando pra mim. Não pude evitar de ficar vermelha. Sinceramente? Não sei o que acontece comigo. Eu tinha que lembrar constantemente a mim mesma de que embora eu tivesse uma grande tendência a ficar encabulada, e uma maior ainda em ficar vermelha, eu absolutamente não ligava para o que os outros pensavam, então eu não era uma pessoa envergonhada, se você ver por esse lado. É só que a minha tendência a ficar encabulada as vezes se manifestava em horas que eu realmente detestava, tipo agora, e eu nem vou falar nada sobre ficar vermelha. Era natural tanto quanto a minha cara de pau pra certas situações, o que criava um contraste bem grande na minha personalidade.
-É, e tipo, você não ficou triste de se separar dos seus amigos? — eu especulei. Ele não estava tão chateado quanto deveria se tivesse deixado alguém especial na Italia. Isso era bom... eu acho.
-Fiquei, né. — ele respondeu simplesmente.
-Então... você só tinha amigos lá. — eu conjecturei. Ta legal, eu estava muito curiosa. Me processe.
-Éé... Por que? — ele desconfiou. Não que eu ache que ele tenha entendido. Garotos..
-Nada não. — Disfarcei um sorriso. Ele não tinha uma namorada. Ah, isso era ótimo. -Então, vai fazer algo depois da aula?
-Oficialmente, não. — ele riu.
-Que tal se eu te mostrasse um pouco da cidade? — perguntei.
-Tipo, ver os pontos turísticos e tal? — ele perguntou de volta.
-É. Mas não que a gente vá fazer só isso. — eu sorri torto pra ele. É, eu estava sendo direta demais, até pra mim. Mas eu não ligo realmente.
-É, e o que mais tem pra fazer? — ele sorriu.
-Você sabe.
-Não sei.
-Então acho que vou ter que te mostrar... — eu me virei para ele, sorrindo torto e olhando em seus olhos. Ele parou de repente e ficou olhando pra mim da mesma maneira. Eu já disse que não existem olhos lindos como os dele? — Hoje a tarde. — eu disse contendo o riso, e continuei andando.
-Ei! — ele disse, me seguindo — Não, agora conta!
-Eu, contar? — eu ri, me fazendo de desentendida -Contar o que?
-Não te faz de boba, você sabe.
-Eu, me fazendo? — Consegui não rir dessa vez -Não sei do que você ta falando, Tom.
-Claaaaaaaaire, nem vem! — ele insistiu. E eu realmente não achei que fosse aguentar muito tempo. Eu ri e me virei pra ele, o encarando.
-Vem cá, vem. — Eu sorri de volta e passei meus braços pelo seu pescoço. Ele deu aquele sorriso torto em resposta. Eu tinha consciência das pessoas que estavam ali, mas a partir do momento em que eu não ligava para o que pensavam, porque eu ia me importar agora? Sim, esse era um daqueles momentos cara de pau. Eu era a rainha da mudança de temperamento. Ele passou os braços pela minha cintura, chegando mais perto, e mais perto...
-CLAIRE! — eu ouvi de repente, de novo. Será um pesadelo dos infernos? Só se aquele loiro retardado for o demônio. Eu vi que Thomas olhou para o lado, todo o clima esfriando. Ah, se eu pego aquele desgraçado, eles vão ter que catar os pedacinhos por ai. -Espero que você não tenha beijado esse cara. Ou você ta encrencada.
-Ah, é mesmo? — eu disse cínica. — Sabe eu não vejo nenhum motivo pra que você se veja no direito de se intitular o meu protetor. E como eu já disse, quem eu vou beijar ou não, não te diz respeito, Needles.
-Você não ia gostar que eu contasse pro seu pai, não é? — ele ameaçou.
-E você não ia gostar se eu quebrasse a sua cara não é? — eu continuei irônica. Ele pareceu pensar um pouco, mas não desistiu.
-Você ainda vai entender, Claire. Que eu só quero o seu bem.
-Porque você se importa, se sabe que eu te ODEIO Needles? — eu explodi. — Me faz um favor, pelo amor de Deus. Fique longe de mim, e vai cuidar da tua vida! — eu vi que Tom não sabia o que fazer ao meu lado. Era de se esperar que Carl tivesse virado as costas e ido embora, ou chorado como o covarde que é. Mas ele era irritante demais pra facilitar a minha vida.
-Ele não é bom o bastante pra você — ele cruzou os braços. Eu percebi Tom ficar mais nervoso ao meu lado. Eu apenas ri sarcasticamente.
-Eu nem sei porque eu ainda finjo que você existe. — eu girei os olhos e puxei Tom comigo pelo corredor. Carl ficou incrédulo, sem se mover, no meio do corredor. Não era do meu costume ignorar ele. Eu geralmente contrariava. Nós fomos andando meio que em silêncio até a sala.
-Porque... — Tom começou, mas se interrompeu.
-Eu ainda não espanquei ele? — eu sorri, meio sem graça.
-Também... — o garoto riu.
-Acredite, eu já bati nele inúmeras vezes. Mas ele é insistente. É um pesadelo.
Thomas pareceu pensativo por um tempo. Eu daria tudo pra saber o que ele estava pensando.
-Então.. ainda está de pé o nosso.. passeio? — ele disse de repente, sorrindo torto pra mim.
-É claro. — eu sorri pra ele, e fiquei encarando aqueles olhos verdes. Todo o meu mau humor tinha passado. Em um segundo, quando ele olhou pra mim com aquele sorriso. De tirar o fôlego, seria a palavra certa. Ele ficou me olhando por um tempo, depois me segurou pelos ombros, olhando para os lados. Só tínhamos nós e mais um garoto no fim do corredor. Ele foi me conduzindo devagar, com um sorriso travesso. Eu sorri de volta, desejando que nem o papa nos interrompesse agora e passei meus braços pelo seu pescoço quando ele me encostou na parede, ainda sorrindo.
-Se o Needles aparece aqui agora.. — ele riu.
-Esquece o Needles. Finge que ele... morreu. — eu sorri e ele fez o mesmo, aproximando seu rosto do meu. Eu vi o professor passando pelo corredor com um olhar escandalizado por trás dos ombros de Tom e me desviei dele, fazendo o garoto se desequilibrar e por pouco não dar de cara na parede. O professor seguiu sem dizer nada e eu me virei para Tom quando ele passou.
-Desculpe — eu disse mordendo um dos lábios e ele simplesmente riu e girou os olhos, resmungando algo que certamente me daria um castigo se minha mãe me ouvisse falando uma coisa assim. Nós seguimos em silêncio até a sala depois disso.
Eu notei as garotas de cor de rosa na primeira fileira cochichando enquanto passamos. Eu girei os olhos. As rainhas da futilidade não tinham mais o que fazer.. essa era a única explicação plausível. Quase dava pra ver o veneno escorrendo no canto da boca, enquanto elas continuavam a conversar baixinho, sem se importar em serem discretas quando olhavam feio pra você. Eu fui em frente, e sentei mais ao fundo e Thomas fez o mesmo. Ta, talvez não fosse exatamente o meu dia de sorte. Mas eu não ia deixar que um retardado estragasse o meu passeio. Ele nem poderia, a menos que tivesse poderes sobrenaturais para ouvir o que eu conversara com Thomas no corredor dos armários, o que eu não duvidava muito que ele tivesse..
Notas finais
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