Do You Believe In Magic?
1 Do you believe in magic?
Notas iniciais
Não revisei direito, então desculpem os erros u-u'
- Do you believe in magic?
Foi aquela frase sussurrada que fez Henry parar naquela estação de rádio em específico. Emma dormia ao seu lado e Neal conversava com David enquanto dirigia. Mary Margareth também dormia do seu outro lado. Com os fones de ouvido e um velho rádio a pilha (por que seu iPod tinha descarregado e ele não podia usar o celular de Emma), ele tentava se distrair da tediosa viagem em que estava preso. Tentou sintonizar em várias estações e fizera uma careta para cada uma delas até que aquela frase chamou sua atenção.
- Bom dia, ouvintes. – era a voz de uma mulher. – O departamento de polícia publicou um aviso sobre um grupo de encapuzados, que está correndo pelas ruas da cidade vestidas de branco e caçando demônios para serem queimados na praça pública. – uma pausa — Ouvintes, a todos que forem demônios ou tiverem alguma parcela demoníaca de sangue, fiquem em suas casas. Eu repito: fiquem em suas casas. A prefeitura e os policiais já estão agindo para fazer a vida ou não vida dos residentes de Storybrooke o mais seguro possível.
Henry riu com o absurdo narrado e David virou o rosto para ele.
- Achou algo interessante aí, campeão?
O rapaz assentiu.
- Que bom! Alguém está se divertindo. – depois voltou a olhar para frente e disse algo para Neal, que riu.
- A prefeitura lembra a todos que o Festival dos Mineradores está se aproximando. O que, de fato, não precisa ser lembrado pelos gritos angustiados vindo das minas desativadas. A venda de velas artesanais já começou e a Irmã Superior pediu para avisar que demônios, bruxas, goblins, vampiros e outras criaturas “das trevas”, – ela soltou um risinho – não são permitidos a comprar as velas, que de acordo com ela foram abençoados por anjos para dar paz às almas dos mineradores. – ela riu novamente – Claro, como se isso tivesse dado certo em todos os anos anteriores.
Henry já tinha se convencido de que aquilo que ele ouvia era, na verdade, uma história. Algo que as pessoas ouviam pela mesma razão que gostavam de ler. Relaxou no banco e continuou ouvindo o programa estranho que o rádio, sem querer, sintonizou.
- Agora com as notícias. – continuou a mulher. – Há uma sombra estranha rondando a floresta ao redor da nossa amada cidade. Leroy, o bêbado, reportou que a sombra está chorando e rodeando as árvores, como se procurassem por algo. Ele afirma que ela perdeu seu cachorrinho e está tentando achá-lo. Não sabemos se a sombra é perigosa ou não, portanto, se virem um cachorrinho perdido, favor entregá-lo para a Xerife, que se encarregará de entregá-lo para a sombra.
Henry tentou imaginar quem mais estaria sintonizado nessa rádio esquisita àquela hora da manhã. Era 7:00 horas numa segunda-feira, então ele imaginava que muitas pessoas se preparavam para o trabalho, quem teria tempo de ouvir um programa tão fantasioso?
- Falando na Xerife, ela pediu para divulgar que o gabinete estará realizando um curso de defesa contra as artes das trevas no sábado pela manhã. O curso será durante todo o fim de semana com intervalos para meditação e alimentação. O conteúdo abrangerá desde trato de criaturas mágicas a magias ofensivas e será ministrado por... – houve um silêncio e Henry franziu as sobrancelhas – Como assim será ministrado por mim?! Estão loucos?!
O som de gritos e coisas sendo quebradas começaram a sair do rádio. Havia pessoas gritando.
“Sem bolas de fogo!”
“Foi uma brincadeira! BRINCADEIRA!”
“Não, não, ah meu deus!”
“De onde surgiram tantas cobras?!”
“MEUS DEUS, ESTÁ TUDO QUEIMANDO!”
“QUE BESTAS SÃO ESSAS?”
“COMO ASSIM OS SEGURANÇAS FUGIRAM?! ELES SÃO GIGANTES, PELO AMOR DE ODIN!”
“Chamem a Xerife!”
Depois veio o silêncio e um apito, depois outra voz, dessa vez masculina.
- Devido a problemas técnicos a programação será interrompida. Até que tudo se normalize, transmitiremos propagandas inúteis de produtos que vocês não precisam e ainda são caros.
Henry tinha decidido que assim que chegassem na pousada, ele procuraria mais sobre aquele programa esquisito.
“Cansado de se olhar no espelho toda manhã e não ver o seu reflexo? Cansado de ter que confiar na sua sogra cega ou no espelho mágico que é loucamente apaixonado por você? Cansado de sair de casa e ter os gatos te olhando debochadamente? Compre agora mesmo o secador de cabelo Axiem! Ele não resolverá os seus problemas, mas é barato e fará maravilhas pelo seu cabelo! Atenção! O produto só funciona em cabelos secos ou quase completamente secos e lisos.”
Ele começou a rir e David o olhou com curiosidade.
- Qual é a graça? – murmurou Emma ainda sonolenta.
- O programa é engraçado. – ele respondeu. Emma sorriu para ele e bocejou.
“Eu estava cansada de pegar o ônibus todos os dias.” começou uma voz mais velha reclamar “Era sempre a mesma coisa: crianças fazendo feitiços errados, aquelas aliens tão indecentes, os elfos, aiai, sem camisas e se achando, pessoas falando tanto e tão alto! E o calor, ahhh, aquele calor maldito. Mas, graças a K-7 200 eu não tenho esse problema mais! É a melhor vassoura do mercado, ágil, resistente e muito bonita! Ônibus cheio nunca mais!”
Era uma bruxa fazendo a propagando de uma vassoura? Okay, aquilo era muito Harry Potter. Talvez, fosse algum programa patrocinado pela JK Rowling ou algo do tipo? Soltou outra risada.
- Henry, coloca no viva-voz. – pediu Neal. – Eu também quero rir.
Mary Margareth se espreguiçou e Henry tirou o fone.
Apito e a voz masculina.
- Aviso: o resto do programa será transmitido pela estação de rádio reserva. Quem precisar passar pela avenida Mitcher perto da Estação Principal, não passe. Demônios recém invocados estão destruindo a rua, o prédio está pegando fogo e gatos negros estão sugando as almas dos desavisados. Uma racha temporal está se abrindo no céu e tememos o que vai sair dele. Cuidado e salvem as suas almas. Os problemas técnicos foram resolvidos. Voltaremos agora a programação normal.
Os adultos no carro se entreolharam.
- É um programa de comédia ou algo do tipo? – perguntou David.
- Não sei. – respondeu o rapaz. – Mas é muito legal.
- Caros ouvintes. – era a locutora de mais cedo. – lembre-se: jamais irrite uma bruxa. Especialmente, quando ela tem o temperamento de um vulcão em erupção. – ela limpou a garganta e prosseguiu com as notícias. – Eugenia Lucas, mais conhecida como a dona da Granny’s, encontrou nessa madrugada uma cabeça sem corpo atrás da lanchonete. Billy disse que um caçador, mal vestido com um machado bem afiado, foi o responsável pela sua decapitação. Se alguém ver um corpo perdido pela cidade, favor direcioná-lo para a lanchonete, onde Billy ainda chora pelo resto do seu corpo perdido. O choro, de acordo com ele, provém do fato de não poder coçar suas costas. Se alguém ver um caçador mal vestido com um machado afiado, favor avisar a Xerife. E se você for um caçador mal vestido com um machado afiado, é melhor se esconder num porão em algum lugar específico da cidade e esperar por mais ordens. Novamente, querida cidade, eu não faço ideia de que tipo de monstro faria algo assim com o pobre Billy. Ninguém toca clarineta como ele toca às 4 horas da manhã, eu sei por que sou sua vizinha e eu o escuto tocando todos os dias... Mas, isso não vem ao caso. Pobre Billy.
Ela não parecia sentir dó do pobre Billy.
- Eu acho que ela sabe muito mais do que está dizendo. – disse Emma entrando no jogo. Henry assentiu, colocou o fone de volta no rádio.
- Eu acho que ela criou o caçador e o mandou atrás do Billy, por que ele fazia muito barulho. – respondeu Henry concentrado.
- O que não é uma ação decente. – começou Mary Margareth. – Vizinhos devem tentar se comunicar e juntos chegarem a uma decisão que beneficie todos os lados. Você sabe disso, certo, Henry?
O rapaz revirou os olhos e concordou. Os adultos voltaram a conversar e Henry voltou a prestar atenção no programa.
- A racha temporal. – continuou a locutora – foi fechada há poucos minutos pelas Irmãs. Depois de 20 minutos e muito caos, a avenida Mitcher está novamente livre para o trânsito. Mas, tomem cuidado com os demônios soltos que ainda transitam pela cidade. Os gatos desapareceram misteriosamente. Provavelmente voltaram para suas casas a fim de uma merecida soneca da tarde, afinal sugar almas e aterrorizar a cidade é algo que gasta bastante energia. Depois de um dia tão cansativo, eles merecem um bom sono e carinho dos donos.
Henry não duvidava que um dos gatos envolvidos na bagunça da avenida Mitcher pertencesse a própria locutora.
- Boas notícias! O Hipogriffo do zoológico da cidade deu a luz a três pequenas e aterrorizantes bestas. O dono do zoológico, o muito rico senhor Midas, disse que elas estão saudáveis e que a perspectiva para o futuro é brilhante. É a primeira ninhada de Hipogriffos que Storybrooke teve desde Zoso, há mais ou menos 200 anos. Midas ainda lembra que a venda ou compra de criaturas mágicas ameaçadas na cidade é ilegal. “Adote animais, não os compre” é uma campanha patrocinada pela Sociedade Protetora dos Animais Mágicos e Não-Mágicos de Storybrooke. Para comemorar, Midas fará uma grande feira de adoção nesse sábado em parceira com a Sociedade e o convite é aberto a toda cidade. Será olhado o histórico de pedido da Granny’s para aprovar ou não uma adoção, então cuidado. Aviso que também participarei da feira, já que meu amado Rocinante faleceu recentemente, então cuidado ao dobro.
O resto da frase foi um sussurro, uma ameaça disfarçada de aviso. Henry decidiu que gostava dela apesar dela ter colocado fogo na Estação Principal, ter criado um caçador assassino e ter um gato que rouba almas.
- Bom, meus ouvintes. Xi Wangmu visitará nossa pequena cidade no próximo mês. As preparações estão a todo vapor e até nosso prefeito está, de fato, se esforçando para fazer a estadia de Xi Wangmu o mais confortável possível. Eu e Wangmu tivemos alguns... Desentendimentos passados, portanto ela detesta a minha presença, a minha voz ea mera perspectiva da minha existência, mesmo assim continuarei a apresentar o programa. Mas, se uma guerra mágica estourar no meio de cidade, já estão avisados sobre as possíveis causas.
- Mãe, — chamou o rapaz, — quem é Xi Wangmu?
- Uma deusa chinesa. – respondeu Emma sorrindo. — A Rainha Mãe do Ocidente. Ela foi mencionada no seu programa doido?
Ele assentiu rapidamente e voltou a escutar.
Mary Margareth cutucou Emma.
- Você acha bom deixa-lo ouvir um programa assim? Ele é muito jovem e influenciável.
- É um programa de rádio, MM. Só isso. Relaxa.
- Prosseguiremos com as músicas mais pedidas na nossa programação e mais tarde, eu volto respondendo a questões dos ouvintes sobre magia ou pelo menos, tentando.
Distraído, ele nem notou a placa branca com os dizeres: “Welcome to Storybrooke. Do you believe in magic?”
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