Do What You Love
3 Capítulo Três
Notas iniciais
Tris POV
Por sorte era só minha mãe:
–O que pensa que estava fazendo? – Ela pergunta me fuzilando com o olhar.
–Como assim?
–Você sabe muito bem Beatrice. Ficou o jantar todo olhando para aquele Tobias com seu futuro noivo do lado! – Falou dando ênfase no “noivo”.
–Mãe! Eu NÃO quero me casar com qualquer um! E se eu fiquei olhando o jantar inteiro para o Tobias foi por que eu quis! Você e o pai querem mandar na minha vida toda hora! – Explodi, mas ainda tinha raiva dentro de mim e comecei a gritar – EU JÁ CANSEI! JÁ TENHO 24 ANOS SE VOCÊS AINDA NÃO TIVERAM A CAPACIDADE DE ENTENDER ISSO! – Ouvi meu pai e meu irmão chegando por causa da gritaria
–Chega Beatrice! Suba agora! – Meu pai disse quase gritando
–NÃO! EU DECIDO QUANDO VOU SUBIR. EU DECIDO SE VOU FAZER FACULDADE OU NÃO. EU DECIDO COM QUEM VOU ME CASAR, E SE VOU ME CASAR! EU DECIDO O QUE VOU VESTIR! EU JÁ CANSEI!
Depois de ter berrado a última parte, sai em direção ao meu quarto e senti os olhares sob mim, de desaprovação dos meus pais. Tomei um banho, coloquei um pijama e me joguei na cama. Peguei no sono rápido.
Acordei com muita preguiça, me levantei e olhei a hora no celular, 9:25, levantei e me troquei, peguei uma roupa qualquer: Short Jeans, blusa de manga comprida preta, vans preto e touca preta. Fiz uma maquiagem leve e coloquei meus óculos de sol. Desci e fui em direção à cozinha, peguei uma maçã e murmurei um “Bom dia” para meus pais e irmão. Peguei minhas chaves, entrei no carro e liguei para Christina:
–O Que você quer cachorra? – Chris de ótimo humor, como sempre.
–Bom dia pra você também! Esquecemos que você ia dormir lá em casa ontem, mas tudo bem. Vêm aqui em casa às 14h e vamos nos arrumar, enquanto isso vou comprar porcarias e ligar para o Tobias.
–Ah! Que merda Tris, pra que tão cedo? Você me acorda às 10 da manhã e ainda quer que eu passe na sua casa daqui 4 horas!? Não me arrumo tão rápido assim, querida!
–Não me importo, só pega a roupa do encontro, suas maquiagens e vem pra cá ok?
–TA BOM! Chata, vou levantar.
–Não se atrase!
–Tchau Tris!
–Tchau!
Desliguei a chamada e dirigi em direção ao mercado. No caminho tomei coragem e liguei para Tobias:
–Alo?
–Oi Tobias é a Tris, desculpa te ligar tão cedo, mas é que queria te propor uma coisa.
–Oi Tris, não tem problema não, diga a sua proposta.
–Quer... saircomigo?
–Tris fale mais devagar por favor.
Respirei fundo enquanto um silêncio mortal reinava.
–Quer sair comigo?
Ele demorou a responder:
–Tipo... em um encontro?
–S...sim, mas entendo se não quiser e... – Ele me cortou:
–Claro que sim Tris! Que lugar?
–Pensei em irmos ao cinema, naquele shopping que nos esbarramos. – Ele riu pelo nariz e respondeu:
–Claro, posso te buscar as 20h?
–Sim! Vou te passar o endereço por mensagem.
–Ok beijo.
–Beijo
Comecei a dar gritinhos de alegria, mandei a mensagem pra ele com o endereço e uma para Chris contando o que aconteceu e ela ficou histérica.
Entrei no supermercado e comprei um monte de porcariada, minha mãe iria me matar se visse isso, por que ela também controla o que como, mas cansei disso. Peguei Doritos, Kit Kat, Refrigerante, Pipoca, Bolacha recheada, chocolate, e tudo que existe de bom de comida nesse mundo.
Paguei e fui para casa, deixei as sacolas em cima do balcão e logo ouvi uma voz:
–O que é isso Beatrice? – Minha mãe, revirei os olhos e respondi:
–Comida.
–Para que tanto? – Dessa vez era meu pai
–Para mim e para Chris, ela vai passar a tarde aqui em casa.
–Beatrice, já disse que você não pode comer essas coisas gordurosas e nojentas! – Minha mãe olhou para as sacolas com desprezo.
Bufei e ignorei o comentário dela.
–De noite temos um jantar! Se arrume bem com o vestido novo que sua mãe te deu! – Meu pai disse ríspido.
–Vão vocês eu já tenho compromisso.
–Como assim? Que horas? Aonde? Com quem? – Ela me enchia de perguntas
–Como já disse, já sou adulta então não devo satisfações a vocês.
Sai da cozinha e fiquei lendo Cidades de papel de John Green até a Chris chegar, como sempre atrasada. Quando a campainha tocou desci e fui atender, passando pela sala ouvi minha mãe cochichando “Acho que quem está rebelando ela é essa Christina, ela e a família não tem nem um pouco de classe, eles são empresários importantes e deixam-na sair com qualquer pobre que quer!” Abri a porta e puxei Christina com violência até meu quarto, fechei a porta e sentei na cama bufando enquanto Chris me olhava confusa.
–Inventaram agora que a má influência é você!
–Eles disseram isso pra você? – Ela perguntou me encarando
–Não eu ouvi eles cochichando.
–Faz o seguinte, esquece! Vamos passar o dia no “Foda-se o mundo”, vamos ficar lindas e maravilhosas, vamos arrasar corações e depois lidamos com os problemas!
–Mas você nem tem problemas!
–Tenho sim! Briguei com a minha irmã! – A irmã de Christina era mais velha, tinha 26, e se chamava Kate, elas eram quase iguais na aparência, mas na personalidade eram totalmente o oposto. – Eu odeio como ela é toda certinha e inocente, me irrita. Ela fica dizendo que eu sou muito rebelde, que falo muito palavrão e blábláblá ai ontem a noite eu explodi, comecei a xinga-la e meus pais, como sempre, ficaram do lado dela e agora estou brigada com eles e a minha irmã!
–Até eu estou começando a ficar irritada com a sua irmã!
–Ta, agora vamos começar a diversão! – Falou dando pulinhos de alegria
Descemos e pegamos todas as comidas, meus pais ficaram olhando feio pra Christina, mas ela nem percebeu, e se percebeu não se importou.
Subimos novamente e ficamos até umas 17h conversando, assistindo filmes, séries e comendo porcarias. Depois disso demoramos 1h30 para escolher a roupa, sapato e maquiagem. Ela tomou banho primeiro e se trocou, colocou uma calça de couro preta, uma blusa branca lisa e um pouco transparente, um salto preto fechado, uma jaqueta preta, uns colares e uma maquiagem simples. Depois tomei banho também e coloquei um cropped florido que vai quase até o umbigo, uma saia comprida preta de cintura alta, uma sandália de salto bege e preta, umas pulseiras e uma maquiagem igual a da Chris. A saia emendava no cropped fazendo com que minha barriga não aparecesse.
Quando deu 19h30 ela foi embora, pois Will iria busca-la as 20h30 e Tobias vinha às 20h. Enquanto o esperava fiquei lendo um livro qualquer, a campainha tocou e eu quase voei da cama, e ainda desci as escadas que nem uma louca e quase torci o tornozelo. Peguei minhas chaves de casa e minha bolsa, abri a porta e nos cumprimentamos, ele estava lindo, com um tênis preto, calça jeans, camiseta preta lisa e uma toca preta igual a minha. O caminho até o shopping foi engraçado, duas criaturas retardadas cantando com vozes horríveis as músicas do Imagine Dragons, Coldplay, Calvin Harris, OneRepublic, e outros. Demoramos uns 20 minutos só para achar uma vaga, quando entramos o shopping estava deserto, nem sei pra que tanto carro no estacionamento. Escolhemos o filme, Velozes e Furiosos 7, a sessão começava as 21h30, enquanto esperávamos dar a hora jantamos no Burger King e ficamos passeando e zoando um ao outro. Entramos no cinema e correu tudo bem, tinha só umas quatro pessoas, então ficamos jogando pipoca por todos os lugares.
O filme acabou às 23h, já não tinha mais ninguém no shopping então ficamos por ai igual a duas crianças. Meu celular apitou e vi que tinham umas 15 ligações perdidas dos meus pais e mensagens da minha mãe, ignorei as outras e abri a mais recente:
“22h37 – Mãe
BEATRICE! Onde você está? Eu e sei pai estamos te procurando que nem loucos, estamos preocupados! Venha para casa AGORA!“.
Revirei os olhos e apaguei a mensagem:
–Tudo bem? – Tobias perguntou, ele foi um fofo o encontro inteiro.
–É só minha mãe fazendo teatrinho e me mandando ir para casa! – Disse e bufei.
–Mas você não tem...hum..24 anos?
–Sim, mas parece que eles não entendem isso! Vou voltar à hora que bem entender.
–Sem ofensas, mas seus pais são meio caretas neh?
–Sim, não ofendeu não – Disse e comecei a rir, Tobias me acompanhou.
–Hey, tem um lugar que queria te mostrar... quer ir?
–Claro – Respondi curiosa.
Entramos no carro dele e depois de uns 10 minutos estacionamos em frente a um edifício alto que parecia estar abandonado.
–Ei, isso não é invasão de propriedade? – Perguntei receosa.
–Um monte de gente entra aqui e nem ninguém faz nada, então... acho que não tem problema. – Ele disse dando de ombros.
Por um momento hesitei e logo ele falou:
–Você confia em mim?
Assenti com a cabeça e entrei no prédio, subimos escadas e mais escadas até chegar ao último andar, ao todo havia 20.
Parei um pouco para respirar e logo o acompanhei, a vista era linda, dava para ver toda Chicago de lá do alto, parecia ser o edifício mais alto de toda a cidade. Sobre nós a lua cheia iluminava a sacada. O abracei e murmurei:
–Obrigada
–Pelo que?
–Por hoje, nunca tinha me sentido livre desse jeito. Quando era adolescente tinha poucos amigos, todos achavam que eu era uma riquinha mimada, e o meu irmão também. Meus pais não nos deixavam sair, só podíamos sair acompanhados. Não tive toda aquela diversão de ir a festas, beber escondido, xingar os amigos. Todo lugar que eu ia com meus amigos, meus pais estavam junto, aos poucos deixei de ser convidada para sair, só Christina (que é como uma irmã para mim) ficou do meu lado. Quando saiamos e eu brincava de insultar ela, chamando-a de “vaca”, “cachorra”, “desgraça”, “resto de aborto”, etc. meus pais brigavam comigo. Nunca me senti solta assim!
–Que bom que você gostou! Eu também não tive um passado muito legal, na adolescência eu era mais livre, mas na infância... – Ele pausou bruscamente.
–Não precisa falar se for muito pessoal.
–Se não se importa, acho melhor não falar.
–Tudo bem, não tem problema... Ainda é o primeiro encontro. – Disse e sorri.
–“Ainda é o primeiro encontro”? Quer dizer que vai ter mais? – Ele perguntou com uma sobrancelha arqueada.
–Por mim... tudo bem! Agora depende de você querer também!
–Mas é claro!
Ficamos assim mais um tempinho, abraçados observando Chicago. Olhei meu celular e vi que já eram 1h30. No começo olhei meio assustada, mas depois lembrei do que Christina falou, o dia do “Foda-se o mundo” e guardei o celular.
–O que foi? – Tobias perguntou meio preocupado.
–É que nunca fiquei até essa hora fora de casa, mas como minha amiga Christina falou, hoje é o nosso dia de “Fode-se o mundo”.
Ele riu e eu o acompanhei. “A merda, falei palavrão no primeiro encontro, sou uma idiota mesmo” pensei.
–Desculpa... – Disse envergonhada.
–Por quê? – Ele me olhou confuso
–Eu falei um palavrão.
–Eu não me importo muito, acho uma coisa... Hum... normal! – Tobias disse e sorriu.
Abracei-o mais forte, quando deu 02h achei melhor irmos embora, pois estava cansada. Descemos todos aqueles lances de escada novamente, estávamos no antepenúltimo mais ou menos quando ouvimos uma sirene, uma sirene de um carro de policia mais precisamente. Entrei em pânico, nunca havia acontecido isso comigo, olhei para Tobias assustada e ele soltou uma risada baixa.
–Está rindo do que?
–Do seu desespero! Você não disse que confiava em mim? – Assenti com a cabeça:
–Mas olha oque confiar em você me fez fazer? – Ri pelo nariz.
Ele me puxou e fomos em direção a uma porta mais escondida, ele abriu e colocou a cabeça pra fora checando se havia alguém:
–No três nos corremos até o carro ok? – Ele perguntou sussurrando e apontando para seu carro. Assenti e ele contou nos dedos “1”, “2” e “3” começamos a correr igual a loucos, ouvi um policial gritar “Vi alguma coisa ali” e apontar para onde estávamos, entrei em pânico novamente, alguns deles vieram em nossa direção, mas não nos viram. Entramos no carro e Tobias pisou no acelerador, depois de nos distanciarmos da policia começamos a rir descontroladamente. Ele parou em frente a minha casa:
–Obrigada! Foi o melhor dia da minha vida... Foi bom sentir um pouco de adrenalina! – Disse dando um beijo em sua bochecha.
–Imagina! No próximo encontro vou pensar em algo com bastante adrenalina!
–Ok, até mais!
Acenei e entrei em casa, olhei o relógio e eram 03:36, comecei a rir sozinha. Quando estava com ele sentia uma coisa diferente, não era só a adrenalina era algo mais, só não sabia o que. Subi, quando passei pelo corredor percebi que meus pais me espiavam de dentro de seu quarto, ignorei e entrei no meu. Coloquei o pijama e desmaiei na cama, estava exausta. Dormi com um sorriso no rosto.
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