Notas iniciais
Depois de um dia Isa já era minha melhor amiga. Bem, eu não tinha contado tudo para ela, mas contei que eu sofria no orfanato, só não disse as conseqüências disso.
Apolo veio me pegar 13h50min em ponto. Então fui para casa em silêncio, mas enquanto almoçávamos:
- Não está com calor com esse casaco? – ele perguntou para mim
- Não muito. – eu disse, na verdade eu estava assando, mas eu me esqueci de cobrir as cicatrizes hoje, então eu precisava dele
- Você está me dando agonia com esse casaco. – ele disse uns minutos depois e eu revirei os olhos
- Depois eu tiro! – eu disse brava
- Calminha Aline... Tá de TPM?
- Ha. Ha. Ha. – eu ri seca, nós não tínhamos essa intimidade, mas...
- Vou considerar um sim.
Tirei o casaco, mas coloquei o meu braço mais marcado para baixo da mesa, que era o esquerdo, aliás. Tentei fazer isso o mais rápido possível, sem deixar vê-lo o meu braço, mas...
- Feliz?
- Não. – ele disse – Coloque o seu braço esquerdo para cima da mesa. – ele pediu e eu arregalei os olhos – Aline. – ele chamou – Por favor. – eu não me movi – Eu vou aí ver de qualquer jeito. – coloquei o braço para cima e olhei para ele com lágrimas nos olhos – Aline! – ele exclamou
Eu subi correndo para o meu quarto onde fiquei chorando com a porta fechada. Apolo começou a bater na porta.
- Aline, posso entrar?
- N-não.
- Eu tenho a chave. – ele disse
Eu respirei fundo e disse:
- N-não está t-trancada. – eu disse com a voz trêmula
Ele entrou no quarto e deitou-se na cama ao meu lado, colocou minha cabeça em seu peito e me abraçou. Não disse mais nada por alguns minutos.
- Eu não sei como você está se sentindo, e nem a que ponto alguém te machucou para você fazer isso consigo mesma, mas eu peço que você pare. Você não tinha ninguém, mas agora você tem e eu não vou deixar você fazer isso. Aline, eu não faço isso porque é simplesmente minha obrigação. Faço isso porque me importo.
- M-me d-desculpe.
- Não se desculpe. Você não tem por que.
- Você me ajudou muito me tirando daquele lugar, e eu retribuo sendo assim tão problemática.
- Aline, cala a boca. – ele disse me abraçando mais forte
- Desculpe por ficar chorando assim... – eu disse um pouco envergonhada
- Chore o quanto quiser. Eu tenho todo o tempo do mundo. – não perguntei porque, mas aproveitei aquele carinho, eu estava precisando
- Tem mais uma coisa.
- Pode falar.
- Eu sou... Bulimica. – eu disse e ele se sentou, me sentando também, e olhou em meus olhos
- Aline, você é uma garota linda. – ele disse e enxugou minhas lágrimas – Você não tem nunca que se sentir mal. E você também é inteligente e sabe que isso pode te matar. Então, nem que eu tenha que ficar com você uma hora depois que você coma, você também não vai mais fazer isso.
- Obrigada. – foi tudo que eu consegui dizer e o abracei
POV Apolo
Ela me abraçou e eu retribuí. Eu achei estranho ela me abraçar, mas não estava pensando nisso, estava tentando fazer ela não sofrer
- Me diga que vai parar com tudo isso.
- Eu vou tentar.
- E eu vou te ajudar. Você não me contou como foi na escola hoje. – eu disse arrancando uma risada dela, o que foi ótimo – É sério. – ele disse nos separando
- Ahh... Foi normal. Eu conheci uma garota que gosta das mesmas coisas que eu, e nós viramos meio que amigas...
- Isso é ótimo. Qual é o nome dela?
- Isadora. Ela disse que te conhecia, e que você era uma boa pessoa. E acho que acabei de ver o porquê.
- Eu só estou...
- Sendo uma boa pessoa.
- Obrigada. Mas eu realmente quero te ajudar, agora me dê a sua... Tesoura, o seu estilete, sua navalha... Seja lá o que for que você use para... – não terminei a minha frase, mas olhei para o pulso dela
Ela levantou e me trouxe um canivete e uma navalha.
- Aqui. – ela disse e eu peguei
- Não tem mais nada?
- Não. – ela disse
- Ótimo! – eu disse e ela olhou um pouco triste para o nada – Aline? Algum problema? Fora estes, é claro...
- Eu estava pensando nos meus pais...
- Sobre o que eles fariam com você?
- É...
- Eu não tento substituir seus pais, Aline, por isso eu não sei o que eles fariam.
- Eu sei que não, mas eu sinto a falta deles.
- Sempre que você se sentir só, ou tiver qualquer problema, por favor, venha falar comigo, ok?
- Tudo bem, obrigada novamente.
- Não tem de quer. – eu disse então tive uma idéia – Eu não vou trabalhar mais hoje, então se você quiser nós podemos sair. – eu disse, mas soou como se eu a tivesse chamando para um encontro – Quero dizer, não sair... Só sair... Ah!
- Eu entendi! – ela disse rindo
- Mas e então? O que me diz?
- Pode ser uma boa idéia.
- Ótimo! Vamos!
- Apolo, espere. – ela me pediu, pegou alguma coisa em uma bolsa e começou a passar nas cicatrizes. Quando terminou mal dava para ver os ferimentos – Pronto. Agora eu não preciso assar.
- Não assar é bom. – eu disse e a abracei, eu queria mantê-la segura, eu precisava mantê-la segura – Eu me importo.
- Você é o único, então muito obrigada.
- Aposto que alguém na escola tem olhos para você.
- Por que acha isso?
- Você é linda.
- Obrigada. – ela disse corando – Mas eu prefiro não ficar com alguém só porque esta pessoa me acha bonita.
- Bonita, inteligente e com princípios... – disse baixinho
- Oi?
- Nada...
Ela deixou quieto e nós fomos até o carro, abri a porta do carro para ela e também a fechei. Então sentei no banco do motorista e liguei o carro.
- Aonde vamos?
- Surpresa! – eu disse
Ficamos em silêncio, até que eu acelerei em uma estrada deserta.
- Apolo! – ela gritou assustada
- Calma, eu não vou te matar! Eu acho...
- Nós já vamos chegar? – ela perguntou revirando os olhos para o meu último comentário
- Mais uns 10 minutos.
- Ótimo... Ah! Acabei de lembrar, eu te contei meus segredos, mas você não me contou os seus. Pode começar a falar.
- Eu era um galinha.
- Não é um segredo.
- Como assim?
- Você é bonito, em geral eles são galinhas.
- Nem todos.
- Não nem todos.
- Eu mudei.
- Descobri com o “era”. – ela disse brincando – Outra coisa?
- Eu te conto quando chegarmos lá.
- Ok...
- Posso ligar o rádio?
- Claro.
Estava tocando “Sparks Fly” da Taylor Swift e Aline começou a cantar. Quando a música terminou, eu abaixei o volume do rádio.
- Você canta bem. – ela corou
- Obrigada. E você? Canta bem?
- Você também vai descobrir quando chegarmos lá. – eu disse e ela fez uma careta. Ri um pouco – Como você está?
- Eu me sinto... Feliz como não me sinto em muito tempo. E também me sinto aliviada que alguém saiba e que eu possa contar com alguém.
- Isso é bom.
- E como você se sente?
- Eu disse para você que eu parei de ser galinha. Quer saber por quê?
- Sim.
- Bem, eu cansei de ter relações vazias, então eu te adotei para não me sentir tão sozinho.
- Conseguiu atingir o seu objetivo?
- Sim, com certeza.
- Então neste caso: De nada.
- Obrigada Aline...
- Eu estava brincando.
- Eu sei. – eu disse e estacionei o carro – Chegamos.
- Uma praia?
- Não gosta?
- Gosto, só achei estranho...
- Eu trouxe a sua roupa de banho, eu vou lá para o mar, pode se trocar aqui.
Sai do carro e fui para perto do mar, olhei para trás, dava para ver uma pessoa tirando a blusa e depois o sutiã, mas o corpo em si não. Ela olhou em minha direção, e eu quase podia senti-la corando. Ela colocou a parte de cima do biquíni e então tirou a parte de baixo, também não dava para ver nada, e então colocou a parte de baixo. Saiu do carro e veio em minha direção. Como imaginei, ela estava com o rosto vermelho. Não fiquei prestando muita atenção nisso, ela tinha um corpo maravilhoso. Quando comecei a olhar as pernas, estavam cheias de marcas.
- Gostou do que viu lá no carro?
- Eu não vi nada. Mas não estou gostando do que eu estou vendo.
- Era um lugar que ninguém nunca via...
- Mas eu estou vendo agora. – eu disse e olhei um olhar triste para ela
- Não... Não faz essa cara. Eu fico me sentindo culpada.
- Deveria.
- Você entendeu...
- Eu vou me trocar já volto.
Fui até o carro tirei minha camisa, a minha calça e minha cueca, olhei em direção a praia e vi que ela me olhava, provavelmente para ver se não dava para ver nada mesmo. Coloquei meu calção e eu ia ir até ela, mas eu vi a pilha de roupas dela, então olhei na direção de Aline e ela não estava mais me olhando. Peguei as peças íntimas delas e sorri pensando que ela não era tão comportadinha. Quero dizer, o sutiã era preto cheio de renda e a calcinha era no mesmo estilo. Imaginei ela daquele jeito e sorri mais ainda, mas resolvi guardar as peças onde eu achei.
- Você precisa me contar os seus segredos.
- Eu sei. E também preciso saber se... Você gostou do que viu lá no carro?
- E-eu não vi nada. – ela disse corando
- Eu disse que não dava para ver nada... – infelizmente, completei mentalmente – Está gostando do que está vendo agora? – eu sussurrei no ouvido dela
- É, a praia é realmente muito bonita. – ela disse e eu a peguei no colo segurando nas costas e nas pernas dela, e a levei até o mar, onde a joguei na água fria – Obrigada! – ela disse com um sarcasmo evidente e jogou água na minha cara
Comecei a correr atrás dela, não demorou muito para eu conseguir pega-la, mas então eu cometi um erro fatal: Ela me distraiu.
- O que vai fazer agora? – eu disse a segurando-a colada no meu corpo
Ela simplesmente sorriu maliciosamente, livrou um dos braços do meu aperto e passou a mão pelo meu ombro
- Apolo... – ela sussurrou no meu ouvido – Por favor, me solte. – ela disse e passou a mão pelo meu peitoral definido. Ok, eu me aproveitei dela colando o corpo dela no meu, mas ai já era sacanagem!
- Ahm... – foi tudo que eu consegui dizer e ela começou a passar a mão pelos meus cabelos e a pousou em meu rosto, fazendo algumas carícias, foi o bastante para eu afrouxar o aperto e ela sair correndo – Isso não é justo! – eu gritei
- Não li as regras, desculpe! – ela disse brincando e correndo
Consegui a pegar de novo, mas desta vez, nós dois caímos, eu sobre ela.
- Ei! – sussurrei no ouvido dela e comecei a beijar o pescoço – Já que não temos regras... – eu disse e comecei a mordiscar a orelha dela, então olhei em seus olhos e a beijei
Ok, isso é estranho, eu estou beijando a garota que eu adotei que se auto-mutila e é bulimica. Mais estranho ainda é ela corresponder ao beijo, o que aconteceu.
O beijo estava ótimo, até que uma onda nos atrapalhou.
- Oh! – ela exclamou e levantou-se em um pulo, tapou a boca com a mão e olho para mim confusa
- Eu... Nossa! Eu nem sei o que dizer! Me desculpe!
- T-tudo bem. – ela disse corando
- Você beija bem. – comentei distraído, mentira, eu só queria vê-la corada novamente
- Foi... O meu primeiro. – ela disse extremamente corada
- Tem certeza? – brinquei
- Eu morava em um orfanato só para garotas.
- Verdade... – eu disse
Começou a ventar.
- Que frio... – ela comentou tentando se aquecer
- Vamos embora. – eu disse
Liguei o carro e nós começamos a fazer o caminho de volta para casa. Aline passou para o banco de trás, onde, pelo retrovisor eu vi ela trocar o biquíni pelo sutiã, mas ela colocou o sutiã por cima do biquíni e depois tirou a peça molhada. Aquele sutiã nela ficou do jeito que eu imaginei que ficaria.
- Pode parar de olhar pelo retrovisor? – ela disse brava e envergonhada enquanto colocava a camiseta
- Desculpe. – eu disse rindo
Ela se abaixou atrás do meu banco, para eu não poder olhá-la, mas depois que ela tirou a parte de baixo do biquíni, eu sabia pelo barulho, e colocou a calcinha
Percebi que ela ainda não tinha colocado a calça e fui beliscar ela, eu ia beliscar a canela, ou o pé, eu juro que não foi minha intenção beliscar a bunda dela.
- APOLO! – ela gritou muito vermelha mesmo
- Agora foi sem querer! – eu disse em minha defesa
- Ah, claro. Você poderia me dizer como é que aperta uma pessoa sem querer?
- Eu não queria beliscar ai...
- Ah sei...
- Desculpa.
- Vai ter volta. – ela disse simplesmente, mas não fazia idéia do que ela estava falando, até que ela voltou para frente
Bem, a primeira coisa que ela fez foi passar a mão na minha coxa, depois ela deu um jeito de apertar a minha bunda
- Eu vou bater o carro. – eu disse e ela riu um pouco, então eu coloquei a minha mão em sua coxa
- E isso não te distrai?
- Não. – eu disse simplesmente, mas ela entrelaçou sua mão na minha, de forma que eu não tocasse na perna dela
O que estava acontecendo entre nós?
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