Notas iniciais
Olha, ando pesquisando tanto a respeito de gravidez e sintomas tanto maternos como paterno que daqui a pouco engravido psicologicamente.Há uma passagem de tempo nesse capítulo, então vocês terão um Tony já curtindo a ideia de ser pai, curtindo tanto que...leiam. Hehe

Quatro semanas depois



Assim que Pepper pisou em casa, Jarvis a informou que Tony estava em seu laboratório. Ela largou a sua bolsa sobre o sofá, tirou os sapatos e subiu para o quarto carregando-os nas mãos. Livrou-se das roupas que vestia, tomou banho e vestiu roupas confortáveis. Voltou à sala e nenhum sinal de Tony, pediu o jantar e acabou jantando sozinha. Logo foi pega pelo sono, foi para o quarto e acabou adormecendo. Na manhã seguinte quando acordou, sentiu a respiração quente de Tony em sua nuca, seu braço envolvia a sua cintura e suas pernas estavam entrelaçadas as dela, não tinha ideia de que hora ele havia se deitado, mas dormia profundamente. Desvencilhou-se dele e ele não acordou, dormia profundamente. Pepper levantou, se arrumou, e saiu.

—Que horas são, Jarvis?— perguntou esfregando os olhos, e notando que Pepper já havia saído.

—9:45h, Sr.

—Droga.— praguejou ao sair da cama —Era pra você ter me avisado a hora que ela chegou em casa ontem, Jarvis, e não ter avisado a ela que eu estava no laboratório. Você sabe que eu perco a noção do tempo.

—Desculpe, Sr.

Tony tomou uma ducha rápida depois se vestiu, para sair. Colocou uma calça jeans, uma camiseta preta, uma jaqueta de couro preta e calçou os seus tênis.

—Jarvis, ela tomou café antes de sair?

—Não, Sr.

—Ótimo.

Deixou a mansão e foi à empresa, antes teve a ideia de passar numa cafeteria e levar café e donuts para Pepper.

—Bom dia, Sr Stark.— Miranda o cumprimentou quando ele saiu do elevador no andar da presidência.

—Bom dia, Miranda. A Sra Stark está na sala dela?

—Está na sala de reuniões há quase 1h.— respondeu —Quer que eu avise que o Sr está aqui?

—Não, eu a aguardarei na sala dela.— disse entrando na sala da presidência.

Depois de quase 30min de espera, Tony viu uma Pepper irritada adentrar a sala, ela não conseguiu dizer nada ao vê-lo, enjoada foi direto ao toalete.

—Livre-se do café.— Lorelai disse ao entrar após Pepper.

Tony blasfemou mentalmente, Pepper já estava na 7ª semana de gestação, e ele não sabia quais eram as coisas que a faziam enjoar. Seguiu o conselho de Lorelai, e enquanto ele deixou a sala ela aproveitou para aumentar a ventilação, fazendo com que o aroma de café no ambiente amenizasse.

—Aonde ele foi?— Pepper perguntou ao sair do banheiro.

—Se livrar do café.— Lorelai respondeu.

Quando Tony retornava à sala trombou com Hogan na porta, ele fez questão de entrar primeiro deixando o segurança para trás.

—Aqui, Pepper, o seu sorvete.— Happy disse entregando uma sacola a ela.

—Sorvete a essa hora?— Tony perguntou e recebeu um olhar recriminador de Pepper.

—Obrigada, Happy.— Pepper sorriu ao sentar-se à mesa.

—Disponha.— Hogan sorriu em retorno —Bom dia, Tony.— disse ao sair, Lorelai deixou a sala junto com ele.

—Sorvete a essa hora?— Tony repetiu enquanto Pepper abria o pote de sorvete.

—De doce de leite, quer?— respondeu —Eu estava com vontade desde ontem à noite.

—Porque você não me pediu?

—Como se eu tivesse visto você ontem à noite, aliás, como se eu tivesse visto você em um monte de outras noites.— conversava com ele entre uma colherada e outra, ele amarrou uma carranca e sentou —O que foi?

—Estou imaginando você dizer ao Hogan que estava com desejo de tomar sorvete.— disse emburrado.

—Eu não disse que estava com desejo, e qual é o problema com o Happy? Notei certa animosidade.

—Ele anda muito atencioso pro meu gosto, desde que ele soube do bebê vive enchendo a minha cabeça pra eu dar mais atenção pra você. E pelo jeito ele anda dando a atenção que todo mundo acha que eu não dou.— seu tom era um misto de descontentamento e ciúme.

—Tony, é o Happy, nosso amigo de anos, lembra?— usou um tom para que ele percebesse o quão absurda era aquela observação —O que você veio fazer aqui, além de ter crise de ciúme?— deu uma colherada no sorvete.

—Vim ver você, por que...— interrompeu o que dizia para observar a expressão de deleite que ela fazia ao devorar o sorvete.

—Você veio por que...?

—Por que eu não via você há 24h.

—E agora que você me viu?— levantou de sua cadeira e parou diante da mesa apoiando os quadris ao móvel.

—Me dei conta que eu não beijo você há 24h.— ele sorriu e levantou ficando frente a frente com ela, segurou-a pela cintura com uma mão e com a outra tirou o pote de sorvete das mãos dela, depois agarrou seus cabelos entre os dedos, puxando levemente fazendo com que ela levantasse a cabeça, beijou o pescoço e o queixo, depois apertou seus lábios nos dela e o gosto era tão doce. Ela foi inundada com calor, respondeu ao beijo com voracidade segurando aos ombros dele com firmeza trazendo-o mais para si —Devagar, Pep.— disse ofegante ao separar seus lábios dos dela.

—Estou com saudade— ela o puxou para outro beijo ávido.

—Não hora nem lugar pra isso...

—Ei, estranho, seja lá quem você for, saia do corpo do meu marido.— ela gracejou.

—Engraçadinha.— deu-lhe um beijo no canto da boca.

—Você...me trouxe dunuts?— perguntou ao reparar na caixa sobre a mesa.

—Pois é. Eu vim pra tomar café com você, mas não sabia dos enjoos , ando me saindo muito negligente nessa minha nova função.— ele sentou —Algum outro enjoo que eu precise saber? Não quero dar outro furo.

—Acho que só café.— sentou-se à sua cadeira —E quanto à função pai, você está se saindo bem, zeloso até demais.— disse um tanto crítica.

—Você parecia brava quando entrou aqui, o que foi?— ele mudou de assunto.

—Esses acionistas me dão nos nervos à vezes...

—Você devia deixar o Gilmore lidar com eles.— a interrompeu —Deve evitar ficar nervosa à toa.

—Não é à toa, Tony. E ser passiva diante das imposições deles me deixaria ainda mais nervosa.

—Então tente não se alterar nas reuniões, tá?— disse preocupado.

—Tudo bem.— respondeu —Não vai rolar café, ok?— ela informou —Fica pra almoçar comigo?— claro que ele concordou, almoçaria com ela e depois voltaria para os seus projetos.



(...)



Na noite de quarta-feira, Pepper chegou em casa e Tony novamente estava trancado em seu laboratório. Ela mesma preparou o jantar, peito de frango grelhado, arroz integral, legumes cozidos ao vapor e salada. Comia sozinha sentada ao balcão da cozinha quando ele surgiu.

—Já existem quantas?— detestava se meter no trabalho dele, mas não resistiu em perguntar, já que ele ultimamente vivia ocupado.

—Quantas o quê?

—Quantas armaduras?

—Duas, e um projeto.— respondeu caminhando até ela —Mas eu não estava na oficina, estava no laboratório ajeitando as doses de soro nas ampolas, amanhã começa o tratamento dos primeiros soldados.

—Isso significa que amanhã você ficará o dia todo na companhia de Bethany Cabe, novamente.— disse enciumada.

—Mas pensando só em você e no nosso bebê.— deu-lhe um beijo no rosto e afagou o ventre dela —Alguém resolveu cozinhar hoje?

—Amanhã é sua vez.— ela disse —Melhor, amanhã poderíamos jantar fora.— ela disse e ele concordou.

Após o jantar, ficaram ainda um tempo na sala de estar, Pepper compartilhou com Tony as ideias que teve para o aniversário dele, logo depois subiram para a suíte. Tony banhou-se primeiro, e já estava deitado usando apenas a calça de seu pijama quando ela saiu do banho. Pepper vestiu uma camisola de seda lilás com rendas na altura das coxas e alças finas. Quando ela saiu do closet, já vestida, ele a acompanhou com o olhar até ela chegar à cama.

—Você já se vê diferente?— perguntou apoiando as mãos sob a cabeça.

—Não. Acho que ainda é cedo.— respondeu —Você vê?

—Mudanças sutis, por exemplo, seus seios...

—O que tem meus seios?— olhou para o decote.

—Estão levemente maiores e mais bonitos, achei que você tivesse notado, afinal transformação ocorre no seu corpo, né?

—Além dos poucos enjoos e da gangorra emocional, não notei nada de diferente.— respondeu acomodando-se ao peito dele.

—E os desejos?

—Nada estranho, mas agora a gente podia parar de falar da minha gravidez...— ela beijou o pescoço dele —...Porque o meu único desejo nesse momento é matar a saudade do meu marido.— montou sobre ele, e passou a provocá-lo beijando-lhe o peitoral e clavícula, depois tomou a boca dele num beijo longo, cheio de promessas lascivas, as mãos dele foram parar nas coxas dela e ficaram lá estáticas, a maneira que ele a segurava era suave, até reticente. —Tony eu não vou quebrar.— disse ao perceber o quão hesitante ele estava em aprofundar aquele momento.

—Pep, eu...— ela o calou com um beijo exigente, depois correu beijos pelo corpo dele até chegar à região da barriga, o corpo dele respondia a ela, sentia isso, mas ele parecia não estar ali, ela tentou livra-lo da calça, mas foi impedida, então desistiu, bufou em descontentamento e sentou-se na beira da cama —Amor, eu tenho receio de...é estranho pra mim eu nunca fiz isso.

—Você nunca transou na vida?

—Não com uma grávida, quer dizer, nós fizemos antes, mas eu não sabia que você estava...

—Que diferença faz agora? E, eu não sou uma grávida, eu sou sua mulher— levantou-se irritada —Se bebê significa sem sexo não é por culpa minha.

Ótimo, ele pensou. Agora a culpa era dele, pela primeira vez na vida não soube o que fazer diante de uma mulher, pior, sua mulher. Na verdade ele sabia mais o seu protecionismo não o deixou dar continuidade ao ato.

—Aonde você vai?— perguntou ao vê-la caminhar para fora do quanto.

—Procurar um chocolate, sei lá.— exalou a sua frustração.

—Como se eu também não estivesse frustrado.— ele murmurou.



(...)



Na quinta-feira, Pepper estava na empresa, mas o seu pensamento estava em Tony e no fato dele passar o dia todo com Bethany Cabe. O complexo hospitalar da Base Aérea de Malibu era onde ficavam os oficiais em recuperação. Havia uma ala reservada para os voluntários ao tratamento com o Brave.

Preliminarmente, Tony selecionou os três primeiros voluntários. Um possuía 75% do corpo queimado devido a uma explosão no campo de batalha, queria descobrir em quanto tempo a pele do soltado seria restabelecida depois do início do tratamento com o soro. Outro estava impossibilitado de mover os membros inferiores, e a partir de então combinaria sessões de fisioterapia com tratamento com o Brave. E havia outro soldado, em coma há meses, que raramente apresentava reações neurológicas, mas Tony insistiu que com o tratamento as funções neurais do oficial responderiam e consequentemente o faria despertar.

Após administrar a primeira dose do Brave nos pacientes, Tony passou as coordenadas para a equipe médica que observaria o progresso dos mesmos. —Quero ser informado de qualquer progresso.— disse ao Dr. Douglas Ross —Principalmente em relação àquele paciente.— apontou para o rapaz em coma.

—Com certeza o Dr. Ross ficará atento ao rapaz.— Bethany sorriu apoiando a mão ao ombro do Dr. —Já que ele é um neurologista muito competente.— completou, o Dr. sorriu para Cabe.

—Ótimo.— Tony disse —Em 48h, retorno para administrar a segunda dose do Brave, e selecionar outros pacientes.

—Mas é sábado, você não precisa vir até aqui, nós podemos aplicar a medicação.— informou o Dr. Ross.

—Não é que eu não confie no Sr e na sua equipe, Dr., mas a dinâmica do tratamento é: Eu produzo e ministro as doses do soro, e você e a sua equipe acompanham a melhora dos pacientes.— o Dr. aquiesceu —Bem,— ele olhou ao relógio em seu pulso —Está na minha hora.

—Me dá uma carona?— Cabe perguntou, Tony não escondeu o seu descontentamento —Por favor, Anthony, sabe o quanto demora um táxi chegar até aqui?— relutante Tony aceitou a dar a carona, chegaram ao estacionamento e Bethany parou ao lado do Audi R8, enquanto ele entrou no veículo.

—Cabe, você não pode pegar carona se não entrar no carro.— disse baixar os vidros.

—Eu fiquei esperando você abrir a porta pra mim.— ela disse ao sentar-se no banco do carona —É isso que os cavalheiros fazem, sabia?— afivelou o cinto.

—Você nunca foi uma dama, Bethany Cabe. Qual é o seu endereço?

—Abraham Lincoln, 5881, East Malibu.— ela disse e Tony arrancou com o veículo, fazia o possível e o impossível para não conversar com Cabe, mas sabia que seria inevitável, visto que o trajeto que percorriam era extenso.

Bethany acionou um botão no painel do carro e Black in Black do AC/DC reverberou pelos autofalantes —Isso é muito Tony Stark, rock’n’roll e um carro veloz.— ela comentou —Rebelde por natureza, sabia que você não ficaria muito mais tempo longe da armadura do homem de ferro, você deixou um monte de gente feliz em Washington.— ela falava, mas ele não dava muita atenção —Você é um homem que ama adrenalina, o marasmo e a acomodação não combinam com você. Nós somos iguais, Anthony, gostamos de viver perigosamente, e você no fundo sabia que deixar de ser o homem de ferro privaria você e o país.

—Se os seus amigos de Washington fizessem o trabalho deles direito, o país não precisaria de mim.— disse tentando manter o controle —E eu já falei pra você parar com essa história de achar que me conhece.

O telefone da ruiva soou e ela o tirou da bolsa, respondeu algumas mensagens e depois ficou com o aparelho em suas mãos —Era o Doug.— ela informou.

—O Dr. Ross?— mostrou curiosidade —Alguma reação adversa com algum dos pacientes?

—Não.— respondeu secamente.

—Então, Doug, hein? Você não consegue manter uma relação profissional nunca?

A ruiva maneou a cabeça na direção dele, o olhou através dos fios de cabelos vermelhos caídos sobre os olhos e deu um sorriso —Olha quem fala, o homem que dormiu com todas as funcionárias, a maioria das jornalistas e acabou casando com a assistente pessoal.

—Ela já não era mais minha assistente.

—Se fosse talvez você não tivesse casado com ela, não é? Por isso você a promoveu?

—Eu casaria com ela de qualquer maneira.— respondeu não desviando os olhos da estrada.

—Mas a promover foi a maneira que você encontrou pra mostrar o quanto ela era especial. Imagino como ela agradeceu a promoção.— insinuou maldosamente —A garota que nunca havia saído do Colorado até a universidade se tornar CEO de uma das maiores empresas dos Estados Unidos.

—Como você sabe que ela é do Colorado?

—Melhor você me perguntar o que eu não sei sobre ela.

—Seja lá o que você queira descobrir, pare de vasculhar a vida da minha esposa, não ouse se aproximar dela.— disse entre dentes desviando os olhos da estrada por um momento para encará-la, segurava ao volante com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos.

—Não descobri nada demais: filha de um contador e de uma dona de casa herdeira de uma família falida, ótimas notas no colégio, graduou-se com louvor em Columbia, o fato mais escabroso na vida da Sra Certinha foi ter sido assistente de Aldrich Killian. Sinceramente, eu não sei o que você viu nela. E agora ela conseguiu te pôr no bolso, Anthony Stark pai de família, quem diria?

Tony freou o carro bruscamente —Desce!

—Mas, Anthony, eu...

—Desça do meu carro agora, Bethany Cabe, nós estamos a duas quadras da sua casa, você pode ir andando.

—Não com estes saltos.— deu um riso nervoso.

—Dane-se, tire os sapatos, desça!— esbravejou e ela não insistiu mais, desceu do carro dele —Sabe o que eu vi nela?— perguntou quando Bethany bateu a porta —Algo que eu nunca vi em você ou em qualquer outra mulher que eu me relacionei antes dela: integridade e outras qualidades que você não saberia distinguir, pois não as tem.— disse incisivo e arrancou com o seu Audi R8 vermelho.

No caminho para a mansão, Tony passou por uma floricultura, não resistiu ao impulso de comprar um buquê de rosas vermelhas para Pepper. Quando chegou em casa ela já estava lá, sentada ao sofá com a cabeça apoiada ao encosto.

—Cansada?— deu-lhe um beijo na testa antes de dar a volta no móvel e ficar diante dela.

—Um pouco.— respondeu —Flores, qual é a ocasião?

—Precisa de ocasião?— disse entregando-lhe as flores —Não preciso de motivos pra mimar a minha mulher.— sentou-se ao sofá e trouxe os pés dela ao seu colo, passou a massageá-los.

—Flores e massagem nos pés? Cheiro de culpa, o que você andou aprontando?— arqueou uma sobrancelha.

—As mulheres são engraçadas, pedem de carinho, mas quando recebem ficam desconfiadas.— ela preferiu não responder —O que são essas sacolas?— perguntou ao chutar algumas.

—Algumas saias e vestidos um número maior.

—Já?— mostrou-se surpreso.

—Precaução— respondeu —Hoje de manhã eu sofri pra encontrar uma saia que fechasse.

—Isso é sinal que ele está crescendo.— ele sorriu.

—E de que eu preciso parar com essa comilança toda, senão, daqui uns dias estarei imensa. E se meu marido não quer fazer amor comigo estando magra imagina...

—Não é nada disso, você entendeu tudo errado, eu preciso ter certeza de que é seguro, de que não fará mal para o bebê.— ele explicou, era estranho para ela perceber o quão preocupado ele parecia com a paternidade, nem lembrava aquele homem que surtou com a notícia.

—Tudo bem, eu até te entendi a sua preocupação no início, mas eu já disse que nós podemos, é até saudável, se você não tivesse faltado a minha última consulta saberia. Amanhã vou pedir à médica um atestado.

—Atestado, Pep, o que viria escrito?

—Sei lá. “Declaro que, apesar de grávida, Virginia Potts Stark está apta à atividade sexual”.— disse séria —Não quero mais falar sobre isso, nós vamos sair pra jantar?— perguntou impaciente.

—Você ainda quer?

—Preciso.— ela disse —Aliás, temos que planejar sua festa de aniversário, o que acha de fazermos no sábado, dia primeiro?

—Tudo bem, mas faremos aqui?

—Não, pensei num lugar diferente, talvez o bar do namorado da Lorelai, mas eu preciso conversar com ele pra ver a disponibilidade...

—Pep, um bar? Você não pode...

—Tony, eu estou grávida, não estou doente, e ir a um bar não significa que eu vá consumir bebida alcoólica. Pare de me privar das coisas, use toda essa tecnologia que você tem acesso a meu favor, pesquise sobre o que eu posso e não posso, e você verá que anda fazendo quase tudo errado.— ela levantou do sofá, pegou as sacolas e subiu em direção ao quarto.

—Eu vou guardar umas coisas no laboratório e já vou me arrumar pra sairmos.— ele informou caminhando em direção oposta.

Uma hora depois, Pepper já estava pronta, escolheu jeans escuro, camisa e blazer brancos e scarpins azul-turquesa, completou o figurino com alguns acessórios dourados. Sentada ao sofá na sala batia os pés no chão em sinal de impaciência, pensava em quão absurda era aquela situação, normalmente era Tony quem esperava, quem insistia pra saírem, quem a procurava na cama.

—Sra Stark a agente Cabe solicita a entrada na mansão.— a voz de Jarvis informou a tirando de seu devaneio.

—Quem?!— perguntou para ter certeza de que era mesmo o que ouvira.

—A agente Bethany Cabe deseja falar com o Sr Stark.— Jarvis informou.

—Pode deixá-la entrar.— Pepper levantou e colocou-se de pé na porta principal para receber Bethany.

—Boa noite, Sra Stark.— Bethany disse ao passar pela porta depois de medir Pepper da cabeça aos pés —Não quero incomodar só desejo dar uma palavrinha com o Anthony, ele está?

—Está no banho.— Pepper respondeu automaticamente, estava embasbacada com o fato de a outra ter passado o dia com seu marido e ainda ter a audácia de procurá-lo.

—Eu posso esperar?...Quer dizer, acho que você pode me ajudar.— Bethany disse —Creio que deixei o meu telefone cair no carro do Anthony esta tarde, e, eu preciso muito dele.— mordeu o lábio inferior fingindo um ar inocente.

—Jarvis, diga ao Sr Stark que se apresse, eu o aguardarei na garagem.— Pepper informou.

Foram até a garagem, mas Pepper não sabia em qual dos carros procurar, até que Cabe avisou, abriu o veículo e encontrou o aparelho celular no vão entre o assento e o encosto do banco do carona. Entregou o aparelho para Bethany e indicou-lhe a saída.

—Eu adorei a sua roupa, casual e sofisticada.— Bethany comentou, Pepper agradeceu, mas não devolveu o elogio, apesar de Bethany trajar um vestido preto, que caía-lhe muito bem —Deve ser difícil manter-se sempre bonita para um homem como Anthony Stark, digo, a atual sempre será comparada com a anterior.

—E quem seria a anterior, você?— não resistiu em perguntar.

—Não, você deve saber que eu voltei agora, e entre mim e você houveram outras, aliás, deve ser difícil ser casada com um homem e saber que ele dormiu com metade das mulheres bonitas dos Estados Unidos.— Bethany alfinetou.

—Eu tinha plena certeza que não estava me casando com um celibatário.— Pepper demonstrou segurança —Mas eu tenho um pouco de pena das mulheres bonitas dos Estados Unidos, porque ele abriu mão delas todas pra dormir apenas comigo.— disse altiva.

—Você parece bastante segura quanto a fidelidade do seu marido, Sra Stark.— Bethany observou.

—Não é segredo que ele teve casos com capas de revistas, supermodelos e mulheres de caráter duvidoso, mas ele nunca cogitou se comprometer. Nem uma vez, apesar delas insistirem.

—E então ele casou com você e passou a agir como homem de uma mulher só, admito, você conseguiu enfeitiçá-lo. Mas um dia ele pode cansar dessa brincadeira de casinha.

—E você torce para que isso aconteça, não é? Pois tem esperança de retomar o relacionamento vazio que tinham.— Pepper cuspiu —Supere, já faz anos, sempre achei que vocês agentes fossem treinados para saber quando uma batalha está perdida.

—Vazio, mas que pra ele significou algo, ele também não superou, basta olhar para você. Ruiva, olhos claros...

—Cale a boca, Bethany Cabe.— Tony bradou ao surgir na garagem.

—...Acho que desde a primeira vez que ele te olhou me procurou em você.— deu um riso sarcástico na direção de Tony.

—Cale já essa boca imunda!— Tony rosnou e a segurou pelo braço, mas Cabe se soltou.

—No fundo você percebeu isso, e tratou de engravidar para prendê-lo a você. Que golpe baixo, Sra Stark.— Bethany ainda disse antes que Pepper desferisse um tapa no rosto dela.

—Agora eu estou dizendo, cale essa boca imunda e saia da minha casa.— Pepper com os dentes cerrados.

—Não se atreva a tocar em mim novamente.— Cabe disse com os olhos exalando fúria, enquanto Tony a arrastava para fora da garagem.

—Nunca mais abra a sua boca pra falar de mim ou do meu filho.— Pepper gritou.

Ele a levou até o portão, enquanto ela se debatia e tropeçava nos próprios pés. —Você não trabalha mais no meu projeto!— Tony exclamou ao empurrá-la para fora.

—Não é você quem decide isso.— ela o enfrentou.

—Veremos!— disse antes que o portão se fechasse.

Quando Tony voltou ao interior da mansão Pepper ainda estava na garagem, ele foi até lá e a encontrou sentada encostada a um dos carros. Sentou-se ao lado dela, e quando se preparava para dizer algo ela disse antes.

—Porque, Tony, porque me fazer acreditar nessa mentira esse tempo todo?

Notas finais
Lembrem-se que uma mulher grávida é suscetível a mudanças de humor tá? Hormônios são uma loucura. Juro que tentei dar continuidade ao capítulo, mesmo sabendo que ficaria enorme de novo, mas bloqueei. Deu tela azul na escritora =/É isso.Beijos ;)