Do Silêncio, as Consequências
4 Capítulo 4
A semana passava e Mel se assustava sempre que o telefone tocava, quase com medo de atender. Mas as semanas iam e vinham sem um telefonema de Amélie. Mel pensou em telefonar-lhe muitas vezes, mas sempre conseguia controlar a vontade e largava o telefone.
-- \"Se ela precisar de mim, ela vai ligar. Nós duas precisamos de um tempo sozinhas. Eu não quero influenciar ela em nada e não sei se estou pronta pra sentir algo novamente.\" Outra semana passou e o silencio estava começando a incomodar Mel. Em uma madrugada de sexta-feira ela se viu na cozinha, porque não conseguia dormir. Mel sempre teve a cozinha como seu lugar favorito quando estava estressada. Ela arrumava a cozinha enquanto esperava a pizza terminar de assar. A campainha tocou quase ao mesmo tempo em que o cronometro chegou a zero. Mel se apressou pra tirar a pizza do forno, e, na pressa, abriu o forno com a mão desprotegida. Ela imediatamente sentiu a dor e começou a assoprar aquela marca vermelha em sua mão. A campainha tocou novamente e ela pegou a pizza, dessa vez com a mão enluvada, colocou em cima do balcão e fechou o forno. Apertando a sua mão queimada, ela correu pra sala, praguejando. -- Que droga, eu ja estou indo! — ela empurrou a porta com a outra mão, perguntando, antes mesmo de ver quem era -- O que foi?! Amélie ficou parada na entrada, espantada com aquela súbita explosão de raiva. -- \"Talvez ela soubesse que era eu e não queria me ver...?\" -- Amélie, o que foi? O que você tá fazendo aqui tão tarde? — a raiva de Mel virou preocupação. -- Eu... só precisava te ver, mas se não for uma boa hora, deixa. — Amélie balbuciou. -- Não! — Mel respondeu, gritando e Amélie se afastou. Vendo a incerteza naqueles olhões, Mel continuou calmamente -- Eu quis dizer que não tem problema. Me desculpe se eu fui tão rude. Eu estava cozinhando e sofri um pequeno acidente — disse, mostrando a mão queimada. Amélie segurou a mão pra olhar melhor. -- Deixa eu ver isso. Dessa vez você se superou! -- Não foi nada. — Mel respondeu, num tom defensivo. -- Você tem algo pra por nisso? — Amélie perguntou, empurrando sua amiga pra dentro da própria casa. -- Sim, no armário do banheiro. — Mel respondeu, deixando Amélie puxá-la pelo corredor. Mel sentou-se na beira da penteadeira enquanto Amélie cuidava de sua mão. Nenhuma das duas falava nada, com exceção dos resmungos de Mel, quando Amélie tocava algum ponto mais delicado. O rosto de Amélie estava a poucos centímetros dos de Melissa, enquanto cuidava de sua mão. Mel sentiu emoções que permaneceram dormentes por tanto tempo e queria envolver sua amiga em seus braços e abraçá-la pra sempre. Amélie podia sentir a respiração de sua amiga em seu rosto, enquanto aplicava a pomada em sua mão queimada. Ela sentiu uma vontade irresistível de beijar aquela mão machucada e continuar dalí. Livrando sua mente de tais pensamentos, ela percebeu o cheiro que vinha da cozinha e aquilo só poderia significar uma coisa. Enfaixando a mão da amiga, Amélie finalmente falou. -- O que está te afligindo? -- Como você sabe? — Mel questionou. -- Por que eu conheço você. É quase 1 hora da manhã e você está na cozinha, então algo está aborrecendo você — ela respondeu presunçosamente, olhando para sua amiga. -- Você se acha tão esperta, né?! — Mel revidou, e andou de volta em direção a cozinha -- Você ta com fome? -- Eu não estou sempre faminta? — Amélie respondeu, seguindo sua amiga.
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