Do Silêncio, as Consequências
2 Capítulo 2
As duas se olharam nos olhos, mas Amélie ainda permanecia em silencio. Conscientemente ou subconscientemente, ela tinha ignorado seus sentimentos naquela época, mas agora, mais do que nunca, ela queria fazer o que deveria ter feito desde a revelação de sua amiga.
Finalmente, Amélie falou. — Posso ter perguntar uma coisa? – Claro – Mel respondeu – Você sabe que pode me perguntar qualquer coisa. — Você me ama? – Amélie perguntou suavemente. — É claro que sim, eu sempre te amei. Você é a minha melhor amiga, né?! — Mel respondeu, sem hesitar. — Sim, mas... Você já foi apaixonada por mim? – Amélie se inclinou pra frente, prestando atenção no rosto de Mel pra qualquer sinal de rejeição. — Já... – Mel respondeu com um sorriso triste — Você não é mais? – Amélie falou em tom baixo, sem querer. Mel balançou a cabeça levemente, suspirando. – Isso machuca demais... – Ela olhou pra baixo pras próprias mãos e sentiu como se um tornado de emoções estivesse prestes a engoli-la. Ela fechou os olhos, sentindo um aperto familiar em seu peito. – Eu achei que tinha superado isso. — Me desculpe – Amélie respondeu quietamente, botando suas mãos sobre as de sua amiga. Mel ajustou suas mãos para que pudesse segurar as mãos de Amélie e abriu seus olhos. Ela abriu a boca pra falar, mas só mexeu a cabeça e sorriu. Seus olhos verdes diziam o que a sua voz não conseguia. Perdão nunca foi parte do problema. Depois de alguns instantes Amélie perguntou: – Você acha que pode se apaixonar por mim de novo? – Eu não sei – Mel respondeu – Você sabe o que está dizendo? – perguntou — Sim – Amélie respondeu – Mas eu nunca tive coragem de confrontar isso. Mel não sabia se ainda algo pra oferecer à sua amiga e encostou-se à cadeira, gentilmente largando a mão de Amélie. Amélie sentiu seu coração desabar como uma montanha e pensou “Eu esperei muito tempo”. O silencio caiu novamente sobre aquela mesa, até que Amélie perguntou o que as duas estavam pensando: – O que a gente faz agora? Mel sabia que as duas precisavam de tempo pra pensar e que Amélie precisava ir pra casa resolver outro problema. – Eu acho que você deveria ir pra casar e discutir a sua relação com o seu marido. Alexis é um bom homem e merece isso – Mel respondeu com sinceridade. — Sim, você está certa – Amélie respondeu, reconhecendo a verdade na resposta de sua amiga. Elas deixaram o bar juntas e quando estavam chegando onde o carro de Amélie estava, ela parou e olhou pra Mel. – E quanto a nós? – perguntou com medo da resposta. Mel parou mais a frente e em seguida andou em direção à Amélie. – Sempre vai existir “eu e você”. Não importa o que aconteça, a partir de agora eu vou está aqui pra você. Nada vai mudar isso. Tá? — Com lagrimas escorrendo pelo seu rosto, Amélie respondeu um tímido “Sim.” Paradas em frente ao carro de Amélie, Mel a abraçou forte. Ela não queria deixar sua amiga ir, mas sabia que precisava. Amélie tinha que resolver o problema com seu marido, sozinha, e sabendo disso, Mel sussurrou em seu ouvido – Eu sempre vou amar você — e andou em direção ao seu carro. Mel ficou parada perto de seu carro, vendo Amélie entrar no carro dela. Mel seguiu a sua amiga até sair do estacionamento e parou ao lado dela no final. Ela fez sinal para que Amélie abaixasse o vidro. – Me liga, tá? – perguntou, olhando nos olhos molhados de Amélie — Tá bom – Amélie respondeu e gritou, sem conseguir controlar o tom de voz – Eu te amo! — Dirija com cuidado – Mel disse, enquanto o sinal abria. Então as duas seguiram caminhos separados para suas casas.
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