Do Princípio...
60 Kevin
Notas iniciais
E é claro que eu não podia deixar de vim de mãos vazias, então...novo capítulo só pra vcs (tô super animada, eu comi chocolate aí já viu né?! ^^)
Na Páscoa eu entro em colapso (sou chocolatra assumida @.@)
Enfim, queria agradecer à todo mundo que vem lendoa fic, dar boas-vindas para os novos e mandar um enorme e exagerado obrigado para os antigos, vcs são 10 ♥
Bom, eu adorei escrever esse capítulo, um pouco da história da Nath é explicada nele, ou seja: amei *-*
Espero que gostem de verdade ♥
Outra coisa: Eu queria agradecer ao David (meu amigo, praticamente irmão, que esteve lá na minha nova fic deixando sua marquinha *-* e a Jú, que também apareceu lá me deixando super alegre com seu comentário sempre divino ♥
Também queria agradecer aos comentários do capítulo anterior e dos outros para todos os leitores.
Hj, se Deus quiser e tudo correr bem, eu vou estar atualizando as duas outras fics e, talvez mais um capítulo de Do princípio, mais não é garantido.
Também vou tentar responder alguns comentários (sim, eu ainda não consegui responder todos, sim é uma vergonha da minha parte :/
Enfim, desculpem erros...
Eu espero que gostem ;D
P.O.V Natália
Diminui o passo quando ouvi o som de vozes, apesar de estar ciente de que Aslam mantinha sua presença ao meu lado eu não podia deixar de ser cautelosa.
Encostei-me na parede de pedra tentando ao máximo não fazer barulho algum.
_O que você quer Guardiã?_perguntou uma voz grave sobresaltando-me, eriçando os pelos de meu braço.
Olhei o nada, era isso que restava uma vez que a caverna estava vazia, tão vazia quanto a última vez que estive ali com Kevin.
_Não sei, diga-me você._murmurei indiferente, enquanto detia o medo em minha voz.
Uma gargalhada ecoou pelas paredes da caverna úmida.
Aquela risada..., forcei-me a tentar ignorar a semelhança, porém cada vez mais meu coração parecia cultivar a certeza de quem se tratava.
_É..., sei exatamente o que deseja._ a voz falou convencida, uma risada pairando por entre as palavras.
_A questão é: você merece?_disse mudando o tom de voz, tornando-o ressentido.
Resfoleguei, agora mais convencida do que nunca de quem pertencia a voz.
_Ter lhe matado não foi meu pior pecado Kevin, ter me apaixonado por você é que foi o problema._disse firme, as palavras tão duras quanto meu coração naquele momento.
Uma luz clareou toda a caverna, cegando-me rapidamente por breves segundos.
Quando finalmente o festival de cores acabou pude destinguir a figura à minha frente.
O rapaz de cabelos negros, uma fotocópia de Edmundo só que um pouco mais maduro devido à alguns milênios, apareceu com o sorriso sarcástico de sempre.
_Nath, sempre tão esperta..._disse Kevin observando-me com a cabeça um pouco tombada, analisando-me por inteiro.
Fui obrigada a questionar-me o que eu vira nele algum dia?!
Apesar de ser um homem bonito, Kevin era o que mais a personalidade não se igualava aos demais, ele era convencido, rude e muitas vezes grosso.
_Pena que não posso dizer o mesmo, meu caro Kevin._disse sem esconder o nojo em minha voz, e tinha certeza que a evidência do mesmo também estava em minha face.
Kevin deu um de seus mais lindos sorrisos, graças a Aslam eu disfarcei bem meus sentimentos naquela hora inoportuna.
_Sim, tem toda razão!_disse sarcástico, seu ego gravemente ferido.
Sorri, deliciando-me com sua raiva.
_E então..._disse dando alguns passos à frente e parando perto dele, eu queria provoca-lo, e de certa forma estava obtendo o resultado esperado.
_Como tem sido os milênios por aqui? Muito parado?_disse com as sombrancelhas arqueadas e um sorriso brincalhão nos lábios.
Kevin sorriu sedutoramente, ele estava tão certo de si que parecia não perceber a tensão e a raiva que meu corpo exalava.
_Teria sido melhor com sua companhia, porém você não quis morrer também._ele disse fazendo um bico, e por mais que eu o odiasse com todas as minhas forças, pude sentir meu coração fraquejar.
_É, eu poderia ter ficado aqui se não fosse seu grande amigo Ramandu. Lembra-se dele, não é?_disse testando-o.
Kevin assumiu uma carranca, sua cara tão azeda quando seu olhar mortal.
_Ele me enganou!_disse raivoso, tentando defender-se inutilmente.
Levei minhas mãos até a cintura, como ele podia ainda tentar reverter sua situação?!
_Como você pode ousar passar-se de vitíma? Você me deu como sacrifício para Ramandu!_disse estática, a perplexidade no limite.
Kevin olhou-me nos olhos, ele sempre fazia isso quando tentava me convencer de algo, assim como fez quando atraiu-me até aquela caverna matando-me em seguida.
_Eu não queria te matar Nath..., mas o medo de Ramandu fez-me perder o controle!_disse encarando-me profundamente, deixando de lado todo o seu sarcasmo.
_Isso não retira a culpa de suas costas Kevin. Você me ofereceu para sacrifício apenas por que Ramandu lhe ordenou!_disse entridentes, as lágrimas de raiva já prontas para fluírem pelo meu rosto.
Kevin tornou sua face uma imagem de culpa, um remorso sem fim.
_Mas você também matou-me Natália, lembra-se?_disse em mais uma tentativa falha de fazer-me mudar de opinião.
Não pude evitar rir ironicamente.
Ele sacrificou-me!
_Você foi um tolo Kevin, caiu na armadilha de Ramandu direitinho!_disse aos berros, já não conseguia controlar a fúria em meu ser.
Kevin pareceu ofender-se e tornou a gritar num nível que ultrapassava minha voz.
_Eu não sabia que o plano dele consistia em me matar e lhe dá a imortalidade!
_É claro que não sabia! Isso me parece muito óbvio caso contrário sua lança não teria perfurado-me o coração!_gritei chorosa.
Kevin parecia abalado, mais igualmente à mim continuava a gritar.
_Achei que se você estivesse morta a profecia não se cumpriria Nath, apenas quis o melhor para Nárnia!
Agarrei o colarinho de sua camisa, fiquei com o rosto à centímetros dele, eu sabia que estava perdendo o controle.
_Você não percebeu que a profecia se dirigia mais ao humano? Você foi tão tolo de não entender que em Nárnia raras vezes você encontrará um criatura que seja totalmente humana?_perguntei soltando em comoção.
Kevin negou um pouco mais calmo, seu olhar tinha a penalidade nunca contida ali.
_Eu não sabia..., e quando Ramandu apareceu e fez seu corpo flutuar, eu..._ele tinha a voz embargada, algo que nunca presenciara.
_Você?_perguntei sem dó, não deixando que seu drama abalace-me.
Kevin respirou profundamente e olhou para o chão.
Uma lágrima caiu pelo seu rosto, uma lágrima que me surpreendeu tão brevemente quanto trouxe-me as lembranças repugnantes dele.
Kevin voltou seu olhar para mim, ele parecia cansado, exausto...
_Eu tinha esperança que ele revive-se você!E ele o fez..._ele disse sorrindo fraco, mais logo se perdendo em sua próprias lembranças._Mas, quando eu achei que poderíamos ficar juntos, se por alguma milagre você me perdoasse, apareceu aquela marca estranha no seu braço, o preço que Ramandu havia cobrado para torna-lhe imortal...
Seu olhar cultivava ódio, um ódio tão translúcido quanto o que eu sentia por ele.
Ele abaixou seus olhos para o meu braço, procurando a tal marca.
Eu levantei espontâneamente o braço para que ele tivesse uma visão mais clara da imagem da mesma.
Kevin, sem pensar, levou a mão até a marca, acariciando-a triste.
_O meu preço não se compara a nada que você tenha passado, eu preferia mil vezes ter morrido com sua lança cravada em meu corpo do que ter que passar o resto da eternidade sofrendo._disse com a voz embargada, a raiva dando lugar a dor, uma dor que sempre estava presente quando se tratava de minha dívida com Ramandu.
Kevin fez menção de se aproximar de mim mais eu o detive, não queria que mantivessemos contato.
Ele, por mais que doesse admitir isso, ainda tinha forte influência sobre meu coração, e de forma alguma deixaria que ele destruísse o que Edmundo e eu tínhamos.
_Ainda tem raiva de mim._concluira ele cabisbaixo.
Eu ri, dessa vez o humor evidente em minha voz.
_Agora que você percebeu isso?
Kevin, não me surpreendendo nem um pouco, riu também, essa era uma das diferenças que ninguém conseguia assemelhar-se à ele, Kevin sempre era preenchido de humor, não importava qual fosse a situação em que se encontrava.
Depois de alguns instantes compartilhando de uma risada, a qual não deveria ter ocorrido, ele falou sério, os olhos negros cheios de compaixão.
_Então esse é seu castigo? Ter de obedecer às ordens repugnantes daquele Rei miserável?_disse rispído.
Finalmente chegara a hora em que ele saberia que por seu espiríto viver eternamente preso à Terra, por culpa de sua traição, seus descendentes que não chegaram a nascer, por conta de sua morte, acabaram por serem gerados em outras famílias e transportados para Nárnia de centenas de anos em anos.
Mordi o lábio, eu sempre fazia isso quando tentava encontrar uma saída para escapar de um assunto ao qual não gostaria de tocar.
Infelizmente Kevin me conhecia muito bem para saber que eu estava tentando fugir do assunto, logo pronunciou-se:
_Nath, diga logo, não minta para mim!_disse autoritário.
Eu sabia que poderia ficar calada, mas agora que nos reencontramos tinha certeza que esse assunto surgiria uma hora ou outra.
_Você, por ter traçado um novo caminho em nosso destino ao matar-me e consecutivamente eu mata-lo por ordem de Ramandu, acabou por espalhar sua futura descendência por várias famílias do seu mundo de origem, fazendo com que um "parente", se é que devemos chama-lo assim, seja transportado para Nárnia, onde eles viveriam caso não tivessemos mudado o rumo da história._conclui sem fôlego.
Kevin estava com a boca escancarada, de certo estava imaginando o quanto havia sido amaldiçoado ao fazer o que fizera no passado.
_Algo mais?_falou com a voz abafada, o nó com toda certeza apertando-se em sua garganta.
_Sim, mais receio que não venha ao caso agora._disse tentando safar-me de ter que contar a outra grave consequência de nossos atos.
_Tem alguma coisa a ver comigo?_perguntou desconfiado, os olhos estreitando-se.
Engoli em seco, fora o suficiente para ele ter certeza que ele estava envolvido.
_De uma certa maneira..._disse com o coração retumbante, eu não sabia o que esperar da reação de Kevin.
_Conte-me então._ele disse num sibilo, tudo parecia estar tendo forte impacto em suas emoções.
_Tudo bem..._respirei fundo e pus-me a falar, quase tão rápido quando a explicação anterior._Uma parte do castigo, que de certa forma afeta ambos ao mesmo tempo, é o encontro entre mim e seus descendentes.
Kevin estava com o cenho franzido, ele parecia não entender o que eu estava tentando falar.
_Escute._falei desesperada, eu tinha que me livrar desse peso._O meu castigo é apaixonar-me pelos seus descendentes, e por mais que eu tenha tentado lutar constantemente para evitar isso, algo sempre faz com que nossos destinos se cruzem, e no final nos separem seja pela morte dos mesmos ou apenas pela partida deles._as lágrimas escorriam rápidas pelo meu rosto.
Mas o que chamou-me a atenção era Kevin, ele estava com as narinas dilatas, uma expressão de fúria sinistra pairando ao seu redor...
Ele...
Ele parecia estar..., reprendi-me por achar isso, mais de certa forma era o que parecia.
_Você...você...?_ele não conseguia juntar as palavras corretas, apenas balbuciava algumas quase incoerentemente.
Eu afirmei com um aceno de cabeça.
_Sim, eu me apaixono e acabo quebrando meu coração em seguida._disse triste, enchugando às lágrimas.
Kevin arfou, mais ao contrário de sua expressão anterior ele parecia sentir-se culpado.
_Quando foi..., quando..._ele parou engolfando um pouco de ar._Quando foi que ocorreu sua última paixonite?_disse sarcástico, porém com misto de seriedade.
Eu fiz uma careta, mais uma vez ele pegara-me desprevenida em suas perguntas mais do que bem boladas.
_Ainda está acontecendo._disse séria, encarando-o.
Kevin pareceu surpreso, mais, ao que tudo indicava, ele parecia estar se controlando para não explodir em ciúmes.
Eu não podia acreditar!
Eu deveria estar realmente muito enganada, minha percepção deveria estar realmente falhando para que eu pensasse que ele estava realmente sentindo ciúmes.
_Quem é ele?_perguntou presunçoso, certamente colocaria mil defeitos em seu "oponente".
Eu sorri, lembrando-me da imagem escultural de Edmundo, sua perfeição tão notável que fazia-me sentir rebaixada ao seu lado.
Kevin deve ter percebido meu olhar quando falava de Edmundo, eu sabia que deveria estar fora de órbita, sonhador até...
_Ele se chama Edmundo._disse sorrindo, só pensar nele fazia meu coração correr freneticamente dentro do peito.
Kevin riu, e se sua risada não tivesse saído tão debochado eu poderia ter descartado a possibilidade de um ciúme repentino, porém estava muito evidente.
_Que nome horrível._ele disse rindo, certamente sem motivo algum pois o nome de Edmundo era muito lisonjeiro, era até oportuno para um Rei.
_E então, agora você vai me dizer que ele é flautista?_perguntou cínico.
Eu estava começando a me estressar novamente, como ele podia falar isso de Edmundo?!
_Olha você dobre centenas de vezes a sua língua para falar dele. E não, ele não é um flautista!_disse raivosa, parecia ter incorporada uma garota de quinze anos de idade qua tentava convencer os pais do contrário.
Kevin se dobrava de rir, e apesar de não ser necessário contar que Edmudno era um Rei eu senti-me no direito de defender meu namorado!
_Caso você não saiba, o que é bem provável tratando-se de você,_ele ficara sério, encarando-me de mal humor._ devo dizer que Edmundo trata-se nada mais nada menos que um dos grandes Reis de Nárnia, um Rei que voltou juntamente com seus irmãos 1.300 anos depois para restabelecer a ordem e a paz no seu país!_disse convencida, eu queria muito ver Kevin arder em inveja.
E não acontecera outra coisa: ele parecia ofendido por tratar-se de um Rei, sua surpresa era tanta que suas sombrancelhas levantaram-se tanto que os olhos pareciam querer pular do rosto.
Como se recuperando a dignidade que ainda lhe restava ele falou:
_Além de tudo ainda é velho!_disse cuidadosamente tentando acalmar-se.
Eu preparava-me parar lhe dirigir milhões de palavras infames, as quais estavam presas em minha garganta à milênios, porém ele cortou-me rapidamente, seus olhos um pouco depressivos:
_Não querendo apressa-la, mas acho que precisa de um favor, não é mesmo?_disse desviando seu olhar para ambas as mãos.
Lembrei-me que a hora era essêncial para nossa vitória sobre Mirraz.
_Sim, eu vim buscar algo!_exclamei exautada, acho que a surpresa por ter me esquecido de tudo caiu como um tijolo em minha cabeça.
Kevin voltou a olhar-me, dessa vez seu olhar era eficaz, como se não quisesse demonstrar nada do que estava pensando ou sentindo.
_Do que precisa?_perguntou distraído, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Respirei fundo e proferi o objeto que fizera participação em minha sentença de morte e na dele:
_Preciso da espada de Wigan!_no mesmo segundo o olhar de Kevin pareceu mortificasse, porém ele conseguira caminhar em minha direção e segurar-me os ombros com uma força desnecessária.
_Não, eu te imploro!_disse manchando seu rosto pelas lágrimas, porém estava decidido: Eu partiria com a arma de Wigan, queira ele ou não!
Notas finais
Bjs de chocolate (não poderia ser de outro, não é mesmo?! ^^)
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