Do Princípio...
72 Lembrete
Notas iniciais
P.O.V Autora
_Em seus postos!_a voz de Christian ecoou por entre todas as paredes da caverna.
Suzana e Caspian se sobressaltaram e logo se viram envolvidos na multidão de espadas e armaduras.
Caspian segurou firme a mão de Suzana, para que a mesma não se perdesse de vista.
_O que está havendo?_perguntou Suzana com a voz sendo abafada pela confusão que se instalava ao seu redor.
Caspian olhou-a e, naquele instante, a garota soube que a hora havia chegado.
Suzana se aproximou-se de Caspian e o abraçou com urgência.
_Fique vivo._sussurrou acariciando o cabelo sedoso do jovem príncipe.
Caspian se afastou para olhar a face da garota.
_Desde que você prometa que estará de braços abertos me esperando quando tudo acabar._a voz de Caspian era firme, mas seus olhos suplicavam para que Suzana tomasse cuidado, para que não o deixasse mais uma vez.
Suzana sorriu, mas seu sorriso era afetado pelo medo, pela insegurança e, embora doesse admitir, Caspian sabia que não poderia requerer uma promessa daquela magnitude dela e nem poderia prometer coisa igual, uma vez que agora, mais do que nunca, suas vidas estavam nas mãos do destino.
Suzana acariciou a face de Caspian uma última vez e se afastou, deixando seus dedos se soltarem dos de Caspian conforme a distância entre ambos tomava forma.
Caspian ficou observando enquanto Suzana sumia por entre a multidão, enquanto corria para o lado de fora do forte.
_Ande, Caspian. Não há tempo para despedidas._titubeou Christian em cima de um sedoso cavalo branco.
_Você a ama também._disse Caspian calmamente, olhando sereno para Christian.
Christian poderia lhe devolver mil insultos como resposta. Poderia sacar-lhe inúmeras vezes e, ainda assim, não se dar por satisfeito, mas, no entanto, a única coisa que fez foi responder com a mesma calma que Caspian permitia-se possuir naquele momento:
_Seria mais fácil você perguntar quem não a ama.
E, com um último olhar, deixou Caspian sozinho, rumando para o fundo das cavernas, sendo seguido por tantas outras criaturas.
Caspian queria poder sentir raiva de Christian e, principalmente, de Pedro. Mas a única coisa que se passava em sua mente era se estaria vivo para conseguir olhar uma última vez nos olhos de cada um. Se estaria vivo para governar e proteger seu reino.
E se estaria vivo para amar Suzana para todo o sempre.
***
_Não seja ridícula, Suzana!_queixou-se Edmundo segurando a mesma por um dos braços e a arrastando para longe dos arqueiros.
_Mas o que...?_balbuciou Suzana, mas parou a sentir seu braço, o qual Edmundo não segurava, se puxado para o lado contrário.
_Deixe que ela se junte aos arqueiros, Edmundo._comandou Pedro, retirando sua mão da pele da garota logo em seguida.
Suzana olhou Pedro e, logo, desejou não tê-lo feito.
_Não me olhe desse jeito._implorou ela, enquanto absorvia aquela expressão severa traçar cada linha do rosto do jovem Rei.
_Como você deseja ser olhada depois de tudo?_rebateu Pedro.
_Suzana, acho melhor você...
_Deixe-a ir, Edmundo. Suzana sabe se defender e, além do mais, precisamos dela._disse Pedro dispensando Edmundo.
Edmundo saiu contrariado, não havia sentido em discutir.
_Eu amo Caspian!_argumentou ela sem fôlego.
Suzana não queria ser tão direta, mas não via sentindo em continuar alimentando a paixão de Pedro quando ela mesma já havia tomado a decisão de pôr um ponto final nesta história.
Pedro permaneceu olhando Suzana por alguns segundos.
A confusão de pessoas ao redor deles continuava ganhando proporção, mas nenhum dos dois se mexeu naquele instante.
_Sabe de uma coisa?_começou Pedro, seus olhos atentos ao rosto angelical de Suzana.
_Pedro, por favor...
_Não. Você vai me ouvir. Me deve isso!_falou ele com calma, mas era óbvio que estava se concentrando para não perder o controle que ainda lhe restava.
Suzana calou-se.
Era difícil admitir que tinha total culpa pela dor de Pedro.
Era ainda mais difícil admitir que não tinha forças para ouvir a verdade que ele estava prestes a jogar-lhe na cara.
Não tinha coragem de assumir a culpa.
Mas, naquele momento, ela sabia que teria de aguentar tudo aquilo que estava entalado na garganta de Pedro.
Todo aquele sofrimento seria jogado nela naquele instante e ela não podia escapar disso. Ela tinha o dever de ouvi-lo.
_Eu a amei como jamais um homem a amará. Eu me sacrifiquei por você! Lhe entreguei meu coração e, por Aslam, você não hesitou em pisoteá-lo!_Pedro falava baixo, seu peito subindo e descendo conforme a raiva se expandia por suas veias.
_Você não me deu chances. Acha que pode apagar a existência de uma pessoa da sua vida tão facilmente? Acha que pode brincar com os corações alheios só porquê imagina já ter passado todos os tipos de provas possíveis?! Acha que merece encontrar a tão almejada felicidade depois de tudo isso?!
_Pare, Pedro. Você vai se arrepender do que está falando e então será...
_Será o quê? Será tarde?_perguntou ele, os olhos inflados por puro ódio_Não, minha pura e estimada Suzana..._ele deixou sua mãe tocar o lado da bochecha de Suzana.
O toque de Pedro nunca lhe pareceu tão errado. Nunca pareceu tão frio.
_Pare. Apenas isso._pediu ela, sua face ardendo onde a mão dele repousava.
_Por quê? Tem medo de não conseguir resistir?
Suzana encarou Pedro perplexa.
Ela sabia perfeitamente que a reação de Pedro não poderia ser outra a não ser de ódio, mas, ainda assim, não imaginou, nem de longe, que Pedro pudesse ser tão cruel. Que pudesse pensar essas coisas dela.
_Você está passando dos limites._advertiu Suzana.
Pedro, que agora parecia beirar o cinismo, arqueou o semblante. Um sorriso irônico tomando forma em seu rosto, causando um contraste errado em sua expressão.
_Tem certeza? Por que eu acho que estou no limite certo. Estou agindo conforme você merece._enfatizou com um sorriso soberbo.
Suzana tentou se afastar, mas Pedro estava focado em seus movimentos e a puxou para si.
Suzana perdeu o fôlego momentaneamente quando sentiu seu corpo chocar-se com o de Pedro.
A garota estava ciente da movimentação ao redor dos dois. Estava mais ciente ainda do rosto de Caspian em seus pensamentos. Mas, alcançando um nível incompatível, estava ciente do desejo de Pedro.
_Me largue. Vai bancar o magoado logo agora? Logo quando estamos prestes a sermos atacados pelo inimigo?!_esbravejou Suzana tentando se desvencilhar do Rei, mas Pedro a prendia em seus braços como uma corrente sufocante.
_Sabe, acho que não lhe ofereci o tratamento que merece._Pedro surpreendeu Suzana quando desceu seus dedos para o busto da mesma, alisando a pele macia e alva da garota.
Os arrepios do toque de Pedro fizeram Suzana gelar.
Aquele que a agarrava e lhe tratava de forma infame não era o Pedro por quem ela pensara se apaixonar. Aquele era a personificação do Grande Rei Pedro. Era a imagem e semelhança de um rei corroído pelo ódio e possuído pelo desejo insano.
_Pare. Agora._falou ela, mas seu tom era baixo, demonstrava seu medo, sua vulnerabilidade perante a figura de Pedro.
Pedro sorriu, deliciado com o medo de Suzana.
_Devo mesmo parar? Ou isso é apenas um dos jogos que você utiliza para atrair um homem? Me diga, Caspian e Christian também foram atraídos de maneira semelhante?
O queixo de Suzana pendeu alguns centímetros.
O ar entre eles pareceu fugir e, do nada, o peito de Suzana subia e descia em uma frequência assustadora, tentando recuperar-se do choque.
_Como pode dizer isso de mim?!_esbravejou ela estática, presa ao corpo de Pedro.
O rapaz observou descaradamente o corpo de Suzana, sorrindo ao fim da análise.
_Digo o que penso. E, de agora em diante, você não passa de uma mulher imunda aos meus olhos. Eu tenho nojo de você. Tenho nojo dessa sua pele onde tanto Caspian quanto Christian devem ter se deleitado._Pedro foi enfatizando sua fala enquanto seus dedos corriam bruscamente pelos braços de Suzana até pararem no pescoço da mesma._Tenho nojo desses seus lábios onde murmúrios abafados devem terem sidos pronunciados. Murmúrios de desejo. Gemidos!_Pedro agarrou o rosto de Suzana com violência._Gemendo para eles! Se entregando à eles!
Suzana não tinha reação.
Não havia como deter a fúria implacável de Pedro, embora seu julgamento fosse infundado.
Pedro aproximou seus lábios dos de Suzana e, próximo à eles, sussurrou:
_Ainda não acabou.
E, como se a normalidade retornasse gradativamente, Pedro a largou e rumou para auxiliar os demais narnianos.
Suzana, instintivamente, puxou a capa que vestia e tentou cobrir o máximo que pôde de seu busto. O toque frio de Pedro servira como um lembrete. Um lembrete que, se a guerra não a destruísse, o ciúmes de Pedro tomaria partido e o faria.
E o que é pior: de bom grado.
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