Do Princípio...
22 Conversando com Aslam
Notas iniciais
Estou amando os comentários.
Desculpem erros...
Suzana encontrava-se sentada numa pedra na beira de um riacho, ela não sabia onde estava e nem de que forma veio parar ali.
A garota olhou para si mesma no reflexo das águas e ficou impressionada quando viu-se mais bela do que nunca.
Suzana nunca havia arrumado seu cabelo daquele jeito e suas vestes começavam-se fazer visíveis nos olhos dela.
O vestido que usava era de um branco celestial, era tão lindo e macio que ela não se acreditava estar usando aquilo.
Suzana olhou mais uma vez seu reflexo e percebeu que algo mudara, algo brilhava em sua cabeça.
Lentamente a menina levou as mãos ao objeto mais onde deveria existir tal coisa não havia nada.
Ela sentiu seu coração bater muito forte e dolorido, lembrou-se de ainda manter-se lutando junto com os demais que ainda não haviam morrido.Mas, como num piscar de olhos, sentiu uma lâmina à perfurar.
Olhou para seu estâmago e lá estava o sangue vermelho e muito mais escarlante do que qualquer outra coisa já vista.
_Não se intristeça Suzana, você morreu com bravura, e isso é o que podemos pedir apenas.
Suzana viu o grande Leão aparecer junto à ela no reflexo da água, olhou para o lado mais Aslam não estava lá.
Suzana voltou seu olhar para a água e ali encontrou novamente o Leão.
_Estou morta?_perguntou já sabendo a resposta.
_Sim minha querida.
Suzana assentiu, apenas sentia que não estava certo.
A garota sempre quis ir para o País de Aslam, mais neste momento sentia que tinha muito mais coisas para fazer em Nárnia, era como se houvesse se esquecido de algo...
_Calme Suzana, tudo ao seu tempo.
Suzana voltou de seus desvaneios e olhou o Leão.
_O que quer dizer com isso?_sussurrou quase indecifravelmente.
Aslam a olhou sereno e disse:
_Precisamos conversar Suzana.
_O que seria Aslam?
_Apenas me siga.
Suzana percebeu que o reflexo do Leão estava sumindo como se ele estivesse adentrando na água.
Suzana estava temerosa, mais sabia que Aslam era de confiança, e apesar de tudo o que mais poderia acontecer?
Afinal de contas, ela estava morta!
Com um último suspiro Suzana pulou na água e ficou feliz ao ver que estava certa...
**********************************************
_Quantas mortes?_perguntou Lúcia quando viu seus irmãos e os poucos guerreiros que restaram chegarem nas cavernas.
_Muitas..._falou Pedro a voz embargada.
Lúcia não precisava olhar para o irmão para saber que Pedro estava tentando reprimir as diversas lágrimas que queria soltar.
_Suzana?_perguntou a menina em um sussurro.
Lúcia viu Pedro levantar a cabeça e começar a chorar.
Todos observaram quando o Grande Rei caiu de joelhos e botou toda sua tristeza para fora.
Lúcia correu até o irmão e o abraçou, Edmundo afagou o ombro do mesmo.
Muitos soldados se dessiparam, uns para encontrarem os que haviam ficado na caverna, e outros para apenas dar privacidade aos Reis e a Rainha.
_Desculpe Lúcia..._chorou Pedro compulsivamente.
_A culpa não foi sua.
Mesmo tentando acalmar o irmão a pequena rainha não resistiu e começou a chorar não só a morte de sua querida irmã de coração mais também a morte dos tantos outros que se foram.
*********************************
Suzana começou a nadar seguindo a imagem de Aslam, porém quando a menina avistou uma caverna ficou petrificada ao ver que a água não entrava para dentro da mesma.
Suzana passou a mão na barreira que a água fazia como porta e ficou encantada ao ver que o líquido se abrira como uma fenda.
A garota hesitou, mais depois adentrou o local e caiu no chão de imediato.
Suzana se recompôs em instantes e observou Aslam lhe sorri.
_É um prazer conhecê-lo.
Suzana disse isso e logo após fez uma reverência para o Leão.
_Isso não é necessário Suzana._Suzana sorriu ao ver que Aslam lhe sorria também.
Suzana olhou em volta tentando descobrir que lugar estranho era aquele em que se encontrava.
Porém ela percebeu que era só uma caverna mesmo, mais de fato a caverna era encantada.
_Acho que está se passando várias perguntas por sua mente neste momento, não é minha querida?
Suzana assentiu, tímida.
_Lhe responderei tudo que necessitar ser respondido, e lhe pouparei de certas respostas.
_Por quê?_perguntou Suzana de cenho franzido.
_Pelo fato que à certas coisas que ferem e estas não devem ser expostas à todos, principalmente aos que afetam.
Suzana estava transbordando de frustação.
Aslam era sábio, isso era certo, mais ela não estava entendo o que ele queria lhe dizer.
_Aslam, e se eu quiser saber, mesmo que isso seja algo doloroso?
Aslam não esperava está pergunta e arqueou as sombrancelhas surpreso.
_Então terei que contar, mas novamente proponho para que certas coisas não sejam desvendadas...
Suzana sentiu-se amedrontada, Aslam parecia muito sério nas suas palavras e isso só fazia com que seu medo aguçasse ainda mais.
_Sente-se querida.
Suzana obedeceu estalando-se no chão da caverna enquanto o Leão fazia o mesmo.
_É estranho, imaginei que quando me encontra-se com você conversaríamos em um lugar mais..._Suzana tentou encontrar a palavra certa para se expressar, mais não conseguiu pensar em nada.
Quando a garota já começava a corar sem graça o Leão lhe sorriu.
_Há certas coisas que não nos trazem felicidade Suzana, certas coisas achamos ser úteis mais não passam apenas de mera futilidade.
Aslam a olhou nos olhos e Suzana pode ver que uma certa tristeza estava neles.
_E há pessoas que se perdem nestas futilidades e acabam por se enganarem.
Suzana engoliu em seco, era como se ela já tivesse ouvido o Leão, mesmo sem nunca tê-lo visto, falar das futilidades que na verdade guardavam o pior do ser humano.
_Entendo.
_Espero que entenda minha filha, eu não gostaria que esquecesse disto, os que se esqueceram não veremos nunca mais.
Suzana sentiu pânico, e pela primeira vez desde que ouvira falar em Aslam, ficou com medo do Leão.
_Não se aflija, isto é apenas um aviso querida. _ disse Aslam ao perceber que Suzana começara a olha-lo assustada.
_Não farei.
O Leão concordou, esperando realmente que ela não o fizesse de novo.
_Aslam, posso lhe fazer uma pergunta?
_Prossiga.
Suzana estava hesitante, mais Aslam propriamente havia falado que todas as perguntas seriam respondidas.
_Já que estou morta, suponho que esteja no seu mundo, não é mesmo?
O Leão sorriu mais negou com a cabeça.
_Não é hora de você conhecer meu mundo ainda Suzana.
_Então não estou morta?_perguntou, a felicidade expandindo-se pelo seu peito.
_Está.
Suzana o olhou interrogativa, afinal se estava morta não deveria ela ter partido para o País de Aslam?!
_Deixe-me explicar querida, você morreu mais seu tempo aqui em Nárnia ainda não acabou.
Suzana arregalou os olhos, com todo respeito Aslam parecia não está muito bem mentalmente.
Aslam viu o olhar de Suzana e continuou a falar:
_Suzana quando você nasceu seu nome foi escrito no livro da vida, seus feitos estão lá e sua morte também.
Suzana escancarou a boca sem perceber, Aslam não esperou que ela falasse e prosseguiu:
_Você ainda tem deveres para com Nárnia e isso fez com que você não partisse para o meu país.
Suzana abaixou a cabeça pensativa.
_Quer dizer que voltarei para com os outros?_Suzana sorriu apenas com a possibilidade.
_Com toda certeza que sim.
A garota riu abertamente sem se importar em estar na presença de Aslam.
O Leão lhe olhou feliz.
_Muito obrigada.
_Não precisa me agradecer.
Suzana parou e olhou para suas mãos.
_Terei meu corpo de novo Aslam?
O Leão olhou para o nada e voltou seu olhar para a garota;
_Infelizmente não Suzana.
Suzana pareceu congelar, ficou súbitamente muito pálida.
_Mais como serei útil desta maneira?_perguntou atônica, a voz em desespero.
_Na hora certa você sabera.
_Mas...
O Leão levantou a pata fazendo com que Suzana se calasse.
_Fique tranquila minha querida, tudo se resolvera no tempo certo.
Suzana assentiu com medo de falar algo mais.
_Há mais alguma pergunta que queira me fazer?
Suzana tinha várias, mais estava muito receosa para perguntar sobre tais.
Negou com a cabeça.
Aslam a encarou os olhos estreitados.
_Tem certeza?_perguntou autoritário.
_Há perguntas que quero fazer Aslam, mas como você mesmo disse algumas podem machucar, então vou espera-las me ferirem no tempo certo.
Aslam sorriu, ele viu que Suzana havia entendido o que ele quis falar.
_Então só me resta lhe desejar novamente boa sorte.
Suzana ia abrir a boca para perguntar por que ele havia dito que já tinha lhe desejado boa sorte, mais neste momento o Leão lhe soprou-lhe a face e tudo ficara no escuro.
A garota sentiu um déjà vu, como se já tivesse vivido aquele momento.
Suzana tentava reorganizar seus pensamentos mais tudo começava a lhe fazer cair na profunda escuridão.
Em poucos minutos a menina já havia perdido os sentindos e se preparava para mais uma jornada de sua vida.
Notas finais
Mais faz parte ;)
Espero que tenham gostado, e muitos beijos.
Não deixem de comentar *-*
Fale com o autor