Notas iniciais
Agradeço AnaLaura e MahyraSimas por comentarem. Por hoje posto só esse, para não deixar com capítulos tão curtos.

O rosto se contorcendo de raiva, fazia-o se tornar um cretino aos olhos de quem o visse em uma fila de embarque. Vestido elegantemente em uma jaqueta marrom, de mochila nas costas, Cobra retrucava o tempo inteiro, pela demora de fazer o check in.

Por isso foi furando os lugares discretamente, e chegando ao balcão.

— Passagem? — pediu a atendente mascando irritavelmente uma goma. — Pode embarcar. — devolveu-o o papel e piscou descaradamente. O moreno não reclamou da cantada por olhares, ainda melhor, retribuiu o gesto, e seguiu para o avião.

Cobra se tornou corrompido, após todos os infelizes e decepcionantes episódios de sua vida. Perdeu o pai em uma luta proibida a os olhos da lei, e ainda se separou de sua companhia. Para eles dois (K, e Cobreloa) jamais surgiria colegas ou novos amigos, que pudessem se substituir. Os dois sentiam-se especiais um para o outro, e nunca acontecera de se darem bem, com pessoas além deles. Todas as afinidades e igualdades, os tornavam carne e unha. Quase como laços sanguíneos. Brincadeiras, e conversas sobre as coisas favoritas incomum, sempre fara parte da pauta de ambos, em suas conversas. Mas o destino estragou tudo, arrancaram lhes dos prazerosos momentos juntos.

Agora a negritude dos olhos, aluziavam observando a janela do avião. Prestava bem a atenção, em formas singelas e delicadas, que as nuvens formavam. Pequenos desenhos contemplavam a imaginação, do marrento presente no avião, e as vezes chegava a comparar aquele azul, com dois olhinhos que nunca saia de sua cabeça maluca.

Os de Karina.

Enquanto o destino planejava por quem sabe, fazer com que fique juntos de novo, a lutadora dedicava-se, empenhando toda as suas forças no saco de pancadas. Joelhadas certeiras, socos precisos, caneladas massacradoras. Mesmo de estatura pequena, a garota tinha habilidades boas, e muitos diriam e aconselhariam a seguir uma carreira maior, e não apenas em treinar, seria possível, se um certo pai rígido permitisse. Gael detestava qualquer chance de pensar, em sua caçula arrebentada. E por isso os dois, com as cabeças duras, evidentemente parecidas, discordavam sobre essa grande capacidade da loira.

— Nem pensar minha filha. — negou e renegou para sua filha. — Filha minha não se enfia em tatame. — apontou o dedo mostrando o ringue, e deixando claro sua objeção. — treinar tudo bem, Karina, agora entrar em campeonatos mundiais, é suicídio.

Karina socou mais ainda quando ouviu as palavras, que odiava escutar diariamente.

— Estou cansada. — deu um ponta a pe violento na aparelhagem. — só aquela patricinha podê fazer tudo. — referia-se sua irmã. — por quantas eternidades vai babar o ovo dela, Gael? — cansou e parou, apenas desafiando sua autoridade (Gael) nos olhos.

O experiente lutador fingiu-se de surdo, diante da audácia. Como uma pirralha dessa idade, desafia a autoridade do pai?

— Isso é pro seu bem. — deu de costas saindo de lá. — escute se quiser. — reformulou sua frase e partiu ao escritório da academia.

Cansada de implorar confiança dele, resolveu largar as ataduras brutalmente em outra pilha.

A loira nunca se contentava em ouvir os avisos do pai. Foi inúmeras vezes mentidas, só para burlar a proibição e participar de exames, e campeonatos regionais. O que nunca dava certo, Gael sempre descobrira, e evitava que o pior acontecesse.

Conforme foram fazendo suas rotinas, as horas passaram apressadamente, e a noite alojava-se. Karina tomava banho, cantarolando coisas sem sentido.

Momentos de reflexão e calma, só eram possíveis assim, sozinha. As vezes a presença de seu amigo fazia falta. Perguntava-se, enquanto saia do banho.

será que um dia ele voltaria?