Notas iniciais
Hey pessoal aqui está o terceiro capítulo e agora o Nyah está atualizado assim como o Wattpad e vocês podem escolher por onde acompanhar a história!! Divirtam-se!!

"Você não pode impedir as mudanças, assim como não pode impedir o pôr do sol" -- Star Wars

Era uma viagem tecnicamente rápida de carro até a floresta onde meu carro caiu, mais especificamente o lugar onde eu morri, mas fazê-la com Henry, Blake e Hunter, o colega de quarto de Noah mais estranho que ele — se é que isso era possível — tinha tornado o trajeto insuportável, tanto que eu estava prestes a abrir a porta e me jogar no meio da estrada, mas ao invés disso me concentrei no livro que minha mãe me deu. Ele era incrível, só em algumas páginas eu tinha descoberto que fênix vermelhas tinham poder sobre o fogo e com um bom treinamento poderiam controlar completamente o corpo de outras pessoas, até mesmo compeli-las, por isso nenhum humano jamais imaginou algo sobre esse mundo, todos que suspeitam de algo são levados ao conselho e compelidos a esquecer. Porém, a minha leitura maravilhosa tinha sido cortada pela freada bruta que Henry deu ao encostar o carro na beirada da ribanceira onde meu acidente havia ocorrido.

— Não me diga que vamos ter que descer isso — falei saindo do carro assim como os outros.

— Medo de cair e morrer de novo, princesa? — Hunter tinha uma aparência perigosa, como se fosse bonito demais para ser verdade, ele tinha lábios finos, um rosto perfeitamente longo e olhos pretos que matariam qualquer um do coração, sem falar em seu cabelo loiro cinzento cortado em um estilo militar.

— Cale a boca Hunter — ele tinha algum tipo de respeito por Blake porque se calou assim que ela o repreendeu, ou talvez fosse medo, porque apesar de ser baixinha ela tinha uma aparência um tanto intimidante.

— Aparentemente não tem nenhum outro caminho para chegar lá além deste, então nós vamos ter que ir por aqui — Henry deixou bem claro conforme começava a descer cuidadosamente a ribanceira, eu olhei para trás e notei os poucos carros que passavam pela estrada, era pouco provável que um acidente ocorresse de novo aqui, ainda mais com o clima ensolarado de hoje que causava até dor em meus olhos, sem falar em minha pele branquela que começava a ficar irritada, a única vantagem era a linda floresta abaixo mais verde que nunca. Voltei meu olhar para Hunter prestes a descer mas que antes havia estendido o braço direito com uma tatuagem tribal para Blake, porém ela o ignorou completamente e seguiu sozinha, então aproveitei e segurei seu braço no lugar dela, eu não arriscaria cair na terra lamacenta do despenhadeiro e perder meu único par de óculos nela.

— Então, ela sabe que você está a fim dela? — ele congelou por completo depois de eu sussurrar isso.

— Não se engane princesa, você não sabe nem a metade da nossa história — respondeu ríspido.

— Tudo bem então, estou ansiosa para descobrir, mas antes pare de me chamar de princesa!

— Não posso prometer nada, princesa — me lançando um sorriso fino ele apressou mais ainda o passo me puxando junto com ele, não demorou muito para que passássemos de Blake e Henry e chegássemos ao pé do barranco.

Logo percebi que as árvores estavam lindas, todas floridas e balançando quase como uma dança conforme o vento batia, além do cheiro maravilho que havia inundado toda a floresta. Não parecia nem um pouco com o local do dia do acidente, cada árvore em seu lugar, sem a terra lamacenta por conta da chuva e o mais importante, sem um corpo no meio dela.

— A energia aqui... — Blake começou a caminhar em meio as folhas, mais sorridente que nunca.

Havia algo neste lugar, ele fazia eu me sentir leve, me deixava em paz, o vento que soprava arrepiava todo meu corpo, era algo que eu nunca tinha sentido em toda minha vida, uma explosão de sentimentos atrás da outra.

— A brecha no portal está trazendo energia para cá — afirmou Henry maravilhado.

— O que você quer dizer com isso? — perguntou Hunter.

— Quando Gwen morreu e voltou deixando um pedaço da alma no mundo espiritual, por algum motivo uma brecha do portal foi aberta e eu acredito que estamos mais perto que nunca de termos acesso ao mundo espiritual novamente — o homem grisalho fixou os olhos brilhantes em mim — você pode nos ajudar, pode nos libertar depois de tantos anos.

De repente, todos no ambiente olhavam diretamente para mim, era muita pressão, eu mal os conhecia, para falar a verdade eu mal entendia o que eu era, minha mãe praticamente me abandonou com eles, minha amiga morta não aparecia para mim e agora isso...

— Eu não sei se sou a pessoa certa para ajudar vocês, quer dizer eu não consigo nem ajudar a mim mesma — a tensão tinha se instalado no ambiente, eu obviamente tinha desapontado eles.

Tudo o que li até agora mostrava o quanto eles sofreram, sem falar no que Henry havia me contado, inocentes mortos e toda essa bagunça faziam meu coração apertar, parecia certo ajudar eles, mas eu não acho que sou capaz disso.

— É claro que é Gwen — Blake caminhou até mim e pousou sua mão gélida sobre meu ombro.

— Acho que eu posso tentar... — todos sorriram para mim fazendo o sangue subir diretamente para minhas bochechas e Blake me surpreendeu com um abraço apertado que me deixou praticamente sem fôlego.

— Sua mãe ficará orgulhosa de você — assim que Henry se pronunciou Blake me largou e eu pude ver ele sorrindo para mim, mais estranho que isso não podia ficar.

— Isso é realmente muito fofo, mas que tal continuarmos procurando pelo portal? — Hunter estava certo, nós tínhamos que procurar ele.

— Você está certo, mas a floresta é muito grande então vamos nos dividir, Banks você vai com Gwen, Hunter você comigo — eu quase agradeci Henry por não me colocar junto com o moreno ranzinza, mas antes disso Blake já me arrastou em direção ao meio da mata.

Nós caminhamos uma boa parte do caminho em silêncio, a loira olhava cada centímetro da floresta assim como eu, nós não fazíamos ideia do que procurar por isso qualquer coisa nos chamava atenção, mas todos os barulhos que tínhamos ouvido foram de esquilos ou do vento, nada demais. Na minha cabeça o portal seria um buraco brilhoso com alguns sons estranhos, mas talvez isso só fosse algo da minha imaginação....

— Essa floresta parece não acabar nunca mais, eu vou acabar arrebentando minhas botas — Blake era o tipo de garota que não descia de um salto nem para vir à uma floresta, ela usava um lindo vestido curto azul escuro soltinho, com um cardigã preto e um lindo par de botas da mesma cor, apesar disso ela não era fútil, muito menos burra, do pouco que a conhecia eu podia dizer isso. Eu por outro lado não tinha paciência para vestidos e acabava sempre usando uma calça, com uma blusa regata e um par de coturnos mais velho do que eu me lembrava.

— Vocês têm certeza que o portal deve estar aqui na floresta? Talvez ele tenha sido aberto em outro lugar.

— Gwen minha flor, você sabe muito bem que aquele portal se abriu aqui, e por sua conta, se alguém pode acha-lo é você.

Ela estava certa, eu tinha que parar em pensar em o quão confusa eu estava, ou então no como minha vida estava uma bagunça, eu tenho que me concentrar nisso.

Você pode fazer isso — continuei a falar para mim mesma a cada passo que dava, esperando que em algum momento eu visse....

— É isso! — praticamente gritei fazendo Blake dar um pulo.

— O que? — indagou ela assustada.

— Nós estamos procurando por algo que possamos perceber, algo físico, uma luz ou um barulho, mas e se nós não conseguirmos vê-lo e tivermos que senti-lo? — era um tiro no escuro que provavelmente não acertaria nada, mas não custava tentar.

— Gwen, isso é.... Brilhante! — ela abriu um largo sorriso e deu uma tapinha forte em minhas costas.

— Sério? — apesar de sabermos pelo o que procurar, eu não tinha ideia de como começar, se enxergar algo já era difícil imagine sentir...

— Sim. Agora acho que você tem mais chances de achar o portal, quer dizer, você o abriu, uma parte de sua alma está na outra dimensão, se tem alguém que pode acha-lo é você.

— Tudo bem, eu só preciso que me diga como fazer isso, já que se não percebeu eu não faço ideia de por onde começar.

— Feche seus olhos — ela falou arrancando meus óculos do meu rosto, isso já era o suficiente para eu não enxergar mais nada.

Eu os fechei e esperei que ela me desse novas ordens.

— Respire fundo e tente se lembrar da noite do acidente, mais especificamente da parte em que você... Morreu.

Eu hesitei e quase abri meus olhos, eu não queria me lembrar daquela noite, não fazia parte dos meus planos me lembrar, mas era por uma boa causa.

— Se isso funcionar você vai me pagar uns bons drinks — me concentrei e deixei os flashbacks que eu bloqueava há dias virem a mim, aos poucos eu começava a enxergar a floresta e o caos do acidente bem na minha frente como se eu tivesse sido transportada diretamente para aquela noite, eu até podia sentir o cheiro da fumaça vindo do carro, então olhei para árvore onde lá estava eu encostada ao lado de Astrid, aparentemente tão morta quanto ela. Só então me bateu a dúvida, como eu poderia estar vendo a mim mesma? Olhei para baixo e percebi que eu não passava de um borrão, um fantasma assim como minha amiga havia aparecido para mim, eu não passava de um espírito ali, a verdadeira eu estava realmente morta bem na minha frente. Me aproximei um pouco da árvore e só então consegui enxergar o que saia diretamente da ponta dos dedos da mão do meu corpo, era um tipo de fio de luz levemente roxo que flutuava diretamente para o tronco da árvore, onde formava uma marca estranha, mais parecida como um círculo que logo desbotou. Meu pensamento foi completamente afastado da árvore para os barulhos de folhas secas, que pareciam estar sendo pisadas por alguém um tanto apressado, me virei e vi a fisionomia de um homem usando um casaco completamente preto e com um capuz cobrindo seu rosto, ele foi diretamente para meu corpo, tentei me aproximar mas meu espírito parecia não responder, ele segurava minha mão, mas antes que eu pudesse ver algo meus olhos se abriram e só então percebi que Blake me chacoalhava desesperada.

— Graças a Deus, você estava completamente pálida e seu nariz... — antes que ela falasse qualquer coisa eu coloquei a mão abaixo de meu nariz e senti o sangue escorrendo dele.

— Estou bem, não é nada, eu acho que sei onde o portal pode estar — comecei a caminhar pela floreta tentando me lembrar de onde o acidente tinha acontecido e da árvore que eu tinha visto, comecei então a traçar um caminho em minha mente e repeti-lo — você se importaria em explicar o que diabos eu fiz agora a pouco?

— É chamada experiência fora do corpo, quando você morreu seu espírito continuou ali por uns instantes, esse tipo de memória fica guardada nos cantos mais escuros de nossa mente, geralmente é difícil de destrava-las, mas para você pereceu bem fácil, é claro que não fez muito bem...

— Meu nariz só sangrou, se esse foi o preço para achar o portal, foi bem mais fácil do que eu pensava.

— Bom eu tenho um palpite que isso foi só o começo...

— É aqui — eu parei à frente da árvore, idêntica à que vi em meu "sonho"—é claro que não havia nem sinal do círculo nela.

— Você tem certeza? Ela é exatamente igual as outras milhares na floresta.

— Ela é a do meu sonho, onde eu morri, então basicamente sim, a não ser que eu realmente tenha enlouquecido, o que não é de se duvidar — para tirar a prova eu caminhei até a árvore, a cada passo eu ficava mais nervosa, quando cheguei perto o suficiente para toca-la parecia que meu coração iria sair pela boca, tentei então ignorar meu medo e levar minhas mãos trêmulas de encontro a casca seca da árvore, absolutamente nada aconteceu, eu continuava viva e no mesmo lugar — acho que isso pode ser chamado de decepção...

— Que droga — frustrada Blake tentou bater contra o tronco, mas ainda assim nada...

— Talvez eu tenha visto a árvore errada... – aparentemente a sorte não estava do nosso lado.

— Tudo bem... Eu vou mandar uma mensagem para Henry pedindo para nos encontrar na ribanceira, acho que por hoje chega de procurar uma árvore...

— Gwen... — a voz ecoou um pouco mais à frente da árvore, era Astrid, desta vez bem mais sorridente e menos amedrontada.

— Astrid! — não sei se ficava mais feliz por ter achado o portal ou ela.

— Espere... Você consegue vê-la? — Blake praticamente largou o celular e me encarou pasma enquanto eu assentia admirada.

— Não posso ficar muito tempo, não consigo me manter aqui por mais de alguns minutos, mas algo em você ainda me prende no mundo humano... — ela se aproximou de mim desajeitada ainda com o vestido do acidente, só que desta vez bem mais limpo.

— Você está bem? Fora a parte de estar morta, quero dizer — ela soltou uma risada e quase me abraçou, mas antes que o fizesse dei um passo para traz. — Quando você toca humanos você suga energia deles então...

— Sinto muito! Aqui é horrível Gwen, são tantas vozes e espíritos perambulando, minha cabeça está prestes a explodir, eu nem ao menos sei como posso estar falando com você — os olhos dela estavam arregalados, sua boca estava trêmula e se ela não passasse de um espírito poderia jurar que haviam algumas lágrimas em sua bochecha.

— Eu prometo que vou te explicar tudo, assim que encontrar uma forma melhor de nos comunicarmos.

— Você precisa me tirar daqui, por favor... — eu não conseguia nem imaginar pelo que ela estava passando, mas eu tinha que salva-la.

— Eu juro que vou, só aguente mais um pouco! — seu corpo começou a se desfazer, lentamente começava a ficar transparente não demorando muito para que sumisse completamente, só então atordoada eu me desvencilhei da árvore, dando de cara com uma Blake irada.

— O que diabos acabou de acontecer aqui?

— Astrid apareceu, ela não parecia muito bem, estava desesperada, ela disse que era horrível lá, eu não aguento deixa-la assim Blake...

— Nós vamos dar um jeito, Henry vai dar um jeito — ela pegou o celular e começou a digitar algo, muito provavelmente para o próprio Henry. — Avisei a ele que estávamos a caminho do carro, lá você lhe explica tudo.

...

— Então o portal funcionou? — Henry estava empolgado, quase que radiante.

— Sim, mas Astrid... Estava péssima, perdida, você tem certeza que não há um modo de tirar ela de lá?

— Não um modo correto... Se tem algo que não se pode evitar é a morte. Mas posso tentar ajuda-la.

— Ela diz que tem algo lhe prendendo aqui.

— É claro... Por isso está sofrendo, ela pertence ao mundo espiritual agora, mas continua ligada ao nosso mundo, por isso as vozes e a dor de cabeça, temos que achar o objeto que a prende aqui e destruí-lo, assim ela vai estar livre.

— Posso procurar algo nas coisas da minha casa, talvez eu ache esse tal objeto, mas primeiro queria agradecer, nós mal nos conhecemos, mas você está me ajudando....

— Você está nos ajudando muito mais, cada vez que ficamos mais perto de abrir este portal por completo, nós estamos mais perto da liberdade, e ajudar sua amiga é o mínimo que posso fazer para retribuir — ele pousou sua mão sobre meu ombro e deu um leve sorriso reconfortante.

— Agora que resolvemos a dose de problemas do dia, uma boa bebida cairia bem... — Hunter anunciou.

— Eu não poderia concordar mais — finalizou Blake, e ela tinha toda razão, eu mal podia esperar para bons goles de cerveja descerem minha garganta e se possível me deixarem bêbada para que esquecesse isso tudo, mas antes eu tinha de fazer algo.

— Henry? — chamei ele enquanto Balke e Hunter caminhavam mais a frente.

— Sim?

— Agora há pouco quando eu tentei achar o portal indo até minhas memórias, eu vi algo, ou melhor... Alguém, parecia ser um homem, ele fez algo com meu corpo um pouco depois de eu morrer, era como se alguns fios de luz saíssem de meus dedos, você tem ideia do que isso seja?

— Acho que quem quer que esse homem seja, ele foi o responsável por te trazer de volta a vida...

Notas finais
E aí pessoal, gostaram desse capítulo?? Deixem a opinião de vocês nos comentários isso ajuda bastante e confira o tumblr que sempre tem novidades!!