Notas iniciais
Olá pessoal, aqui está o quarto capítulo espero que curtam!! Não esqueçam o comentário!! ♥

Minha mãe sempre me disse para ser corajosa, que se eu enfrentasse meus medos eu seria a pessoa mais feliz do mundo, mas ela esqueceu de mencionar que às vezes você nem ao menos sabe do que tem medo. O sentimento só está lá, te devorando por dentro e era isso que estava acontecendo no exato momento, só que desta vez eu não tinha ninguém com quem conversar.

— Gwen, você está bem? — Henry voltou minha atenção para ele, que estava debruçado em alguns livros assim como eu, nós estávamos tentando encontrar mais informações sobre o portal e Astrid, mas a biblioteca do refúgio não parecia ter muitos livros sobre isso.

— Tudo bem, só estava pensando em umas coisas.

— Talvez devêssemos dar uma pausa, você está cansada, tanto quanto eu.

— Não — após horas lendo livros eu não iria parar por algo que um simples café resolveria.

— Astrid pode esperar por algumas horas de descanso, bem como o portal.

— Não, ela não pode! — me levantei arisca batendo na mesa.

Neste momento ele percebeu o quão nervosa eu estava. Desde ontem quando voltamos da floresta algo estava me incomodando, como se eu estivesse sendo engolida por dentro, eu não tinha controle sobre nada e isso estava me matando.

— Vamos continuar a procurar se assim deseja — ele ainda me olhava, mas não estava bravo, nem ao menos incomodado com meu pequeno surto.

— Sinto muito Henry, não devia ter feito isso.

— Não se preocupe, eu entendo que ainda deve estar confusa sobre tudo isso.

— Quem dera eu estivesse confusa... — eu de fato não estava, se estivesse não estaria nervosa assim.

— Se você quiser conversar sobre isso, eu estou aqui sempre — ele tinha soado exatamente como minha mãe agora, o que causou uma pequena pontada de saudade dela, eu não podia nem acreditar que ela tinha me deixado dois dias atrás sem nem ao menos dizer para onde ia...

Eu soltei uma risada seca e ele me encarou sorrindo, sempre que olhava para ele eu via um olhar doloroso, como se tivesse passado por coisas que eu jamais poderia imaginar.

— Acho melhor não, vou tomar um café, talvez andar um pouco... — avisei enquanto segui em direção à porta da biblioteca, de onde me dirigi rapidamente até a cozinha tomada por alguns poucos adolescentes e uma criança de no máximo oito anos. Peguei uma xícara cheia de café e saí dali o mais rápido possível esperando que ninguém enchesse meu saco, o que obviamente não aconteceu...

— Seu nome é Gwen? — uma voz calma falou no começo do corredor, era o garotinho da cozinha com os mesmos cabelos castanhos assim como os olhos que me encaravam.

— Sim e você é? — eu nunca fui boa com crianças, acho que provavelmente era um dos motivos de eu sempre ter dito a minha mãe que jamais teria filhos.

— Nathan, sou irmão do Hunter seu amigo — em que mundo Hunter era meu amigo? Ou melhor, em que mundo Hunter tinha um irmão?

— Foi um prazer conhecer você! — eu estava prestes a me virar para ir embora quando ouvi um pigarreio, era Noah, estava de pé atrás do garotinho e me repreendia com somente um olhar que queria dizer o quão mal eu havia tratado o garoto.

— Noah! — o garoto gritou com uma alegria imensa ao vê-lo, aparentemente alguém tinha um sentimento positivo ao ver ele.

— Vejo que você conheceu a senhorita ranzinza — o garoto riu enquanto eu franzia minha testa para eles.

— Bom, agora que vocês estão juntos eu vou embora tomar meu café e voltar aos livros.

— Eu posso ajudar? — Nathan lançou o velho truque dos olhinhos de cachorro, que obviamente não funcionou comigo, a pura verdade era que eu nunca fui boa com crianças e nunca sonhei que me casaria e encheria uma casa com filhos, na realidade eu prefiro muito mais encher uma casa com animais ou com livros...

— Não.... — Noah arregalou os olhos novamente. — Quer dizer, você deve ter algum lugar melhor para ir e companhias melhores que eu.

— Na verdade não, eu não tenho muitos amigos.

Era oficial, eu era o pior ser humano da terra e com o menor nível de delicadeza de todos, como Ben costumava dizer eu era a rainha gelada.

— Tudo bem então, você pode me ajudar...— de fria eu tinha passado para mentirosa em menos de quatro segundos, talvez isso fosse um novo recorde.

...

— Vocês nunca pensaram em arquivar todos esses livros em um computador? Tipo uma Wikipédia sobrenatural? — eu estava morta, assim como Henry e Noah, a única exceção do local era Nathan que parecia se divertir mais que todos nós nessas pilhas de livros.

— O conselho fez isso há muito tempo, eles têm tecnologia de ponta aliais, mas como pode ver, nós não temos espaço e dinheiro para isso, sem falar que chamaria muita atenção — Henry explicou enquanto tentava ajeitar sua posição na cadeira.

— Só desistam, não tem nada aqui — Noah falou bocejando.

— Hunter me disse para nunca desistir! — Nathan retrucou com uma certa empolgação.

— Não ouça seu irmão, ele tende a ser um idiota — no momento que Noah murmurou isso fechando os olhos para um breve cochilo, Nathan se jogou em cima dele dando uma série de soquinhos no abdômen de Noah.

— Sinto muito Gwen, mas aparentemente não temos nada aqui, como eu já esperava, tudo isso é novo demais para nosso mundo...

— Sem problemas, eu vou deitar um pouco, estou morta — é claro que haviam problemas, minha melhor amiga estava sofrendo em um mundo esquisito para espíritos e eu não podia fazer absolutamente nada, porque tudo isso era muito novo para eles.

— Posso ir com você Gwen? — inocentemente Nathan perguntou causando um ataque de risos em Noah.

— Nossa eu realmente pensei que você preferiria ficar com Noah, quer dizer, ele me disse que faria tudo que você quisesse por hoje — a cara que o moreno jogado no sofá fez foi impagável.

— Sério Noah? — Nathan pulou e cima dele e começou a comemorar, o que me dava a brecha perfeita para sair dali.

Eu praticamente corri escada acima até o quarto em que Blake agora dividia comigo — após chutar sua antiga colega de lá —, ela estava jogada na cama com fones de ouvido e os olhos fechados, para não incomoda-la entrei sorrateiramente e me deitei da cama sem fazer um barulho sequer.

— Eu sei que você está aí — ela falou arrancando os fones e os enrolando em um toca discos, provavelmente tão velho quanto eu.

— Desculpa, eu não queria atrapalhar, só estou morta....

— Não atrapalhou, essa joça não funciona mais direito — ela falou apontando para o toca discos. — Eu só deito e finjo que estou escutando algo assim as pessoas não enchem meu saco.

Por algum motivo aquilo me fez sorrir pela primeira vez em um bom tempo.

— Não aguento mais ver livros na minha frente, muito menos ouvir seu irmão falando e Nathan rindo....

— Presumo que não achou nada que possa ajudar sua amiga ou o portal.

— Nada.

— Como ela era? — Blake jogou os pés contra a parede e começou a desenrolar os fones emaranhados. — Sua amiga.

—Engraçada, uma romântica incorrigível o que tornava ela insuportável às vezes — sem perceber eu estava sorrindo de novo. — Ah, ela era extremamente certinha, era como se eu fosse o diabo em pessoa perto dela.

— Bom, você certamente não é um anjo...

— Acho que você também não, pelo menos não pelo jeito que você tratou o Hunter ontem, quer dizer, ele realmente parece gostar de você.

— Não ele não gosta de mim, mas isso é uma história longa e muito chata que vamos ter que deixar para outro dia senhorita curiosa.

— Desculpe mas eu não consigo fugir de um belo drama — nós rimos mais um pouco e falamos mais besteiras ainda até que o sono começou a me abater. — Acho que vou tirar um cochilo.

— Tudo bem, sonhe com meu irmão tagarelando — respondeu sorridente.

E então eu simplesmente tive um estalo e percebi que Blake e eu poderíamos ser ótimas amigas e que depois de muito tempo eu estava rindo novamente.

"Finalmente uma garota que não é uma vadia"

— Você disse alguma coisa? — a voz que tinha acabado de ouvir era idêntica à de Blake, só podia ser ela.

— Não...

Me levantei levemente assustada da cama, eu podia jurar que ela tinha falado algo.

— Jura que você não falou nada? — insisti por precaução.

— Sim, você está bem? — ela se sentou na cama e olhou para mim franzindo o cenho.

— Eu podia jurar que tinha ouvido você falando, finalmente uma garota que não é uma vadia.

Ela arregalou os olhos e se aproximou de mim.

— Isso é bem bizarro — ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro me deixando agoniada.

— O que você quer dizer com bizarro? — esse mundo todo já era estranho, e se havia algo mais estranho ainda, isso me preocupava.

— Eu pensei isso, é claro que não cheguei a falar, mas...

— Você está dizendo que eu ouvi seu pensamento? — minha coluna se arrepiou como nunca, fazendo eu me levantar.

— É melhor irmos ver Henry... — sem que eu pudesse contestar ela já tinha agarrado meu pulso e estava me arrastando através dos corredores do refúgio — que por hoje estava mais calmo que o normal. — Tem alguma ideia de onde ele pode estar? — ela parou no pé da escada.

— Provavelmente na biblioteca, não acho que ele abandonaria os livros tão... — ela me puxou sem nem mesmo deixar eu terminar e me arrastou em direção a biblioteca por onde entrou como um furacão chamando atenção e todos que estavam lá, inclusive Henry.

— Está tudo bem? — perguntou Noah que estava arrumando as estantes.

— Claro! — respondi antes que Blake pudesse contar tudo na frente de todos. — Nós só estamos aqui para ver como vocês estão...

Todos os adolescentes que estavam aqui tinham franzido o cenho e pareciam não ter a menor ideia do que estava acontecendo, o que era ótimo. Eu desvencilhei a mão suada de Blake do meu braço agora marcado pelos dedos finos dela.

— Será que podíamos falar em particular com você, Henry? — pigarreou ela.

— Vocês se importam de nos darem licença? — ele se virou ao resto dos adolescentes ali que saíram sem nem mesmo questionar ele.

"Que garota mais estranha..."

— O que você disse? — me virei para uma garota que saiu assustada.

— Saia daqui Noah, nossa conversa é só com Henry!

— Se algo está acontecendo com você, que é minha irmã, eu quero saber.

Eu não tinha um pingo de paciência para os dois brigando em minha frente, o assunto nem era sobre eles, mas sim sobre mim que possivelmente estava ficando louca.

— Vocês dois vão sair, o assunto é somente meu, então saiam! — berrei os encarando.

— Por favor saiam... — Henry reforçou meu pedido conforme me observava.

"O que diabos está acontecendo nesse lugar?"

— Cale a boca! — gritei para Noah, mas só então percebi, que ele não tinha realmente falado isso. — Sinto muito....

Eles saíram rapidamente e Henry veio até mim com um semblante preocupado, obviamente eu não era a única no recinto prestes a ter um infarto.

— O que está acontecendo? — ele me encarava de uma forma estranha que só me dava mais nervosismo.

— Eu estava deitada na minha cama no quarto que divido com Blake e nós estávamos conversando, quando de repente eu escutei um dos pensamentos dela, e não parou por ai, eu escutei o de uma das meninas quando cheguei aqui e do Noah. Então, a não ser que eu seja o Professor Xavier dos X-Men eu não vejo como isso pode ser normal — era oficial, eu estava surtando e provavelmente abriria um buraco de tanto andar de um lado para o outro no chão.

"Isso não é possível... Eles deveriam estar extintos"

— Quem deveria estar extinto e como isso não é possível? Quer dizer, olhe ao redor, nada disso deveria ser possível! — minha respiração estava cada vez mais pesada e eu tinha certeza que estava à beira de um ataque de pânico.

— Sente-se um pouco Gwen — Henry me guiou até uma poltrona confortável onde sentei enquanto ele foi até sua mesa e preparou uma xícara de chá, que me entregou logo antes de se sentar à minha frente, só então pude perceber como estava trêmula já que quase derrubei todo o chá da xícara.

— O que está acontecendo comigo? Não precisa tentar esconder nada, depois dos últimos dias acho que posso aguentar quase tudo...

— Seus poderes surgiram, mais rápido do que eu imaginava e eles são um tanto quanto peculiares....

— Porque eu posso ouvir vozes.

— Você é uma telepata, o mais estranho de tudo é que os últimos telepatas morreram na conflagração, você é uma raridade.

— Como assim eu sou uma telepata? Eu pensei que fênix roxas mexessem com energia, tipo o pessoal no jardim, não que ouvissem vozes como uma louca.

— Energia não é somente física, às vezes não se pode ver, está somente dentro das pessoas e você pode ouvir esse tipo de energia, até mesmo controlar se quiser.

— Isso é loucura demais....

— Eu sei que tudo isso é muito para se digerir, você deve estar com medo e sem sua mãe isso deve estar sendo um inferno, mas eu posso lhe ajudar Gwen, jurei a ela que faria isso.

— Eu só quero minha vida normal de volta — as lágrimas começaram a descer porque eu sabia que isso era uma das únicas coisas que ele não poderia fazer, eu estava presa no meio disso tudo e não tinha uma saída.

— Sinto muito, mas quem sabe quando resolvermos as coisas sobre o portal você possa voltar a sua vida...

Eu sabia que aquilo não passava de uma mentira para me reconfortar, mas mesmo assim me levantei secando as lágrimas e ele veio até mim me abraçar, seu abraço jamais seria como o da minha mãe, mas o dele definitivamente lembrava o dela.

— Bom eu tenho uma surpresa boa no meio disto tudo, venha comigo.

Eu não tinha ideia do que era, mas o segui até uma sala diferente das que tinha visto até agora, era linda, parecia novinha em folha e estava completamente vazia, exceto por alguns bonecos de madeira e alvos, sem falar em um baú gigante no canto da sala até aonde Henry me guiava, o baú era lindo, tinha arabescos de ferro por todo ele e tinha uma trava um tanto quanto estranha que só se abriu quando Henry colocou a mão nela e soltou alguns fios de luz fazendo um clique soar e o baú se abrir. Para minha surpresa assim que ele o abriu eu não vi nada fora algumas pedras lapidadas de cores diferentes, mas todas da mesma forma circular.

— Pedras? Esse é o ponto alto da minha semana? Eu realmente preciso sair mais... — Henry riu.

— Elas não são só pedras, são armas, apesar de não podermos matar, nós sabemos nos defender e você também deveria, por isso feche os olhos.

— Tenho certeza que se eu acertá-las na cabeça de alguém pode ser fatal — tirei sarro mais uma vez.

— Só feche os olhos.

Eu fiz o que ele pediu e esperei para mais alguma instrução.

— Ponha a mão no baú e relaxe, a sua pedra virá para você.

— Você só pode estar de brincadeira... — mas antes que ele pudesse reclamar eu fiz o que mandou, tentei esquecer tudo que estava me aborrecendo e esperei pelos segundos mais longos de todos, é claro que nada aconteceu. — Viu? nada disso é.... — fui interrompida por algo gelado que acertou a palma da minha mão.

Abri meus olhos e tirei minha mão do baú e por alguma razão inexplicável lá estava uma pedra roxa escura lapidada.

— Tudo bem eu nunca mais contesto algo do tipo, mas de que jeito isso poderia ser uma arma? — essa era a dúvida que se mantinha em minha cabeça.

— Eu prefiro que você não tente mexer com ela por agora, para segurança geral, mas ela faz isso — ele sacou uma pedra verde musgo com a mesma forma das outras de seu bolso e a segurou soltando um leve brilho, em questão de segundos uma espada começou a se desdobrar dela — como se o ferro fosse de plástico — e se transformou em uma perfeita espada de dois gumes, o mais interessante era que a pedra continuava ali, no cabo da arma.

— Isso foi muito legal! — agora eu oficialmente me senti em um livro de fantasia. — Mas sem querer ser chata, como isso é possível?

— Energia, isso se transforma na arma de sua escolha, é claro que somente uma e só pode ser usada por você, a pedra estará conectada com você para sempre. Alguns de nós fazem colares ou pulseiras com elas, mas é bem mais prático guardar no bolso — ele sorriu fazendo a pedra voltar ao normal para que ele a guardasse.

— Bom, eu espero que nunca tenha que usar isso, mas acho que depois disto estou preparada para voltar aos livros e as pesquisas. Talvez eles sejam a coisa mais normais aqui.

— Ótimo, eu e Noah achamos mais algumas informações.

— Acho que vou precisar de mais café, tipo um litro...

Notas finais
E aí, o que acharam?? Deixem um comentário aqui ou lá no tumblr (link na bio)!!