Do Amor à Redenção

98 Capítulo Bônus 13 - Berina


Estava na Toscana, um dos poucos lugares que ainda mantém um certo ar medieval, tinha que admitir que não era a melhor época para bruxas, ainda mais uma tão poderosa e criativa em seus feitiços quanto ela, mas era uma boa época do ano para estar aqui onde não via pessoas correndo para lá e para cá, por isso não veio na época de turismo, era bom sentir o ar bucólico da cidade, já conhecia tudo ali, por isso gostava tanto.
Sua vida havia passado por tantas mudanças significativas, coisas que não havia feito por mais de 400 anos e fez em menos de dois. Ainda achava que Fergus deveria não dar trela para aqueles moleques Winchester, mas por outro lado agora de certa forma o entendia, se ama o pai tem que amar os filhos. E Berith era outra mudança, uma que não esperava, não queria e não precisava de alguém em sua vida, era infernal toda essa preocupação e esse querer bem que que a irritava imensamente, queria poder não sentir nada, assim como sabia que ele não sentia.
Estava em um restaurante maravilhoso em Florença, seu lugar favorito da Toscana, foi brilhante no renascimento e ainda preserva seus encantos.


— O senhor já decidiu? Gostaria de ver nossa carta de vinhos? — Perguntou a jovem loira que era sua atendente.


— Sim, gostaria de ver a carta vinhos. — Berith respondeu sem olhar para a mulher.


— Recomendo um vinho da casa... — Ela ia dizendo e se inclinando sutilmente para cima de Berith, que se tinha notado fingiu que não. E enquanto o jantar seguia, a coisinha ia ficando cada vez mais oferecida.


— Querida, está tudo bem? — Perguntou o demônio, o desgraçado havia percebido os avanços da outra mulher e agora estava tentando irritar Rowena.
Ela não o respondeu obviamente, quando o jantar terminou, colocou como "gratificação" um saquinho de bruxa no bolso da mulher, queria poder ficar para vê-la morrer, mas assim que chegaram ao luxuoso hotel viu que seus planos haviam sido frustrados.


— O que está passando pela sua cabeça? Lembra que seríamos discretos? — Berith não estava irritado. — Não precisa fazer isso tudo por ciúmes, sou apenas seu, minha cara. — Sorriu de lado, um sorriso que irritava a ruiva, mas disfarçou muito bem.


— Oh pobrezinho, acha que estava com ciúmes dele. — Ela sorriu debochada. — Não foi por você ou por ciúmes, foi por que aquela coisinha insignificante não sabia seu lugar, mas vai ter o que merece.


— Sinto frustrar seus planos minha querida Rowena, mas não vai ter não. — Mostrou o saquinho para a mulher e depois o jogou na lareira do quarto de hotel que estavam.


— Você está protegendo a coisinha? Ótimo! Fique com ela! Não preciso de você, não preciso de ninguém! — Ela diz e começa a arrumar as malas.
Anda até outra parte do grande quarto, abre os armários, e começa a pôr as suas coisas dentro, quando enche a primeira mala e começa a encher a segunda, percebe o demônio encostado no batente na porta, com um certo escárnio estampado em suas feições.


— O que está fazendo? — Perguntou calmamente.


— Está vendo? Mal ficou perto da coisinha e já está ficando burro. – Diz debochada. — Não é óbvio? Estou arrumando minhas malas e indo embora, foi bom enquanto durou Berith. — Ela fecha os olhos e suspira, logo os abre e recomeça seu trabalho, não devia ter deixado as coisas chegarem a esse ponto, foi burrice, estava tão bem antes de conhecer esse ser, mas agora, mesmo que nunca admita, dói deixa-lo para trás. Como ninguém havia feito antes ele a aceitou, a entende, só que não iria ser fraca novamente, não iria amar novamente nunca mais, e essa história com a moça é perfeita, porque é madura o suficiente para saber que isso tudo foi um pretexto.


— Você não vai a lugar nenhum! – O demônio diz com a voz firme.


— Vou onde eu quiser meu caro. — Ela diz um tanto quanto ameaçadoramente.


— Não precisa Rowena...


— Oh! Não venha com essa história, eu sei o que preciso.


— Vamos passar por isso até quando? – O demônio fala se aproximando, onde a ruiva estava não havia muito espaço entre ela e a parede, o que acabou a deixando encurralada. — Você não precisa fugir, não sou o pai do seu filho, não vou fazer com o que ele fez, não tenho interesse naquela garota.


— Você ainda acha que isso é sobre você? — Perguntou incrédula com a arrogância do outro e este não se importando colocou uma mão em seu queixo, ela o olhou irritada, mas não recuou, com o polegar ele lhe acariciou a bochecha.


— Não. Isso é sobre você! Sobre seus medos. — Berith a segura pela cintura de maneira que não pode sair, até tenta o que faz ele grudar seus corpos. — Não precisa se sentir assim, te entendo, é difícil amar, eu não devia amar, não devia sentir, mas aqui estou.
O encarava, pela primeira vez não tinha um comentário maldoso para fazer e em meio a essa confusão que sentia, ele a beijou e quando se separaram ainda estava confusa por que o amava e não devia, por que devia realmente ir embora, mas aqui estava a grande bruxa Rowena McLeod, cedendo e ficando ao lado de um maldito demônio.


— Eu te amo Rowena. — Sussurra como em um pedido para que fique. Ela não diria, talvez ainda não estivesse preparada para dizer, mas o beijou de volta e esperava que entendesse.