Do Amor à Redenção
12 Capítulo 11
Capítulo 11
Aquilo era bom, macio e quente. Não queria abrir os olhos, não sabia se era uma espécie de sonho. Ela se lembrava de ter sido retirada do braço de sua irmã, lembrava do que a grande Artêmis havia falado, mas não conseguia acreditar, não esteve em uma cama assim desde seu primeiro e último dia em sua casa com sua mãe.
Quando finalmente abre os olhos, vê Amy sentada em uma cadeira ao lado de sua cama, é bom acordar e ver um rosto familiar.
– Bom dia flor do dia! — Amy a saúda sorridente.
– Bom dia. – Emma se aconchega mais ao edredom.
– Como você está?
– Minha cabeça doí. ... tô com fome! — Emma sorriu tímida.
– Bem são dois problemas fáceis de resolver, um com analgésico e o outro com comida! — Amy falou segurando a mão da irmã. — Mas quero saber como esta se sentindo?
– Ah entendi! Você quer saber se sou um perigo ao nosso pai? — Disse a loira se sentando. — Sabe que não! A deusa Artêmis tirou a maldição que estava sobre as Amazonas de mim! — Falou um pouco irritada enquanto voltava a se enrolar.
– Eu não quis..
– Tudo bem! – Emma disse segurando a mão da irmã.
– Tem muita gente querendo te conhecer... -Amy percebeu a angústia que a outra sentia e tratou de acalma-la. — Olha todos que estão aqui são nossa família e nada de ruim vai acontecer com você nunca mais, eu prometo! — Disse a morena, sorrindo.
Emma confia em Amy, afinal elas se conheceram no pior momento da vida das duas, são irmãs, e conseguia sentir a morena nunca lhe faria mal.
– O Tio Gabe fez o café! Ele e o papai são os melhores cozinheiros desse bunker! – Amy disse contente. Segurou a mão de Emma, para a mais nova era bom ter a força da irmã consigo.
Quando finalmente chegaram na cozinha onde estavam boa parte dos moradores do local, Emma engoliu seco e apertou um pouco mais forte a mão de Amy, eram muitos rostos, muitas pessoas, nenhum parecia uma ameaça, mas ela se sentia sufocada, por sorte tinha Amy ao seu lado.
– Oi mana! — Danny falou e Emma deu apenas um tímido sorriso para o pequeno que olhou confuso. Emma se sentia cada vez pior, ainda mais que ela era o centro das atenções ali, até que Amy resolveu falar.
– Pai, eu quero te avisar que eu vou a casa de minha mãe para dizer que...
– Não você não vai e esse assunto não está em discussão!
– Pai independente do que aconteceu ela merece saber que eu estou viva e também tem a Stacy, a minha vó e Victor eu preciso saber se eles estão bem! — Disse a jovem.
– Eles estão bem, quando saímos de lá eles estavam bem! — Dean rebateu irritado com a teimosia da jovem.
– Por que nunca aconteceu de vocês saírem de um lugar e tudo dar errado! — Amy resmungou irritada, ao lembrar que Sam havia contado sobre o que Lilith havia feito na delegacia.
– Amy é bom você mudar seu tom!
– Eu sou uma adulta, eu estou te avisando o que eu pretendo fazer, só isso! — Amy quase gritou.
– Já chega! — Disse Bobby. – Vocês não estão vendo o que estão fazendo com Emma e Danny?
– Eu...
– Já chega Amy! — Bobby falou. — A garota tem razão, talvez deva ir com um Arcanjo.
– Eu sempre a levei, posso fazer isso agora! — Michael disse e Dean se levantou e saiu.
Depois da briga Emma se sentiu mais desconfortável ainda, até por que ficou sozinha com os outros enquanto Amy saiu para falar com o pai delas. Tentando passar despercebida, aproximou-se de Claire e Daniel, o que mais a incomodava era ter de ficar perto de Samuel, seu tio, o homem que tirou sua vida, embora soubesse que ele não teve escolha, mas ainda assim.. Ela tinha medo.
Assim que Adam e Hella partiram depois de uma breve despedida, com promessa de rápido retorno, a garota voltou para o quarto, sentia-se muito bem ali, e não é que não tenha gostado de ficar com a família, está feliz por isso, mas só não consegue ficar ali é como se estar perto deles fosse de certa forma um pouco sufocante, afinal ela não podia e não conseguia retribui o amor que estava recebendo. Afinal quando estava viva, nunca recebeu carinho, cuidados sim, mas carinho não, elas diziam que carinho a deixaria fraca e agora as pessoas querem saber como está e parecem estar genuinamente preocupados e tem seu pai que não sabe exatamente o que fazer com ela, a loira sente que ele queria se aproximar e talvez assim como Amy lhe prometer que tudo estaria bem, parte de Emma quer que alguém faça isso.
– Emma podemos entrar? — A jovem amazona ouve a voz da irmã, se alegra, mas a palavra "podemos" a deixa nervosa.
– Claro! — Ela diz um pouco incerta.
Quando Amy entra, esta acompanhada de Claire Novak e Daniel, Emma estranhamente não se sente mal perto deles.
– Nós veio fazer campanhinha! — Danny diz e mesmo Emma ri um pouco.
– Não é campanhinha, se diz companhia. — Amy corrige o pequeno.
– Com... Companhia!
– Isso meu amor! – Ela dá beijo no garoto e o põe no chão, ele logo senta na beira da cama.
– O Danny pegou umas fotos por que teve uma ideia! — Claire disse se sentando na cadeira.
– Aqui é o vô John e a vovó Mary! — Ele entregou a foto.
– Eu acho você parecida com a vovó! — Amy fala.
– Ela era linda! – Emma sabia que a avó havia morrido pois a mais velha havia contado.
–Mas e o senhor Singer? Você apresentou ele como vô Bobby!
– Eu sei, é por que ele ajudou a criar nosso pai e o tio Sammy, ele é nosso avô do coração! — Amy sorriu ao imaginar a expressão de Bobby ao ouvir tal frase.
– Entendo!
De repente Danny se levanta e abraça Emma que se assusta com o contato repentino, pensa em afastar o menino, mas ele é só um bebê, seu irmãozinho, então com muito receio ela o abraça de volta, ele solta a irmã depois de um tempo não sem antes dar um beijo na bochecha dela.
– Agora você vai fica bem, nós tá junto para sempre! — Disse se sentando no colo da loira e segurando a mão da irmã.
– Danny cê tem certeza que você tem só quatro anos? — Claire brinca e o bebê olha confuso.
– Por que?
– Por as vezes você fala umas coisas que muito adulto não seria capaz de dizer! — Claire responde.
– E que o tio Gabe disse que eu puxei o Cas, que eu sou muito esperto. — Ele apontou para a cabeça.
– Não é Cas, você tem que dizer papai ou pai! – Amy repreende calmamente.
– Não entendo. – Emma tenta perguntar.
– Uma longa história que te contamos depois! – A morena a corta. — Olha eu acho que sei o que tá acontecendo com o Danny!
– Do que você tá falando? — Perguntou Claire
– Ele não chamando Cas de pai! – Amy responde.
– Por que Sherlock? — Claire pergunta e Amy da língua para ela e Emma ri das duas.
– Quando minha irmã Stacy nasceu minha mãe me fez chamar meu padrasto de pai e aí a Stacy também chamava ele de pai! – Amy explicou. – Acho que por ser mais velha ela queria seguir meu exemplo e por isso assim que comecei a chamar o Victor de pai a Stacy também passou a fazer.
– Entendo, mas como isso se aplica ao Castiel. – Claire perguntou.
– Ora é bem simples, vamos chama-lo de pai assim o Danny vai fazer igual.
– Nem sonhando. – Claire disse ríspida e saiu do quarto.
– Que droga acabei esquecendo que este é um assunto delicado para ela. – Amy levantou rápido. – Emma fica de olho do Danny enquanto vou falar com ela.
A loira olhou para o pequeno que brincava com um carrinho preto. Quando percebeu o olhar da irmã ele sorriu amplo e mostrou o brinquedo.
– Impala. – Ele disse o nome do carro. – Papai tem um.
– É muito bonito. – Emma disse ainda olhando para a porta e tentando entender o que ouve com Claire.
– Elas já volta. – O garotinho disse com forte convicção e depois de uns momentos em que ambos os irmãos brincavam de carro as garotas voltaram.
Eles ficaram ali conversando por um tempo, até que Danny dormiu com a cabeça no colo de Amy, enquanto a morena acariciava os cabelos do menor, Emma se sentia bem com as garotas e o Danny, eles tornavam as coisas bem mais fácil, por mais que não conseguisse trocar mais que duas palavras com o resto do pessoal, ela sabia que com os três podia falar e estava feliz por ter tido a oportunidade de conhece-los.
Amy sai do quarto e Claire já tinha sumido, estava provavelmente em seu próprio quarto, então a morena bate na porta logo entra sem esperar permissão, Claire que estava chorando limpa rápido suas lagrimas e olha para Amy ali parada na sua frente.
– O que você quer? — Disse ríspida, ser lembrada de seus pais agora mortos era difícil, mas difícil ainda era não culpar Castiel.
– Claire me desculpe...
– Tudo bem! Agora será que dá para sair do meu quarto? — A mais nova pede com a voz embargada.
– Não! Olha você sabe que não falei por mal e que... — Amy estava hesitante.
– E que o que? — Claire pergunta agora já contendo as lagrimas e tornando-se irritada.
– É que não vejo diferença entre você, Danny e Emma, vocês são meus irmãos! Eu não vou dizer que entendo por que sua dor é só sua, mas sei que tudo o que aconteceu ao seu pai foi triste, e sei que o que vou falar não ajuda e pode fazer ficar com raiva de mim, mas seu pai se foi como herói e o Castiel ele te ama como a uma filha sei que não é fácil amar alguém que não seja seu pai e nós quatro somos irmãos e por isso que eu dei essa mancada, mas eu prometo ser mais cuidadosa e sei que você não precisa chamar ninguém de pai! – Amy disse e Claire olhava para ela.
– Eu não gosto de tocar no assunto! — Disse a loira que ficou de pé olhando para a parede oposta.
– Eu sei e peço desculpas! — Amy fala com os olhos marejados, tinha medo de perder a amizade da outra. Claire virou bruscamente e abraçou Amy, sabia que os Winchester eram seus irmãos sim, mas daí assumir que ela gosta do Cas como pai, é um passo muito grande, no entanto está feliz de ter Amy como irmã, não fala nada, apenas solta a morena e as duas não precisam de muito mais que um olhar para saber que está tudo bem, afinal irmãos são assim se entendem e desentendem o tempo todo, depois de enxugar as lagrimas e limpar os rostos elas voltam para quarto onde estão os mais novos.
Gabriel havia acabado de chegar do Céu, esteve lá para tentar conversar com seu pai sobre a permanência sua e de seus irmãos, depois de muito tempo de espera a única coisa que recebeu foi um aviso por Joshua de que seu pai não iria ter essa conversa agora. Frustrado pela falta de respostas ele voltou para o bunker no amanhecer e ao ir para a cozinha começar o café da manhã, encontrou um pensativo Castiel em pé próximo a pia.
– O que houve irmão? – Inquiriu o arcanjo.
– A pouco mais de três horas, Emma teve pesadelos e seus gritos fizeram a maioria dos habitantes ir para seu quarto. – Ele disse ainda de costas para o irmão. – Ela se assustou com nossa presença mas entrou em pânico quando viu Sam e Dean, gritou sem parar até que Amy a abraçou e acalmou.
– Droga! Ela melhorou? Como Sam reagiu a isso?
– Ela e Amy estão dormindo no mesmo quarto, parece que a irmã acalma os nervos de Emma. – Castiel disse ao olhar para o Trickster. – Sam ficou arrasado e ao sair do quarto, Dean foi tentar conversar mas eles acabaram discutindo.
– Eu vou vê-lo. – O serafim apenas olhou o irmão ir antes de voltar a sua contemplação. Algum tempo depois ele escutou passos em sua direção e logo Amy, Daniel e Emma entram no cômodo.
– Bom dia pai! – Amy que estava com Danny no colo sorriu para ele embora o anjo não entendesse a saudação. – Fala bom dia para o papai também Danny.
– Bom dia pai. – O garotinho falou despois de um tempo olhando entre sua irmã e Castiel.
– Não compreendo. – Castiel disse intrigado.
– Você é pai de Daniel tanto quanto o papai certo? – A morena perguntou enquanto colocava o irmão na cadeirinha.
– Mas porquê... – Ele foi cortado por Amy que colocava pão na torradeira.
– Depois eu explico não se preocupe. – Amy disse mas de repente percebeu que talvez Castiel não gostasse que ela o tratasse de tal modo. — Mas se por acaso me ouvir chama-lo assim seja um incomodo eu paro agora mesmo.
– Não é um incomodo mas é muito peculiar receber tal denominação.
– Eu irei explicar tudinho mais tarde prometo.
– Compreendo. – Ele olhou para seu filho que acompanhava toda a conversa. Enquanto Amy fazia torradas e colocava algumas frutas na mesa, Castiel resolveu colocar leite para as crianças.
– Bigado Cas. – Daniel disse quando o anjo colocou o copo de canudinho em sua frente, mas assim que Amy pigarreou, o pequeno logo se corrigiu. – Bigado pai.
– Isso mesmo, e pai para mim é suco. – A Winchester mais velha olhou para sua irmã. – E você Emma prefere suco ou leite.
–Leite está bom. – A loira respondeu rápido, mas quando Castiel colocou o copo com o liquido em sua frente ela se encolheu em seu lugar mas disse baixinho. – Obrigada pai!
Amy, Castiel e Dean que entrava na cozinha pararam estupefatos ao ouvir a garota falando sua primeira frase a um homem que não fosse Daniel.
Emma queria sair correndo da cozinha quando todos ficaram a olhando, a jovem só quis ajudar, ela entendia os motivos de Claire para não fazer, mas para ela não custava nada e Amy já havia explicado tudo sobre o nascimento de Danny e sobre o relacionamento de seu pai com o anjo, ambos são pais de Danny e para Emma é assim que o menor deve se referir a eles, afinal Daniel é uma criança muito amada e deve retribuir o amor.
Por sorte Emma tem uma irmã incrível, que a salvou desse momento.
– Ela está me ajudando em uma coisa com Danny e depois explico melhor!
– Tá bem! — Dean responde, se sentando ao lado de Amy.
– Café Dean? — Cas perguntou e o loiro acenou concordando se bem que na verdade ele queria mesmo uma cerveja, mas não ia beber na frente dos filhos logo depois de Castiel servir Dean Claire entra no cômodo.
– Bom dia! — Fala se servindo.
– Amy eu vou dar um cartão para você e Emma irem no shopping comprar umas roupas, já que Hel já se foi tem que achar alguém possa levar vocês! — Disse Dean, Hel realmente levaria as meninas, mas dada a situação de Emma seria melhor que fosse alguém de confiança da loira mais nova.
– Não precisa de ninguém para levar a gente pai! Eu sou uma adulta posso cuidar... – A morena começou o protesto mas foi interrompida por Daniel.
– Eu vou para o Shop tomar conta das minhas manas.
– Você vai? — Perguntou Amy sorrindo.
– Eu vou né pai? — O garoto perguntou fazendo cara de cachorrinho que caiu da mudança.
– Quem resiste a essa carinha? — Amy disse apertando as bochechas do menor. — Se o papai e o pai deixarem você vai poder ir sim!
– Eu posso? — Pediu o pequeno.
– Ainda temos que ver quem vai com vocês mas sim quero que você fique de olho nas suas irmãs! — Dean respondeu.
– Pode ser o Castiel ou você! — Claire propôs entediada.
– Que tal a tia Charlie? — Amy oferece por saber que Emma se sentiria mais confortável com mulheres junto a ela.
– Vou falar com a ruiva! — Ele responde enquanto pega o celular e passa uma mensagem.
Os outros moradores começaram a chegar, as três meninas e Danny vão para o quarto de Amy que também é o quarto de Emma agora.
– Ela melhorou? — Bobby perguntou quando sentou na mesa com uma xicara cheia de café.
– Ela falou com Castiel e você não vai acreditar mas o chamou de pai! – Dean responde recebendo um olhar incrédulo de Bobby e de todos os outros.
– Amy também está me chamando assim agora, ela disse que Emma só a esta ajudando por conta de Danny. — Castiel explicou sem jeito.
– Já entendi, também tinha reparado nisso e ia falar mesmo com Amy. — Bobby diz. — Danny não chama Cas de pai por que ninguém chama e ele chama o Dean por que vê a Amy chamando, ela é uma garota muito atenciosa!
Gabriel encontrou um chateado Sam continuava em seu quarto, ele já se sentia mal com a situação antes, mas agora que Emma está morando no bunker as coisas só pioraram pois agora a menina tem medo dele.
– Vai ficar aí o dia inteiro? — Gabriel perguntou ao sentar na cama do namorado e cutuca-lo nas costelas.
– Eu não quero...
– Olha Sammy, sei que é difícil para você e para ela, mas essa é a chance que vocês vão ter de se reconciliar, tente ser paciente meu amor e sei que as coisas vão dar certo, afinal foi um humano maravilhoso que me ensinou isso. — Gabriel diz e depois beija de leve o Winchester.
– Obrigado Gabe! Agora que tal vir aqui e me distrair um pouco?
– Seu pedido é uma ordem Moose.
– Maldito Crowley! – Sam resmungou enquanto puxava o arcanjo para seu colo.
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