Do Amor à Redenção

93 Capítulo Bônus 8 - Sabriel


Notas iniciais
Olá!

Sabe o que é completamente irritante? Ter que pedir para usar algo que é seu!

Depois de semanas pensando o melhor método, o mais romântico e emocionante.

Sim, o Arcanjo Gabriel teve uma ideia incrível, mas para pôr em prática tem que falar com o Pai, já que está proibido de usar seus dons pagãos. Sabia que as possiblidades para ser atendido em seu pedido eram grandes, mas como estava a um tempo sumido do céu, bem lá no fundo temia uma negativa, afinal seu pai era bondoso mas muito severo. Voou para casa e não nega que caminhar pelo céu é bom e calmante, mas estranhamente já não sente mais que o céu é seu lar, por que lar, como dizem as pessoas que amam, "O lar é onde o coração está" e já fazia muito tempo que seu coração não está mais aqui. Claro que ama o lugar, afinal é de certa forma a morada de seu pai e depois de tudo que passou sabia definitivamente que seu coração estava onde sua família se fazia presente.


— O Pai falará com você em breve irmão. — Samandriel diz estoicamente.


— Obrigado irmão. — Falou educadamente, mas logo uma questão surgiu em sua mente. — Onde está Joshua?


— Garantindo que você não faça nada as flores dele. – O anjo não pode deixar de dar um pequeno sorriso.


— Ele não percebeu que não sou mais um iniciante? — Gabriel disse e de verdade se não estivesse indo pedir algo ao pai, faria algo especial com as flores só para pagar a desconfiança do irmão. Já fazia anos que não tinha que convencer seu pai de nada e hoje em dia estava mais acostumado a ser pai do que filho, mas sim conseguiu o aval de Deus para apenas uma vez usar seus dons, o que seria muito divertido.


Depois disso não foi difícil trazer Sam para fora casa e combinar tudo com os seus filhos, Hel e Fenrir estavam muito empolgados, Jormungandr achava que era uma bela atitude de seu pai e Alex era muito bebê para opinar, mas estava especialmente feliz naquela manhã. Assim que ele e o Winchester pisaram fora do bunker, a magia aconteceu.

Sam achava que tinha entrado em uma loja, mas na verdade tudo havia mudado, principalmente sua roupa, estava com um terno muito bem alinhado de três peças, não demorou muito para perceber que estava no filme Casablanca e no segundo seguinte entendeu o que estava acontecendo. Sabia o mal que tinha realizado ao não ouvir a lição que Gabriel tentava passar quando Dean estava prestes a morrer, por isso quando ouviu Rick Blaine dizer:

"Talvez não hoje. Talvez não amanhã, mas em breve e para o resto de seus dias."

O Winchester sabia o quanto se arrepende de não ter ouvido, de não ter sido paciente, de ter se afundado no ódio e na busca por vingança, se tivesse aprendido e entendido que cada vez que seu irmão morria, no amanhecer de um novo dia estaria de volta, poderia ter evitado tanta dor, se ao invés de se aliar com Ruby e ter ficado tão cego por suas mentiras, tivesse ido atrás do Trickster as coisas poderiam ter sido tão diferentes, no entanto sabe muito bem que não se pode mudar o passado e certamente vendo tudo o que estava acontecendo atualmente em suas vidas, não pensaria em mudar nada, na verdade mudaria sim, o jeito que machucou Dean, isso ele gostaria de mudar, mas não era perfeito, assim como seu amado também não, afinal Gabriel também era um exagerado, poderia ter sido mais direto em seus ensinamentos, entretanto preferia ser um filho da mãe tinha que tornar tudo mais difícil. A diferença era gritante pois antes a maneira distante e um tanto quanto malvada que o ser celeste fez as coisas, a maneira amarga e ressentida que lidou com a situação só piorou sua relação com os irmãos e quando tentou resolver, quando ambos tentaram resolver já era tarde demais e se perderam. Sam fechou os olhos, sentiu as lágrimas escorrendo por seu rosto e quando abriu os abriu estava em "Noivo neurótico, noiva nervosa."


Riu alto da indireta, afinal de contas mesmo com todas as brigas, mesmo com todas as confusões da cabeça da protagonista e todas as frustrações do seu par, de alguma forma eram um item, mesmo que a rotina os faça brigar, é inegável o que sentem. Se fosse comparar, coisa que não gosta de fazer, já que prefere a realidade, manter seus pés bem plantados no chão. No entanto se fosse, dava para entender o que o arcanjo estava dizendo, independente das brigas e da rotina se amam e são uma família. Estava entretido pensando nisso quando notou algo interessante, dessa vez não podia interagir, parecia estar no universo do filme, mas não era como o remake ruim de Dr. Sexy que tinham experimentado. Depois desse pensamento o "cenário" mudou mais uma vez e lá estava só de cueca em um quarto decorado de uma maneira bem brega, era um clássico cenário de Casa Erótica e então a porta bateu e Gabriel entrou.


— O que é isso Gabe? — Perguntou divertido, já que o romance agua com açúcar desaparecerá tão rápido.

— Ops... – O Arcanjo estalou os dedos e mais uma vez o cenário mudou. O mais alto olhou em volta para tentar reconhecer onde estava e não pode deixar de sorrir quando viu que vestia uma calça caqui de alfaiataria, sapatos confortáveis, suéter de lã cinza e os filhos de ambos, por que mesmo que os filhos de Gabriel fossem Deuses, eles criaram uma ligação tão extraordinária com Sam que para o caçador eles eram um pouco como seus filhos também, mesmo os mais afastados, como as gêmeas e o grande corcel presentes.


— Então, estavam faltando quatro mas aí eu resolvi emprestar meus dois, que estavam loucos para conhecer o namorado do avô. – Fenrir começou a explicação com um largo sorriso. – Mas mesmo com a falta de elenco dá para entender o contexto certo Samuel? – Assim que perguntou isso o Lobo apresentou para o Winchester os dois “adolescentes" de cabelos cacheados castanhos como o do pai, ambos cordialmente apertaram as mãos do humano.

— Estávamos ansiosos para conhece-lo – Falaram juntos e o caçador riu ao perceber que todos os gêmeos da família falavam ao mesmo tempo nos diálogos.


— Por que já conhecemos o namorado de papai! — Disse um dos morenos, que eram idênticos até nas roupas o que tornava impossível identifica-los.
— Sou Hati e esse é Skoll meu irmão. – O segundo apresentou. – Tivemos um inevitável imprevisto na época, por este infortúnio não tivemos condições para ir à casa de vovó quando você esteve lá por isso fizemos questão de participar desse evento.


— Cara você vai fazer Samuel dormir desse jeito, parece um velho! – Skoll bocejou e logo um sorriso amplo tomou suas feições.


— Pelo menos não sou um mal educado. – Respondeu indignado e com as orelhas vermelhas.


— Crianças, não vamos assustar o Sam não é? Cadê a educação que a mãe de vocês deu aos dois enquanto eu estava impossibilitado e não podia? — Fenrir perguntou.

—Bem que ele sabe que não poderia! – Jormungandr sussurrou mas todos os presentes podiam ouvir, o que gerou uma serie de risos.

— Vocês se aquietem! – Hel Gritou fazendo todos ficarem em silencio. – Não sei se percebeu mas estamos em “Doze é Demais” com pequenos desfalques é claro!

— A ideia foi de Vali! — Narfi apontou sorrindo debochado.


— A sua era Noviça rebelde! — Vali rebate.


— Foi uma boa sugestão. — Jormungandr se intrometeu tentando apaziguar os mais novos.


— Nosso pai tem algo a dizer, então calem a boca! — Sleipnir avisa fazendo todos voltarem ao silencio.


— Obrigado querido. — Gabriel agradece ao primogênito. — Sammy boy, você não acha que te trouxe aqui só para assistir filmes certo?


— Então por que estou aqui? — Perguntou fingindo irritação.


— Não é óbvio...? — Fenrir começa, mas leva uma cotovelada de Hel. — Ai!


— Então. — Disse enviando um olhar de alerta para seu filho, antes de sorrir para seu companheiro. – Sammy, sabemos de nossos erros, mas prefiro mesmo pensar em nossos acertos! E quero agradecer por ter me aceitado, sei que não foi fácil, sou complicado, perfeito, mas um pouco complicado. E por isso tivemos momentos ruins, nos separamos, reatamos, nos separamos de novo, você me irritou, eu te irritei, tivemos uma linda criança e nos amamos. — Mexeu no bolso e tirou uma caixinha vermelha de veludo de lá. — Eu te amo e sei que mesmo que diga que não esse é seu sonho e digamos que nesse momento sou um misto de príncipe encantado e fada madrinha. Então gostaria de saber de você Samuel Campbell Winchester, quer ter a honra e o absoluto prazer de casar comigo?

— Gabe, você também me aceitou, me amou, me faz tão feliz que é claro que não negaria a dadiva divina que está sendo apresentado a mim! – Sorria entre emocionada com o pedido e debochado pela presunção do amado. — E é claro que aceito casar com você. – no fim a emoção falou mais alto e puxou seu amado para um longo beijo.


— Meu pequeno erro ficou apenas entre nós! — Gabriel sussurrou, deixando Sam corado. O mais baixo ajoelhou-se e abriu a caixa, dentro uma aliança de prata, que significava a pureza do amor, tinha como detalhe pequenas cordas também em prata que se entrelaçavam desorganizados mas mesmo assim formando uma corrente forte como o amor de ambos, assim que colocou no anelar do mais alto os filhos aplaudiram.


— Pronto agora acabou. — Hel diz pegando Alex que estava no colo de Sleipnir. — Agora toma essa levada, por que todos fomos um pouco babá! — Ela riu para a pequena em seus braços e entregou a Sam.


Aquela era sua família, e embora sua vida nunca seria a torta de maçã que sempre buscou, não via motivos para arrependimentos, não quando Gabriel mudou tudo de cabeça para baixo e agora sua família era feliz e completa, Dean era feliz com Castiel e seus filhos e então ele e Gabriel também formaram a sua linda e enorme família e tinha certeza absoluta que jamais poderia ser mais feliz que agora.